A minha casa é nos seus braços
4 Até onde Deus quiser
Notas iniciais
Jessica abriu a porta de sua sala em incrível rapidez.
– Oh,preciosa Agnes ! Faz muito tempo que você não vem aqui.
– Desculpe Jessica. Senti falta das horas que passava aqui.
– Entre,querida. Há muitos livros e citações que sentiram sua falta. – Ela disse, sorridente. A senhora Jessica é contagiante. É estranho pensar ser a única adolescente no mundo que gostava de passar o tempo lendo e conversando com uma senhora de 78 anos. É, eu devo ser a única adolescente no mundo que gosta de fazer isso, mas é muito mais contagiante para mim falar com Jessica do que com 99% dos adolescentes que encontrei em toda a minha vida.
– E o que você busca hoje? Terror, melancolia? Você adora livros de melancolia. – Jessica me lembrava desse fato todas as vezes que falava com ela.Ela não parava de sorrir em momento algum. Sua voz era suave e alegre, e ela sempre se vestia elegantemente. Mesmo 62 anos mais velha do que eu tinha um espírito muito mais alegre do que o meu.
– Na verdade eu quero amizade. Um livro em que uma pessoa entra na vida de outra no momento mais difícil. – Jessica parou um momento, olhou para mim e arqueou as sobrancelhas.
– Isso é.... isso é inspirador. Vamos ver. – Ela se virou para a estante de livros enorme que havia em sua sala. – Aqui. – Puxou um livro e estendeu para mim.
Observei a capa. Havia um garoto de blusa laranja de costas com uma espada de luz dourada em uma das mãos, dentro do mar. Havia prédios a frente do oceano, para onde ele olhava, e o céu era incrivelmente escuro e escandaloso, refletia trevas e dele vinha um raio também dourado que se perdia no horizonte. Então me liguei no título.
“Pokhititel’ Molniy”
Havia uma parte azul com o nome da saga e do autor, mas não me importei em lê-los. Não agora, que Jéssica começava a falar toda empolgada.
– É uma saga incrível ! Tem mitologia grega, jovens, batalhas. Tão empolgante essa juventude! – Ela disse, empolgada, gesticulando em empolgação e botando uma pilha com mais 4 livros sobre sua mesa.
– A senhora leu todos eles? – Jovens com poderes não é o que pessoas de 78 anos costumam ler, pelo menos é o que eu penso. Ela sempre me dava coisas de Shekespeare, e agora vinha com uma saga cheia de aventura. Mas também, eu nunca pedia algo mais juvenil.
– Mas é claro. Só a morte pode me impedir de ler o que me parecer interessante. O que você espera, pequena? — Como se eu ainda tivesse 4 anos.
– Uma overdose de filosofia quando se descreve o sentimento dos personagens. Que imagine a história de um jeito diferente.
– Certo. Lá vai você. – Ela sorriu, e eu retribuí o gesto. Então me sentei e comecei.
“ Só por que você não me via, não quer dizer que eu não estava com você”.
Fui anotando no papel tudo o que me parecia meio filosófico ou descrição de como os personagens se sentiam. Eu não encontrei muita coisa. O livro era ótimo, lhe dava expectativa, porém não o que eu buscava.
Coloquei o livro na mesa de Jessica e ela me olhou.
– Você gostou?
– Bastante.
– Era o que você esperava encontrar aqui?
– Não. – Ela deu um sorrisinho, e não, não parecia sem graça. – Eu queria uma dose de filosofia. Queria que a descrição dos sentimentos fosse profunda e em um estilo poesia, eu queria que os personagens fossem sinceros sobre o que sentem uns com os outros. Um pouco... muito detalhado;...
– Querida. – Ela me cortou. Eu estava falando até demais – Se não há algo que você gostaria que houvesse em um livro, você deve criar esse “algo”.
Parei alguns segundos para processar aquilo, e quando ergui os olhos Jessica havia colocado um caderno e uma caneta sobre sua mesa, á minha frente. Era bem a cara dela me fazer ler um livro todo, com quase duzentas páginas, gastando 6 horas para depois me dizer que eu deveria criar o que buscava. Oh, Jessica. Sim, eu poderia ler o tanto que quisesse, por quanto tempo quisesse, pois é domingo. E não tem aula no orfanato.
