Capitulo Dois.

Joana despertou com o barulho de aparelhos. Ruídos de portas sendo abertas e fechadas á todo momento. Sua visão estava embaçada. Quando tentou mover o braço sentiu uma forte dor. Seus olhos doíam, ardiam de forma a qual antes nunca havia sentido.

De longe o barulho de carros nas ruas era irritante. Olhando para a janela que estava semiaberta notou um vulto curvado sobre ela. Não fora capaz de distinguir se era homem ou mulher. Tentando puxar a voz, na primeira tentativa falhou. Sua garganta estava seca, era como se nunca tivesse aprendido a falar. Que sensação horrível sentia. Dor e espanto.

Aquele vulto afastou-se da janela jogando a cortina por cima. A escuridão tomou conta do local, melhorando sua visão e acabando com a ardência. Logo ela descobriu que era um jovem que aparentava 18 anos. Olhos azuis intensos. Cabelo preto liso com um leve topete. Seu corpo era esguio e sua roupa escura.

Joana esperava que ele dissesse algo, explicasse o que estava ocorrendo, mas fora o contrario. Ele simplesmente sentou-se de penar cruzada em uma velha poltrona.

Ela estava deitada em uma cama do que parecia quarto de hospital. Seus braços estavam perfurados por grandes agulhas. Aquele jovem mantinha seu olhar fixado nela, lançando um breve sorriso. Ele colocou a mão por trás da cabeça antes de dizer:

—Está confusa? Isso é tão iniciante — debochou.

—Quem é você?— Joana tentou se levantar.

—Sou o cara que vai ajudar-te —respondeu sorridente — Eu também não estou muito feliz!

— O quê? — Joana não compreendeu.

Aquele jovem olhou em volta.

— E, lá vêm problemas! —ironizou — Apenas observe Joaninha!

— Quem é você? O que está acontecendo aqui

—Vim te ajudar garota. Mas não vou dizer meu nome. Quer saber como sou conhecido pela noite ?

— Como?

— Me chamam de Borat. Por quê? Nem eu mesmo sei. —riu ao dizer isso.

— Você é louco? Tem algum problema mental? Por que está aqui? — foram três perguntas, mas Joana gostaria de ter feito muitas outras.

—É por isso que odeio humanos —estalou os dedos ao se levantar — Mas até eu, devo admitir que vocês carregam consigo uma coisa que nenhum outro ser tem.

—Como o quê?

— Se você não sabe. Não serei eu quer perderei o tempo tentando colocar a verdade em um cérebro tão pouco usado.

—OLHA SÓ! —Joana alterou o tom de voz.

—O quê?

— Não sei quem é você, muito menos onde estou. Mas se tem amor a própria vida vai se retirar daqui imediatamente.

— Está bem!

Borat seguiu para a única porta do cômodo e saiu.

E, lá estava Joana boquiaberta pelo nível de loucura de Borat. Ele realmente havia saído pela porta como se nunca tivesse ido lá. Ela retirou as agulhas. Sabia que aquilo era errado, mas também precisava encontrar alguém que a explicasse o que estava acontecendo. Pelo menos como fora parar ali.

Descendo da cama, apoiou-se no criado mudo a sua direita. Seus pés estavam bambos. Com muita dificuldade caminhou até a janela, retirou a cortina da frente permitindo que o sol invadisse o quarto. De primeira ouve um baque fazendo-a recuar, era como se a presença do sol a machucasse. Depois de alguns segundos a sensação estabilizou-se.

Olhando do alto da janela teve uma vista quase perfeita dos carros lá em baixo. Eram como pequenas formiguinhas facilmente esmagáveis fazendo seu trajeto diário. Joana teve de repente uma vontade louca de esmaga-los. Destroçar cada um e sorrir enquanto o sangue derramava pela calçada imunda. E, esse impuro desejo por sangue a fez se afastar da janela o mais rápido que pode.

Que merda de pensamento foi esse? Perguntou a si mesma enquanto sentava no mesma poltrona que Borat minutos antes. Quando olhou para o teto viu algo brilhar. Era como se estivesse escrito alguma coisa, mas o brilho era tão fraco que a impossibilitou. Pensando rápido e na curiosidade, correu para fechar as cortinas e tornou a olhar para o mesmo local. A escuridão deixou o brilho bem mais forte.

