A liberdade em um olhar

3 Doce aroma e as covinhas nas bochechas


Notas iniciais
Bommm, gente. Aqui vai meu boa noite ou bom dia, tanto faz, importa que eu desejei um bom alguma coisa, sei lá... Uhm, vamos lá a mais um capítulo. Muito obrigada as pessoas maravilhosas que apareceram pra me dar um OI! Boa leitura:

...Posso não a conhecer, mas deixo evidente que já não gosto dela.

—Pois acho bom passar a gostar- Rose exibia um sorriso de cinismo desenhado em seus lábios rosados.

—E por que eu faria isso?- a loira arqueou uma sobrancelha intrigada.

—Porque dentre alguns dias ela será sua patroa.

—Como é que é?

—Foi isso mesmo que você ouviu. Você irá trabalhar para Santana. Está de mudança para Nova York, Brittany- a loira pareceu ter perdido a capacidade de falar. Sua boca estava aberta em total descrença ao que acabara de ouvir.

—Você só pode estar de brincadeira! Fala aí, mãe, está tirando uma com minha cara, não é?

—E eu lá tenho cara de que ‘’tiro uma’’ com alguém, Brittany?- a loira encarou a mãe buscando qualquer vestígio que fosse de uma pegadinha ou algo parecido, mas o semblante totalmente sério e tenso a sua frente não passou nada mais que a verdade. O coração de Brittany começou a acelerar, ela não estava acreditando que sua mãe tinha feito isso com ela.

—Eu... Eu não entendo, por que fez isso comigo?

—Porque você fez por onde, minha cara. Lhe avisei não foi só uma vez- Rose apesar da gravidade da situação e de sua decepção, mantinha-se o tempo todo calma. Torcia para que a filha aceitasse sem luta, mas ao se deparar com um olhar furioso da mesma sobre si, descrente do que lhe foi feito, ela tinha total certeza que a tendência era só tencionar mais a situação- Você se muda daqui a cinco dias. Vai estudar em um colégio bom que sua avó conseguiu pra você. Ela também lhe conseguiu um emprego. Será babá do filho da senhorita Lopez- Brittany riu de forma nervosa.

—Se acha que eu vou aceitar me tacar daqui a Nova York, para servir de escrava para a riquinha esnobe lá, está completamente enganada. Não vou cuidar do filho de ninguém- a loira se pôs de pé para ir a seu quarto, porém Rose a parou:

—Ah você vai sim, Brittany Susan Pierce. Se acha que vai ficar aqui sem estudar, trabalhar e ficar vadiando com seus amigos sem futuro, me desculpe, mas se tiver alguém enganado aqui, esse alguém é você, minha cara- ela já tinha a voz se elevando juntamente com a queda de sua paciência.

—Eu não vou e ponto, já sou quase maior de idade- deu de ombros com desdém- Posso muito bem trabalhar na lanchonete do Paolo.

—Não, Brittany, você pode ter quase cem anos, mas ainda sou sua mãe. Enquanto eu estiver acima da terra e respirando, você tem que me ouvir. É seu futuro e nem que eu morra tentando não deixarei que você o estrague com essa cabeça torta, que só Deus sabe de onde tirou porque seu pai e eu soubemos muito bem criar você- Rose tinha o peito já ardendo de tanta angústia em ver a filha se destruindo e não querer se dar conta disso- Filha, eu te peço pelo amor de Deus que me escute.

—Mãe, para, não precisar chorar. Sem dramas, ta?- a loira tentava não encarar a mãe se desmanchando em lágrimas a sua frente, quase suplicando para que ela tomasse jeito- Não devia ter feito isso comigo, é covardia.

—Covardia é o que você faz com sua própria vida, minha filha. O sonho de seu pai era te ver formada, com um bom casamento, uma boa família, mas não. Você deu as costas às pessoas que mais te amam na vida, sua avó mais ainda. Nunca mais deu um telefonema sequer a ela desde que seu pai se foi.

—Toma, mãe- Kennedy ofereceu um guardanapo para Rose enxugar as lágrimas. Brittany observava tudo absorvendo as palavras da mãe com um semblante doído.

