A montanha de Hafar.
3 A velha
O sol estava quente, a estrada deserta e a comida e agua tinha acabado há um dia. Bela maneira de começar uma viagem. Honor e Matt viajavam geralmente a noite e dormiam de dia, mas nos últimos dias, no deserto de Vá, era impossível viajar a noite e aceitável viajar de manhã. Descobriram isso da pior forma possível. Na primeira noite que chegaram, o frio era tão intenso que a noite pareceu uma eternidade com os dentes batendo e a barba congelando, nada que faziam funcionava, era impossível conseguir que o calor penetrasse seus ossos e o fogo parecia insistir em apagar. Naquela mesma noite, por sorte, encontraram um viajante que saia do deserto e lhes vendeu um bom estoque de cobertores e lhes deu alguns concelhos. Pelo menos no deserto não havia criaturas da noite, o sol era tão forte ali que mesmo que anoitecesse, os resquícios do calor do sol pairavam na terra, impossível para homens sentir, mas as criaturas da noite sentiam e se queimavam independente do frio. O deserto era uma praga abençoada.
Não fazia mais de uma hora quando avistaram uma pequena barraquinha aonde começava uma estrada de verdade. Uma velha sentava-se em uma cadeira de balanço na frente da lojinha. Honor parou Seta e sorriu a senhora.
– Bom dia, madame. Pode me dizer aonde estamos?
– Na Garganta do Diabo, garoto. Aqui acaba o deserto e começa a cidade de Valentina. – A senhora disse, de olhos fechados.
– A senhora teria alguma comida para vender? – A boca de Honor salivou – Ou para trocar por nossos cobertores? – A velha abriu um dos olhos desconfiada.
– Claro, rapazes. Esperem enquanto pego frutas. – Ela entrou na barraquinha e minutos depois tinha uma cesta cheia de um fruto maduro e vermelho sangue, parecia suculento.
– Aqui, a Fruta do Deserto. Quero todos os cobertores e duas moedas de cobre.
– Duas? – Matt se intrometeu – Uma é mais que suficiente, senhora.
A velha suspirou e colocou a cesta de lado.
– Então acho que não é um acordo. Tenham um bom dia. – E sentou-se novamente na cadeira.
– Não! Espere, acho que duas é bom, tome. – Honor ofereceu as moedas a senhora, que aceitou com um sorriso desdentado – Diga-me, madame, tem ouvido notícias da capital?
– Ah, sim – A velha deu-lhes as frutas – Dizem que o herdeiro do trono desertou, que o Rei vai nos salvar. Dizem que o Príncipe Honor fugiu sem dizer um a. Eu não acredito, sabe. Posso ser velha, mas desde que nasci aprendi que a família Vengence, Senhores do Trono, nunca abandonaria seu posto para ser desertor. Não, Sua Majestade deve ter sido capturado ou deve estar atrás dos irmãos. Isso eu tenho certeza.
– Tem muita fé em um vagabundo, senhora. – Honor murmurou enquanto comia uma absurdamente doce fruta do diabo.
– Ora! – A senhora lhe deu um tapa na coxa. – Não fale do que não sabe rapaz! Príncipe Honor é o atual sucessor da Legião. O Sangue Antigo o segue e protege. Tenho certeza que a Legião vai acha-lo logo. Príncipe Sonor podia cuidar do exército, mas Príncipe Honor foi o quem herdou o poder. Sabe, para um vagabundo é muito, não acha? Agora vão, sinto mais negociantes por perto. Vocês estão atrapalhando a estrada com seus pangarés. – A senhora sentou-se na cadeira novamente e fechou os olhos– Vá com fé, viajante. Tenho certeza que achará logo o que busca.
Fale com o autor