A menina dos meus olhos
1 Prólogo
Vinicius POV's
Minha mãe morreu quando eu tinha oito anos. Eu escutava choros baixos vindos do quarto dos meus pais, que agora se tornava só dele, do meu pai.
Aquilo me abalou muito, eu tentava entender o por que ela morreu. Para mim as pessoas só morriam quando deixavam de ser amada. Essas eram as palavras dela. As palavras que ela me dizia sempre antes de dormir.
Eu nunca deixaria de ama-la, muito menos meu pai, mas pelo que parece a solidão falou mais alto.
Dois anos depois.
Aquela noite meu pai disse que eu conheceria uma amiga dele. De começo eu recusei, mas a ideia de que eu não seria a única criança por lá me animou. Sim, a amiga dele tinha uma filha, pelo menos eu não estaria no meio de dois adultos com cara de entediado.
Eu me arrumei como devia e nos saímos de casa.
...
Meu pai estacionou o carro em um lugar reservado do restaurante onde comeríamos. Entramos e nos dirigimos para a mesa reservada no nome dele.
Depois de uns minutos, uma mulher de cabelos pretos ondulados, olhos cinza e pele branca com vestido azul, entrava ao lado de uma garota com as mesmas aparências.
–Elas chegaram.–Meu pai disse levantando da cadeira quando elas se aproximavam.
Levantei-me também em sinal de educação.
–Angeline, que saudades. –Meu pai abraçou-a.
–Também estava. –Ela retribuiu o abraço. –Esta é Anny, minha filha. –Angeline sorriu.
Sua filha estendeu o braço com a mão direita aberta, esperando um aperto de mão, que foi correspondido pelo meu pai.
–Oi. –Disse ela tímida.
–Oi, meu nome é Carlos. – Meu pai sorriu e afagou o cabelo da menina. – Vinicius, cumprimente-as.
Eu olhei para elas, dei um sorriso fraco e disse um simples oi. Criança às vezes não pensa. Meu pai me olhou de canto e eu procurei não encontrar os olhos dele, mas pude sentir seu olhar caindo sobre mim.
–Espero que vocês não tenham nos esperado demais. – Angeline disse se sentando ao lado de meu pai, e sua filha ao meu lado.
******************************************
Depois de três anos que eu a conheci, quando eu completei 13 anos, o relacionamento do meu pai com Angeline foi crescendo, ate eles resolverem se casar.
Daquele dia em diante passaríamos a vivermos todos juntos, na mesma casa. De começo eu não gostava e implicava com Anny por sempre estar mexendo nas minhas coisas ou fuçando no meu quarto. Mas eu aprendi a lidar com ela.
Com o tempo mudanças foram feitas, Anny passou a frequentar meu colégio e a minha sala. Confesso que sentia vergonha de ter ela espalhando para as amiguinhas que eu era o seu irmão. Aquilo não me doía tanto como dói ouvir essas palavras de alguns meses para cá. Não quero ser chamado de irmão por uma garota que aprendi a amar. Nos não somos irmãos. Nunca seremos.
Fale com o autor