A minha Lua
6 Uma tempestade sem anúncio.
Notas iniciais
"eu nem sabia que podia( usar tanto poder)"
"... é por isso que tem que pegar alguém mais qualificado"

O menino nevado voava como um raio por entre as nuvens. Corria o mais rápido que o vento podia levar. Elsa tinha que saber o que estava acontecendo com a sua irmã.
Anna a irmã desajuizada da Lua decidiu ir vê-la. Não que isso fosse ruim. O ruim de fato foi a discussão que tiveram. Nem Elsa, nem Frost, sabiam que ao liberar os poderes de gelo colocariam a vida de todos em perigo, deixando Arrendelle em um inverno eterno. Foi por isso que Anna pediu que Elsa descesse a montanha. Para Frost Elsa não era perigosa, mas ela se via assim, um perigo para as pessoas. Não sabia como desfazer o inverno eterno. E a discussão aconteceu neste ponto. Anna acreditava que Elsa podia desfazer, Frost também sabia que ela era capaz. Mas a rainha não acreditava, tinha medo. E foi o Medo de ferir Anna que fez com que Elsa a expulsasse de seu castelo.
Com grande preocupação Elsa suplicou que Frost acompanhasse sua irmã até o regressar sã e salva. Entretanto algo estava errado com a menina, o grandalhão que estava ao lado dela percebeu. A levou para uns trolls, que apesar de serem barulhentos e cheios de vidas diagnosticaram algo. Frost não entendia nada que eles diziam, mas entendeu que algo estava errado com a ruiva, decidiu voltar às pressas para Elsa e avisa-la.
O caminho pareceu mais longo que já fizera, estava muito. Ele brecou no ar, assim que visualizou a porta da sacada completamente destruída. Uma sensação ruim invadiu seu peito. Engoliu seco balançou a cabeça retirando o mal pressentimento. Com hesito o rapaz adentrou ao segundo piso.
Sua mente se movia em turbilhão com centenas de pensamentos, e nenhum deles era bom.
— Lua! – O menino gritou, sem resposta. Apertou seu cajado.
O local estava irreconhecível, cheios de estacas de gelo e o grande lustre estilhaçado no chão. Parecia que ali havia acontecido uma luta. Até algumas gotas de sangue tinha no chão.
— Elsa! – Frost berrou com mais força.
Somente o silêncio ensurdecedor, gritava os ouvidos. Se tivesse lagrimas seus olhos estariam cheios dela. Mas ele não chorava, e deveria? As perguntas angustiantes começaram a inundar sua mente. Ele chamou por sua lua, vasculhou cada centímetro daquele castelo, mas nada nem ninguém, nem o grande boneco de neve estavam lá.
Os ombros caíram pesados suas pernas não sustentaram mais o peso da culpa. Ele não a devia ter deixado sozinha, adultos humanos, eram muito cruéis. Ele era o culpado dela ter sido capturada. Ela foi capturada, Frost rezou para que ela ainda estivesse viva. E seja quem fosse o responsável pela captura iria pagar caro.
— Se é querem brincar, então vamos brincar. – Com olhar carregado de ódio e a voz grave ele se preparava para vingança, a neve caia a sua volta erguendo voo, seguiu em direção a Arendelle.
Mesmo que isso custasse a vida de alguém, Frost salvaria sua rainha. Salvaria sua Lua.
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Poderia ser obra do destino ou simples acaso. Porque o garoto não procurou muito para encontrar sua preciosa lua. Por uma janela pequena ele pode assistir sua Elsa, presa a correntes, angustiada. A ira tomou conta do garoto. Como puderam prender sua Lua. Sem dúvida mataria o responsável por aquilo.
— Elsa! – Bateu na janela.
— Frost?! Rápido me tire daqui, sou um perigo para eles.
— Eu vou te tirar dai! — Posicionou seu cajado mandando sua energia mágica de gelo congelando as paredes laterais.
— Oh! — Elsa assistia as paredes a sua volta congelar.
— Rápido Elsa! Se solte dessas algemas, eu vou quebrar essas paredes. – Sem demora ela começou a puxar suas mãos além de mandar magia.
— Ela é perigosa. Tenham cuidado e sejam rápidos. – Para o desespero da rainha mais pessoas iriam se envolver. Ela não tinha medo de ser instigada ou morta, mas tinha pavor de matar alguém.
— A porta não abre. – Outra voz disse.
— Elsa agora! – Frost berrou percebendo a parede trincar.
A parede externa rachou e caiu, em um milésimo de segundo Frost bateu seu cajado nas algemas, as quebrando, e em seguida, em um tempo ainda mais curto, conseguiu segurar a mão de Elsa e a guiou para fora a salvando dos blocos de madeiras congeladas que caíram.
— Elsa você está bem? – Suas mãos soltaram por instabilidade transpassando as do menino.
— Eu estou, onde está Anna?
— Ela está estranha, tem algo acontecendo com ela. — Ele dizia estudando Elsa, vendo se estava ferida em algum lugar — Lua me diga quem fez isso com você?
— Anna esta estranha? Me leve até ela. – O desespero de Elsa começou a gerar uma nevasca.