—Obrigada, filho- o pequeno fez um gesto com a cabeça, enviando a mãe um sorriso leve- É isso que quer, Brittany, sujar a memória de seu pai depois de tudo que ele fez pela gente? Acha que Roger apoiaria o que está fazendo?

—Não fale dele, por favor- Brittany pediu, suspirando pesadamente em seguida- Se ele gostasse tanto da gente não teria nos deixado. Então não encane com minhas escolhas.

—Ele não teve opção, Bri- Kennedy pela primeira vez se pronunciou na discussão- Papai morreu salvando pessoas, esse era o trabalho dele e você sabe muito bem disso. Não haja como se o mundo fosse acabar só porque seus caprichos não podem ser realizados. Mamãe só quer seu bem não percebe isso?

—Não se meta, Ken- a loira disse seca ao irmão. As palavras do pequeno foram tocantes, mas ela resolveu simplesmente ignorá-las- Eu não vou.

—Ken, vá para seu quarto- Rose ordenou ao pequeno que não gostou muito disso.

—Mãe, eu...

—Filho, por favor. Pode assistir TV por mais duas horas, ok? Vá lá.

—Tudo bem, mãe- ele aceitou meio a contra gosto. Foi até sua mãe para lhe dar um abraço, depois fez o mesmo com a irmã- Boa noite.

—Boa noite- as duas se despediram do pequeno loiro sem deixar de se encararem.

—Bom, o Ken já foi, agora é minha vez. E olha, mãe, espero que esqueça esse assunto, porque eu irei- a loira virou-se e começou a subir as escadas. Rose pôs a mão no peito, seu coração descompassava as batidas. Ela tinha algo pesado guardado ali dentro e longe de suas expectativas e medos querer dividi-las com seus filhos, mas o momento pedia isso. Simplesmente não queria se arrepender quando tudo viesse a tona de uma forma esmagadoramente traumática para eles. Antes que Brittany subisse mais um degrau ela se pronunciou:

—Eu vou morrer, Brittany!- a loira parecia ter congelado no passo que ia dar. Seus olhos arregalaram-se, seu estômago revirou e o peito, nossa, esse sentia um peso de toneladas em cima de si. Quando enfim se descongelou do susto, virou-se lentamente na direção da mãe, deparando-se por uma Rose totalmente arrasada e imersa em lágrimas.

—Mãe, me explica isso, pelo amor de Deus- ela disse pausadamente sem tirar os olhos de Rose- Me diz que isso é só mais uma tentativa da senhora conseguir que eu vá para Nova York. Eu juro que não vou ficar brava, só desminta o que acabou de dizer, por favor. Eu lhe suplico.

—Não sabe o quanto eu quero isso, filha. Mas eu sinto muito- ela tentava falar, mas a cada palavra o choro se tornava mais forte. A única reação de Brittany foi de correr até sua mãe e agarrá-la nos braços tentando lhe confortar.

—O que você tem, mãe?- Brittany tentava segurar, mas sua agonia ia lhe tomando a cada segundo, cada vez que seus olhos se encontravam com os de sua mãe, que estavam imersos em um completo sofrer. A loira auxiliou Rose até o sofá mais próximo e se sentou com ela ao seu lado- Me explica isso, por favor.

—Uns dois meses antes de seu pai falecer, eu comecei a sentir algumas dores no abdômen e na lombar. Estava tendo uns sangramentos, mas achei que era coisa de menstruação desregulada e nem dei muita atenção. As dores voltaram bem mais fortes meses depois e fiquei preocupada com isso. Fui a um médico e depois de um exame específico eu fui diagnosticada com câncer cervical. Estágio avançado, filha- Brittany levou a mão a boca assombrada com a revelação.

—Mãe, como deixou que isso chegasse a esse extremo? Como você pegou isso? É tão cuidadosa.

