A minha casa é nos seus braços
6 Stalingrad
Notas iniciais
Eu lia o livro rapidamente, não estava sentada ali a muito tempo e devorava 50 páginas, até que minha atenção foi atraída para Dave, que entrava no meu quarto. Ele estava colocando uma jaqueta preta de couro.
– Queria saber como, vivendo em um orfanato, conseguiu essas roupas maneiras. – Disse, observando-o.
– Quer algumas emprestadas? — Caçoou ele, logo rindo da minha cara.
– Não, obrigada. Eu falei sério, Dave Nicolaevitch.
– Você só fala sério, Agnes Valdivitch. — Eu sempre achei engraçado essa coisa dos russos colocarem “vitch” no fim do nome, mesmo sabendo o porque disto. Não exatamente o fato de colocarem "vitch", mas eu achava engraçado, de qualquer forma.
– Ok, ok, eu já te disse. Há orfanatos bem mais divertidos que o que você ficou, que tem computação...
– Blábláblá. Você já disse isso.
– Pois é.
Ele ia na cômoda, ia ao seu quarto, voltava, e então colocou uma mochila nas costas.
– Onde vai?
– Eu vou até aquela loja de estoquistas que me mandaram ir, pois Jéssica não para de me ligar.
– Ela perguntou algo sobre mim? – Indaguei, paralisada.
– Não. Tudo sob controle. – Ele é irritantemente tranqüilo. – E também vou falar com alguns proprietários e ver se alugo logo algo.
– Não me chamou para ir? – Disse, parcialmente desapontada. Ora, se tratava de mim.
– Se o proprietário de ver, pode assemelhar com o noticiário que em breve vai estar inaugurando o seu rostinho. É perigoso ele pedir um autógrafo.
– Estou morrendo de rir. – Disse, com cara de bunda.
– Está mesmo? Que bom.
Continuei com cara de bunda. Mas não ligada em Dave. Ora, eu fugi para ficar livre e conhecer o mundo. E agora que estou nele estou me escondendo onde posso. Qual a finalidade disso? Eu também não sei.
– Agnes, faça o que bem entender. Eu só não acho seguro, mas – ele respirou fundo. — se você quer realmente ir fazer algumas coisas, é melhor ir agora, por que quando estiver sendo procurada não é nada aconselhável fazer isto.
– Okay. – Me levantei e fechei o livro, sem olhar e nem marcar a página.
– Vamos ver um filme?
– Certo. Você escolhe.
– Você que sabe. – Enquanto colocava minhas botas, eu lembrei a finalidade de estar aqui fora. Eu não estou aqui por mim. Eu fui por Dave, e estar livre é apenas conseqüência disso. Eu acredito, pelo menos. Eu não tenho realmente idéia do porque fiz isso. Mas na minha cabeça, foi por Dave. E é o mais provável também. Eu estive sozinha por todos esses anos confinada. Estar sozinha no mundo deve ser mais chato ainda. Estar sozinho em qualquer lugar é horrível, na verdade.
Dave estava dando estalos na minha cara, para me fazer voltar para este mundo, provavelmente. Mordi sua mão, e ele urrou de dor.
– De nada por te acordar para vir ao cinema, Agnes!
Terminei de amarrar os cadarços das botas pretas e olhei para Dave. Ele se encaminhou para a porta, abrindo-a e fazendo um gesto para que eu passasse.
– Você já foi ao cinema?
– Não. Mas deve ser bem massa. – Agora era ele quem estava parecendo um ser não-civilizado.
– Vão passear por aí? – O senhor atraiu nossa atenção, sentado na poltrona ao lado da mulher que no café da manhã usava um avental, agora vestida com calça leggin e um grande casaco. Os dois estavam próximos á lareira branca.
– Sim, vamos ao...
– Visitar alguns museus. – Interrompi Dave, que tentou não fazer cara de desentendido. Pode até ter dado certo. – Os museus russos tem muitas coisas interessantes. Pelo menos, é o que vimos na internet.
