A liberdade em um olhar
2 Você terá que mudar, Brittany!
Notas iniciais
—Não acredito que me fez passar por isso, Brittany!- Rose disse com uma expressão evidente de decepção enquanto abria a porta de sua casa para dar passagem a sua filha mais velha que, nesse momento, estava emburrada pelo o sermão que foi ouvindo de sua mãe por todo caminho até seu lar. Brittany após o ocorrido fora levada diretamente para o departamento de polícia da cidade, sendo acusada de invasão e vandalismo a escola William Mackinley, onde estudava. Para ser liberada, sua mãe teve que pagar uma quantia significativa em fiança, caso contrário a loira passaria a noite detida- Nunca em toda minha vida eu senti tanta vergonha. Invadir uma escola, Brittany? Foi assim que criei você, uma delinquente?
—Eu já disse que não foi só eu que estava na escola, mãe. Todo mundo estava lá- Brittany se defendia rumando até seu quarto. Rose lhe seguia com o rosto vermelho de raiva.
—Você não é todo mundo, Brittany!
—Aquilo foi a merda de uma festa, mãe. Nada demais. Estávamos apenas nos divertindo- Brittany argumentou aumentando o tom de voz de acordo com o já alterado de Rose.
—Primeiramente abaixe o tom de sua voz pra falar comigo, por que ainda sou sua mãe- a loira mais nova revirava seus olhos entrando em seu quarto- E segundo... Esse seu ‘’nada demais’’ quase levou você pra cadeia, lhe custou uma expulsão do colégio e o pior... Quase resulta na morte de sua melhor amiga, que foi levada ao hospital muito mal, Brittany. Valeu a pena essa ‘’diversão’’ toda?- Brittany resolveu não encarar sua mãe nos olhos, ela estava muito zangada.
—Não sei o porquê disso tudo, foi só uma simples festa. Bom, Marley se machucou e eu sinto muito por isso, de verdade, mas a culpa não foi minha. Os verdadeiros culpados eles não procuram.
—O simples fato de você estar naquele lugar sem permissão já te faz culpada, Brittany. Isso que dá se juntar a um bando de inconsequentes. Se bem que você não está tão diferente- desdenhou encostando-se a cômoda da loira.
—Foi um imprevisto, tá? Não voltará a acontecer- prometeu ignorando o comentário de sua mãe.
—Ah, mas não vai mesmo, minha filha. Não aguento mais te dar conselhos que entram por um ouvido e saem pelo o outro. Antes pelo menos você falava comigo, contava o que estava acontecendo ou o que sentia, mas agora, além de me deixar por fora de sua vida ainda sai dando uma de criança rebelde... Não vou tolerar mais suas displicências, Brittany. Você já é quase adulta. Não posso deixar que você se destrua por caprichos supérfluos. Seu futuro é mais importante.
—O que a senhora quer dizer com isso? Por acaso vai me expulsar de casa?- Brittany foi petulante ao perguntar.
—Como pode brincar em uma situação como essa, Brittany? Por que tanto pouco caso com a sua vida e a de sua família? Suas ações me levam a achar que quer se livrar da gente. Não ama mais a mim e a seu irmão, minha filha?
—Claro que amo, mãe. Mas a senhora me sufoca. Não deixa que eu viva minha vida a minha maneira e sim a sua- ela gesticulava, sentindo o nó na garganta se formando querendo chorar- Coloque na sua cabeça que eu não sou a senhora, dona Rosally Pierce. Sou Brittany, sua filha, e odeio a forma que vê as coisas pra mim. Fica falando em responsabilidades, faculdade, casamento, eu não sei o que mais, quando eu na verdade quero apenas curtir minha vida e o tempo que ainda tenho de jovem. Quer que eu termine como uma viúva amarga, sozinha e arrependida da vida como a senhora?- a loira despejou tudo em um fôlego só. Ela estava zangada com a cobrança de sua mãe, mas arrependeu-se do último comentário- Mãe, eu não...
