A morte fala.

2 O que aconteceu?


Capitulo Um

Era noite! Os ventos uivavam diante do tempo úmido. Desde manhã a chuva havia dado uma leve pausa. Umas e outras gotas apareciam quando olhares fixos cruzavam as velhas lâmpadas dos postes.

Saint Louis estava aparentemente calma. A escuridão havia domado o lugar, coisas estranhas aconteciam de madrugada. Pessoas desapareciam com tamanha facilidade; algumas eram encontradas mortas — mortes muitas vezes não solucionadas— outras nem mesmo encontradas.

No alto de uma velha colina havia um antigo cemitério. Talvez até o mais antigo de toda a cidade. Joana estava enterrada ali, debaixo de sete palmos de areia. Sim, aquela menina era o exemplo do que muitos diziam: “quando mortos todos são iguais”, pois estava enterrada ao lado de pessoas muito ricas e humildes também.

Nem mesmo seu lugar de descanso fora perdoado. Baderneiros desenterravam seu tumulo. Junto a eles estavam dois integrantes do grupo conhecido pela noite como blood. Algumas pessoas acreditavam que eles eram vampiros, isso para os colegiais era tão legal que muitos faziam coisas indecentes —como estuprar um animal— para fazer parte daquela “seita” popular.

Após diversas cavadas, um dos quatro jovens que estavam passando pela iniciação da “seita” encontrou o caixão de Joana, que ainda carregava o mesmo brilho. Entretanto, estava ainda mais forte. Surpreendendo-os.

Marcos, o “chefe” da suposta “seita” aproximou-se do caixão. Seus íris dilataram-se em um vermelho selvagem. Levantando a cabeça de forma rápida; aspirou o ar daquele lugar. E por mais que pudesse parecer bizarro, ele parecia confortável diante de tal situação.

As folhas das árvores formavam uma pequena sinfonia junta ao vento. Da escuridão surgiu uma jovem loira. Ela carregava em mão um pé de cabra. Que lançou em cima de uma pequena mochila ao chão. Além de ser muito bonita, ostentava um visual gótico. Com direito a espartilho preto e tudo.

Parecia com uma adolescente qualquer. Todavia conseguia ser mais velha que o próprio cemitério. Fazia parte da “seita” como mulher do Marcos. Estavam juntos desde a segunda guerra mundial. Isso era um tempo bom para os dois, mas não era por amor. Vampiros não são capazes de amar. Mas sim por atração, os sentidos humanos aprimoram-se. Ela não se recordava a última vez a qual discutiu por ciúmes com seu parceiro. Enfim, não se recordava de seus sentimentos quando humana.

Marcos era tudo o que tinha, mas não exatamente o que desejava. Disso ele sabia, mas não se importava. Mantinha sua amante dentro dos conformes. Quando se aproximou dele, Ninfa segurou-se para não destruir o caixão. O desejo estava ainda mais intenso.

— Marcos? —perguntou — O que está havendo?

— Consegue sentir? —respondeu se deliciando com o vento — Cheiro é agradável.

— Claro! — concordou virando-se para os jovens — Abrão o caixão!!

Retomando a invasão de tumulo. Um deles pegou o pé de cabra. Juntando todos eles, forçaram a tampa até que fora aberta.

A imagem de Joana brilhando como se fosse um anjo Assustou-os. Ninfa demonstrou certa surpresa. Já Marcos parecia esperar aquilo. Ele não recuou como todos. Apenas se aproximou, esquecendo-se das regras impostas pelo conselho. O mundo da noite em sua mente era dele, qualquer um que não respeitasse suas regras teria um fim trágico. A pergunta que invadira a mente de sua amante fora: O que Joana havia feito?

Encoberto pelo desejo de provar aquele sangue. Marcos deixou que suas presas viessem á tona. Dois dos seus caninos tornaram-se grandes e pontiagudos. Até agora era uma simples brincadeira de crianças, mas aqueles jovens puderam ver com seus próprios olhos que vampiro não era apenas uma lenda. E sim uma realidade apavorante. Sendo assim todos eles saíram correndo. Abandonando o caixão e tentando correr para longe daquele lugar.

Ninfa vendo aquilo sussurrou para Marcos:

—São humanos! Você conhece as regras. —lembrou-o

—Não se preocupe — advertiu— Temos a noite toda para cuidar deles.

—Não acho uma boa ideia — Ninfa se afastou— Teremos grandes problemas se não fomos agora.

— São apenas humanos!

—Não são apenas. São humanos! A lei está a favor deles. — ela fechou a cara — Não estou a fim de confusão.

— Está bem! — ele bufou — Aguarda só um momento.

Marcos inclinou-se para perto do pescoço de Joana. Seu corpo sentia o êxtase diante daquela ruiva de cabelos longos deitada em um caixão encoberto por flores. Era abominável a forma a qual e de forma rápida ele desejo possui-la ali mesmo.

Os vampiro por terem os sentidos mais aguçados, gabavam-se pelo fato de conseguir sentir algo aproximando-se pelo vento. E fora exatamente isso que salvou sua depravada existência naquele momento em questão. Já que uma na curva do vento havia uma bala camuflada. Foi só o tempo de recuar dois passos, antes que seu crânio fosse perfurado por um projetil carregado com a luz do dia. Era ultravioleta, capaz de transformar em pó qualquer vampiro.

Isso o fez caçar na escuridão quem havia puxado o gatilho. Antes ele não buscasse procurar, já que quando encontrou tivera a incomoda presença de Barone Black. Talvez o agente sobrenatural mais casca grossa de todos os tempos.

