Notas iniciais
Agora vou atualizar aos sábados. Todo mundo tem mais tempo de ver do que na semana,não é? Então, é isso. Não vou deixar o link do grupo de novo. Boa leitura, pôneis!

– Então não temos um plano.

– Não. Nós temos um plano. Pular o muro e ir para o lugar mais longe o possível.

– Oh. Um plano bem seguro. Tudo bem Dave, isso não é um filme ou um seriado. Nós não temos um carro e não vamos roubar um. Estamos na Rússia ! Nós seremos encontrados de qualquer forma. Ou vamos virar homens das cavernas e viver na selva caçando animais?

– Meu Deus, Agnes ! – Ele pareceu irritado. Então não gosta que o questionem. Ah, e gosta de ser sarcástico com os outros mas não gosta que sejam com ele! – Não vão largar uma pessoa no mundo sem casa e sem dinheiro. Eles me deram 850 rublo russos para sobreviver até o fim do mês, em que eu iria estar trabalhando e receberia salário como uma pessoa normal. Vamos para outra cidade, ficar em uma pensão, sei lá,até você ser maior de 18.

– Você está muito maluco. Mas enfim, vamos fugir daqui e resolver depois. – Ele suspirou. Deve estar dando graças a Deus.

Dave pegou sua mochila enquanto eu observava o quarto extremamente bagunçado. Não era muito maior que o meu, havia um armário de madeira, com duas portas e três gavetas abaixo. Uma gaveta estava aberta, com algumas meias, e uma das portas do armário também estava aberta. Havia cheiro de mofo no armário. Tinha as paredes marrons, o teto branco, uma cama totalmente bagunçada, e roupas e tênis espalhados pelo chão. Aquilo era uma verdadeira zona.

Quando direcionei o olhar a onde Dave estava, já não estava ali.

– É pra hoje? – Ele perguntou, me assustando. Estava na entrada da porta.

– É pra agora. – Fui para fora do quarto e fechei a porta. Estávamos nos direcionando para o pátio. Estava frio. Eu vestia uma blusa branca, calça legging de cós alto e minhas botas que eu gostava de dizer que eram de “motoqueira”. Sei lá, as botas pareciam ter sido feitas para isso. Ou é só a minha vontade de ter um estilo um pouco rockeiro, quando na verdade fica um pouco bosta.

Dave estava com uma jaqueta jeans azul-clara toda fechada e uma calça jeans preta. Ele estava sim mais bonito de que quando era garoto.... se eu visse aquela criança hoje eu suporia que ela veio da Transilvânia.

Estávamos descendo as escadas rapidamente, e então me veio na cabeça : eu vou sair daqui. Isso não é meio surreal? Pra mim, é sim surreal a idéia de que eu estou saindo daqui, não com dezoito anos. Cara, eu estou fugindo ! Que idiota, Agnes. Qualquer adolescente não se empolgaria com isso.

Enfim estávamos naquele grande pátio de pisos brancos e paredes com azulejos marrons. Corremos para a parte de concreto. Aquela parede vermelha. Quanto tempo eu não chego perto daqui? Ah, eu mal me lembrava dela. A única vez que cheguei perto dela foi quando cheguei aqui no colo daquele homem.

– Tudo bem. – Dave começou a falar, me tirando dos devaneios. Então ele se abaixou e estendeu o braço e fez um gesto para que eu entendesse que ele queria dar apoio. Permaneci parada. – O que está esperando?

Eu estava com um frio na barriga. Era estranho pensar que depois de um minuto estarei fora daqui e estarei sendo procurada pela polícia. Pelo menos não cometi nenhum crime. Até agora.

Descongelei e coloquei o pé no braço de Dave, então coloquei o outro no muro e coloquei as mãos acima deles. Então eu peguei impulso e estava do outro lado.

Me recusei a observar a rua e o céu até que Dave pulasse também, o que demorou mais ou menos cinco segundos.