—Nem sempre eu fui assim, minha filha. Eu vivia desregulada, sem rumo. Não ligava pras coisas nem pra ninguém. Perdi minha virgindade com quatorze anos, com um homem que eu conheci na mesma noite, uma das coisas que mais me arrependo na vida. Eu bebia, fumava demais e não ligava pra minha saúde. Isso tudo é resultado de meu descaso comigo mesma. Por isso venho pegando tanto no seu pé pra que mude, minha filha. Não quero que tenha um destino terrível como o de sua mãe. Te vi se tornando tão parecida comigo antigamente e simplesmente me desesperei. Toda vez que saía eu ficava orando para Deus não permitir que você fizesse uma besteira que se arrependesse pro resto de sua vida com quem não conhece, muito menos ama- Brittany estava em choque com tudo. Não sabia nem ao menos o que pensar- Se fosse por mim nunca teria perdido sua virgindade.

—E não perdi, mãe. Quem lhe disse o contrário?- ela tinha o cenho franzido por mais essa.

—Ainda é? Mas ouvi da mãe de Jake Puckerman que você e ele tinham feito. Ela até veio me advertir que se você chegasse dizendo que está grávida e que quer alguma coisa deles, podia dar como fora de questão. Você sabe como Jake é, ficou com ele porque quis. Palavras dela, filha.

—Quem foi que disse isso a ela?

—O próprio rapaz.

—Aquele babaca me paga!- ela cerrou os punhos, socando o braço do sofá. Jake e ela nunca sequer passaram de uns simples beijos. Raiva era pouco do que ela sentia agora, sempre gostou daquele idiota e agora tinha certeza que a culpa dela estar mal falada era dele e suas mentiras sujas. Ouviu um soluço de sua mãe e se esqueceu rapidamente do fator Puckerman- Hey, mãe, relaxa.Vai dar tudo certo.

—Não, minha filha. Eu sinto que a cada dia eu te perco mais e nunca me perdoaria se algo te acontecesse.

—Não vai acontecer nada. Vou ficar pra sempre ao seu lado e vamos enfrentar isso tudo juntas, como muitas coisas. Essa não é a primeira- a loira abraçou a mãe com toda força que tinha, tentando passar segurança em suas palavras e gestos. Ao mesmo tempo tentava desmascarar o desespero em pensar que poderia perder sua mãe pra aquela doença terrível.

—Vá pra Nova York, filha. Construa um futuro bom, uma vida boa pra você.

—Não, mãe. Eu vou ficar aqui pra cuidar de você.

—Você tem que ir, Brittany. Eu sei cuidar de mim, me virei até agora. Só quero partir na certeza que deixarei você e seu irmão bem, com segurança de vida.

—Você não vai morrer, mãe. Vai ficar com a gente, lembra da sua promessa? Pra sempre juntos, não importa como- a loira tentava impedir que as lágrimas saíssem em descontrole. Estava muito abalada.

—Claro que me lembro, meu docinho. Faço de tudo para mantê-la- ela tocou o rosto da filha com todo carinho do mundo, amparando as lágrimas que corriam pelo rosto jovem e alvo com o polegar- Agora quero que você me prometa algo também.

—O que quiser, mamãe.

—Me prometa que vai pra Nova York, que vai estudar direitinho, trabalhar e tomar jeito na vida.

—Mãe...

—Filha, me prometa pelo amor de Deus. Eu preciso disso- Rose cortou o argumento de Britt. A loira suspirou profundamente, sugando todo ar que precisava pra seu pulmão que parecia furado de tanto desespero.

—Farei o possível, eu prometo... Mãe, não me deixa, por favor- caiu em um choro compulsivo, deitando com a cabeça no colo da mãe.

—Eu sempre vou estar com você, filha, não importa como... Eu sempre irei...

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—Então, como estamos nos preparativos pra chegada de Charlie e sua querida neta, dona S?- Santana perguntou entrando no quarto onde Susan arrumava para receber Brittany em um dia. Foi incrível como quatro dias passaram tão rápido.

—O do menino Charlie já está perfeitamente como ele gosta. Faltam só algumas coisas no da Brittany e termino com tudo. Já troquei as cochas de cama, organizei o closet e agora vou retirar algumas coisas que você espalhou por aqui.