Além disso, Jessica gostava de me ter ali.
– Isso será seu agora. – Peguei a caneta e abri o caderno, firme. Tentando colocar a mente para funcionar e fazer com que ela pensasse em uma poesia, ou mesmo um texto em uma onda profunda, pelo menos razoável.
...
“ A amizade e a lealdade residem numa identidade de almas raramente encontrada, e acredite, eu as encontrei em você.
E sozinha no obscuro eu permaneceria, mas eu esperei você durante toda a minha vida. Embora estivesse morta por dentro,como sempre fico quando estou sem você, me reviveste cada vez que um sorriso no seu rosto aparece”.
...
– Tudo bem. Fiz o que consegui. – Estendi o caderno para ela, que estava sentada á minha frente. Fazia tempo que estava naquela sala junto comigo. Pelo menos seis horas e dez minutos. Ela levantava, andava por toda a sala, respirava fundo. Observava seus quadros, se sentava, e lia. Ela abriu na primeira página do caderno preto e leu cuidadosamente. Pareceu ter lido mais de uma vez. Talvez quatro, até que ergueu a cabeça e sorriu.
– Eu te conheço melhor do que pensa, Agnes. Isso não se trata do livro que leu. – Ela fechou o caderno, sem tirar os olhos de mim. – Se trata de você.
Mais do que vivida, Jessica era inteligente. E sábia, eu acho. Ela poderia dizer o que você pensa apenas olhando a forma que você age e fala. Se baseando no que você faz.
– Dave.
– Mas o quê? Como você..
– Eu sei o que acontece aqui, pequena. Absolutamente tudo. Desde bem antes de você chegar aqui. Eu sei que ele foi a primeira pessoa que você falou quando chegou aqui, eu sei do seu bigodinho de cheddar.
Imaginei que se ela falasse por mais um minuto ela diria quantas vezes eu peidei.
– Dave é importante para mim.
– Fico feliz em saber disso.
Ouvi alguém abrir a porta e rapidamente olhei para trás. Era Jane, filha de Jessica.
– What the hell...
– Jane! Seja educada. – Disse Jessica, frustrada com a maneira que sua filha entrara na sala. Aquela mulher não tratava ninguém bem.
– Mamãe, por que há uma órfã com um livro seu?
– Olhe o jeito que você fala com Agnes. – Jane parecia ter por volta dos 30 anos, era loira e alta. Ela me olhava com seus olhos verdes cruéis, me fuzilando.
– Bom dia – Me meti – para você também.
– Jane virou as costas e se retirou da sala, deixando a porta aberta. Aquilo queria dizer : “Quando você sair, eu entro”. Não dizia uma palavra comigo. Sempre agira como se eu não estivesse ali.
– Eu devo ir. – Me levantei. – Obrigada pela atenção, Jessica. – Ela balançou a cabeça e me estendeu o caderno, em desaprovação.
– Volte quando quiser e precisar.
Acenei com a cabeça e deixei sua sala. Ao passar pela porta percebi Jane ao lado dela, com o nariz empinado e me olhando de lado, esperando minha saída. Fui até o andar dos quartos pelas escadas, e me joguei no último degrau. Aqui sentia mais paz que em meu próprio quarto. Aqui eu não tive sonhos com aquele homem. Aqui eu nunca chorei por horas. Aqui, onde estou agora, eu nunca havia nem se quer pensado naquele homem que estragou a minha vida. Então eu coloquei meus pés para o outros lado do degrau e encostei a cabeça no corrimão. Fechei meus olhos e tentei buscar na lembrança algum momento bom. Um momento em que fui feliz.
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Havia uma TV não muito grande á minha frente, nela havia um filhotinho de leão em um desenho. Havia um sofá de couro vermelho de dois lugares ao lado e as paredes eram amarelas. Era uma casa não muito chique, mas aconchegante. Eu observava-a, envolvida nos braços de alguém. Uma mulher de cabelo castanho-claro,branca, maravilhosa. Nádia.
Ela acariciava meu cabelo e olhava para mim com serenidade. Era a minha mãe. Era um dos dias mais felizes da minha vida em que eu cantava – HAKUNA MATATA! – junto com o Simba na frente da Televisão. Quando eu ainda via beleza no mundo.
