A liberdade em um olhar

1 Vidas opostas/propósitos incomuns


Notas iniciais
Hey, pessoas dessa galáxia distante das outras que é o nyah... Fanfic Brittana, espero que curtam aí. É diferente, mas legal.

A vida é cheia de significados. Infinitos significados. Cada partizinha que nos compõe possui o seu... Cada partícula que se desprende da terra também... Cada gesto, pensar, fazer, ser ou não, não obstante, com toda importância. Há aqueles que não se prendem aos significados da vida, os que simplesmente vivem do jeito que querem sem dar importância às consequências. Estas, como os significados, são mais ainda severas... Não há punição maior que ser dono de suas consequências e aprender a viver com elas. Como retroceder com suas más escolhas? Isso só se aprende com o tempo. E Brittany ainda teria muito tempo pra se dar conta disso.

Brittany S. Pierce é seu nome. No auge de seus quase dezoito anos. Ainda estava no término do ensino médio, pois reprovara no ano passado. Foco nos estudos não era lá sua praia. Rose, sua mãe, andava pelos corredores de sua casa grande, mas simples, carregando uma cesta com roupas sujas dos demais da casa. Passou pelo o quarto da adolescente e pôs o ouvido na porta. Estava tudo quieto, a não ser dentre segundos ouvir um certo ranger da cama da filha, levando-a a constatar que a mesma ainda dormia lá dentro. Olhou seu relógio de pulso que marcava oito e quinze da manhã, revirando os olhos em seguida por mais uma vez Brittany dormir demais e se atrasar para a escola. Com batidas fortes na porta alertava a filha desse fato, mas não ouviu nenhuma reação de dentro do quarto.

—BRITTANY!- gritou mais uma vez e nada. Bufou possessa pelo pouco caso da filha a se preocupar em ir pra escola, pois todo dia era assim desde a morte de seu pai. A loira andava meio revoltada da vida e se dividia entre cabular aula e ir a festas sem o consentimento da mãe todas as noites, daí o motivo de estar dormindo feito uma pedra caída do espaço e profundamente enterrada no chão. Rose apoiou as mãos nos quadris e observou a porta cima a baixo, tendo uma grande ideia em seguida. Foi até ao armário onde seu finado marido guardava sua caixa de ferramentas e pegou de lá uma chave de fenda e uma pequena marreta. Posicionou a ponta da chave das dobradiças da porta e as soltou, o que fez cair a porta com um terrível estrondo. Brittany, por susto, pulou da cama caindo de traseiro no chão.

—Jesus Cristo, estão invadindo!- a loira levantou, pegando a primeira coisa que viu pra se defender, que no caso fora uma lixa de unha. Ao ver a mãe parada na porta com as ferramentas em mãos, encostada a porta com uma cara nada boa já sabia o que viria- Mãe, eu... A senhora derrubou minha porta?- Brittany exibia um semblante confuso que competia em intensidade com o zangado de sua mãe.

—Derrubei e fico com pena de não ter acertado sua cabeça para enfim você criar juízo, Brittany Susan Pierce- cuspiu tudo em um fôlego só- Por acaso tem ideia de que horas são?

—Hum, quem sabe a hora de eu dormir mais uns minutinhos?- brincou fazendo careta, o que só deixou Rose ainda mais zangada.

—Você sabe de suas responsabilidades, Brittany. Ir a escola é a mais importante, não brinque com seu futuro. Quero pra você uma vida melhor, que consiga o que eu nunca pude te dar, minha filha- Brittany baixou o olhar, sentindo doer o coração pelas palavras da mãe- Sonho um dia te ver indo para faculdade e se formar anos depois.

—E o que eu quero não importa?- se pronunciou agora encarando a mãe- A senhora não precisou ir para a faculdade para ter uma vida.

—Mas veja como estou. Vivo de servir os outros, Brittany. É isso que quer pra sua vida, ser submissa aos outros?- a loira mais nova apenas revirou os olhos e se pôs a andar até o banheiro- Só desejo o de melhor a você e seu irmão, filha.

—E eu desejo que a senhora largue do meu pé- resmungou baixo já dentro do cômodo- Será que a senhora poderia me deixar quieta pra que eu possa me arrumar pra escola?

