A minha Lua

1 Onde os Abismo se Encontram


“A escuridão é a primeira coisa que eu me lembro.
Estava escuro e estava frio. ”

Eram crianças que corriam, como deveria ser? Não sabia, ele não se lembrava de nada antes, mas algo lhe dizia que elas deveriam brincar. O Jovem de roupas simples, pés descalços e cabelos brancos e empunhando um cajado de madeira, se aproximou das crianças que corriam. Antes que dissesse algo elas o atravessaram. Fazendo o jovem sentir-se um nada, vazio. E devia ser vazio? Deveria ser um nada? Deveria sentir? Ninguém o podia ver, ninguém o podia ouvir. Mesmo se gritasse com todo o ar do pulmão, naquela vila, ele era só um nada, um vazioAquele sentimento doía, doía seu peito. E deveria doer? Quem ele era? Como se tornou daquele jeito? Ele sempre foi aquilo? O que devia fazer? Qual era seu nome? Essas perguntas enchiam a cabeça do menino. Erguendo seu olhar para a lua, buscando as respostas. Ela que o acordou, então porque permanecia em silêncio? Ela também o ignorava?

Apertou seu cajado, com o peito estilhaçado e oco. Nada acontecia dentro dele, nem pulsar, nem lagrimas corriam seu rosto. Mas deveria? Talvez, mas as lagrimas não vinham, seus olhos eram secos. Cansou de estar naquele lugar, pediu ao seu amigo o vento, o único que lhe demonstrava atenção, que o carregasse para longe daquela vila. Um lugar que pudesse diminuir o vazio.

O menino transpassou vales e colinas, atravessou o largo oceano. Para onde ia era o que menos importava, desde que estivesse longe.

O vento o levou a um reino, com um castelo mais majestoso que o menino já vira. E ele vira outros? Provavelmente não. Ele pousou dentro do pátio de pedras. Era noite e os portões estavam fechado. Procurou pessoas, mas ninguém, nem guardas, nem empregados.

Decidiu explorar o lado interno. Caminhou por um corredor amplo e cheio de janelas. Era tarde da noite, as crianças deveriam estar dormindo. Mas um sonido baixo chamou sua atenção. Seguiu o som, até chegar a uma porta. O Som agora estava claro, era um choro. O lamentar sofrido de uma criança. O jovem passou a mão pela porta e girou o trinco, mas a porta não abriu. Estava trancada. Quem prenderia uma criança? Que tipo de monstro faria algo assim. O som parou um longo silêncio contaminou todo o lugar. Como era enfadonho o menino somente transpassava pessoas e não objetos.

— Anna? – Uma vozinha fraca rompeu a quietude. – Er du?*¹

O rapaz tomou ar para responder, mas do que adiantaria, ela não o escutaria. O som do tilhar fechadura pode ser escutado por todo o corredor. Custou um tempo até a porta ser aberta. Primeira coisa a aparecer era os cabelos loirinhos de uma jovenzinha, ela deveria ter 12 anos, ela ergueu os olhos estavam vermelhos como os de quem chorou por horas. Parecia encarar o nevado, mas antes que ele pudesse se manifestar, a garota virou de costas e adentrou o seu quarto.

Flutuando rápido o rapaz entrou no quarto também. Precisava tirar sua dúvida, ela parecia que o tinha visto. Estava muito escuro dentro do quarto, não tinha outra luz que não fosse a prateada luz lunar, que atravessava a janela triangular.

A menininha percorreu seu quarto até sentar-se ao pé daquela janela. Olhava a luz prata da lua, as estrelas no alto do céu, livres. Voltou a chorar. O rapaz alvo aproximou dela. Mas ela não esboçou nenhuma reação. Ele balançou seus dedos afrete de seus olhos na esperança dela o ver. Não entendia por que juntar esperança. Ninguém jamais o veria.

Soltou o ar dos pulmões nitidamente abatido. Apertou seu fiel cajado. Ele girou o corpo para sair daquela situação, seu peito voltava a ficar vazio. Acabou trombando em uma mesinha de canto quase derrubando um vazo de flores. A menina levantou de súbito, o olhar dela vacilou da mesinha de canto para suas mãos cobertas por uma luva.

—H-Hvem er det?*²– Ela disse cheia de medo, claro que ele não entendia sua língua.

— Desculpe, viu nada quebrou. – O jovem disse sem esperar resposta.

—Quem disse isso? – Cheia de pavor a loirinha tentou ajustar sua visão procurando alguma coisa na escuridão. – Seja quem for, fique longe de mim. – Esse aviso não era para própria proteção, porém era por conta de um monstro que a criança guardava debaixo daquelas luvinhas. — ela disse tudo no mesmo idioma do rapas

— Você pode me ouvir? – O jovem disse em um exstasse de alegria.

Os raios lunares, tocavam a face da menina, fazendo seu rosto reluzir. As luzes transpassavam os pequenos cristais de gelo presos nos fios de cabelos e no rosto. Os olhinhos azuis apavorados, mas cheios de vida e indagações, eram iguais aos do rapaz. Ele a encarou por um longo tempo, pois ela parecia ser a própria lua.

Notas finais
*¹ é você? ( em noruegês)*² Q-quem está ai? pequenos detahes, Elsa é norueguesa por isso fala essa língua, mas como esta estudando para ser rainha sabe falar o inglês também.