—Já basta!- Rose cortou o argumento de sua filha de forma seca. Brittany percebeu o olhar de mágoa de sua mãe- Você terá que mudar, Brittany! Isso não é jeito de seguir a vida- a loira fitou sua mãe por um breve momento, sentindo o peito arder de arrependimento pelo o que disse. Ela sabe o quanto sua mãe sofrera pra criá-la e a seu irmão Kennedy- Pense no que você anda fazendo. Amanhã conversamos. Boa noite- aproximou-se de Brittany para deixar um beijo casto em sua testa e depois se retirou de cabeça baixa.
A loira criou coragem para se desgrudar do lugar que estava desde a conversa meio conturbada com a mãe e foi tomar banho para tentar dormir um pouco. Ela sabia que aquilo seria só o começo da confusão que sua vida se tornaria pelo o que aconteceu. Não foi só pela escola e a festa que foi por água a baixo, mas também por todo seu histórico de confusões, brigas, desprendimento dos estudos, amizades perigosas e até um suposto envolvimento com drogas que ela negava mais que tudo na vida. Rose estava preocupada com o caminho que Brittany estava escolhendo para seguir sua vida. Ela como mãe visava o melhor para os filhos e vê a loira com esse olhar torto para seu melhor, a fez abrir os olhos. Encontraria uma forma de fazer Brittany acordar para a vida e já sabia por onde começar.
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Santana começara seu domingo com muita disposição. Acordou no horário de sempre, fez sua higiene matinal e arrumou-se para correr no parque aonde ela e seus pais iam aos fins de semana para um piquenique. O lugar era calmo e quase não havia ninguém nesse horário, o que facilitava a corrida da latina sem se preocupar em acabar trombando sem querer em alguma pessoa que cruzasse seu caminho. Ela não usava cães guias, então se guiava apenas por seu instinto e reconhecimento do lugar, pois depois que perdera a visão, teve que memorizar todo caminho para que não houvessem problemas durante o percurso. Ela amava correr ali e não quis abrir mão disso, mesmo depois do acidente que mudara tudo em sua vida. Também tinha Ryder, seu chofer, que ficava por perto para qualquer imprevisto. Gostava de ser independente e não seria a cegueira que tiraria isso.
—Muito bem, Santana!- Ryder batia palmas quando Santana retornou ao carro depois de terminar seu percurso.
—E aí, Ry... Como me saí?
—Muito melhor. Fez em menos tempo hoje, quase dois minutos pra ser mais específico.
—Isso é ótimo! Estou quase ficando em forma- Ryder riu entregando a ela uma garrafinha de água mineral.
—Você nem precisa disso, tem o corpo perfeito... Com todo o respeito, é claro- ele ficou desconcertado e Santana se aproximou tocando seu ombro:
—Relaxa, rapaz, pode olhar por mim. Será meus olhos quando o assunto for boa forma- Ryder riu abrindo a porta traseira para que Santana entrasse, guiando-a com cuidado.
Minutos depois chegaram em casa. Ao chegar à cozinha, Santana reparou que Susan falava ao telefone:
—Oh, minha filha, sinto muito... Não, eu sei, é terrível mesmo, também não esperava isso dela. O que eu puder fazer pra ajudar... Hum, você acha que isso adiantará em algo? Sei, entendo. Verei o que posso fazer quanto a isso. Quando Santana chegar, falarei com ela, quem sabe talvez esteja precisando de alguém por aqui... Tchau, fique com Deus- desligou escorando-se ao batente da porta. Santana se aproximou, sentando-se a mesa da cozinha:
—Está tudo bem, minha querida? Notei pelo seu tom de voz que a conversa não foi das melhores.
—Filhos, minha menina- sentou-se de frente a latina- Mãe é um ser que nunca descansa.
—Com sua filha de Lima? Achei que ela nunca lhe desse trabalho.
—E nunca deu. Me refiro a minha neta mais velha- a senhora suspirou triste relembrando o que lhe foi relatado pela filha- Ela é uma boa menina, palavra, mas parece que se perdeu do juízo.
—Adolescência, minha cara. É a época mais perturbada pela qual passamos. Podemos compará-la a um momento primata de nossa parte- Santana bateu os punhos no peito, sonorizando o barulho de um macaco, o que fez Susan rir- É tudo muito intenso.