—Espero que um dia me escute antes que faça algo que se arrependa um dia, minha filha. Escute bem, uma mãe nunca erra quanto a isso- mais um revirar de olhos de Brittany que muda para assustado pelo o seguinte alerta de sua mãe- Espero também que chegue a tempo na escola... Tem dez minutos.

—Oh, merda!

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Brittany corria pelos os corredores de sua escola em desespero, seria a quinta vez pra fechar a semana que chegava atrasada. Já tinha mais advertências que podia contar e pelo o visto... Seria essa mais uma.

—Senhorita Pierce!- a professora de matemática Margareth chamou a atenção da loira que tentava entrar de fininho na sala. A mulher estava ao quadro anotando algumas instruções para um trabalho e percebeu a garota, mas não saiu de sua posição.

—Que diabos, essa mulher tem olhos nas costas?- ela sussurrou em reclamação. Todos da sala voltaram sua atenção a ela- Ah, oi, senhora Louis.

—Mais uma vez atrasada, minha cara. Não me entrega atividades e trabalhos. E quando entrega, são mais atrasados que sua presença em minhas aulas- Margareth colocava os óculos para analisar algo em seu notebook sobre a mesa- Está a um fio de ser reprovada. E veja só... Ainda não estamos nem no meio do ano- um sorriso de ironia desenhava os lábios marcados pela idade quase avançada da professora- Espero que tenha um ótimo argumento pra sanar esses ‘’contratempos’’, Pierce.

—Bom... Olha, senhora Louis, eu até que tenho, mas prefiro não falar na frente dos meus colegas. É segredo, sabe?- Brittany tinha um sorriso brincalhão. A professora arqueou a sobrancelha esquerda, intrigada.

—Uhm, entendo. Mas adoro um segredo. Que tal nos agraciar com o seu?- resolveu entrar na evidente brincadeira da aluna.

—Eu não, professora. Aí não vai ser mais segredo se eu contar- uma risada geral da sala foi ouvida e a professora apontou na direção de Brittany como advertência.

—Muito bem, senhorita Pierce, como não pode contar o seu, contarei o meu- Brittany acompanhava a risada de seus colegas- Na próxima vez você só entrará em minha aula se sua mãe vier falar comigo, caso contrário, sua nota final será zero sem pudor algum e reprovará antes mesmo que possa falar aritmética- o sorriso da loira morreu no mesmo instante. A professora deu-lhe as costas e voltou com sua aula.

—Pra bruxa só falta a vassoura pra essa daí- comentou Kitty, uma das melhores amigas da loira quando ela sentou ao seu lado.

—Essa mulher está de marcação comigo!- Brittany reclamou retirando bruscamente os livros de sua mochila e os colocando sobre a mesa- Minha mãe vai me matar se eu chegar em casa dizendo que a Dolores Umbrige ali quer falar com ela.

—Brittany, sabe que eu te amo, amiga, mas de alguma forma a senhora Louis tem razão. Você anda muito dispersa com os estudos. É nosso último ano, como quer ser aceita em uma boa faculdade com um histórico escolar a desejar?- Marley, a outra melhor amiga da loira, aconselhou tocando no ombro da amiga.

—Ah, Marley, você também agora? Estou pouco me lixando pra faculdade. Quero mais é sair desse hospício- Marley rolou os olhos enquanto Kitty ria da resposta da amiga- Sou bicho solto. Meu lugar é onde eu posso ser quem eu sou sem represálias.

—Concordo com você, Bi- Kitty e Brittany bateram um high Five- Pra tanto que te darei a oportunidade de participar da festa do ano amanhã.

—Gente, temos prova na segunda. Temos que estudar- Marley alertou, recebendo um sinal de mão para que se calasse de Kitty.

—Marley, você é tão chata!- a morena cerrou os olhos em sua direção- Então, a festa será top dos tops... Jake Puckerman a nomeou como ‘’Surpresinha’’.

—Como assim?- Brittany perguntou interessada. Apenas Marley prestava atenção na aula à essa altura.

—Bom, pelo o que fiquei sabendo, ele conseguiu as chaves da escola e fez cópia de todas. Então, amanhã à noite, a escola estará vazia e será toda nossa enquanto a loucura durar.