— Sim, mas me diga antes, quem fez isso com você?
— Isso é o que menos importa agora. Por favor Frost, me leve até Anna. – a súplica da sua lua não poderia ser rejeitadas.
— Ela estava com os trolls. – Isso podia significa que Anna estava... só esse pensamento fez tempestade se intensificar.
— Não enxergo nada. — ela corria pra uma direção oposta à correta.
— Siga a minha voz!. – Ele ergueu voo e foi afrente de Elsa ele gritava indicando o caminho a seguir.
Elsa corria em meio a nevasca sem saber para onde ir, as vezes parava e esperava seu amigo chama-la e indicar o caminho. O vulto de um homem a deteve, por um segundo acreditou ser seu amigo espectro que começou a enxergar, mas se afastou ao reconhecer a sinueta de um homem alto e esbelto. Era Hans o noivo de Anna. Perto demais, ela desviou o caminho.
— Elsa! – A voz a deteve. – Você não pode fugir disso.
Ela precisava que ele se afastasse, não o queria congelar. Falou a primeira coisa que lhe veio a mente.
— Apenas cuide de minha irmã. – Ouvindo a conversa, Frost aproxima de Elsa empunhando seu cajado pronto para acertar qualquer um que quisesse machuca-la.
— Sua irmã? Ela voltou da montanha fraca e fria. Ela disse que você congelou o coração dela.
— Não... Não pode ser... – incrédulo o garoto sussurrou desarmando-se, Anna tinha voltado. Quão incompetente o nevado era? um total desclassificado para ser guardião de alguém.
— Eu tentei salva-la, mas já era tarde demais. – O moreno concluía sua fala. – Sua pele era de gelo. Seu cabelo ficou branco...
Cada palavra que Elsa escutava eram como um punhal que acetava seu coração, o cortando em várias partes.
— Sua irmã está morta... por causa de você.
A última frases acertou em cheio o partido coração de Elsa o estilhaçando em milhões de fractais.
Elsa perdeu o equilíbrio, o chão, a luz. Nada mais lhe importava, nem viver nem morrer, e do que adiantava? Seu corpo cheio de remorso encontrou o chão as lagrimas corriam sua face branca. A nevasca cessou, mas do que isso importava agora? Do que adiantava continuar a viver?
— Elsa eu sinto muito. – Frost agachou-se para próximo dela, assistindo as lagrimas descer sem controle. – Elsa, a culpa é minha...eu não...eu não cuidei dela direito como você me pediu... Elsa?
As respostas não viriam, nunca viriam, ao saber da morte da irmã, Elsa perdeu completamente a luz da fé que brilhavam em meio a sua mágia. A única coisa que unia O garoto espectral e Elsa era a esperança que gerava no coração dela.
Apoiado no cajado Frost ficou ao lado de Elsa, e permaneceria assim até o fim de seus dias como espirito da neve. Mesmo que nunca mais fosse ouvido. Isso não o importava mais. Sua lua estava na sua frente despedaçada isso era pior dor que poderia existir.
— Não! – Um grito agudo e firme fez o olhar erguer e então ver Anna se antepondo a uma espada. E logo em seguida virando uma sólida pedra de gelo.
A força da espada quebrada ricochetou no homem moreno o fazendo cair desacordado.
— Anna! – Elsa ergueu seu olhar também. – Oh! Não, não.
Os pensamentos inundaram a rainha, quantas vezes deveria ter brincado com ela? Quantas vezes deveria ter dito que a amava? Como se arrependia de ter desejado se livre, de ter libertado toda as suas correntes. Sua irmã como pedra de gelo a sua frente. A abraçou, nunca em anos a havia abraçado uma vez sequer. E agora, tardiamente fazia.
Aos poucos o gelo implantado no coração de Anna derretia, um sacrifício de amor verdadeiro foi a chave da salvação da pequena Anna.
Anna estava viva! Elas se abraçaram com força, uma de saudade e a outra de alegria.
— Você se sacrificou por mim? – O coração de Elsa explodia de alegria.
— Eu te amo.
— Um ato de amor verdadeiro derreterá um coração congelado. – O boneco de neve, disse por fim.
— O amor... Derreterá...- A resposta para tudo, era óbvia demais para que Elsa percebesse. O amor era a chave de sua magia. O amor.
Deixou ser inundada pelo amor, o amor que sentia por sua irmã, o amor que sentia pelo seus pais, o amor que sentia pelo seu Frost. O gelo por toda sua volta derretia, e flutuava para o céu.
Todos que respiravam ou tocavam a magia eram tomadas por um desejo inexplicável de amor. De amar. Amar as pessoas importantes. Apagar a ira e o ódio. Quem poderia culpar uma rainha por ter medo de amar? Ainda mais a rainha que todos admiravam. O verão estava de volta. As irmãs se abraçavam novamente. Um abraço sem medo somente alegria e aconchego.
— Eu sempre soube minha Lua! Você é incrível! – Abrindo os olhos, ainda no abraço, Elsa sorriu em direção ao seu sempre companheiro Frost.
— Obrigada. — Não era só gratidão pelas palavras dele, mas era por tudo que ele fizera.
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