Notas iniciais
Oi leitor, desculpe-me por lhe fazer esperar. Serio, eu estou muito sobrecarregada com trabalhos e coisas do gênero. Mas o capitulo chegou pra você *-* Boa leitura.

Todo ano meu pai e Angeline viajavam, e esse não seria diferente. Eles compraram duas passagens para Londres e vão viajar daqui dois dias, no dia dos namorados.

No dia da viagem eles nos deixariam na casa da irmã do meu pai. Eu e Anny ficaríamos lá uma semana enquanto eles ainda estivessem viajando.

Nos fizemos uma pequena mala com roupas, sapatos, livros, o notebook, e levamos as nossas mochilas da escola com os materiais dentro.

Era 6 horas da tarde e eles nós deixaram na casa da Tia Lucy e foram para o aeroporto.

Nos entramos e nós acomodamos em quartos que ficavam um de frente para o outro.

Coloquei minha mala em cima da cama de solteiro que havia no quarto, e comecei a reparar nas coisas. Era um quarto pequeno, mas ajeitado, com um armário de duas portas, uma escrivaninha, um criado-mudo com um abajur, ao lado da cama. Longas cortinas azuis cobriam uma porta de vidro, onde atrás das mesmas tinha uma pequena varanda com uma poltrona e um vaso de samambaia.

Depois de uma longa inspecionada nas gavetas e nos armários decidi colocar as coisas em ordem no quarto e depois tomar um banho.

Quando deu 9 horas da noite escutei batidas de leve na porta do meu quarto.

–Pode entrar. –Eu disse com a cara enfiada nos meus livros.
Minha tia abriu a porta.

–A janta esta quase pronta, chame sua irmã e desça para comer. – Ela sorriu e fechou a porta.

Ergui o corpo pra ficar sentado na cama, marquei a pagina do livro deixando-o sobre a escrivaninha. Por alguns segundos senti minha cabeça girar. Eu nunca gostaria daquela palavra, era difícil aceitar. Mas me levantei e sai do quarto, apagando as luzes, para poder chama-la.

Bati na porta do seu quarto.

–Espera um pouquinho. –Anny disse. –Quem é?

–Sou eu. –Respondi confiando que ela conheceria minha voz. E pelo que parece sim.

Ela abriu a porta.

–Oi. –Ela sorriu sem-graça por me receber com uma toalha no corpo. –Quer entrar? –Disse me puxando pra dentro do quarto, e fechando a porta.

Caminhei ate a cama dela e sentei.

–Ahm... a tia esta chamando a gente pra jantar. –Sorri um pouco constrangido.

Eu nunca tinha visto ela daquele jeito. Eu senti que ela estava um pouco tensa com a situação, mas procurava não demonstrar. Ela é tão bonita. Estava com os cabelos molhados e trazia um pente nas mãos. Ela se sentou ao meu lado e entregou o pente para mim.

–Penteia pra mim, por favor? –Seus olhos cinza refletiam com a luz da lâmpada, dando um ar melancólico e seu sorriso acabou me convencendo.

–Sim... –Respondi meio sem jeito, e ela virou de costas pra mim.

Comecei a pentear aqueles cabelos pretos e um cheiro de lírio se expandiu no ar do quarto. Às vezes seus cabelos embaraçavam, eu sentia medo de machuca-la, afinal era a primeira vez que eu penteava o cabelo de alguém. Seus cabelos são longos, vão ate a cintura, são pesados e espessos, lisos na raiz e cacheado nas pontas. Lembravam-me a escuridão da noite de lua nova.

Quando terminei, ela se levantou e eu entreguei o pente em suas mãos.

–Brigada. –Ela sorriu se afastando ate a mala que estava no sofá, de dois lugares, no seu quarto.

Eu apenas retribuí o sorriso quando ela veio na minha direção.

–Sem querer ser chata, mas eu preciso se trocar. –Ela ficou com as maças do rosto avermelhadas.

–Tudo bem, eu vou ver se a tia precisa de ajuda... –Me levantei e abaixei a cabeça, colocando as mãos no bolso da calça.

Ela abriu a porta pra mim e eu saí do seu quarto para descer a escada, indo em direção à cozinha.

Minha tia estava lá, terminando de fazer a comida.

–Oi. –Me aproximei dela e beijei seu rosto. –Quer ajuda?

–Sim. –Ela sorriu e disse. –Pegue os pratos no armário e os talheres na terceira gaveta.

Fiz o que ela pediu e arrumei-os na mesa redonda de vidro.

–Cadê Anny? Não vai descer?→Minha tia perguntou.

–Vai sim, ela esta se vestindo. –Respondi alisando o pano que cobria a mesa.

Minha tia se calou e escutamos passos vindos da escada de madeira. Era Anny. Ela tinha um arquinho na cabeça para segurar a franja do cabelo, estava com um vestido branco e chinelo nos pés.

–Fiz vocês esperarem muito? –Anny disse entrando na cozinha sorrindo.

–Não querida, foi o tempo exato de terminar a janta. –Minha tia respondeu apagando as chamas do fogão.