—Hum, festa do Puckerman, totalmente ilegal, propensa a confusão e com toda certeza não faltará bebida... – a loira maior fingiu pensar na proposta com a mão no queixo e batendo de leve o indicador nos lábios- Estou 100% dentro.

—E assim que fala, super Bi- as duas comemoram alto, o que chamou a atenção da professora.

—Querem compartilhar algo com a classe, senhoritas?- ela indagou com o semblante de tédio de sempre.

—Sim, professora- Brittany respondeu pondo-se de pé. Subiu na cadeira e levou os braços para o alto gritando- Viva a América!

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Enquanto isso em Nova York:

O dia começava para Santana. Nem precisou o despertador apitar, ela acordava no mesmo horário exato por anos... Nunca em toda sua vida precisou ser desperta por ninguém, era algo preciso. Deslizou pelo o lado esquerdo da cama, tateando seus dedos pelos botões do aparelho de som que jazia ao seu lado, no criado mudo. Scar Tissue do Red Hot Chili Peppers preencheu o quarto e um sorriso de alegria pairou nos lábios carnudos da latina. Ela amava aquela música desde sempre, e da mesma forma que não precisava ser acordada, adorava escutá-la pela manhã, pra começar bem o dia. Rumou até o banheiro. Deslizou a mão até o suporte da escova e a pegou, era lilás com desenhos de notas musicais. Adicionou à suas cerdas a pasta de dente de menta que tanto gostava e levou a boca para começar sua higiene matinal. Terminado, foi lentamente deslizando as partes que compunham seu pijama, emaranhou em conjunto e as atirou de forma certeira no cesto de roupas sujas no canto. Já dentro do box, deixou que a água quente deslizasse pelas curvas perfeitas de seu corpo, sorrindo satisfeita com o efeito relaxante que isso causava a ela.

Sua mão buscou seu roupão lilás (ela amava essa cor) e o vestiu. Andou levemente até o quarto e de frente a seu enorme guarda roupas lilás com preto (ela amava mais ainda essa combinação), abriu algumas partes e foi escolhendo agilmente as peças de roupas que usaria para trabalhar. Já vestida, ela passou a mão por seu corpo checando tudo antes de sair e com um sorriso de dever cumprido andou até a porta, parando por um instante ao lembrar-se que havia esquecido de algo...

—Meu Deus... Eu sempre esqueço a Violet- ela riu pra si mesma, retornando com seus passos agora contados na procura por sua parceira de viagem- Aonde eu deixei você, minha querida Violet?- a mão esquerda deslizou pela cama, guiando-se debaixo dela para apalpar por ali, deixando uma risada escapar quando seus dedos tocaram a madeira bem trabalhada, simbolicamente talhada com uma serpente em seu torno- Oh, graças... Achei você, minha linda. Como andaria sem minha parceira de viagem?- ela comemorou erguendo o objeto sobre a cabeça- Não sei o que sou sem minha bengala- sim, Santana era cega. Desde os seis anos, mais precisamente, por conta de um acidente de carro que resultou em uma lesão na córnea, tomando sua visão. Mas acham que ela reclamava? Claro que não. Santana nunca fora mais feliz na vida.

A latina estendeu sua bengala tão querida, voltando a seu caminho até a cozinha de sua enorme casa e, apesar de sua limitação visual, quase nunca precisava de ajuda. Andava sozinha por toda a casa sem se perder, da mesma forma que andava por sua empresa de advocacia e a administrava com sucesso, o que a muitos impressionava. Tinha apenas vinte e quatro anos, perdera o pai no acidente que a fez perder sua visão e a mãe de leucemia alguns anos depois, mas nunca ninguém a via triste. Sorria o tempo todo até pra quem não conhecia e usava sempre a mesma frase pra quem a perguntasse o porquê de ser tão conformada com o que lhe aconteceu: ‘’A vida é curta, a morte eterna... A parte curta passamos por aqui, a outra Deus sabe onde. Então pra quê desperdiçar o pouco tempo que temos nos lamentando quando podemos sorrir e aplaudir o sol por mais um dia?’’. Otimismo era uma das palavras que a descrevia muito bem’’.

—Uhm, sinto o cheiro maravilhoso de café!- disse ao entrar na cozinha- Bom dia, minha querida Susan.

