A minha casa é nos seus braços
3 Parabéns
Notas iniciais
Depois do meu bigode de cheddar e dos ataques de riso e vermelhidão de Dave, finalmente conseguimos conversar seriamente. Eu ainda estava intrigada em como ele me fez rir tanto em tão pouco tempo. Não que eu não tenha gostado disso,é claro, mas eu não estava com vontade de rir, aliás, eu nunca fico com vontade de rir. E eu percebi o quanto é bom estar feliz. Eu to acostumada com a onda do ódio. E sabe, quando você se acostuma, você nem quer mais sorrir de novo. Desacostuma. É, é bom ter alguém para sorrir com você.
– E você, como veio parar aqui? – Ele disse, depois de toda a palhaçada.
– Eu fiquei os meus primeiros 3 anos da vida muito bem graças á minha mãe, que sempre estava comigo vendo aqueles filmes infantis no sofá. Meu pai nunca fora presente e eu nunca questionei isso. Fala sério, eu tinha 3 anos e só havia visto meu pai no máximo 5 vezes, por poucas horas. Pelo menos duas duraram apenas um minuto. Morava com a minha mãe e ela sempre viu O Rei Leão comigo aos fins de semana. Era... bom.
– Oh, que bonitinho – Ele disse com um sorriso, querendo que eu levasse na esportiva, mas eu não costumava fazer isso. Eu o belisquei forte, realmente irritada por ter caçoado de algo que era tão importante pra mim.
– AAAAAAAAAAAH ! – Ele gritou. Eu queria enchê-lo de tapas, mas era suficiente.
– Ei ! Isso é importante pra mim, tudo bem? – Eu protestei.
– Desculpa. – Ele falou, pareceu realmente arrependido do que disse. Mas bastante irritado.
– Então – recomecei – um dia ela disse que não poderia ver comigo no próximo fim de semana e eu acabei sonhando que vinha parar aqui, até que alguns dias depois meu pai veio até a casa onde eu morava com minha mãe. No meu quarto, quando eu estava brincando. Nádia me disse : “você tem que ir agora”, então ele me botou no carro e me trouxe até aqui. O resto você presenciou. – Eu gostava de dizer o nome dela. Nádia. É bonito. Muito bonito. Significa esperança.
– Jessica te contou o por que de terem te trazido aqui, certo?
– Como sabe?
– Foi o que fizeram comigo,quando tinha 11 ou 12 anos. Enfim, eu posso saber? – Ele disse, com voz tranquila.
– Meu pai tinha uma mulher chamada Alice. E, sabe, eu sou meio...- eu parei de falar, respirei fundo e achei a frase certa. – Meio não. Eu sou o fruto do erro dele. Sabe, eu era uma bastarda para a família que ele tinha. Eu sou filha do pecado. – Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso. – Que foi? – Eu disse, sem entender o por que daquela expressão.
– O jeito que você fala de si mesma. Estou surpreso com a definição sombria e dramática que você deu.
– Por que os outros não assumem a realidade. – Ele balançou a cabeça negativamente. – É sim, Dave. Sou filha do pecado, de qualquer forma, e isso não foi escolha minha. Ninguém precisa dizer, ninguém quer, ninguém precisa mas eu sei. É como me defino. Você sabe como é? Sabe como é ser deixado no chão como se fosse algo descartável? Se sentir algo que ninguém se importa. Você não entende, Dave. É como se dissessem que não presto pra nada. E isso nem foi culpa minha. Esse erro não foi meu.
– Para! – Ele pareceu muito transtornado.
– Você não está compreendendo, Dave...
– Eu vim de uma lata de lixo. – Eu me calei. Demorei a entender. Na verdade, demorei a processar aquilo. Eu nunca havia pensado no modo que sempre há alguém pior que nós. Eu nunca parei para pensar nisso. Aliás, ele chegara em orfanatos muito antes de mim. Me pondo no lugar dele, se alguém dissesse que eu não entendo a sensação de ser jogado, eu teria pendurado um salto alto no meu cérebro. Esperou um pouco pra falar. Eu não me atrevi a dizer nada, com medo de fazer as coisas ficarem piores.
– Eu fui jogado com 6 meses de vida; então não venha em dizer que você tem muitas coisas em comum com o nada, ou o lixo, ou que ninguém queria você por perto, não diga que eu não entendo essa sensação. Agnes, pense no que você está dizendo. Eu fiquei numa lata de lixo. Mas não, eu não me sinto como ele, Agnes, quem deveria se sentir dessa maneira são as pessoas que nos deixaram lá. E quem deveria se sentir um lixo foi quem te deixou aqui.
Eu parei pra pensar um pouco. É sim, verdade. Mas eu não deixo de ser filha do pecado por essa razão.
