O dia se passou inquietantemente calmo, não conseguíamos entrar em contato com a esposa da vítima o que levantava uma pequena suspeita, mas nada que pudesse ser confirmado com a falta total de provas. Mirtis passou o dia tentando contornar a situação constrangedora de mais cedo, oferecendo-me café, donnuts e boas propostas para o assassinato em questão. Nenhuma delas parecia correta.

_ Detetive Lobo, acho que deveria descansar um pouco. — Comentou a srta. Danukas me oferecendo um copo de café expresso.

_ Depois de tantos copos de café? É possível que não consiga dormir nunca mais. — Falei e em seguida apontei para a marca que indicava o local do corpo. — Esse crime não aconteceu aqui. Não mesmo.

_ De acordo com a situação do corpo ao ser encontrado, ele estava morto a no mínimo 18 horas e os vizinhos afirmaram que não houve qualquer movimento suspeito na casa.

_ Lobo, Danukas, venham aqui. — O inspetor chama da cozinha e vamos em direção à sua voz. — Recebemos um telefonema anônimo, afirmando que a esposa da vítima foi encontrada morta na casa de praia do casal. — Touché. — Vou enviar uma equipe para lá e suponho que a ajuda de vocês será mais útil no local. — Assentimos em concordância.

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A casa de praia estava de pernas pro ar. O local inteiro parecia uma zona de guerra, móveis quebrados por todos os lado, sangue espalhado pelo quarto do casal e a mulher, que aparentava seus 30 anos, estava caída na porta com os olhos abertos e sem vida. Olhos azuis.

_ Há um ferimento de bala na cabeça da vítima. — Observou Danukas.

_ Suicídio? — Perguntei.

_ Foi o que pensei inicialmente. Mas ela não está segurando uma arma.

_ Realmente. — Levei a mão ao queixo, pensando numa solução.

_ Os legistas levarão o corpo pra uma autópsia e amanhã teremos novas informações. — Dizendo isto, saiu e foi fazer algumas ligações.

Entrei no quarto do casal em busca de alguma prova, tudo ali parecia mais estranho que o normal. Minha vista começou a entrar em conflito com a minha mente, as imagens se misturavam, em poucos segundos eu visualizava a cena do crime em si, nos demais, eu via meu quarto, minha cama, manchas de sangue. Meus pais. Uma dor latejou em meu peito e no mesmo instante me vi caído no chão, imóvel. Uma escuridão tomou conta de mim. Não pude ver mais nada. Aquela mão, aqueles dedos sombrios, apontavam para mim, havia uma voz grave que dizia palavras emboladas e desconexas, eu tentava sair dali, mas eu não conseguia, estava preso dentro de mim.

_ Lobo? — Ouvi meu nome distorcido. Uma voz aguda, no meio daquela que me dirigia coisas ininteligíveis. — Lobo, acorde. Pessoal, alguém me ajude. — Ela gritava. Mas, que linda voz, eu a conhecia. Quem poderia ser? Marta? Mirian? Mirtis! Meus olhos se abriram e ofeguei. Ela me olhou preocupada, seus olhos estavam de um verde tão intenso que não me importaria em afundar-me neles. — Detetive Lobo, o sr. está bem? O que houve?

_ Frio. — As palavras saíram com dificuldade da minha boca e eu sorri ao ver a srta. Danukas tentando compreendê-las. — Um abraço cairia bem. — Vi um sorriso em seus lábios e a preocupação em seu olhar se desfez.

_ O sr. sabia que assédio sexual é crime, detetive? — Ela fingiu estar bravo.

_ A srta. sabia que amigos se abraçam? — Me fiz de bobo. — O que a senhora testemunhou não foi nada além de um pequeno desmaio pela quantidade absurda de cafeína que me fez ingerir, então, nada mais justo que a senhorita me ajude a recompor.

_ Eu ouvi um pedido de mais café? — Ela arqueou as sobrancelhas zombeteira.

_ Claro, aliás, me matar era mesmo a intenção.