—Bom dia, criança. Como passou a noite?- Susan perguntou aproximando-se de Santana para depositar um beijo demorado em sua bochecha. Era a governanta da casa desde antes da latina nascer e estava com ela até hoje. Ela tinha a senhora de cabelos grisalhos como mãe, pois fora a mesma, juntamente com seu avô Juan, que cuidou de Santana depois da morte de seus pais.

—Maravilhosamente bem- a latina exibia um grande sorriso ao responder. Susan a guiou até a mesa da cozinha.

—Não sei por que com uma mesa enorme como a que tem na sala, você queira tomar café aqui comigo, menina.

—Exatamente por isso, minha cara Susan... É grande demais. Prefiro um bilhão de vezes me agraciar com sua encantadora companhia do que ficar sozinha naquela sala com os fantasmas de meus antepassados. Eles falam pelos os cotovelos, nana nina não- Susan riu do comentário, começando a servir café a latina.

—Como eu queria que minha neta me fosse tão carinhosa quanto você é comigo.

—Deve ser daquele tipo de adolescente quieto, que gosta de ficar na dela... Dê um tempo a ela que amadurecerá seus conceitos. Deve ser tão adorável quando sua incrível vovó.

—Muito obrigada, minha menina- acariciou os cabelos negros de Santana, que fechou os olhos se agradando do carinho.

—Não por isso, minha cara Susan- provou o café da xícara- Oh, café da dona Susan... Como provar...

—O néctar dos deuses... Céus, você sempre exagera, Santana- foi a vez de a latina rir.

—Não minto quando digo que seu café ultrapassa os limites da realidade, dona S- Santana sorveu um pouco mais do líquido, esboçando prazer pelo sabor maravilhoso do café- Quando tomo, posso ter mais certeza ainda que estou super viva- seu relógio de pulso apitou- E atrasada. Tenha um ótimo dia, querida Susan.

—Agradeço, o mesmo a você- Santana levantou-se, tomando a bengala ao seu lado- Eu lhe acompanho até a porta, criança.

—Ficarei agradecida. Não sei se conseguiria chegar até lá... Seu café me deixou de pernas bambas- a mulher mais velha gargalhou. Pegou a mão de Santana passando-a por seu braço para lhe guiar.

A latina minutos depois chegou a sua empresa, a Lopez Advocacy, fundada por seu avô há mais de quarenta anos, sendo uma das mais requisitadas do país. Ela administrava a empresa com Juan, seu avô, só que o Lopez mais velho passava mais tempo viajando pelo mundo a negócios do que na empresa, deixando Santana como a principal cabeça de seu negócio. Ela dispensou seu motorista e adentrou seu estabelecimento cumprimentando todos que passava em seu caminho. Era bem educada, tinha uma ótima postura profissional e era bem querida por seus colegas de trabalho que, apesar de ser a chefe, tratava todos como igual. Poderia dizer que uns matariam para trabalhar para ela.

—Bom dia, senhorita Lopez!- Roberta, a secretária de Santana, a cumprimentou quando a viu se aproximar.

—Bom dia, minha cara senhora futura mamãe. O que temos pra hoje?- a latina acariciou sua barriga, lhe enviando um sorriso brincalhão.

—Reuniões com sócios e clientes aos montes querendo exclusividade com a senhorita.

—Deus os abençoe então... Nem eu estou conseguindo exclusividade comigo mesma há anos... Tenho trabalho até pra minha próxima encarnação- disse fazendo careta, Roberta riu- Quando começa a primeira reunião?

—Daqui a quarenta minutos.

—Perfeito, tenho tempo de colocar a leitura em dia. Se precisar de mim, sabe onde me encontrar. Até logo.

—Só um segundo, senhorita!

—Santana, por favor- pediu educadamente- Temos quase a mesma idade.

—Sou quinze anos mais velha que você.

—Em espírito então- a secretária se divertia das brincadeiras da latina- O que tem a me dizer, minha cara Roberta?

—Uma freira do orfanato Jesus Heart ligou querendo agendar uma visita. Disse que você as autorizou a lhe procurarem se precisassem de alguma coisa.

—Isso procede. Encaminhe a chamada a elas e passe para mim. Falarei com elas de minha sala.