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Tive um mini-infarto. Dave deu um pequeno sorriso e limpou uma lágrima do meu rosto com um dedo.
– Quando você chegou aqui? – Eu perguntei, com a voz mais fraca que o esperado.
– Faz uns 3 minutos. Você estava sonhando algo muito bom.
– Não exatamente sonhando. Tanto faz. – Recolhi as pernas e ia me levantar, mas ele tocou meu braço, me fazendo hesitar.
– Há algo que eu devia ter te contado logo quando comecei a conversar com você.
– Quando éramos pequenos?
– Não. Há uns 3 dias atrás. – Ele engoliu em seco. — Eu não vou estar aqui amanhã. – Eu parei. Parei para tentar processar aquilo. Respirei fundo e não consegui pensar em nada, mas a única coisa que fiz foi deixar uma lágrima cair. Eu me levantei e andei rápido até a porta, abrindo-a bruscamente e saindo pelos corredores. Não estava indo em nenhum lugar. E ainda nada se passava pela minha mente, apenas pelo meu rosto. As lágrimas tão presentes em minha vida. Elas já são de casa.
Senti uma mão no ombro, e eu sabia quem era.
– Ei. – Eu me virei e cambaleei para trás. – Eu não estou fazendo isso por que quero. Eu apenas não tenho escolha.
– Dave, você tem razão! Por que você ficaria preso aqui? Se eu fizesse 18 anos e pudesse sair daqui, eu iria correndo. Você não tem motivos para estar aqui; e se tem; tem mais motivos para sair do que para ficar. Vai.
– Você não está feliz com isso.
– E por que eu tenho que estar? Essa é a sua vida. São suas decisões. Você não deve se prender aqui simplesmente para não deixar alguém sozinho. Isso é burrice.
– Não. Isso é... – Eu esperei para que ele terminasse de falar. Mas ele não achou uma palavra para completar o que estava dizendo.
– Não importa. Isso, essa chance de sair é sua. E você tem que aproveitar. – Ele tentou dizer algo. Eu o interrompi. — Você esperou a sua vida inteira. Você está esperando por isso por toda a sua vida. Você tentava escapar, você fazia de tudo, e não precisa parar agora. Você tem tentado pisar no mundo afora desde que se conhece por gente. Então não há nada que possa fazer você não ir. Você não tem que ficar sozinho aqui.
– É lá que eu estou sozinho! Estarei. Aqui eu tenho você, eu tenho alguém a me comunicar. Fala sério, lá fora, eu não tenho ninguém. Por mais que isso seja idiota, que eu tenha esperado por isso. Lá fora não há ninguém. Eu não tenho ninguém além de você e você está aqui !
Ok. Vamos processar isto.
Ele até tem razão. Lá fora, é ele e.... e ele.
– Dave, o que quer que eu faça?
Ele não me respondeu.
– O que eu posso fazer? Você vai. Simplesmente você vai, e não há nada a fazer. E por essa razão não tem sentido estar aqui discutindo isso.
– Eu vou amanhã. E não sei, eu quero uma forma de não... perder você?
– Eu te conheço faz três dias.
– E eu tenho 18 anos.
– Você está sendo clichê. E dramático, Dave. — Disse o que pensava. 3 dias que em conhecia e estava para dizer "você é a minha melhor amiga". Grande bosta.
– E você foi a única pessoa que me identifiquei e que me fez ficar feliz nesses 18 anos. Não importa por quanto tempo foi, você foi a única pessoa que esteve comigo em 18 anos !
– E eu sei que você vai viver muito mais que 18 anos. Vai viver mais 18,mais 18 e depois mais 18. Não vou ser a única pessoa que passou pela sua vida.
– Como você tem tanta certeza disso? Eu posso sair daqui 7 da manhã e ser baleado dois minutos depois.
Ok. Agora o drama de Dave foi longe. Longe demais.
– Ahn... que horror ! – Onde estávamos querendo chegar? – Você está aqui para dizer adeus, certo? Sei lá, para se despedir.
– Eu só queria que você soubesse que eu iria. E sim, pode ser. Queria também que entendesse que isso não é exatamente pela minha escolha. Ninguém vai deixar um garoto maior de idade em um orfanato.