– Ah, é claro. Eu recomendo que visitem o Hermitage. – Disse a mulher, balançando a franja. – É muito bonito e grande.
– Claro. Até mais tarde. – Disse Dave, dando a volta no sofá para chegar á porta, seguido por mim.
– Tchau. – Disse a mulher, sorridente. É um pouco rude falar, mas ela era desprovida de beleza. Não feia. Desprovida de beleza.
– Eu vou abrir o portão para vocês. – Disse o homem, se levantando e chegando á porta mais rápido do que nós dois, inclusive, abrindo-a e nos deixando passar primeiro.
Fui a primeira a pisar no mármore, abaixo da porta. Vários deles formavam um caminho até o portão.
O homem abriu o cadeado e o portão, nos dando passagem e se despedindo.
Quando Dave e eu havíamos nos afastado da casa e o homem havia fechado o portão, Nicolaevich começou o questionário.
– Museu? Internet? Agnes, você nunca entrou em um navegador direito!
– Esqueceu que nós vimos da Geórgia, sabichão?
– Aaaaaahhhh... – Expressou-se, agora entendendo. Que burro.
– Dãã. – Não tive coragem de falar o que havia passado pela minha cabeça.
– Pode dizer que sou burro.
– Você é burro! – Exclamei, sorrindo.
– Atá. Lembrando, isso é só para você se sentir melhor, você sabe que eu sou o cara.
– Dave. Você é idiota ás vezes.
– O idiota está levando você para assistir Stalingrad.
– Quê?
– Não me mandou escolher o filme? Então, pois bem. A história se passa no auge da Segunda Guerra Mundial.
– Eles eram...
– Não, não comece um questionário de história. Por favor.
Pus as mãos para cima como quem diz “Ok”.
– Não está mais aqui quem falou.
. . .
Descemos do ônibus em uma rua movimentada.
– Como sabe o caminho?
– Internet, Agnes. – Respondeu, arfando. – Já te disse milhões de vezes, garota não-civilizada.
– Ficou irritadinho?
– Eu não preciso ficar repetindo isso milhões de vezes,preciso?
– Calma aí, garotinho da internet. Eu não sou uma senhora da informática.
Um carro vermelho buzinou. Estávamos encima da faixa de pedestres a tempo demais para um motorista desesperado, apressado e desrespeitoso agüentar.
– Que que é seu malucão? Eu hein! – Eu comecei a gritar. Dave pegou minha mão e correu para uma rua. Correu mesmo. – Ei! Pera aí, o quê você está fazendo?
– Não pensou que ele pode descer do carro e dar um tiro na nossa cara?
– Você é realmente dramático.
– E você realmente parece uma bêbada. O tempo todo.
– Que seja.
Nicolaevitch deu um longo suspiro, irritado.
– É aquela ali. – Ele disse, apontando para um muro branco, que não ocupava tanto espaço na rua. Havia um portão branco com grades que nos permitia ver a casa. Ela era vermelha, tinha porta e janela brancas. Janela tira vidros e era média. Também tinha um painel de pedra rústica enfeitando a parede vermelha da frente da casa. Era um detalhe bonito. Era uma casa pequena, mas linda. Sim, uma gracinha.
Na frente da casa, um pequeno espaçinho com telhado. Não sei se pode ser chamada de área. Era um espaço pequeno, mas seria sim, uma área, se maior. Tinha azulejos brancos e um tapetinho preto escrito “bem vindo” na frente da porta.
– Você fica sentada ali, sem encarar quem sair daquela casa, ok? Eu volto logo.
Bufei de raiva e me sentei no assento de ponto de ônibus que ele havia indicado. Havia muitas coisas escritas em russo na parede, anúncios de peças de teatro, fotos de cachorros e pessoas desaparecidas, entre outras coisas.
Observei Dave atravessar a rua e tocar a campainha. Tinha um papel na mão.