– É.... tem razão, Dave. Me perdoe – Eu falei, frustrada por ter dito aquilo.
– A única pessoa que você tem que pedir desculpas é a si mesma. – Eu balancei a cabeça,positivamente. . – E sim, Agnes, eu sei como você se sente. Você exagerou e muito. Não é de si mesma que você tem ódio.
– Algumas vezes. Mas, então, com quantos anos tinha quando te contaram isso? — Ele pareceu inconformado com a primeira frase, e deu um longo suspiro, mas resolveu esquecer e responder a minha pergunta. Parecia saber que não ia adiantar nada.
– Ninguém me contou. Que pessoa no mundo teria coragem de dizer pra uma criança que ela foi jogada numa lata de lixo pelos próprios pais? – Fazia realmente sentido. – Eu descobri aos 12 anos, vasculhando o computador de uma diretora de mais um orfanato que fiquei e não sei o nome. Sabe, elas guardam os motivos de os pais terem as deixado ali para dizer um dia. Ou para ficarem ali, apenas guardados, esperando para serem revelados durante toda a eternidade. Ter invadido aquele computador foi uma das razões pra ter sido transferido. – Como alguém seria capaz disso, de jogar um bebê numa lata de lixo? Eu pensei ser a pessoa mais injustiçada de todo o mundo, mas com toda certeza há pessoas que tem sido vítimas de crueldades piores. Naquele momento eu comecei a pensar que, naquele exato instante em que estava do lado de Dave comendo hamburguês enormes haviam garotas sendo estupradas, milhares delas, assim como há crianças passando fome. Assim como eu queria que as pessoas pensassem, que enquanto elas sorriem, á pessoas mergulhadas na solidão e angústia que parecem não ter fim.
– Eu sinto muito. – Consegui finalmente dizer algo, embora eu pense que não foi a coisa certa a se dizer.
– Não tem que sentir muito. Eu não sinto muito, por que quando eu estava lá dentro daquela lata de lixo poderia ter vindo um caminhão e me levado. Mas não, eu estou aqui, Agnes. Olhe. Eu estou bem aqui. – Seu tom de voz não estava alto, não estava bravo ou irritado comigo. Percebi que não estávamos irritados um com o outro.
– Dave. – Eu disse o nome dele sem ter ideia de qual seria a frase seguinte. – Parabéns. – Foi a primeira palavra que passou pela minha cabeça, mas era a correta a se dizer. Pelo menos me pareceu correta, sim. Ele merece ser parabenizado por ter aguentado tudo o que passou e não ter se deixado levar pelo ódio.
– Mas e você? O que diz?
– O que te faz pensar que tenho algo a contar?
– Sempre há algo. Me diz sobre seus amigos, como você ficou quando soube por que estava aqui?
– Não tenho amigos. Quando cheguei aqui, Jessica me disse que meu pai tinha viajado e que ia demorar a voltar – eu respirei fundo –, e eu fiquei esperando ele voltar,é claro. Eu ficava olhando para a porta que ele saiu naquele dia, até que resolvi parar e comecei a ficar no meu quarto e ver menos pessoas, a me isolar. E... bem, quando soube que talvez eu arrumaria outra família eu tinha 5 ou 4 anos. Eu me tranquei aqui e só saí depois de uma tarde inteira. Eu queria eles de volta, de um jeito ou de outro. Mas eu nunca tentei sair daqui. – Olhei pra ele, e eu não sei dizer o que seu olhar ou seu rosto expressava, então fiquei esperando ele dizer algo.
– Você... – Ele demorou a falar.
– Eu?
– Você nunca pensou em tentar ter outra família? Tipo, ser adotada? – Eu tive vontade de bater em Dave.
– Claro que não ! Não pensei nisso nunca, e isso não é uma hipótese. Eu só saio daqui dona da minha própria vida. Eu não vou confiar em uma família mais, eu acho. Não sei se conseguiria. – Ele balançou a cabeça,perplexo
– Você sabe mesmo calar a boca de alguém. – Ele falou depois de alguns segundos.
– Não foi para calar a sua boca. Mas que bom que calou. – Ele riu. Eu olhava pra ele e pensava que características ele devia ter. Me pareceu um tanto sarcástico, desafiador. Até um pouco misterioso, poderia dizer.
– Eu tenho que fazer algumas coisas. Eu te vejo depois?
– Ahn... é claro. – Eu disse, me perguntando se ele ia para a sala de jogos ou coisa assim. Ele não parecia gostar de qualquer coisa usada para distrair os órfãos. Ele se levantou e foi ao corredor mais próximo de nós. Só tinha quartos, então dei de ombros e fui para o meu.
........................
– TOC! – Eu nunca havia ouvido uma batida tão forte na porta, poderia até dizer que estavam chutando.