—Coisas que ganho por aí. Não sei por que as pessoas têm mania de me dar coisas que nunca sequer me viram usar ou eu ao menos posso usar. Desde quando cego vê pornô? Na verdade desde quando cego vê alguma coisa? Além de gemidos, não tem nada vindo desses DVD’s. Aqueles rapazes da administração são meios tantans- Santana circulou o indicador próximo da orelha sinalizando isso. Susan balançou a cabeça negativamente, Santana zoava de sua situação. Se isso era bom, a senhora não sabia,mas acabava se divertindo com as brincadeiras da latina- E o John da manutenção que me deu uma cuíca? Senhor, qual a utilidade disso para a humanidade a não ser dar uma bela dor de ouvido? Fiquei com aquele barulho nheco nheco em meu ouvido por dias quando ele demonstrou como toca aquilo.

—Por que aceita os presentes então?- Susan perguntou com a sobrancelha arqueada enquanto dobrava alguns lençóis.

—Educação, minha cara. Sou uma moça de bom coração, caso contrário já teria dado com essas coisas na cabeça de quem me desse. Já viu a coleção de gravatas que eu ganhei? Desde quando eu uso gravata? Que louco dá gravatas a uma mulher? Deve ser o mesmo que me manda revista de mulher pelada e pornô. Tem alguém me tirando de tonta- a latina riu disso, tentando imaginar quem era. Ela batia levemente com a bengala no chão para se localizar pelo o quarto. Sentou-se na cama- Acha que sua neta vai gostar daqui?

—Você tem uma casa linda, San. E esse quarto parece um de contos de fadas. Qualquer um iria amar viver aqui. Falando nisso, ainda acho que seria melhor Brittany ficar comigo em meu quarto. Não quero incomodá-la.

—Deixa disso, dona Susan. Eu raramente recebo visitas em minha casa. Sem falar que essa casa é enorme e com muitos quartos. Deixe como está, sua neta fica aqui- disse decidida- Espero que ela se agrade da hospedagem. Estou ansiosa por isso, e estou mais ainda pelo o retorno de meu pequeno. Já faz um tempo, não é?

—Uns meses. O que me lembra que tenho que fazer aquele bolo gostoso de chocolate que ele tanto gosta.

—Verdade, ele é realmente viciado no seu bolo. Mas quem não é? Tenho medo de engordar perto de você- a latina tocou no abdômen e fez careta, o que levou Susan a rir- Pois bem, não demore tanto por aqui. Precisa descansar do seu dia enfadonho nessa casa chata.

—Eu amo o que faço,sabe disso.

—Graças a Deus, senão já tinha me deixado sozinha aqui com o vovô e suas piadas sobre negócios- seguiu a risada de Susan para lhe deixar um beijo na bochecha- Boa noite, Dona S.

—Boa noite, menina- a senhora pegou na mão de Santana e a guiou até a porta- Não quer que eu te deixe no seu quarto?

—Pela zilionésima vez... Não precisa, minha doce Susan. Chego até lá sem perder uma perna.

—Tudo bem, mas vá com cuidado- a senhora advertiu andando alguns metros com ela.

—Cuidado é meu nome do meio- sorriu. Um pouco a frente topou em uma caixa- Opa, essa é nova!

—Desculpa, menina. Tinha me esquecido dela aí. Se machucou?- Susan perguntou tocando no braço da latina.

—Estou sim, relaxa. Ainda consigo tropeçar nas coisas. Boa noite.

—Boa noite, menina- a senhora ficou vendo a latina se distanciando pelo corredor longo do lado esquerdo da casa- É, uma raridade alguém assim. Pudera eu ter um pouco que seja da força de vontade dessa criança. Um anjo.

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Brittany não teve outra saída senão concordar com sua mãe sobre sua ida para Nova York. Ela ainda não gostava nada da ideia de ir para um lugar estranho fazer o que não gosta, com quem não gosta mais ainda. Nutria uma aversão que nem ela mesma sabia por que de Santana, sem ao menos a conhecer pessoalmente. Sua avó falava tão bem dela, do quão é inteligente, linda, amável, positiva e bem sucedida no trabalho que Brittany se perguntava se existiria mesmo alguém que se pintava tão perfeito. “uma grande esnobe’’, sempre pensava ela. Entretanto, apesar desse fato, a loira agora tinha algo bem maior para se preocupar... A doença de sua mãe. Ela ainda tentava acreditar que estava acometida a esse fato tão perturbador. Só aceitou a viagem por conta da promessa que fez a sua mãe, e também pelo fato de querer a todo custo pagar um tratamento melhor a Rose para que a senhora tivesse mais chances de vencer a doença que já levou tantas mulheres de bem. Ela teria que enfrentar isso tudo agora, todo o problema de sua mãe e o emprego, estudo e estadia em um lugar desconhecido, apesar de sua avó materna estar lá. Negociou com sua mãe que só teria que ficar até ir pra faculdade, apenas isso. Dali em diante ela arrumaria algo melhor.