Abaixei a cabeça e só consegui ver que um homem de cabeça raspada abria a porta. Não encara, Agnes.
Levei meu olhar ao portão depois de longo segundos. Nenhum dos dois estava mais ali,então julguei que haviam entrado.
Ótimo. Que tédio. Recostei a cabeça na parte que sustentava a cobertura do ponto de ônibus e deitei, com as pernas encolhidas, tomando apenas dois assentos e observei o céu. Ele parecia bem mais bonito do lado de fora.
Eu o contemplei por alguns minutos. Deus estava ali em cima? Não, eu não era ligada a religião, isso não é pregado em orfanatos. Mas será que faria sentido fazer um pedido ou agradecer á ele? Eu estaria falando com alguém? Eu estaria parecendo louca? Ou, quem sabe, adiantaria realmente.
Dave tocou meu braço e eu quase caí para o outro lado.
– Está viajando para que planeta, agora? Seria Urano?
Quis mandar ele se foder, e me levantei.
Sempre com cara de limão.
– Limão não tem nariz.
– Tá, dane-se. Adivinha.
– Você alugou a casa.
– Eu me surpreendo com a falta de empolgação em toda frase. – Dei um longo suspiro. – É sério, Agnes, tem que ser mais legal. – Eu o fitei por alguns segundos.
– Por quanto alugou ela?
– 160 rublo-russos por mês. Vai, é barato, ela é bonitinha. Mas é quase óbvio, por que estamos em um bairro inferior a muitos.
– Ela é bonitinha mesmo.
Dave abriu os braços e eu demorei a compreender. Então ele recolheu os braços e fez cara de ter me chamado de sonsa no pensamento, e me abraçou.
Nós rimos juntos.
– Anda, vamos perder o filme.
Ele me arrastou para o ônibus branco que estava parado á nossa frente.
. . .
É, um lugar bem mais bonitinho agora. A rua não era residencial, havia padarias e lojas da roupas. Bem á frente, havia um shopping, e entramos justamente nele. Era grande. Eu havia entrado em um duas vezes, no máximo. Mas não consegui me recordar do momento na hora.
– Quer tentar adivinhar sobre o que é o filme?
– Pessoas que desenham pôneis voadores nos traseiros das outras. – Ironizei, e ele riu.
– Seis amigos no auge da segunda guerra mundial.
– Huuuum. – Ele me olhou, desentendido.
– Que é?
– Não tava com cara de que curtia essas coisas.
– E o que você está insinuando? – Ele disse, me fazendo rir alto.
– Nada não.
Dave se encaminhou para a bilheteria e eu observei ao cartaz. Dave era muito palhaço e bobo para curtir isso. Não que eu o odeie. Não não não, mas é um bobo alegre, sim. Não tenho nada contra bobos alegres, mas eles não parecem curtir filmes legais.
– Eu não sou um idiota. Eu sou gosto de te encher o saco. – Disse, ao meu lado, me assustando e me estendeu um ingresso amarelo. Ele conseguia encher o meu saco o tempo todo em que estava acordado.
– O que eu posso fazer? – Disse. Fazer o quê?
– Aturar. Vem, ainda falta comprar pipoca e faltam 4 minutos para a sessão.
Começou a subir as escadas e o seguir. Haviam a entrada para as salas e, logo ao lado, o espaço para comprar o que quisesse. O telhado tinha a cor do céu da noite, com estrelinhas brancas. Aquele espaço era realmente lindo. Eu olhava de cima a baixo, o teto ao chão, quase encantada, até que um grupo de adolescentes, com duas garotas com cabelos grandes castanho-escuro e sorrisos de novela e mais três garotos: um moreno, com porte de atleta, outros dois brancos, que pareciam ser um pouco mais velhos e os outros três adolescentes,passaram me olhando com um pacote de pipocas vazio na mão, me olhando como se eu fosse um alienígena.