O dia acabara de clarear e estava nublado. Havia várias casas bem grandes em volta do orfanato. A amarela, em frente ao orfanato. Ah, essa eu conseguia ver da minha janela : todos os dias uma garotinha loira saía por volta de uma hora da tarde, sempre, não parando em nenhum fim de semana, domingo ou feriado. Ela saía com, provavelmente seu irmão, também loiro. Eu praticamente vi aquela garotinha crescer! Todo santo dia. Agora me lembro de reparar o quanto ela cresceu desde que cheguei aqui. Ao lado, uma marrom. Essa não estava aqui quando eu tinha 10 anos. Para dizer a verdade, a amarela e a verde, do outro lado da rua, eram as únicas casas que estavam aqui quando cheguei. Todas com portas e janelas no mesmo lugar, e olhando para toda essa rua eu me lembro que todas essas casas eram lotes vazios. Caramba, quanto tempo da minha vida deixei de viver nesse maldito lugar?

Me assustei. Uma pessoa, em uma casa rosa, havia acordado e abriu a porta. Quer dizer que já era hora de vazar dali. Aquela rua parecia um arco-íris, todas as casas tinham uma cor, e eram quase todas de cores vivas. Dave pegou a minha mão e me despertou do transe.

– Seja o que Deus quiser.

– Rezemos para que ele queira que isso dê certo. – Ele deu uma risadinha com o nariz e balançou a cabeça, concordando. O coração estava cada vez mais descompassado e me perguntei se ele se sentia assim também, mas não tive tempo de pensar. Ele me puxou e começamos a correr.

Dave soltou minha mão quando chegamos na esquina. Não havia necessidade de ter pegado... aquilo era bem estranho. Pelo menos na minha cabeça. Eu não assisti muitos filmes de romance, por que isso é totalmente entediante. Para mim é, pensando bem na idéia de uma pessoa conhecer outra e depois de uma semana estarem dizendo “eu te amo”. Aquilo era baboseira! Por isso foi um tanto estranho Dave dizer que sentiria minha falta. Me viu pela primeira vez a treze anos, mas me conhecia realmente, a três dias. Mas pensando bem... eu sentiria a falta dele.

Argh! Humanos. Odeio quebrar a cabeça sobre nós, pessoas são incrivelmente complicadas. Era irritante pensar sobre elas. Mas algumas... bem, elas valem a pena. Mais uma coisa para minha lista.

Mas que droga! Eu nunca presto atenção em por onde estamos passando!

– Pra onde estamos indo?

Dave parou alguns segundos depois da minha pergunta. Estávamos em uma floresta.

– Dave. Quando eu perguntei se viraríamos homens das cavernas e caçaríamos animais eu estava brincando, você sabe, certo? – Aquilo estava me assustando realmente.

Ele me olhou com a expressão enfezada. Isso realmente o irritava.

– Nós precisamos pensar um pouco! Por que eu não sei se você reparou, mas estamos sem plano. – Certo. Eu olhei eu volta, pensando ainda no por quê de termos ido a uma floresta. Mas a arte de saber o que os outros estão pensando era com Dave.

– É que nós precisávamos sair dali. Guardas chegam ás 6 da manhã, iriam nos ver. – Balancei a cabeça com as sobrancelhas arqueadas com quem dizia “Aaaaaah.....”. Eu não queria dar a idéia de irmos a qualquer lugar para Dave, por que custa, e eu não iria dar idéias para gastar o dinheiro dele. Não me atrevia a fazer isso, por mais que ele não se incomodasse.

Passamos um tempo ali, e nos sentamos como índios. Eu estava quase dormindo recostada numa árvore. Eu me sentia culpada por não estar pensando em nada, já que eu deveria fazer isso, mas eu escolhi vir com Dave então... se ele quiser me deixar dormindo aqui, que deixe. Não conseguia eu decidir se fora mesmo uma boa idéia ter vindo com ele.

– Certo. – Eu já estava ficando com sono. Vamos lá, eu estou livre, vamos decidir algo! – Vamos para uma pensão, um lugar para ficar na beira de uma estrada ou algo assim até eu conseguir alugar algo.

– Isso... não fica caro? – A única coisa que eu tenho em mente agora é : NÓS ESTAMOS COM 800 DÓLARES, E TEMOS QUE SOBREVIVER COM ISSO PELOS PRÓXIMOS 29 DIAS!

– Nós vamos conseguir. Tudo bem. – Dave disse, se levantando. – Eu tenho uma idéia de onde deve ser.