—Você não me deu muito trabalho nessa época.
—Tem certeza?- perguntou de forma cômica, arqueando a sobrancelha- Lembra-se da história da moto?
—Deus do céu, nem quero lembrar desse dia. Nunca fiquei tão assustada na vida- a senhora pôs a mão sobre o peito em um gesto de agonia- Você é realmente maluca, Santana.
—Tenho lá meus momentos, mas aí está, dona S... Aprendemos com nossos erros. É assim que se constrói o caráter de uma pessoa. E como você mesma disse, sua neta é uma boa pessoa. Só está meio perdida.
—Está assim desde quando perdeu seu pai há quase dois anos- Santana deslizou a mão sobre a mesa até alcançar a de Susan. Ela sentia que sua velha amiga estava triste e ficava mal quando ela estava assim. Aquela senhora valia mais do que achava para Santana.
—Cada um lida com suas perdas à sua maneira, dona S. É sempre complicado até compreendê-las. Vai por mim, quando sua neta se der conta disso abrirá os olhos para o que é certo e tudo ficará bem.
—Deus te ouça, minha menina- Santana puxou a mão da senhora para depositar um beijo carinhoso- Mas o fato é que depois de última peripécia de minha neta resultou em uma expulsão do colégio, que era o melhor de Lima, e minha filha quer que ela venha estudar aqui em Nova York e que trabalhe em seus horários livres pra ganhar responsabilidade e maturidade- Santana ouvia tudo atenta- A escola não é difícil de arranjar, mas o trabalho é que são elas. Eu não tenho contatos, nem nada parecido e fiquei pensando: Será que você estaria precisando de alguém pra trabalhar em alguma coisa?
Santana torceu o maxilar, posicionando para o alto os óculos escuros que deslizavam por seu nariz. Apesar de estar em casa, ela dificilmente os tirava. Parecia pensar.
—Olha, Susan, não me vem nada agora. Sua neta não terminou o ensino médio, não é mesmo?
—Exatamente.
—Quais cursos ela possui?
—Não sei, acho que nenhum.
—Assim fica mais complicado- a latina enrugou a testa buscando possibilidades, mas nada vinha. Na sua empresa tinha um grande fluxo de jovens em seu primeiro emprego, mas todos eram bem requisitados e nenhuma vaga estava à disposição. Percebeu um suspiro frustrado de Susan- Hey, calma, dona S. Prometo a você que pensarei em algo.
—Obrigada, menina.
—Não precisa agradecer. Ainda nem fiz nada- nesse instante o telefone toca e Susan levanta pra atender. Santana pegou uma maçã sobre a mesa e caminhou pela cozinha habilmente na direção da pia para lavá-la. Ela conhecia tudo ali, Susan a ajudava em algumas coisas, mas se virava muito bem quando ficava sozinha. Preferia assim, ser independente.
—Alô? Ah, oi, senhorita Fabray. Estou bem sim, muito obrigada- a senhora dizia ao telefone- É, ela está aqui sim, só um instante.
—É Quinn?- Santana perguntou, dando em seguida uma mordida na fruta.
—É sim e quer falar com você- a senhora cuidadosamente guiou a latina até o telefone e o entregou a ela, apesar de dizer que sabia chegar até lá, o cuidado de Susan com ela era imenso. Tinha medo de que ela se machucasse, principalmente na cozinha.
—Oi, Quinn, sentiu saudades foi?- disse gabola recebendo uma sonora gargalhada da loira do outro lado.
—Só se for da comida maravilhosa da dona S.
—Não precisa mentir, eu sei que você ainda me quer- Quinn revirou os olhos.
—Nem a pau, sua metida. Liguei por que preciso de um favor seu.
—É só pedir, sou toda ouvidos- a morena se escorou ao armário, terminando de comer sua maçã.
—Bom, terei que fazer uma viagem a trabalho para Londres. Surgiu um caso novo e, bem caro por sinal, que modéstia parte euzinha sou a melhor pra executar.
—Sim, bem modéstia- Santana ironizou- Mas devo admitir que você é boa no que faz. É a melhor de minha companhia.
—Foi por isso que se casou comigo. Fato.