Dave apareceu na minha frente, encarando eles, até que eles olharam para outra direção.
Ele suspirou.
– Pegue.
Me passou uma lata de coca-cola e uma barra de chocolate. Ele carregava um grande pacote de pipoca e uma lata de coca cola, e balançava a cabeça estranhamente, tentando tirar o cabelo preto que caía sobre seu rosto. Eu o ajudei e ele foi um pouco á frente até a sala 3. Havia um homem moreno de topete, sorridente, que pegou o ingresso da mão de Dave. Ele ficou atrás dele, esperando que eu adentrasse a sala também, enquanto o atendente galã pegava meu ingresso dando uma ligeira piscada mostrando os dentes cor de folha de papel de xaméx. Russos pareciam mais comportadinhos.
– Como é o nome mesmo? – Perguntei a Dave, quando estávamos quase entrando na sala de cinema.
– Tarado.
– O nome do filme, bazinga. –
– Ah, Stalingrad.
– Stalingrab. – Repeti.
– Stalingrad. Com D. – Ele me corrigiu.
– Instalingrad.
– Stalingrad. – Ele disse, pausando cada sílaba. – Com D, D de doce de dado.
– Stalingrad. – Ele suspirou, aliviado. – E doce de dado não existe.
Ele deu de ombros e procurou assentos enquanto as luzes estavam apagadas.
– Ali. – Apontou para uma fileira quase no topo, onde haviam dois assentos no canto. Era uma longa caminhada. – Sem preguiça!- Ele me olhou, brincando e começando a subir rapidamente. Pegou um lugar antes de mim, e demorei alguns segundos para chegar lá. Assim que coloquei minha coca-cola no espaço de copos, apareceu um cara por volta de 30 anos com uma mulher, olhando pra gente.
– Ei, eu ia pegar esse lugar.
– Bem, tem vários outros. – Dave disse, tentando acalmar o homem. Ele era quase obeso, tinha a cabeça raspada e estava com cara de bravo. Aquele homem me deu medo.
– Você não entendeu, mané! – Ele tinha a voz rouca. – Eu ia pegar esse lugar.- Ele destacou muito bem o “esse”. – Quer entrar no pau? – Ele disse, ameaçando Dave, e chamando a atenção de todos que olhavam os trailers, para nós.
– Olha aqui. – Eu disse, provocando um sorriso nele. Eu tava com medo daquele cara mesmo. Qual é, ele tem 1,90!
– Que foi, anã? – Meu coração disparou, por que nada mais passava pela minha cabeça a não ser no tapa grande que ele vai me dar me fazendo cair no chão.
– Se não procurar outro lugar...- Eu disse, procurando desesperadamente um jeito de terminar aquela frase, enquanto ele me observava com cara de deboche.
– Eu vou entrar no seu traseiro! — Ele ficou, meio que, com uma cara horrorizada, mas sua boca queria rir. — É, isso aí, e você vai ficar desesperado, e tal. – Eu consegui terminar, pausadamente. Mas que raios de frase foi aquela?
Ele ficou nos fitando por alguns minutos. O filme começava, mas ninguém prestava atenção. Até que o homem começou a rir descontroladamente. Dessa vez eu que o olhei, horrorizada. Ele ficava ainda mais feio rindo. Ele ia se afastando e se sentando na outra fileira, murmurando “aiai” e assoprando. Nos sentamos e, graças a Deus, houve um estrondo no filme que fez as pessoas que enchiam a sala se calarem e desviarem sua atenção. Me sentei e respirei fundo. Meu coração ainda batia forte.
Nós ficamos prestando atenção no filme por alguns segundos, mas acho que ele também ainda pensava no acontecido. Dave começou a rir baixinho, e eu o olhei.
– Ei. Aquilo foi legal. – Ele disse, sorrindo.
Dei de ombros e me encostei na cadeira, tentando me concentrar no que acontecia na tela.
. . .