– Dave, como você sabe os lugares que tem na cidade? – eu disse, confusa. Ora, ele estava correndo para todo lugar como se conhecesse tudo.

– Há orfanatos melhores que esse. Com computadores, internet, aulas de informática. – Ah, claro. Não bastava me largar, aquele homem também fez o favor de me largar no pior orfanato de todos. Dei de ombros e Dave começou a andar de volta á parte afastada.

– Deixa eu ver se eu entendi : nos deixaram no orfanato mais afastado.... da, cidade?

– Exatamente isso. – Olha. Que bosta.

Andamos em silêncio por cerca de 25 minutos e estávamos começando a ver mais coisas: padarias, super mercados, esse tipo de coisa. Viramos uma esquina e voltamos para um tipo de estrada, e havia uma casa grande do outro lado da rua.

Fomos até lá e Dave me estendeu um chapéu e óculos escuro. Eu me recusei alguns segundos, mas então peguei os dois acessórios e coloquei. Então ele tocou a campainha. Era uma casa toda branca, da parede ao telhado, incluindo portão e janelas. Tinha dois andares. Dave olhou para mim, notando que eu admirava a casa.

– É muito menos caro que parece.

– Isso é um dom?

– O quê?

– Adivinhar o que estou pensando.

– É só olhar sua cara. – Dei de ombros e um homem de cabeça branca, com cerca de 50 anos abriu a porta. Parecia sábio e simpático. Não tinha muitas rugas,não tinha barba e usava um casaco bem grande.

– Olá! – Ele disse, sorrindo e, agora, mostrando rugas em volta dos olhos. Mas isso não fazia com que parecesse velho. – Vocês não estão com frio? Eu estou congelando!- Provavelmente está fazendo menos de 10 graus. Eu não me lembraria disso se ele não tivesse dito nada.

– Bom dia. Perdão por aparecer tão cedo.

– Tudo bem, filho. Imagino que tenham vindo a fim de se hospedar. Vamos, entrem. – Ele afastou o portão branco. Havia um gramado verde com flores vermelhas e laranjas, com alguns arbustos. Um caminho de pedrinhas até a porta branca da casa, com a fechadura dourada. A casa era toda branca, mas muito bonita por fora. Dave fez um gesto para que eu fosse na frente, e entrou logo depois de mim.

– É uma casa muito bonita. – Eu disse, dando um sorriso, sem mostrar os dentes. Até agora não havia dito nada e estava me sentido grossa por isso. Mas não estava sendo falsa, pelo menos: eu havia simpatizado com ele. Eu imagino que todos que chegam ali.

– Muito obrigado. – Ele disse, e adentramos a casa. Era rústica e simples. E eu não preciso dizer de novo que é bonita, não?

– Seria má educação perguntar quanto custa a diária? – Dave disse, depois de alguns segundos.

– Oh, não,não,não. É precaução. Fica sessenta rublo russos. – Realmente, não era tão caro quanto parecia.

– Feito. – Dave disse e recebeu uma chave branca do homem. Afinal, por quê essa obsessão por branco?

– O café é servido na hora que quiserem.

Dave acenou com a cabeça e estava se encaminhando para um corredor.

– Muito obrigada. – Agradeci e segui Dave.

Havia um quarto de cada lado, agora as paredes já não eram marrons, e me recuso a dizer novamente que cor as paredes eram. Dave fez com que a chave exercesse sua função e abriu a porta. Havia um quadro na parede esquerda, um grande espelho na parede direita. Haviam também luzes nas paredes e as janelas eram médias. Eles cobram pouco, mas devem ter muitos hóspedes, essa era a única razão que encontrei para uma hospedagem de um dia não ser cerca de 150 rublo russos.

Havia uma porta de comunicação, para outro quarto.

Dave estava ao lado de uma poltrona bege, e ao lado dela, havia uma estante média de livros.

– Dave. Saia. Da. Minha. Frente. Agora.

– Oi? – Ele disse, sem entender. Eu caminhei até a poltrona e empurrei ele para o lado, direto para a estante de livros.