– Tudo bem. – Eu o abracei. Era estranho. Ele me apertou bastante, e depois soltou. Havia tempo que não abraçava alguém. – Como você vai... sabe, sobreviver. Eles vão simplesmente te largar na rua e então que você se vire?
– Não. – Ele deu um pequeno sorriso. – Eles vão me dar uma quantia, digamos, para sobreviver até o fim do mês. Vou ficar trabalhando em um depósito por seis meses e receber um salário mínimo. Depois, se eu for bom, fico no emprego. Jessica me disse várias palavras boas para que eu tome um rumo.
– Bem, ás vezes nem parece que ela é mentirosa.
– Oi? — Disse, confuso. Qual é, parecia conhecê-la melhor que eu, por mais que eu passasse 7 horas em sua companhia nos fins de semana, por 13 anos.
– Ela me dissera que meu pai ia voltar quando cheguei aqui.
– Eu sei. Talvez por que você tinha três anos?
– Talvez. Mas mesmo assim. Enfim, boa sorte.
Seu rosto foi tomado por uma expressão séria, como se ele tivesse por um momento esquecido que iria embora.
– Obrigado.
Ele ia andando para trás, ainda virado para mim.
Eu dei um minúsculo aceno que provavelmente ele não perceberia, com a cabeça, e me encaminhei para o meu quarto. Mais uma lição para a minha lista de coisas que sei sobre pessoas : Elas vão embora. Sempre vão embora.
Mas é verdade, eu tenho uma lista. Cheguei no meu quarto e procurei o bloquinho na minha gaveta de roupas velhas que foram doadas e abri na primeira página. Ali estava a lista :
– Elas mentem. As vezes com o olhar. E fazem isso tão bem, que no olhar delas, nada parece ás assombrar quando estão o fazendo. Nenhum demônio parece persegui-las enquanto estão fazendo isso.
– Elas sempre vão embora de nossas vidas. E por esse motivo, compensa ficar longe delas. Por que assim você nunca sentirá falta de ninguém.
Só tinha um item até então. O que foi? Eu vivo em um orfanato !
Eu me deitei na cama desarrumada.
Tudo bem. Faltam mais de 1 ano para sair dessa birosca. Mais de um ano sozinha agora, e pelo menos eu tinha mais alguém para recordar. Eu passei treze anos me recordando de meus pais. Agora eu tinha Dave para ser dono dos meus devaneios enquanto estou deitada aqui, olhando para o teto. Eu acho que vale a pena. Sim, vale a pena fazer com que ele seja dono dos meus pensamentos.
Me virei de lado. Eu o conhecia a três dias. E, sim, eu acho, talvez infantil ou ridículo da minha parte dar um adeus dramático para alguém que eu conhecia a três dias. Mas ei... Ele estava aqui quando cheguei. Ele foi dono de meus devaneios no começo. Agora ele volta para seu lugar na minha mente. Eu conversei com ele com 3 anos. Não o conhecia de verdade, e nem acho que conheça agora. Mas era importante, de qualquer jeito.
Adormeci ali, enquanto ele estava em meus pensamentos. Acho que ele já havia arrumado as malas. Ou agora ele estaria comendo um sanduíche de cheddar. Agnes, como você é boba.
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Dave e eu estávamos correndo por várias ruas por aí. Mas não estávamos correndo como se estivéssemos nos sentindo bem, nos sentindo livres. Estávamos correndo absurdamente aflitos, como se estivéssemos fugindo de algo. Aquelas ruas não pareciam com as que eu via pela janela do orfanato. Havia muitos cafés e lanchonetes como mc donald's e subway. E então Dave simplesmente virou para um lado e entrou em um corredor de escadas, e começou a subir velozmente. Eu o segui e fomos parar em uma sala com portas. Era um prédio residencial.
Dave abriu violentamente a porta e haviam duas crianças loiras na sala. Uma menina e um menino, que vieram correndo nos abraçar. Mais distante, havia um garoto também loiro, por volta dos 20 anos lendo em uma poltrona.
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Eu ergui a cabeça. Estava com ela sob meu braço, que começou a doer, assim como meu pescoço. Liguei o interruptor e fui até a janela. Era noite. Talvez quatro da manhã, eu adormeci ás oito da noite.
