A minha Lua
2 Um sonho bom
" Se eu estou fazendo alguma coisa errada você poderia me dizer,?
"Ninguém nunca, nunca me viu"

Reclinando a cabeça sobre o tronco da arvore o jovem de cabelos brancos, procurou uma posição mais confortável para dormir. Ele era um espirito da neve, não precisava dormir, porém desejava sonhar, não um sonho qualquer, mas um sonho com uma pessoa, que a muitas décadas foi seu porto. A sua lua.
Mergulhado em seu inconsciente escuro, começou a ser iluminado, iluminado por uma luz prata e loira, eram os fios cheios de gelo da cabeça da menina. O corpo dela começava a dar o sinal de maturação, as suas pequenas curvas salientavam debaixo do pesado vestido. As mãos eram sempre cobertas por uma luva, seu poder de gelo aumentava a cada dia. E ela ainda não os controlava e o medo a consumia, ela só não havia corrompido porque seu amigo permanecia ao seu lado. O Jovem nunca foi visível para ela, mas conversavam por horas, certas ocasiões, conversou até a menininha não conseguir manter mais os olhos abertos.
O espirito da neve lhe contava sobre todas as maravilhas que existia fora do castelo. Ele viajava conhecendo todos quatro cantos do mundo somente para contar a menininha trancada. Os olhos dela brilhavam de alegria quando ouvia as histórias, ela desejava essa liberdade.
Apesar do jovem espectral lhe contar todas as maravilhas, e com ela sentir-se útil, vivo. Ele ainda não sabia nada sobre si, nem seu sentido, nem seu nome, nem suas memorias. Perguntas insistiam em perturbar sua pequena consciência.
— Feliz aniversário princesa Elsa. – O jovem disse saldando ela com uma reverência, ele sempre fazia, mesmo que ela não visse. – Quatorze primaveras?
— Obrigada. Sim. – Completou com um singelo sorriso mostrando timidamente os dentes.
— Tenho um presente para você. – Ele disse tirando um pano acima de uma mesinha de deixando a mostra um lindo arranjo de flores de gelo. – Eu aprendi a fazer isso, queria eu você fosse a primeira pessoa a ver.
— São linda. – Contemplava a obra, tocando as pétalas dos girassóis de gelo. Ela admirava o exímio controle do seu amigo espectro. Ele tentava ensiná-la, mas eram coisas tão abstratas que ela não podia compreender. – Também tenho algo para lhe dar.
— Mas não sou eu quem está fazendo aniversário. – Sorriso de canto apareceu no rosto invisível.
— Seu nome! – A animação transpareceu na face de ambos.
— Meu nome?
— Frost! – Sorriu timidamente.
— Geada?
— Não posso te chamar de você ou espectro todo dia. Então o que acho? – Esfregou as mãos ansiosas, queria muito que seu amigo gostasse. Ele era seu oásis no meio do deserto do isolamento.
— Eu adorei. – Gargalhando voou para dar um abraço nela, mas acabou a atravessando.
— Ah. O-oque foi isso? – Um arrepio estranho percorreu o corpo da menina ao ser taravessada.
— Não foi nada...- Frost disse morrendo nas últimas palavras, sempre se resumia a isso ser um nada, um vazio.
— Você me tocou? – Disse pondo fim a um silêncio desagradável.
— Sim... Não... Não sei... – A voz dele morria a medida que aumentava o vazio em seu peito. – Eu não existo... Por isso nunca toco ninguém. – Terminou com uma risada sem humor.
A Menina encarou o nada, mas na direção de seu pequeno oásis. Ela compreendia o que ele dizia, Frost era tudo para ela, chegou na hora que ela mais precisava, era fantástico demais para ser real.
A loirinha em um segundo perspicaz foi tomada por um incrível pensamento.
— Não se mova.
Em um movimento rápido a garota puxou o cobertor de sua cama perfeitamente arrumada, e jogou sobre o seu amigo Frost. O cobertor ficou não o atravessou, até por que, o jovem espectro não atravessava objetos. A menina percebeu isso se ele não fosse só seu amigo imaginário o formato de seu corpo transparecia moldado pelo tecido e para sua alegria foi o que aconteceu.
— Hey! Espera o que você. – Ele disse tentando tira-lo de seu corpo.
Mas foi impedido, por algo que prendeu seu corpo abaixo dos pesados cobertores. Custou um tempo até entender. Era Elsa que o abraçava. Ele ficou rígido como uma pedra. Se tivesse lagrimas as teriam derramado naquele momento. Mesmo sem ver, ele sentia. O calor do corpo da menina transpassava os tecidos chegando até sua pele fria. Ele ansiou corresponder aquele abraço. Ansiou envolver ela em seu aconchego, ela era sua lua em meio as trevas. Ajeitou os braços com o tecido e a abraçou. Nem ele transpassava os lençóis nem ela transpassava ele.
— Obrigada! – As lagrimas dela corria o rosto e encharcava o lençol, desde o momento que ela se trancafiou seus poderes só pioram e ela nunca pode abraçar alguém novamente.
Ele não entendia o agradecimento, por era ele que estava sendo salvo.
— O moleque! Até quando vai ficar dormindo? – A voz grosseira lhe trousse a consciência, mesmo contra vontade de terminou seu sonho, Jack se levantou jogando uma bola de neve em seu agora amigo orelhudo.
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