– Mas, 7 da manhã? – Era sábado, o que quer dizer que no orfanato não tinha aula pra ninguém. Abri a porta com certa violência, irritada.
– Se demorasse mais dois minutos iria pensar que estava morta aí dentro! – Dave estava com um fone de ouvido enorme vermelho e preto, conectado a um notebook. Onde diabos ele havia conseguido aquele notebook? Dentro do orfanato só se mexia com eletrônicos se gostasse muito de ficar na sala de aula depois que todos os alunos tivessem saído.
– Bom dia pra você também. Você precisa ter um bom motivo pra bater na minha porta ás 7 da manhã. Precisa mesmo. – Eu fuzilava Dave com o olhar, e se eu tivesse o poder de fazer as pessoas morrerem de dor com apenas um olhar de profundo ódio, Dave estaria estirado no chão.
Ele riu.
– Você é engraçadinha brava. – Peguei uma laranja que havia no criado mudo ao lado da minha cama e joguei na cabeça dele. – Sua.... – ele suspirou, se contorcendo de dor coma mão na testa. Queria me chamar de cadela. Agora sim estava sendo engraçado.
– Fala logo.
– Obrigado por me deixar entrar. – Sarcástico. Como eu imaginei. Me afastei um pouco da porta para que ele entrasse. Fechei a porta e parei em frente a ele, com as mãos na cintura.
– Certo. Agora diga por que está aqui, ou eu vou te acertar com uma melancia.
– Você não ouve música, não é? — Balancei a cabeça negativamente. – Meu deus. Então, como você vive mesmo? – Ele disse, levantando levemente o notebook e o fone de ouvido.
– Tá, senta aí. – Eu disse, apontando para a cama.
– Vou por o que eu curto, então você diz se gostou?
– Pode ser.
Coloquei os fones de ouvido que estavam ajustados para a cabeça de Dave. Ficou abaixo das minhas orelhas, então eu tirei o fone de ouvido e olhei. Dave não parecia ter um cabeção tão grande. Ajustei ao meu tamanho e coloquei de novo.
E um segundo depois a música começou a tocar, e achei que ficaria surda nos primeiros cinco segundos. Quem tocava a guitarra só podia estar com muita raiva, a ponto de querer estourar os tímpanos de alguém.
Percebi a mão de Dave abaixando o volume, então provavelmente percebeu que fiquei assustada com a altura. Então provavelmente era ele quem queria me deixar surda.
Comecei a balançar a cabeça e jogar o cabelo. Era um rock bem pesado. Eu não estava gostando muito, mas esperei que Dave risse, ou simplesmente estava fazendo palhaçada por fazer. Na verdade ele olhou pra mim, ergueu uma sobrancelha e balançou a cabeça negativamente.
– Eu não vou fingir que achei graça. – Ele disse, dando um pequeno sorriso. Eu comecei a rir de sua irritação.
– Ok. Não, essa não deu muito certo.
Ele colocou outra. Dave olhava pra mim como se tivesse aprontado alguma e tivesse só esperando para ver a minha expressão. O toque até era legal pra mim, ainda era de guitarra, mas menos desesperada. Até que veio a voz e eu arregalei meus olhos como nunca tinha arregalado antes. Dave riu.
– Eu tenho um visual meio dark ou o quê? Por quê sério, eu não sei de onde você tirou que eu ia curtir essas coisas. – No meio da minha frase, Dave começou a rir como um desesperado. Na verdade, eu parecia uma desesperada do jeito que falava. Ele parecia meio dark, sim, mas não parecia ouvir músicas desse tipo.
– Você pareceu um peixe esbugalhado.... – Ele disse depois de alguns segundos, e não conseguiu continuar falando, tendo sua fala tomada pelo riso. Eu poderia matá-lo, mas ri junto com ele. Não tão desesperadamente. Dave ria com qualquer coisa.
– Quem canta isso?
– Sepultura. – Ele disse, depois de alguns segundos.
– É, essa também não deu nada certo. O vocalista parece ter engolido uma coisa muito grande pra ter a voz desse jeito ou sei lá. – Ele arregalou os olhos pra mim e começou a rir mais desesperadamente que da primeira vez. Ele ficou louco?
Dave olhou pra minha cara de confusa e voltou a rir, deitando suas costas na cama.
– Ei, o que foi? O que eu fiz agora?
– Ele não é gay, Agnes. Eu acho que não.
– O quê? Não, eu não quis dizer isso, é, seu idiota. Você é muito malicioso.
– Tudo bem. – Ele se acalmou. – Vamos continuar. – Rolou o dedo no notebook para colocar outra música. – Sem brincadeira, agora acho que é sua praia.
E foi. Finalmente.
Eu escutei a música toda, como Dave havia previsto. Quando acabou,tirei o fone preto e vermelho e estendi a Dave. Mas ele não estava nem um pouco ligado. Olhava pra baixo pensando em algo, mas não chamei o nome dele por mais que dez segundos até dar um tapa na cabeça dele.