Barone era o típico cara que caia na graça das meninas, mas odiado pelos seres noturnos. Seu trabalho era mandar para o inferno todos aqueles que quebravam as regra. Para ele Marcos estava violando uma.

Sem ao menos dizer uma palavra se aproximou. Suas botas faziam leves ruídos ao quebrarem galhos caídos ao chão. Seus olhos eram iguais á de gatos ostentando a cor cinza.

Marcos não estava feliz. Ninfa não recuou diante da aproximação de Barone. Ele por outro lado não demonstrou nada além de frieza ao olhar a seu redor. Notando o brilho em Joana deixou que um sorriso muito familiar abusasse de seu rosto pálido.

— Ao que devo a honra Barone? — Marcos virou-se de frente para ele. O vermelho em seus olhos tonou-se ainda mais selvagem. Em uma tentativa fula de amedronta-lo. Mas Barone parecia ser do tipo que não corria nunca.

— É meu trabalho! — fez questão de lembra-lo —Eu deveria perguntar o que você no caso faz aqui.

— Saindo com a namorada — zombou Marcos —Sabe um compromisso de anos.

— Eu não sabia que era necessária a violação de covas para isso. —Barone apontou para o caixão. —Ela é protegida do conselho.

—Eu não sabia — Marcos se defendeu —Deveria colocar na lápide “propriedade do conselho”

— E na sua cara: “enviado para o inferno”

O humor negro fez com que Marcos desse uma gargalhada assustadora. Ambos fixaram seus olhos amaldiçoados na noite. Aquilo parecia mais que um conflito bobo. Lembravam animais selvagens prontos para matar uns aos outros. Aquele era o momento em que tudo poderia acontecer. Ambos desejavam o derramamento de sangue só para que pudessem descobrir o mais forte. Entretanto uma batida brusca de um coração chamou-os atenção.

Joana começou a se bater, mas não eram tapas leves. Ela se arranhava de forma bruta, causando ferimentos. Seu sangue começou a escorrer, chamando a atenção de Marcos. Em um suspiro cruel, parecia que estava se afogando dentro de seu próprio corpo.

Marcos sabia que alguma coisa estava errada. Talvez Joana nunca estivesse morta, era apenas uma armadilha do conselho. Quando se viu diante daquela hipótese, mesmo com o orgulho alto decidiu fugir, deparando-se com o vazio. Sua amante já não estava ali presente. Quando ou como ela poderia ter escapado. Talvez ninfa fosse bem mais esperta que ele. Seguindo o mesmo esquema que ela, esperou a distração de Barone para que pudesse desaparecer na escuridão.

E mesmo com tal pensamento conseguiu está errado. Joana estava morta, sentia tanta dor para voltar á vida. Era como se ela realmente lutasse contra si mesma para o retorno. Quando seu corpo parou de se bater. Seus olhos abriram.

...

Joana sentou-se de forma rápida. Olhou ao seu redor e não compreendia nada do que estava acontecendo. Olhando para baixo se viu envolta de rosas brancas em uma cova.

O desespero tomou conta de seu corpo. Deu um pulo para fora do caixão tentando escalar a terra. Depois de muito sacrifício chegou até o topo deparando-se com os túmulos ao seu redor. Não havia ninguém lá. O tempo estava frio, sua pele se arrepiava facilmente com a batida do vento.

Haviam diversas árvores. Joana ainda sentia-se tonta; algo em seu corpo queimava. Ela não sabia identificar o que era. Descalça caminhou sem rumo por dentro do velho cemitério, de repente encontrou uma lápide familiar. Era a do seu avô; o nome “Scott Brian” estava quase apagado. Tirando por base Joana sabia mais ou menos onde estava.

Mas porque ela estaria ali? Em uma pequena colina, céus; Joana deveria está em seu curso agora. Conversando com Hana e brigando com Matheus. Espere, ela se recordava de um carro vindo em sua direção quando Matheus ... Oh, caramba. Joana sentiu uma tristeza ao pensar no termino com ex. Esfregando o rosto pensava no que poderia fazer, quando do meio das árvores começou ouvir murmúrios.

Eram diversas pessoas falando ao mesmo tempo, mas não havia ninguém ali. Fora quando o sussurro de um pedido de socorro acelerou o coração dela. Dando alguns passos para trás viu se formando uma silhueta masculina. Não era uma coisa normal, aquele homem parecia transparente. Seu lado esquerdo era negro; completamente escuro, sua perna estava presa a uma corrente; seu braço também.

— Me... aju...de — aquele homem tentou se mover, mas a corrente o segurou com tanta força que deslocou seu ombro.

Joana vendo aquilo não pensou duas vezes, antes que pudesse se arrepender saiu correndo. Em meio ao desespero não sentia a dor em seus pés que estavam descalços. Ela esfregava o rosto como uma drogada, tapando por diversas vezes sua visão. Em uma dessas tropeçou na lapide de um desconhecido. Com o tombo bateu com o rosto muito forte em uma pedra.

Ela tentou levantar, mas algo segurou sua perna; negando-se a olhar chutou o que a prendia ainda de costas. Quando novamente tentou se levantar sentiu algo acertar sua cabeça. Era um galho da arvore a qual estava a baixo.

Joana começou novamente a ouvir os murmúrios enquanto perdia a consciência. Antes que apagasse de vez ouviu novamente:

ME AJUDE!!!