Peguei um livro na cabeceira da cama e só depois parei um pouco para pensar no sonho. O que diabos aquilo significava?
Não, eu não sei se acredito em sonhos, se eles significam algo. Eu sei que sempre me importei com eles,por que sempre que sonho, é meio que uma metáfora do que estou vivendo. Eu tinha certeza que sonhos não me mandavam fazer nada. Isso não tem sentido. E eu não sabia se era simplesmente por que queria que Dave ficasse, ou se devia ajudá-lo em algo. Eu odeio, simplesmente odeio ficar confusa sobre algo importante pra mim.
Eu peguei uma mala que ficava ao lado do guarda roupa. Foi lá que meu pai havia deixado roupas para mim quando eu tinha três anos. Ela não era tão pequena, por que mesmo que eu não tivesse sua presença, ele dava dinheiro para mim viver incrivelmente bem quando eu era pequena. Pensei um pouco; se compensava levar o que eu tinha. Não era muita coisa. Guardei a mala, peguei uma mochila. Coloquei cerca de oito peças de roupa, penteei e arrumei o cabelo. Eu estava com a mesma roupa de ontem, que não era um pijama, então estava tudo bem.
Mas espera ! Que merda é que eu estou fazendo?
Olhei para o relógio. Eram quatro e cinqüenta da manhã. Eu havia arrumado tudo para uma viagem e não sabia o que estava fazendo, muito menos o por quê, e menos ainda para onde iria.
Eu me sentei e pensei no sonho. Eu e Dave fugíamos de algo. E eu lembrei do que disse noite passada : eu era a única pessoa que havia sido importante pra ele. Ele não queria ficar sozinho lá fora. E eu estava aqui, nesse orfanato. Se Dave precisasse fugir de algo, eu desejo saber do que é. E ajudá-lo.
Iriam me procurar por toda a cidade, e talvez me botariam uma camisa de força quando me encontrassem numa lanchonete de meia tigela me sentindo feliz por estar solta no mundo.
Que se dane. Abri a porta agressivamente e comecei a andar pelos corredores. Qual era o quarto de Dave?
Oh. Mas que droga. Eu não me lembrava, não olhei o número quando viemos aqui.
Me dirigi até o lado dos meninos. Eu estava disposta a procurar em todos os quartos de todos os garotos daquele grande orfanato. Mas eu me lembrei que os que chegavam recentemente iam para os últimos quartos, ou seja, os últimos números. Depois de algumas voltas cheguei aos últimos quartos. O último número que havia ali era 75. Simplesmente abri a porta, sem me importar em fazer barulho ou não.
Bingo! Dave estava deitado em sua cama de olhos abertos e quando a porta estava totalmente aberta ele imediatamente deu um pulo de sua cama.
– Como?
– Não importa. Nós temos que ir agora.
– Nós?
– Nós. Já arrumou suas coisas?
– Ahn.... mas, Agnes....
– Dave ! – Elevei o tom e ele fez um gesto para que falasse mais baixo. – Não me questione. – Abaixei o tom. – Você vai sair daqui, sim, mas não sozinho. – Ele ficou imóvel. – Você me ouviu? – Elevei o tom de novo. Era isso, eu iria fugir com Dave em poucos minutos e não tinha ideia de como.
Ele pegou uma mochila e pôs nas costas. Ele não havia dormido a noite.
– Então vamos. Antes que o sol nasça. – Acenei com a cabeça e ia saindo do quarto.
– Mas, nós vamos pra onde? – Ele perguntou.
– Isso é algo que ainda não pensei.
– Ótimo. – Falou, sarcástico.
– Pra onde iria ?
– Eles iriam me dar um emprego em um depósito de uma loja qualquer pelos primeiros seis meses, e se eu fosse bom, continuaria. Se não, eu estaria por minha conta depois disso. Eu já te disse!
Então eu achei que estava incomodando. Sei lá, ele tinha planos, eu não.
– Eu não sou obrigada a lembrar de tudo! – Quando as pessoas me contam coisas, não tem que se preocupar se eu contarei a alguém, pois eu esqueço. — Então você vai.
– E você? – Disse, sem entender.
– Vou ficar aqui.
– Não. Nós vamos sair daqui e ir até onde Deus quiser.
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