– LIVROS. LIVROS, MUITOS LIVROS. – Não chegava nem perto de ter o mesmo número de livros que havia na sala de Jéssica, mas eram livros, caramba ! Eu peguei um e folheei. Cheiro de livros novos.

– Meio que está parecendo que você tem abstinência a...

– Cheiro de livros novos? Sim, exatamente. Não se atreva a me chamar de maluca.

Ele riu e abriu a porta de comunicação.

– Pelo jeito, este é para mim. – Dane-se, Dave, eu vou ler até amanhã de manhã! Ele não havia percebido isso?

Eu peguei sete e os coloquei encima da poltrona, para escolher um. Peguei o terceiro, por que é meu número da sorte.

Любовное письмо

Havia um casal sentado no tronco de uma árvore, na praia, observando o horizonte. Eram mais de 90 milhões de livros vendidos, então eu daria um tiro no meu próprio nariz se não fosse bom. Eu coloquei os outros seis na estante marrom, me sentei e li por alguns minutos, até Dave vir me encher o saco novamente.

– Você não quer... tomar café, ou banho? Sei lá...você precisa sair um pouco disso, não acha?

O fuzilei com o olhar e suspirei. Agora ele vestia um suéter preto. Tudo bem, eu estou livre agora. Então talvez eu possa fazer com que minha vida seja como um livro.

– Ok. Vamos tomar café,sim. – Estava parcialmente irritada. A porta do quarto de Dave estava aberta, e fui ver se era como o meu. A primeira coisa que se via era um computador. Ao lado, um armário branco, uma cama e dois criados mudos com abajures. Havia também uma TV de 32 polegadas,assim como no meu quarto. Parece até que foram feitos para nós. Abri a porta para os corredores. — Vamos, não é você que queria ir logo? — Está irritadinha? – Dave disse, com um sorriso instigante no rosto. Eu o socaria se estivesse mais próximo. Bufei e passei pela porta, sendo seguida por ele. Na sala, haviam dois sofás (que você imagina a cor), um grande com espaço para colocar as pernas, um grande tapete, uma lareira linda acesa e um hack com uma grande televisão. Até a lareira era branca! Não, eu nunca tinha visto uma lareira branca. Lareiras são marrons, na minha cabeça. Ou então elas não se parecerão com lareiras. Eu estava prestes a perguntar por que essa epidemia de branco, mas seria muito má educada. Enquanto eu observava cada canto da casa, ou pousada, ou pensão, chame como quiser, Dave já se dirigia á cozinha. Não sei como ele conseguia não observar o que havia nos ambientes que passávamos. Eu ficava fascinada em estar em algum lugar fora do orfanato, e todos os lugares pareciam maravilhosos. Olhei o relógio : sete e cinco da manhã. Jéssica ainda não percebeu que não estou lá;mas eu acho que ela não vai perceber, e sim Eliza ou Jane, filha de Jéssica. A cozinha tinha um carpete de madeira, uma mesa retangular grande, dois grandes fogões e armários. Também tem uma lareira na cozinha. Talvez eles sejam parcialmente malucos, ou a esquisita ali era eu, que estava achando aquela casa incomum. A mesa estava posta: Havia lanches naturais, torradas e tigelas de patê, pratos com ovos, tigelas de cereais cozidos, travessas com vários tipos de panquecas, sanduíches e etc. Além de quatro garrafas de café e três bules de chá. Depois de todos esses anos comendo hambúrguer no café da manhã, cheguei a me sentir culpada. Mas não parece que eu faço isso. Não mesmo. Além de o cara simpático que nos recebeu e que eu não sei o nome ainda, haviam dois homens na mesa, provavelmente outros hóspedes. — Olá! – Eu disse. Dei um sorriso e eles devolveram, então imaginei que lhes parecia simpática.

– Bom dia. – Disse o de cabeça raspada, branco. O outro era negro e usava um topete. — Bom dia. – Disse ele e outra mulher que havia entrado na cozinha com um avental. Sentei ao lado do homem idoso e Dave sentou do outro lado da mesa, ao lado do negro, á minha frente. Aquilo me deixou um pouco insegura. Não sei, achei que sentaria ao meu lado, eu provavelmente me sentiria mais á vontade. Eu me apoderei de uma tigela de cereal com leite.