—Não, foi por que você é boa de cama... Nosso sexo era incrível- Quinn gargalhou do outro lado concordando mentalmente pra não alimentar o ego de Santana, e esta sorriu maliciosamente com a lembrança.
—Essas crianças!- Susan balançou a cabeça negativamente, indo fazer algo na sala.
—Enfim, sua safada, estou obstinada a ganhar o caso então preciso ir o quanto antes para a Inglaterra. Será que você poderia ficar com o Charlie até eu voltar de viagem? Eu sei que é minha vez de ficar com ele, mas...
—Eu adoraria!- Santana exclamou em alegria- Claro que eu fico com ele, Q. Não será favor nenhum cuidar de meu filho e sim um grande prazer. Já estou morrendo de saudade dele- Quinn respirou profundamente por alívio.
—Muito obrigada, Santana. Sei que você anda muito ocupada com as coisas da empresa e achei que não poderia, mas perguntar não ofende né?
—Sempre vou ter tempo para meu filho, Quinn, e mesmo assim não precisa agradecer. Como disse, faço com maior prazer. Char é a melhor coisa que já me aconteceu.
—Tudo bem, mas agradeço de toda a forma, você é demais Santana.
—Que é isso- a latina sorriu achando Quinn exagerada. Ela amava ficar com o filho. Charlie era um menino lindo de cinco anos, cópia fiel da loira. As duas se conheceram na faculdade de direito há seis anos e meses depois por um ato de loucura se casaram. Um ano depois Quinn deu a luz a Charlie, fruto de uma fertilização e antes mesmo que o pequeno fizesse dois, anos, as duas se divorciaram de forma tranquila. O pequeno nesse decorrer passava um tempo determinado com ambas. Desde então são muito amigas e colegas de trabalho, pois Quinn é uma dos advogados brilhantes que Santana tem na empresa- Quando você o trará?
—Tenho que resolver umas burocracias antes de viajar, então em cinco dias, mais ou menos, eu estarei levando o Charlie pra você, ok?
—Ok, aguardarei ansiosa. Beijo, loirinha.
—Beijo, coisa tosca. Nos vemos logo.
—Nos vemos sim, vou até trocar de lente pra te ver melhor- Quinn riu negando com a cabeça.
—Doida! Tchau.
—Tchau- Santana desligou o telefone com um enorme sorriso no rosto.
—Dona Susan!- a latina chamou por sua governanta/babá tateando auxiliada pelo armário para retornar até a mesa.
—Estou aqui, San.
—Bueno. Tenho boas notícias. Já pode ligar pra sua filha. Tenho o trabalho perfeito pra sua neta.
—E o que seria?- Susan indagou com um misto de esperança e curiosidade.
—Quinn me pediu que ficasse com meu pequeno Charlie enquanto ela resolve um caso em Londres.
—Oh, meu Deus, meu lindinho vai ficar mais tempo com a gente?
—Exatamente- a senhora parecia mais eufórica que Santana- Sei que você ama demais o meu filho, mas seu trabalho aqui já é enorme, e apesar de só confiar em você pra que cuide dele, contratarei sua neta como babá temporária. Assim poderá ficar de olho nela enquanto trabalha. Pode ficar aqui e o salário será bom.
—Oh, menina, não sei como agradecer- Susan já chorava emocionada.
—Relaxa, dona S. Só garanta que a treinará bem pra isso, pois é de meu filho que estamos falando e ele é minha vida. Outra coisa- a latina tinha uma postura mais séria agora- Sabe como eu sou quanta a regras e o cumprimento delas, então qualquer comportamento que fuja meus padrões não farei vista grossa, ok?
—Tudo bem, minha menina. Prometo ser muito criteriosa quanto a isso. Muito obrigada mesmo, você é um anjo.
—Sou nada, mas disponha- Susan foi rápido até Santana e a abraçou o mais forte que pode- Você já fez mais por mim, eu que devo ser muito agradecida. Não poderia ter mãe postiça melhor.
—Eu te amo, filha. Desde quando era um amendoizinho assim.
—Credo, dona S, ainda não tirou esse apelido vergonhoso da cabeça?- a latina tinha uma careta engraçada e envergonhada no rosto.