Era uma pequena mensagem em poucas palavras que dizia: “elevador, direita, rápido” Aquilo sim era considerado loucura. Mas a assinatura no final a faz compreender que fora realmente um louco, até em tão sem equilíbrio algum.

Joana assustou-se com a porta sendo aberta. Borat apareceu completamente ensanguentado e segurando uma cabeça decepada em sua mão.

Ela gritou. Logo após recuou até não ter mais para aonde ir. Borat lançou a cabeça para fora do quarto fechando a porta.

— O que foi? —cruzou os braços— Nunca havia visto um morto?

Joana balançou a cabeça positivamente.

— Então? Porque o grito?

— Você matou esse cara! —ela se contorceu ao afirmar

—Joaninha, deixe-me te contar o que está acontecendo—Borat bateu com o dedo indicador na cabeça. Em uma tentativa de avisa-la para pensar. — Até pouco você estava morta, se lembra?

Essa perguntar a fez ter leves Flash backs da noite no cemitério. Murmúrios, pedidos de socorro, caixão ... Ela colocou a mão sobre a boca, seus olhos arregalaram-se. Borat continuou:

—Não sei quem foi o culpado, mas agora você está aqui. Não deveria ter voltado. Quebrou regras e tem pessoas que buscam mantê-las intactas. Não posso dizer muito estamos sendo vigiados e caçados. —ele parou para pensar —Preciso tirá-la daqui. Se pelo não estivesse fora do meu corpo.

—Cor-corpo?

—Cara, humanos são tão tapados! — Ele bateu com a palma na própria testa —Eu havia me esquecido . MAS deixando isso de lado. Eu não sou um fantasma. Simplesmente minha alma foi retirada do meu corpo.

—Isso ajudou muito! —zombou Joana— Sabe o que eu acho? QUE VOCÊ É LOUCO ! COMPLETAMENTE LOUCO!

Ele franziu a testa.

— Quero você vá para o INFERNO com toda essa historinha de alma penada. Tapado é você seu lou...

Antes que pudesse terminar Borat estava lá, segurando-a pelo pescoço com apenas uma das mãos e erguendo seus pés do chão.

Joana sufocava. Seu rosto de pálido passou a ser vermelho. Ela se debatia, batia nele. Tudo se intensificou quando aqueles olhos azuis tornaram-se brutos e fortes. Seus íris lembravam o de gatos, entretanto ainda mais fascinante.

Quando não mais conseguia respirar sentiu seu corpo ser lançado e caindo perfeitamente em cima da cama. Joana buscava o ar com dificuldade. Antes mesmo de se recuperar ele estava bem próximo.

Borat caiu de joelhos ao chão. Joana virou a cabeça lentamente para o lado e o viu pressionar o rosto como se estivesse lutando contra algo dento de si.

Depois de alguns segundos. Borat parecia bem mais calmo, respirava lentamente e em nenhum momento voltou a olhar para ela. Entretanto voltou a falar.

— Existem duas realidades em apenas um planeta. Não falo de rico ou pobre. Feio ou bonito, mas sim de humanidade e seres noturnos. —ele arrepiou-se— Todas as lendas são verdadeiras. Vampiros. Lobos. Fantasmas. Dragões. Etc. Eu sou uma lenda, agora você é uma lenda.

— Lenda? — Joana tentou conter uma lagrima respirando fundo— Porque eu me tornaria uma lenda?

— Porque você se tornou uma história real, com pontos imaginários. — Borat se levantou — Temos que sair daqui. Em meu apartamento explico muito mais.

— Seu apartamento?

— Se você quiser ficar aqui. Boa sorte, mas devo te alertar que existem criaturas na noite bem mais perigosa que eu.

Joana pensou rapidamente nas duas alternativas. Borat era louco. Ficar esperando também não iria ajudar. Criando uma terceira, levantou rapidamente e saiu correndo.

Procurando girar a maçaneta, antes de sair olhou por cima do ombro. Borat não se moveu. A expressão facial dele estava calma. Nenhum momento ameaçou ir atrás ou segura-la.

Quando saiu do quarto se deparou com uma cena horrível. Talvez a terceira opção não fora a melhor escolha... tudo o que conseguiu pensar naquele momento foi:

Meu Deus ajude-me!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.