Suas coisas já estavam devidamente arrumadas no dia previsto da sua partida. Com muito esforço se deslocou de sua casa até a estação de trem da cidade e agora o aguardava para levá-la a seu novo e inesperado destino ao lado de sua mãe e irmão, em um silêncio torturante.

—Relaxa, filha. Isso será pro seu bem.

—Se diz- Brittany desdenhou sem encarar Rose. As duas conversaram muito depois do ocorrido no jantar de quatro dias atrás.

—Vai ser, acredite em mim. Alguma coisa boa aqui dentro me diz que algo de muito bom te aguarda ali. Depois vai me confirmar isso. Aposto esse colarzinho de borboletas em seu pescoço- ela disse brincalhona. A loira apenas revirou os olhos, com uma expressão desgostosa no rosto- Hey, vai dar tudo certo. Você vai gostar de Nova York, vai conhecer pessoas legais, se divertir e quem sabe encontrar alguém das bochechas com covinhas que tanto sonhou encontrar quando era criança. Não sei o por que do fascínio por buracos em bochechas, mas está valendo.

—Só faço isso por você, nada mais. Quando eu conseguir passar para uma boa faculdade, saio daquela casa sem ao menos dizer tchau pra quem ficar- disse fria. Rose aos poucos desenhava um olhar triste em seu rosto que já foi um dos mais belos de Lima, mas por conta das batalhas da vida e agora com a doença, estava mais magro e sem cor. Não gostava do jeito frio que Brittany havia adotado pra si.

—Sinto muito, filha.

—Hey, não é culpa sua, ta? Deixa, é por pouco tempo- pegou na mão de sua mãe e depositou um beijo. Apenas a senhora e o pequeno Ken ainda presenciavam algum ato de carinho e doçura da loira. O trem se aproximava- Me deem um abraço e me desejem boa sorte no inferno.

—Brittany.

—É brincadeira, mamãe. Relaxa- Rose agarrou a filha em um abraço apertado, o mais forte que pode.

—Se cuida, filha. Sentirei muita falta sua- as lágrimas despencavam livremente no rosto de Rose assim como o de Brittany, só que desta bem mais contido- Me ligue quando puder.

—A senhora também. Estarei vinte quatro horas pra vocês- beijou a bochecha da mãe- Pra você e esse moleque aqui- ela puxou o irmão e bagunçou seu cabelo de uma forma brincalhona- Cuida bem da mamãe, Ken? Você me promete?

—Prometo, palavra de homem- ele enxugava o rosto com um biquinho de choro. Brittany beijou demorado sua bochecha.

—Isso, palavra de homem- um último abraço em ambos e Brittany seguiu para o trem. Deixou mais um beijo da porta e correu para dentro, desabando em sua cadeira e em um choro sofrido, já sentia saudades horrendas dos dois. Rose se quebrava por dentro.

—É para o seu bem, minha filha. Seja feliz!

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Horas depois Brittany colocava os pés em terras nova-iorquinas. Santana pediu a Ryder para buscá-la na estação e aguardava juntamente com Susan a chegada da loira em sua casa. Quinn ainda não tinha chegado com Charlie, ela morava na mesma cidade, só que estava de férias com o pequeno na França e agora a latina também aguardava sua chegada com o filho.

Brittany ia observando tudo pelo caminho, Nova York era incrivelmente movimentada, onde em toda parte se via um incontável número de pessoas andando com toda pressa do mundo, sem ao menos se importar de olhar para os lados. Eles agora já estavam de frente ao grande portão da mais grande ainda casa dos Lopez, que tinha um grande ‘’L’’ envolto a uma serpente em suas grades. Alguns segundos se passaram e a passagem foi aberta para que adentrassem no lugar.