– Então,de onde vieram? – Perguntou o homem que nos recebeu. Dave quase arregalou os olhos. Provavelmente só eu percebi isso.

– Da Geórgia. – Falei de repente. Pelo menos disse algo que fazia sentido, já que georgianos entendiam russo. Pelo menos a maioria. Mas não, eu não sei de onde tirei aquilo, apenas foi a primeira coisa viável que passou pela minha cabeça, e Dave olhou para mim como quem dizia “ Você salvou minha vida!”. — De avião? – Foi a vez do homem negro perguntar.

– Sim.

–Oh ! – O dono da pousada disse, como se tivesse acabado de lembrar de algo importante. – Eu acho que vocês são meio jovens então eu dei quartos interligados e eu esqueci de perguntar se eu deveria, sabe, ter os colocado em um quarto de casal. Entendem, né? – Ele dizia muito sem jeito. Dave abriu a boca se preparando para dizer algo, e esperei que ele dissesse que não, mas ele parecia muito incrédulo e surpreso para dizer algo.

– Não. De...

– Sabe, é que... – Eu e o homem falávamos ao mesmo tempo,completamente sem jeito, e a mulher de avental ria, colocando seus cabelos castanhos para trás. Ela morria de rir.

– De forma alguma. Nós... – Eu inspirei. Aquilo era muito, muito embaraçoso. – Nós não somos namorados.

– Certo. – Ele disse, e reinaram alguns segundos de silêncio. A mulher de cabelos castanhos havia parado de rir, talvez estivesse se segurando, até que Dave começou a rir pelo nariz e logo saiu um sorriso de seu rosto, fazendo com que os outros três homens começassem a rir também. Ei, aquilo não era engraçado ! Não sei se era coisa de homem ou algo do tipo, mas para mim aquilo não estava tendo graça alguma. Era muito embaraçoso, e eu não conseguia rir. Eu não sei muito sobre esse assunto, e acho que o único jeito de Dave saber era por quê ele mexia com celulares e computadores. Mesmo assim, aquilo foi idiota da parte dele. Abaixei a cabeça e terminei meu cereal. Dave estava comendo panquecas loucamente, e era sua terceira. Todos os momentos eu lançava olhares para ele, repreendendo-o. Teria de ser mais educado. Mas ele não via os olhares,e mesmo se visse não me obedeceria. Ele é um completo cabeça dura. Terminamos e agradecemos a comida. Voltamos para o quarto e, logo que fechei a porta, me virei para Dave. Queria socá-lo como um saco de batatas.

– Por quê riu daquilo? O que têm de engraçado? – Eu disse, rangendo os dentes. Dave riu de mim.

– Você deveria ter visto sua cara. Ah, e deve ver a sua cara agora também! – ele ria mais a cada palavra que dizia. Alguém me dá um taco de beisebol?

– E comendo daquele jeito, que nem um porco. Pelo amor de Deus, Dave! — E ria cada vez mais, a cada palavra que eu dizia, até que um celular tocou. Ele tirou o celular do bolso. Ei, ele não me contou que tinha um celular. Ele não pareceu ter gostado do número que apareceu no visor, e fez uma cara duvidosa.

–Quem é? – Perguntei, e ele não me respondeu, agora atendendo e colocando no ouvido. Dave estava realmente me irritando e eu queria pegar o celular e quebrar no nariz dele.

– Alô. Não é que, eu estou numa lanchonete. Sabe já que começarei amanhã vou aproveitar o dia. Não,não, está tudo bem. Tchau.

– Quem era? – Eu odiava quando perguntava algo e não me respondiam.

– Jessica. Ela me perguntou por que eu não apareci onde devia aparecer, sabe, era lá que eu ficaria por enquanto. – Me sentei na cama para processar aquilo,respirei fundo.

– Você acha que ela vai percebeu logo?

– Sinceramente? – Assenti. – Antes do fim do dia sua cara provavelmente vai estar no noticiário. Arregalei os olhos e me encaminhei para a sala. A televisão estava desligada. Agora eu queria ficar ali o resto do dia para ter certeza de que ninguém iria ver o jornal das 10h. Mas, provavelmente têm televisões em todos os quartos. Merda! Só espero que esses caras tenham muita coisa pra fazer fora dali.