– Ei, pode parar com isso ! — Ele disse. Eu me assustei.
– Por que você está com a cabeça na lua?
– Agnes, quantos anos você tem? — Franzi as sobrancelhas, mas não hesitei em responder.
– Eu tenho dezesseis anos. Por que diabos me perguntou isso?
– Nova. Vai demorar. Quero dizer, esqueça. Olhe, você fica com isto por hoje, está bem? – Ele estendeu o notebook já fechado e com os fones de ouvido sobre ele. – Eu, eu vou indo. – Ele não parecia feliz com isso.
– Ei. Calma aí. – O segurei pelo braço antes que levantasse completamente.– O que tem a minha idade? Qual é a sua?
– Eu tenho dezessete. Foi só curiosidade. – Isso não cola e nunca iria colar. Mas deixei pra lá.
– Oh. — Soltei seu braço. – Nos vemos amanhã?
– Claro. – Em dez segundos ele estava abrindo a porta. – Boa noite, Agnes.
– Boa noite. – Dei um mini-sorriso, me voltei para o notebook e coloquei os fones. Ainda deu para ouvir ele fechando a porta.
...
E na manhã seguinte eu estava abrindo a porta furiosamente de novo.
– Porra Dave ! – Falei em um tom mais alto que o normal. – Vai me acordar ás sete da manhã todo dia?
– São sete e quinze. – Ele disse, com um sorriso debochado. Revirei os olhos e dei espaço para que ele entrasse. Aí passou pela minha cabeça que ele via ao meu quarto pela segunda vez, e eu nunca entrara no dele.
– Agnes, vamos.. comer algo, certo?
– Bem... pode ser. – Eu não costuma comer de manhã. Fui para fora do quarto e observei o corredor. Não havia nada além de portas e dois adolescentes, que inclusive olharam para a gente e riram, até ir embora. – Qual a graça? — Olhei para Dave quando eles haviam ido embora.
– Você está de pantufas de coelho, um pijama velho e... bem, do jeito que todo mundo acorda.
Ai meu deus. Arregalei meus olhos.
– Não, calma! Ninguém disse que você está feia, foi só pra te....
– Eu sei, eu sei, não importa. – Fui como uma bala para dentro do quarto e bati a porta na cara de Dave. Peguei uma regata branca, uma calça jeans preta e jaqueta preta. Devia estar parecendo uma motoqueira. Amarrei meu cabelo num rabo de cavalo alto, me vesti e saí do quarto.
– E agora? – Dave apertou os lábios e não disse nada. Dei um tapa em seu ombro.
– Ag, você...
– Eu? – Ele iria me chamar de linda?
– Você ainda está de pantufas.- Respirei fundo, frustrada. Dei as costas para Dave e abri minha gaveta de sapatos. Tinha uma sapatilha vermelha, uma plataforma muito, muito podre e uma bota de motoqueira. Pelo menos, pra mim parecia uma. E eu amava.
Coloquei elas em três segundos e fui á frente do espelho. Quando ricos mandavam roupas e sapatos para os órfãos eu era a única que escolhia uma bota dessas. E amava tanto ! Parecia provavelmente uma gótica, ou quase isso. Novamente saí do quarto.
– Satisfeito? – Eu disse, chamando atenção dele que estava encostado na parede, quase dormindo.
– Finalmente ! Vamos, estou morrendo de fome.
Começamos a caminhar pelo corredor. Dave vestia uma jaqueta jeans preta, uma calça jeans preta e um tênis preto. Ah, e uma blusa branca por baixo. Parecíamos... sei lá. Somos dois idiotas com as roupas iguais.
E é claro que no domingo não havia ninguém nas filas para pegar café da manhã. Nenhum adolescente vai acordar ás sete da manhã sem precisar... Só o Dave.
Pedi um hambúrguer, com bastante cheddar á uma das cozinheiras. Por algum motivo passei a amar cheddar.
– Eu quero um igual. – Dave disse. Em três minutos havia dois pratos em cima do balcão. Sem dizer nada, pegamos cada um o seu, nos sentamos e começamos a comer. Dave parecia desesperado e mordia com uma vontade que eu observava parcialmente espantada sem olhar pro meu.
– Por que você está me olhando? – Ele disse, mastigando o hambúrguer, com cheddar e ketchup em volta de sua boca. Olhei para baixo e comecei a rir.
– Bom, o jogo virou, não é mesmo?
Dave passou a mão pelos lábios, fechou os olhos e balançou a cabeça negativamente. Poderia dizer que estava pensando o quão idiota ele parecia. Pegou os guardanapos e limpou tudo, e só então eu consegui prestar atenção em comer o meu.
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