Honor sentiu os passos cautelosos antes de ouvi-los. Há uma semana que corria destas bestas. Há uma semana seu irmão foi levado, ele sentiu o desespero e dor pela ligação que tinha com o irmão, afinal, Sonor era seu gêmeo. O estremecer na cama fez pensar no peso do monstro. Silenciosamente levantou da cama e vestiu uma calça e aproximou-se da janela. Maldita estalagem de dois pisos. Pegou seus poucos pertences e saiu pela janela, agarrando-se no pilar da casa. Ouviu quando a criatura arrebentou a porta da estalagem e pelo canto do olho viu um ogro. Suspirou e foi descendo, tomando cuidado para não fazer barulho. Ouviu as exclamações de alguns bêbados da rua e rezou para que os ogros não tivessem tido a mesma sorte. Parou no primeiro andar quando sentiu um sopro frio nas costas. Não tão congelante quanto a Mão do Rei, mas o suficiente. Foi procurando até que uma das janelas estava aberta. Abriu com cuidado e adentrou o recinto. Uma dama dormia pacificamente na cama e sua aia estava cochilando na cadeira. Na ponta dos pés, foi saindo, colocando sua camisa no processo. Quando abriu a porta, viu uma das servas passando, que lhe deu um sorriso maroto por sua aparência. Honor sorriu de volta travesso e continuou até a terceira porta, abaixo de seu quarto, onde abriu. Lá dentro um jovem de não muito mais que 18 anos dormia. O homem foi até o jovem e lhe tampou a boca. Quase ao mesmo tempo o estralo da madeira acima de sua cabeça parou. Honor quase pode ver a cara de fúria dos ogros quando descobriram os travesseiros em seu lugar. O jovem acordou de repente e lutou para sair do agarre. Honor fez sinal de silencio com as mãos. Os olhos do moço arregalaram-se e calou-se. Os passos acima começaram novamente. O príncipe fez sinal para que o jovem começasse a se vestir, enquanto ia até a porta e espiava. Uma criatura estranha, com corpo de bode e cabeça de veado ia de porta em porta, abrindo e espiando dentro. Honor suspirou e trancou a porta, se dirigindo pra janela quase na mesma hora. Viu que o jovem lutava com a blusa e quase lhe deu um soco. Arrancou a camisa da mão dele e fez sinal para janela. O garoto olho com cara de desespero e tiveram uma discussão silenciosa com o olhar. Quando a criatura bateu na porta do quarto, o garoto suspirou e se dirigiu a janela. Pularam para o chão num piscar de olhos. Honor começou a puxar o garoto para o celeiro, quando sentiu o frio. Respirou fundo e correu, o garoto em seu encalço. Quando chegou no celeiro, viu que todos as baias tinham sido abertas e os cavalos fugido. Deu um ataque de fúria silencioso quando ouviu o relincho baixo a direita. Olhando para fora, viu seu alazão, Seta, parado com o cavalo do garoto. Honor quis chorar. Montaram os animais no pelo e partiram para o bosque próximo, o mais rápido que puderam. Quando o dia amanhecesse voltariam.

Há uma semana o terceiro príncipe fora levado. Sem ninguém para governar além de Honor, o Rei apareceu. No momento as pessoas apenas o chamavam de Lunto, um velho cheio de cicatrizes e de fala mansa, que acabou por conquistar os nobres, mas não assumiu o poder. Honor estava no caminho. Apesar de visto como o quarto, o inútil, ele ainda era o herdeiro por lei e devia assumir o trono o mais rápido possível. Foi quando disseram isso ao Rei que tudo começou. Ninguém sabe de onde vieram ou aonde estavam, mas as criaturas da noite adentraram os portões do castelo e mataram quase todos. Lunto já não queria ser chamado por seu nome, Lunto era rei. O Rei. Conquistou o castelo, mas não era rei absoluto até sumir com o ultimo herdeiro. Porém, quando Lunto resolveu que Honor não podia viver, houve uma série de acontecimentos que deixou o Rei furioso. Os últimos soldados haviam ajudado o príncipe a partir, junto com Matt, o garoto filho do general. Não houve discussões para onde iam ou como se manteriam, apenas que tinham que partir.

E aqui estamos, com dois homens suados. Honor era alto e de corpo esguio e musculoso, cabelos castanhos e olhos azuis. Matt era mais baixo, e magrelo, típico adolescente na puberdade, aquela faze que a voz era ridícula e o corpo sem forma nenhuma. Tinha cabelo escuro e olhos pretos, lembrava o pai. Faltavam minutos para amanhecer quando os ogros os cercaram. Honor conseguiu matar um ou dois, mas eram seis e Matt não ajudava muito sendo, bem, Matt. Então o sol saiu e os ogros viraram pedra.

– Não vamos sempre ter essa sorte, garoto. – Um Honor muito irritado se dirigia pra estalagem. – Seu pai não te ensinou a lutar?

– Não, meu príncipe. Ele ensinou meu irmão mais velho apenas. Eu queria ser escrivão.

– Porque não me mandou seu irmão, então?

– Ele morreu, majestade. – Honor ficou quieto, absorvendo a informação. Sabia o que era perder o irmão. Suspirou e disse

– Sem majestade, garoto. Somos só eu e você agora. Fique à vontade para me chamar de Honor.

– Sim, senhor. – Honor olhou com uma cara de poucos amigos o garoto e instigou Seta a ir mais rápido.

A estalagem estava cheia e ia de vento em popa. Parece que ninguém percebeu ou viu as criaturas da noite de madrugada, então estava tudo certo. Honor suspirou e levou Seta ao celeiro, Matt em sua cola.

– Não achei que levaria tão pouco tempo para me encontrarem. Estou nervoso e quero encontrar meus irmãos mais que tudo. Desculpe pela grosseria mais cedo, Matt, não foi minha intenção te ofender.

– Tudo bem, majes... Honor. Sei que não sou um bom lutador. Meu pai não tinha outra escolha. Disse que você precisaria de um escudeiro e me intimou a ir. – Matt balançou a cabeça. – Está feito e estamos juntos nessa. Ficar brigando não vai dar em nada.

Honor soltou um bufo e fechou Seta numa baia.

– Vamos garoto, temos que arrumar nossas coisas. Há muito o que fazer. Tenho que encontrar meus irmãos.

– Seus irmãos estão mortos, meu senhor.

–Não. – Honor murmurou desagradável – Vamos para a estalagem, depois para cidade de Rio Franco. Não temos tempo a perder, tem alguém lá que devemos encontrar.

– Rio Franco é afastado de tudo senhor. Ninguém vai lá. É uma vila de agricultores pobres e pacatos. Não tem nada para fazer lá.

– Essa é o objetivo, idiota.