Voltei ao quarto e Dave provavelmente estava na parte dele. Abri a porta que separava os quartos violentamente e ele estava ligando o computador.

– Dave,eu não acredito! – Disse em um tom elevado e ele girou a cadeira para olhar para mim, e possuía um semblante intimidado.

– Sua louca, não grita não. Sabia que pode ter hóspedes que ainda estão dormindo? Não é todo russo que acorda ás 7h da manhã! Se você quer gritar... — E você continua tranqüilo?

– Ahn... quê?

– Dave, a minha cara vai estar no noticiário daqui a algumas horas! Você não percebeu isso?! – Ele sorriu. Eu odiava o sorriso em tom de deboche dele. Talvez eu gostasse, mas me irritava demais.

– Certo. Nós podemos pedir folhas ao senhor para que você mande autógrafos para seus futuros fãs, fazer uma sessão de fotos imprimir e tal. Nós até podemos ganhar dinheiro fazendo umas camisetas e vendendo, que preço você acha que pode ficar? Olha... – Eu ficava boquiaberta a cada palavra, e quanto mais ele falava, mais ria da minha cara.

– Idiota. – Eu disse, e ele riu. Ás vezes o jeito debochado dele de não levar nada que eu falo a sério realmente me estressava.

– Vamos lá, Agnes. Não vai demorar tantos dias até eu arrumar um lugar. Vamos alugar algo daqui a um ou dois dias até você fazer 18 e sermos donos das nossas vidas.

– Vamos lá, Dave. Qual a chance de eu ficar fora do orfanato por mais de um ano sem ser achada pela polícia e levada de volta? Estamos na Rússia. — Se eu dizer algo... você não vai se ofender?

– Talvez eu me ofenda. Mas talvez também não te dê um soco.

– Tudo bem. – Ele deu um breve suspiro. – Não vão sentir a sua falta... tão cedo assim.

– Olha aqui. – É, ele quase começou a rir novamente. – Na sala de aula.. — Hoje é sábado.

– A Jessica....

– Você esteve na sala dela ontem.

– Mas a Jane ou a Eliza, elas com certeza vão perceber! — Não se ofenda, mas eu acho que as duas não vão se preocupar muito. — É, ele havia praticamente acabado com todas as minhas possíveis possibilidades de ser percebida.

– Okay. – Disse, olhando para outra direção, frustrada. – Você acabou comigo. Mas olha, não confie muito.

– Fique tranqüila. – Ele disse, girando a cadeira e dirigindo sua atenção para a ela do computador. Enfim, eu saí de seu quarto e fechei a porta do quarto dele. Me sentei na poltrona e olhei para o livro. Era até legal, mas não parecia tão impressionante agora. Espere, Agnes, você perdeu o ânimo para ler hoje? Que fracasso. Não te reconheço. Mas eu sei que vou, bem, “roubar” alguns quando arrumarmos um lugar. Caramba, eu deveria estar pulando e respirando ar puro. Eu não devia ficar aflita aqui fora, afinal, é aqui que eu deveria ter minha paz, não é? Pelo menos, é o que me parece.

Abri o armário. Haviam toalhas, travesseiros e edredons, todos brancos. Peguei uma toalha e me encaminhei para o chuveiro. Ainda não são 9hrs da manhã. Mesmo se que eu deva ficar aflita, bem, é cedo demais para isso. Faz pouco mais de três horas que deixamos aquele lugar. . . . Estava tentando secar meu cabelo com essa coisa esquisita que todo mundo costuma usar. Fala sério, parece que acabei de nascer e não sei usar nada que todo mundo usa. Enfim, Dave me chamou.

– Ei, Agnes, vem cá. A porta do seu quarto estava entreaberta, e ele ainda estava na frente do computador.

– Oi?

– Bingo.

Me aproximei da tela do computador e haviam várias anúncios de casas alugáveis, e (graças a Deus) não tão caras. Enfim, parece que não vai ser difícil assim. Ou eu sei muito pouco do mundo para pensar isto.

Notas finais
Até os reviews, até o grupo (quem quiser) e o próximo sábado.