Sim, o filme foi bom. Admito que bobos alegres, ou não-bobos-alegres, ou mesmo “Daves” da vida conseguiam escolher boas coisas para assistir.
Dave se levantou rápido e indicou que eu deveria descer logo, já que eu estava na frente dele.
– Ora, por que a pressa?
– Ora, e se aquele cara muda de idéia e vem pra cima de mim? Eu hein, vamos com isso! – Ele disse, me fazendo rir. Então eu o obedeci e comecei a descer as escadas com minha barra de chocolate na mão. Ainda não havia aberto ela.
Assim que voltamos á parte da bilheteria, Dave me perguntou se eu queria comer alguma coisa.
– Não, Dave eu to cheia.
– Então podemos ir?
– Sim, nós podemos fugir do gorducho.
– Ei, se você quer alguma coisa,diga! – Ele disse, com cara de bravo.
– Ai, você não sabe zoar. Tudo bem, vamos. – Ele suspirou, ainda irritado, e nos encaminhamos de volta á onde descemos. A Rússia era muito bonita, tenho que admitir. As ruas ficavam ainda mais lindas á noite, com as luzes vindo das janelas das pessoas que estavam acordadas em casa assistindo algum programa de TV. Aquela rua tinha construções rústicas e bonitas, com pinturas neutras. Eu observava toda a rua enquanto o ônibus não chegava.
. . .
Dave pegou a chave de seu bolso e colocou na tranca do portão. Assim que entramos eu abri os braços e sorri.
– Uhul!
Dave trancou e olhou pra mim.
– Uhul bem esquisito. – Ele disse, com uma careta, e depois deu um pulinho.
– Ok,ok, isso está ridículo. Me deixe abrir isso logo.
Ele abriu a porta e entrou na casa, e eu observei o interior dela. Era pequena, mas era bonitinha. Havia um sofá branco de dois lugares, uma televisão com 20 polegadas, um tapete branco na sala e uma mesinha de centro, de vidro transparente. Também tinha as paredes vermelhas por dentro, e aconchegante.
– Nada mal. – Eu disse, entrando e avistando Dave, já descalço.
– Lar doce lar. – Balancei a cabeça e corri meus olhos pela casa.
A cozinha era amarela, tinha armários brancos e pia e fogão de inox. Uma pequena mesa quadrada no centro e luminárias na parede. Continuei meu “tour” e fui ao único quarto da casa. Nessa parte eu fiquei receosa.
Parei em frente á porta. Ok, vamos lá, Agnes. Abri e suspirei de alívio, adentrando o espaço.
Havia uma cama de solteiro em um canto, e outra cama de solteiro no outro canto. O armário tinha uma parede só pra ele, e era maior que o da “pensão”, mas semelhante, por que também era branco.
Dave apareceu na entrada do quarto e já tinha tomado banho e trocado de roupa.
– Não vai tomar um banho antes de irmos á pensão? Sabe, eu tenho que pagar, pegar as malas e avisar que vamos sair.
– Certo, certo. – Eu disse, pegando uma toalha branca no armário e me encaminhando para o banheiro.
. . .
Depois de alguns minutos estávamos no ponto de ônibus em frente á casa, novamente. Devia ser por volta de oito da noite, e começava a ficar mais frio do que estava á tarde.
Então o ônibus chegou, e entramos apressadamente. Estava tarde e Dave queria chegar o mais rápido o possível.
...
– Então foi bem divertido? – Disse o idoso, abrindo a porta da sala para nós.
– Em parte.
Eu ri, lembrando do episódio do cinema.
– Foi bem legal, sim. – Disse, desmentindo Dave.
– Nós também conseguimos um lugar para ficar por...
– Por o tempo que for preciso.
– É, isso aí. Mas, nós vamos pagar a diária completa, não se preocupe.
– Ah, sim. – Disse o homem, sorrindo. – Mas fiquem a vontade para voltarem o quanto quiserem.
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