—Uau!- Brittany exclamou admirando por onde passava e pela o tamanho do lugar- O que essa mulher faz, é dona do Brasil por acaso? Nossa!

—A família Lopez é possuidora de grandes propriedades, senhorita. Essa é a preferida de Santana- Ryder explicou depois de singelamente rir da expressão de espanto e admiração da loira pelo o caminho.

—Filha da mãe de sorte- mais uma vez Ryder riu, mas nessa mais audível.

—Eu quem diga. Chegamos, senhorita. A casa dos Lopez. Santana já a aguarda lá dentro- ele saiu, abrindo a porta para que a loira fizesse a mesma coisa. Ela fez menção de ir pegar as malas, mas ele interveio- Pode deixar que esse é meu singelo trabalho. Entre, por favor.

—Tudo bem- ela disse longamente e acabou entrando. Ryder ainda a observou até sumir pelo o grande salão.

—Nossa, cara. Que linda! É, aqui vai ficar mais interessante- deu um tapinha na traseira do carro e riu sozinho.

Brittany já estava achando que tinha se perdido quando se deparou com a entrada que parecia dar a uma grande sala. Parecia clássica e totalmente refinada, não era muito de seu gosto, mas não pode deixar de admirar tudo, principalmente o piano antigo no final da sala. Ela sempre amou música, mesmo que só ela sabendo disso.

—Oh, meu Deus, Brittany!- ouviu a voz de sua avó mais a frente. A senhora correu na direção da neta e a agarrou com força- Que saudades, filha.

—Oi, dona Susan- devolveu o abraço, não tão de igual intensidade, mas ela também sentia saudades da avó- Deixa eu dizer, que lugarzinho grande que a senhora veio se enfiar, viu?

Os Lopez têm mania de grandeza, minha cara- Santana comentou entrando na sala- Em outra vida éramos deuses... Ou acumuladores compulsivos, escolha você. O que não falta é tranqueira por aqui- sorriu de canto se aproximando a passos leves e precisos, sempre auxiliada por sua velha companheira, a bengala lilás- Deixe que eu me apresente. Sou Santana Lopez, sua humilde anfitriã.

—Brittany- a loira se apresentou sem cerimônia, aceitando a mão de Santana em um cumprimento delicado por parte da morena. A loira aproveitou para dar uma boa olhada na latina. Tinha um corpo em forma, era jovem e exibia um belo sorriso de covinhas pra ela.

—Bom, seja bem vinda, Brittany. Espero que a estadia seja de seu agrado.

—Obrigada, sou muito agradecida por me ter aqui- sim, ela foi altamente irônica ao dizer isso. Tanto Susan quanto Santana perceberam isso. A senhora respirou fundo já imaginando como seria de início e a latina apenas sorria educadamente.

—Disponha, senhorita- Santana disse educada. Como não podia enxergar, algo característico em alguém chamava sua atenção com seus outros sentidos e Brittany tinha um cheiro maravilhoso e único, o que prendeu sua atenção por alguns instantes, tentando distinguir do que cheirava aquela mulher a sua frente. Tinha um aroma realmente perfeito.

Mamãe!- ouviu um grito infantil na entrada da sala e uma pequena bolinha de cabelos loiros entrou correndo até Santana, que soltou a bengala com cuidado no chão e se agachou abrindo os braços para receber seu filho.

—Char, meu filho. Que saudade!- ela pegou o pequeno no colo em um abraço de urso- Como está meu pequeno grande homem?

—Com fome, muita fome- ela riu beijando sua bochecha.

—Nossa, mas não sentiu nem um pouquinho de saudade da mamãe San? Que mau- ela fez bico, fingindo estar triste por isso.

—Não, mamãe, senti sim, mas o bolo da vovó Susan é coisa de outro mundo- Susan se aproximou e apertou a bochecha de Charlie que sorriu por isso. Brittany estava quieta em um canto só observando a interação das outras com o pequeno. Ele era lindinho, ela não podia negar. Mas Santana era morena... Cadê o pai do garoto? Pensava ela.

—Eu preparei um bolão só pra você.