Sentamo-nos a mesa e fizemos nossa refeição.

Quando terminei de comer, fui para o meu quarto, peguei meu livro, me sentei na poltrona da varanda e voltei a ler. De hora em hora me imaginava enfrentando todos aqueles desafios que o protagonista do livro vivia. Eu não passava de um sonhador, mas nunca me disseram que sonhar era perigoso.

Escutei a porta do meu quarto abrindo, instantaneamente abri a cortina para ver quem entrava. Era Anny que trazia consigo um livro também.

–Oi. Posso ler com você? –Ela sorriu e eu assenti com a cabeça.

Ela fechou a porta do quarto e caminhou a te mim. Vendo que não tinha espaço para ela sentar, cedi um espaço da poltrona para ela. A poltrona, estampada com renda, não era tão pequena, mas ficaríamos um pouco apertados ali. Ela não pareceu se importar com o fato, apenas sentou e soube aproveitar do pequeno espaço, colocando suas pernas sobre as minhas.

Olhei pra ela sem expressão, mas por dentro estava um tanto envergonhado. Nunca estive tão perto dela como hoje. Voltei a ler e as horas passaram como um foguete.

Quando me dei conta de que já era meia-noite. Ela acabou dormindo abraçada com seu livro. Suas pernas ainda estavam sobre as minhas em uma posição horizontal, deixando mais fácil para que eu a carregasse ate seu quarto.

Peguei meu livro e deixei-o no chão. Passei meu braço direito por de baixo de seus joelhos e o braço esquerdo passei por debaixo de seu pescoço, assim levantei carregando-a. Abri a porta do meu quarto e a porta do quarto dela com o pé, e a deitei na sua cama. Peguei uma coberta na parte superior do guarda-roupa do seu quarto e a cobri.

Antes de sair do quarto dela, vi que ela ainda segurava o livro que estava lendo, peguei o livro de capa verde e virei-o para ver seu nome.

–O ladrão de raios. Sorri ao ver que ela havia pegado um dos meus livros preferidos.

Deixei o livro sobre o criado-mudo e sai do quarto fechando a porta. Desci para a cozinha para beber um copo d'agua e depois voltei ao meu quarto.

Como era sexta-feira, podia me dar ao luxo de dormir um pouco mais tarde. Continuei a leitura.

Já eram 3 horas da manha e o sono veio chegando, junto com abrir de boca e coçar de olhos. Desliguei o abajur e coloquei meu livro sobre o criado-mudo, me embrulhei com as cobertas pousei a cabeça no travesseiro.

Com a cabeça sob o travesseiro pude ouvir alguém bater na porta. Tive preguiça de abrir, mas me levantei.

–Vini... -uma voz rouca veio de trás da porta.

Abri a porta e Anny estava lá, com a cabeça baixa e com uma coberta enrolada no seu pescoço.

–O que houve? -Perguntei.

–Me desculpe ti incomodar essas horas...-Ela levantou o rosto.-Eu não estou me sentindo bem naquele quarto.- Uma lágrima escorreu de seus olhos.

–Anny, por que tá chorando?

–Tem alguém naquele quarto. Por favor não me olha assim.-Ela realmente não estava mentindo.

–Calma, como assim alguém no seu quarto?-Peguei na mão dela puxando-a para o seu quarto e acendendo as luzes.

–Vini.-Disse chorando.-Não quero ficar aqui, tem algo aqui.

–Você tá começando a me assustar, Anny.

–Não, eu não quero.-Ela começou a balançar a cabeça.-Me tira daqui, por favor!

Apaguei as luzes, fechei a porta e fui até ela.

–Calma.-Abracei-a.-Foi apenas um sonho.

–Eu não quero ficar lá, por favor.

–Tudo bem...

–Eu não quero ficar sozinha.-Ela me apertou contra seu corpo.

–Tudo bem, venha.-Disse trazendo ela para o meu quarto e fechando a porta.

A cama era de solteiro, não sei como ela dormiria comigo. Sim, eu cedi minha cama pra ela, disse que me acomodaria no sofá, mas ela insistiu para que dormisse com ela.

Deitei ao lado dela de uma forma que ela ficasse com o maior espaço possível, nos embrulhei e fechei os olhos.

Não pude para de pensar o que ela havia visto ou sonhado. Poderia apenas relevar tudo, mas, Anny não está bem. Alguns dias antes ela havia dito que em um sonho falava com uma pessoa de preto, uma velha, mas nada do que a mulher dizia, Anny entendia. Aquilo não me saiu da cabeça e me custou o sono.

Passei a noite cuidando dela. Ela estava dormindo tão calmamente, como se nada tivesse acontecido. Ela me arrancou um sorriso quando me procurou para um abraço enquanto dormia. Pude sentir sua respiração e seus batimentos cardíacos junto a minha pele. Foi aí que dormi e pude esquecer tudo que me assombrava.

Notas finais
Gostou? Eu amei escrever esse capítulo, e mais uma vez desculpe minha demora. Esses dois ainda tem muita coisa pra viver, então aguardem o próximo capitulo. Ate semana que vem.