—Mas se era, não posso mentir. Ficava tão lindinha naquele macacãozinho marrom- apertou as bochechas ruborizadas de Santana que fazia bico emburrada.
—É nessas horas que se agradece por não poder enxergar. Para, dona S- ela tentava se desvencilhar dos apertos da mais velha, fazendo cobrinha pela cozinha, torcendo para que não batesse em nada- Dios, vou acabar caindo- Susan a pegou pelas mãos e a fez sentar na cadeira mais próxima. Foi até a geladeira e de lá tirou uma garrafinha de água e entregou para a latina.
—Você não existe, Santana. Muito obrigada, menina. Seus pais teriam orgulho de ver na pessoa maravilhosa que se tornou. Está cada vez mais parecida com eles.
—Quem dera poder chegar a ser metade de quem foram meus pais. Sinto muito a falta deles- Susan tocou suas mãos, observando o semblante pensativo de Santana. Ela achava aquela latina a sua frente uma das mulheres mais fortes que já conhecera, pois nunca se deixava abater por nada. A via sempre de cabeça erguida- Agora chega, quero chorar não... Me conte, como é sua neta maluquinha?
—Ela é muito linda, criança- disse em alto grau de orgulho- Seu nome é Brittany... Brittany S. Pierce.
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Brittany andava inquieta por seu quarto. Sua mãe havia proibido que ela até mesmo saísse na porta de casa, estava muito brava. Ela soube notícias de Marley pelo Facebook, a garota estava fora de perigo, mas passaria uns dias no hospital, pois sofrera um impacto muito forte na cabeça e precisaria ficar em observação. Pelo menos isso, ela pensou. Estava aliviada por não ter acontecido nada muito grave a Marley, era uma menina muito boa e gentil. Era a única coisa de que se lamentava da noite passada, e em partes da coisa chata com Puck, mas de alguma forma havia se divertido na festa e fazia um ‘’nem me importo’’ com o que as pessoas achariam disso... Nada importava a ela.
Olhou para porta arrancada mais a frente e revirou os olhos. Achava sua mãe muito exagerada para lidar com as coisas. Era só diversão, nada mais e ela era jovem e merecia espairecer do restante de seus dias aguentando as coisas chatas de casa e da escola. Ouviu sua mãe lhe chamando no primeiro andar da casa e seguiu a passos pesados até ela. Sentou-se a mesa com a mãe e o irmão caçula, deixando imperar o silêncio ali. Comeram calados por bastante tempo, apenas ouvia-se o tilintar dos talheres e a respiração pesada e chateada de Rose, que foi a primeira a se pronunciar:
—Falei hoje de manhã com sua avó.
—Foi? Ela já se deu conta de que sua família somos nós e não aquela ricaça cega a quem ela é tão submissa?
—Não seja petulante, Brittany- sua mãe repreendeu com um tom duro na voz.
—Apenas disse a verdade. Só lamento se nunca percebeu a idolatria de vovó por aquela esnobe.
—Não fale assim da senhorita Lopez e muito menos de sua avó. Ela é uma ótima pessoa, sempre foi como uma filha para minha mãe e a trata melhor do que você como neta. Sem falar que foi ela quem me ajudou quando seu pai morreu, foram tempos difíceis e sabe muito bem disso.
—Quer que eu beije seus pés por isso?- disse de forma sarcástica, atraindo um olhar de repreensão de sua mãe- Nunca fui com a cara dessa talzinha- Rose balançou a cabeça negativamente.
—Você nem ao menos a conhece para já ter esse conceito, Brittany.
—Não importa, percebo a quilômetros isso. Reparo como a vovó fala nela. Deve ser insuportável- a loira deu de ombros, deixando seu prato de lado para cruzar os braços com um olhar de tédio no rosto- Posso não a conhecer, mas deixo evidente que já não gosto dela.
—Pois acho bom passar a gostar- Rose exibia um sorriso de cinismo desenhado em seus lábios rosados.
—E por que eu faria isso?- a loira arqueou uma sobrancelha intrigada.
—Por que dentre alguns dias ela será sua patroa.
—Como é que é?
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