—E o tempo pra leitura?- Santana voltou-se a ela com um sorriso aberto:

—Eu vejo isso depois- tirou os óculos escuros que escondiam seus olhos sem luz e piscou sapeca para a secretária que sorriu, balançando a cabeça negativamente por a latina caçoar de seu próprio problema.

—É pra já, senhorita- Santana a enviou uma ‘’joinha’’ com o polegar e seguiu pra sua sala. O dia se passava lentamente... Ela vivia dia após dia uma jornada corrida e cansativa, mas aquilo pra ela era apenas seu mundo... O que nasceu e crescia em seu centro. De alguma forma se prendia a ele.

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O sábado chegara. Brittany ensaiava a forma de pedir a mãe para sair à noite, pelo menos pediria dessa vez. Rose estava brava com a filha depois que recebera uma ligação da escola reclamando das notas e comportamento da loira.

—Mãe?- Brittany chamou a atenção de Rose enquanto jantavam em silêncio. Sua mãe virou seu olhar para ela e um semblante ainda zangado tomava sua face alva herdada por Brittany, da mesma forma que os incríveis olhos azuis.

—Pode falar- foi seca. Brittany engoliu rasgando a expressão da mãe.

—Hum, será que eu poderia sair com minhas amigas hoje à noite?- a careta receosa de Brittany seria até cômica se não fosse o estado de chateação de sua mãe.

—Está totalmente fora de cogitação, Brittany. Te dei dois meses de castigo. Não irá pra lugar algum.

—Mas mãe...

—Nem mas, nem meio mas... É minha última palavra- rispidamente firmou o que disse, recebendo uma bufada de contrariedade de Brittany que subiu para seu quarto catando tamanco de raiva. Sua mãe nada disse, apenas retornou a atenção a seu prato, ao contrário do pequeno Kennedy de dez anos, que ficou confuso olhando sua irmã correr pela cozinha e em seguida para o olhar triste de sua mãe a mesa.

—Vai ficar tudo bem, mamãe- ele alcançou a mão de Rose sobre a mesa e a afagou buscando lhe passar tranquilidade- A Bi é uma ótima pessoa.

—Eu sei, meu filho... Queria que fosse como antes. Quando seu pai estava aqui pra me ajudar.

—Papai se foi, mas a senhora me tem como homem da casa agora. Eu protejo vocês- ela sorriu dando um beijo na bochecha do pequeno loirinho Pierce. Ele era a cara de Brittany.

—É sim, bebê- acabou se entretendo com o pequeno que esqueceu-se de Brittany no quarto.

A loira estava agora toda e completamente arrumada. Com um vestido mínimo azul que mal cobria suas pernas compridas. Com uma corda improvisada de lençóis, amarrou a ponta em uma parte solta que achou na janela e se pôs a escalar o segundo andar da casa. Kitty, Marley e Tina já a aguardavam lá embaixo para irem juntas a festa ilegal na escola.

—Isso que é mulher!- Kitty brincou enquanto observava Brittany descer cautelosamente pela corda e em seguida alcançar a grade do jardim terminando de descer por ela- Pronto, agora que a mulher gato já desceu... Vamos festejar!

—Gente, não sei, isso não está me cheirando a coisa boa- Marley comentou hesitante.

—Ah, pára, Marley... Não azeda a parada- Tina disse retocando a maquiagem pelo retrovisor do carro de Kitty.

—Não estou, só que acho...

—Guarde suas opiniões pra você, Marley- Kitty a cortou seca- Se está achando tudo tão ruim, por que veio então?

—Por que sou a mais sensata de nós todas... Se comigo é assim, quem dirá se eu não tiver?

—Eu ainda me pergunto por que te amamos tanto- Kitty brincou abraçando Marley pela lateral, de forma desajeitada.

—Pois é, eu me martirizo por isso desde o maternal- Brittany emendou fazendo as demais rirem- Gente, vamos logo. Se minha mãe me pega fugindo pra festa, é capaz de nos aniquilar a metralhadas. A minha porta quem o diga.

—Simbora, meninassssss!- Tina gritou e Kitty deu partida, chegando a festa poucos minutos depois.

Aquilo fervia. Já tinha a maioria dos alunos bêbados se agarrando em um canto qualquer. Horas depois as meninas também já faziam parte dessa porcentagem de alcoolizados juvenis dentro do colégio. Brittany tinha sido arrastada por Jake Puckerman em uma das salas e já estavam a beijos quentes, onde o rapaz vagava com sua mão pelas curvas da loira, e quando começava a subir por suas coxas, ela o parou no mesmo instante.