—Hum- Santana e Charlie fizeram careta por isso.

—Vocês vão acabar engordando meu filho- Quinn entrava na sala, exibindo sua bela silhueta bem trabalhada e seus incríveis cabelos loiros, porém mais curtos em comparação aos de Brittany- Saí daqui a tempo de não explodir.

—Chegou a chata!- Santana disse fazendo careta de fechada. Entregou Charlie pra Susan, pegou a bengala no chão e foi encurtando a distância com a ex- Não cansa de ser chata, Fabray?

—E você não cansa de ser irritante?

—Não- a latina disse brincalhona e Quinn a abraçou apertado.

—Como você está?

—Melhor agora que devolveu meu filho a mim.

—Vai com calma aí que ele é tão seu quanto meu- deu um tapinha no ombro da latina. Pegou o braço de Santana para segurar no seu e foi com ela até onde as outras.

—Quinn, quero que conheça Brittany- Santana apresentou as loiras- Ela é neta da dona S e quem vai cuidar de Char quando estiver comigo, como já te falei por telefone. E Brittany, essa é Quinn Fabray, mãe de meu filho e meu ex carma.

—Para, Santana. Você que foi o meu. Prazer, Brittany- a loira mais baixa disse educadamente, estendendo a mão para a outra que aceitou. Quinn olhou Brittany de cima a baixo em uma análise nada discreta.

—Igualmente, Quinn- Brittany forçou um sorriso pra Fabray- Então as duas são mães do pequeno?

—Sim, algum problema?- Quinn disse com cara de poucos amigos, o que fez Brittany levantar as mãos como se pedisse calma.

—Não, nada. Só curiosidade.

—Calma, Fabray. Está assustando a menina- Santana repreendeu a amiga- Desculpe Quinn, Brittany, ela provavelmente ainda não comeu seu bacon hoje. Sabia que ela é viciada naquilo? Me perguntam às vezes como fazia para aguentá-la quando éramos casadas e eu sempre respondo: ‘’O segredo é o bacon, acalma a fera dela’’. Uma vez tive que me vestir de bacon pra realizar uma fantasia sexual de Quinn.

—Deixa de ser mentirosa, Santana Lopez- a loira bateu em Santana que ria muito da brincadeira. Até Brittany acabou rindo, só que discretamente- Eu nem gosto tanto assim de bacon, sabia?

—Vou fingir que eu acredito- Santana deu de ombros- Falar em bacon me deu fome. Vamos atacar as gostosuras que a dona S fez pra gente?

—Bolo de chocolate!- Charlie gritou animado, arrancando uma risada das mulheres.

—Se me permitir, prefiro ir para o quarto que vou ficar, por favor. Estou muito cansada da viagem- a loira disse afagando o braço parecendo inquieta.

—Como quiser, Brittany. Se quiser se juntar a nós, será bem vinda, ok?

—Obrigada, dona Santana.

—Só Santana, por favor. Bom descanso- a loira fez um gesto com a cabeça esquecendo o fato de que Santana não poderia vê-lo. A latina sugou o ar mais uma vez para ter aquele doce cheiro adentrando suas narinas. Ela definitivamente amou o perfume de Brittany.

—Vem, filha. Eu te levo até o quarto- Susan pegou nas costas da neta e a guiou pelas escadarias compridas que levavam até os quartos. Do topo a loira ainda pode ver a latina sorrir com algo que Quinn dizia.

—Ela até que é bonitinha!

—O que disse, Britt?- Susan parou para olhá-la.

—Nada, vó, pensei alto- a senhora continuou a andar e Brittany retornou seu olhar para onde Santana estava, mas a mesma já havia sumido pelos corredores- Tem covinhas nas bochechas.

Notas finais
E aí? Podem me dizer o que acharam? Dói nada não, gente, Só uma picadinha de nada kkkk Pois bem, desde já agradeço quem está acompanhando, comentando, só lendo, caçoando e por aí vai. Quero desejar aqui meu feliz natal atrasado e meu feliz ano novo adiantado. Ai que loucura! Curtam as bagaças toda lá, mas com sabedoria. Que Deus abençoe a todos, amém., Beijão e muita paz! É nóis, bros!