—Que foi, gatinha? Não está a fim?- ele perguntou com a voz atropelada, já bêbado.

—Não... Q-Quer dizer sim, mas não aqui. Não agora. Estou meio tonta por conta da bebida.

—Mas eu estou muito a fim de te provar, loira tesão- descia com os beijos pelo o pescoço de Brittany, que prontamente o afastou pelos ombros.

—É sério, não me sinto bem. Preciso tomar um ar.

—Ah, agora vai ficar com doce depois de já ter dado pra escola inteira?

—O que?- Brittany o encarou bestificada- Eu não...

—Não vem com essa, loirinha... Já sei da sua vidinha liberal- ele se aproximava mais, passando as mãos por debaixo do vestido da loira que se afastou novamente- Eu rio de uma coisa dessa. Posa agora de santinha quando na verdade é a maior vadia dessa cidade- segundos depois ouve-se um sonoro tapa que a loira desferiu contra o rosto de Jake.

—Imbecil ridículo- ela saiu dali correndo. Segurava-se para não chorar... Ela não se permitia isso.

Meia hora depois Brittany juntou-se a suas amigas, resolvendo não comentar o que acontecera com o Puckerman há não muito tempo. Ela olhava ao longe alguns alunos brincarem na piscina.

—Tudo bem, Brittany? Está calada desde que chegou da sua aventura com o Puckerman gostosão- Kitty perguntou, cutucando a amiga- Foi tão ruim assim?

—Kitty, poderia me deixar quieta, por favor- pediu de forma seca.

—Vou declarar isso como um sim- sua amiga brincou. Brittany preferiu não rebater. Algo mais a frente chamou sua atenção. Os garotos, incluindo Jake, atormentavam agora a pobre Marley.

—Parem, por favor. Eu não vou com vocês- ela quase implorava tentando se desvencilhar dos rapazes, e ao conseguir, Jake foi puxá-la ocasionando um tropeço da menina que acabou caindo na piscina. Nesse momento ouviu-se a sirene da polícia se aproximando e todos dentro da escola começaram a correr para escaparem da confusão que certamente arrumariam.

—Gente, a Marley!- Brittany avisou, mas suas amigas não lhe deram atenção, saindo dali mais que depressa. A loira dividia o olhar entre a saída e a amiga que ainda não voltara a superfície. O que fazer? Correr o risco de ser presa ou arriscar a vida da amiga naquela piscina? Optou pela razão- Inferno!- vociferou mergulhando em seguida no encalço de sua amiga. Marley já estava desacordada no fundo, Brittany a pegou por trás e impulsionou o corpo para saírem da água. Conseguiu com muito trabalho empurrá-la para fora da piscina e quando se pôs pra fora também, botas pretas tomaram sua visão e em uma careta de ‘’me ferrei’’ seguiu os calçados até o restante do corpo, dando de cara com um policial mal encarado de arma em punho:

—Espero que tenha uma boa explicação para estar aqui, mocinha!

Enquanto isso, Santana na sacada de seu quarto, acompanhava a mudança ainda mais gelada de Nova York, sentindo o vento de forma prazerosa no rosto. Retirou os óculos escuros, deixando a mostra seus olhos castanhos que há tanto tempo não podiam ver a luz da lua, mas o simples fato de estar ali, naquela sacada, aproveitando o clima gostoso da cidade que nunca para, já era o bastante para dar sempre graças a Deus por ter chegado aonde estava com muito esforço e amor a vida. Ela nunca reclamava, apenas por instantes sentia que algo lhe faltava apesar de tudo... O que seria isso, já que ela sempre sentiu que tinha tudo? E o que Brittany e Santana tinham a ver uma com a outra? Brittany era uma garota agitada, vivaz e bem encrencada, por sinal, enquanto Santana vivia uma vida tranquila e regrada, totalmente única de suas diversas formas e maneiras... Em que ponto seus caminhos se cruzariam?

Notas finais
Bommmm, e aí, dá pro gasto? Alguém quer me dizer o que achou?Agradeço antecipadamente aos que derem uma passada por aqui.