A liberdade em um olhar
15 Um passo de cada vez
Notas iniciais
—San, filha... Vamos logo. Deixe o Shakespeare aí. Ele não pode entrar na sorveteria.
—Isso é uma injustiça- a garotinha reclamava chorosa deixando à mostra um espaço vazio na frente dos dentes, demonstrando que há pouco tempo ela perdeu um. Abraçou seu cãozinho, Shakespeare, o deixando sair correndo logo em seguida- O que eles tem contra os animais? Eles não gostam dos bichinhos?
—Não é que não gostem, amor- Maribel, sua mãe, se agachou de frente a ela, sorrindo gentilmente- Mas eles fazem bagunça. E muita sujeira com cocô e xixi.
—Cocô é nojento!- Santana torceu o nariz. Maribel riu.
—É sim, querida. Bem nojento- imitou a careta de nojo da filha e a pegou no colo, passando a morder sua bochecha de forma brincalhona. Santana começou a rir escandalosamente- Dona S- chamou alto. Susan apareceu alguns segundos depois, na porta da cozinha – Marco e eu vamos levar a San na sorveteria para comemorar nosso aniversário de casamento. A senhora não gostaria de vir junto? Vai ser bem divertido – piscou, sapeca.
—Vamos, vovó. Lá tem aquelas maquininhas de pescar ursinhos fofinhos. Podemos tentar conseguir um azul dessa vez- a pequena Santana reforçou sorridente e animada com tal possibilidade.
—Ah, queridas. Eu agradeço. Mas já passei da idade de andar a passeio. Vou acabar atrasando vocês. Sem falar que tenho tanto crochê para finalizar que estou quase desistindo dessa arte.
—Imagina. A senhora tem muito talento – Maribel passou pela senhora de olhar meigo e deixou um beijo delicado em sua bochecha enrugada- Não trabalhe demais, ok? Hoje é domingo.
—Claro, claro- Dona S concordou em meio a risadinhas. Acabou assustando-se quando Marco, marido de Maribel e pai de Santana, apareceu do nada e lhe abraçou por trás, atacando-lhe com muitos selinhos na bochecha – Menino, você ainda me mata de susto.
—Mato nada. A senhora sabe que eu sou caidinho na sua- ele galanteou, cerrando o olhar. Ela tinha uma mão no peito e a outra ameaçava bater nele.
—Ora, mas que bobice, menino. Me solte, se não lhe estapeio. Vá se divertir com a sua família logo.
—O que, ela não vai?- se dirigiu à esposa. Maribel negou com a cabeça e deu com os ombros. Ele a olhou-a incrédulo- Mas que mulher teimosa.
—Tenho muita coisa para fazer, menino Marco. Vocês estão perdendo tempo aqui tentando me arrastar. Vão se divertir. Comemorar esse dia maravilhoso. Vão, vão- e saiu por empurrar os três até a saída, na maior festa entre os três Lopez. Eles eram naturalmente animados e divertidos, mas hoje parecia que algo de muito bom os aguardava por tamanha felicidade aparente.
—Nós te amamos, Dona S.
Marco gritou de seu carro, atirando beijos no ar para senhora que tanto gostava. Maribel lhe enviou um lindo sorriso, gesticulando para que Santana acenasse também para a governanta e assim a garota fez, a base de um sorriso faltando um dente.
Susan se sentia sortuda por ter aterrissado nessa família tão cativante, acolhedora e amável. Pousou a mão no coração, os vendo partir com um sorriso carinhoso desenhado nos lábios. Porém um grande aperto e uma expressão preocupada, fizeram aquele momento algo que ela nunca esqueceria daquele belo sorriso de Marco.
Depois de horas maravilhosamente divertidas entre família, Marco, sua esposa e filha voltavam por volta de oito da noite para casa. Só precisavam agora cruzar uma ponte e menos de um quilômetro a frente estariam em seu lar. Porém eles não contavam que, durante o percurso pela ponte, um carro descontrolado dirigido por um homem extremamente bêbado, fosse colidir com a frente de seu veículo, que fora para logo então no lago abaixo da ponte.
Santana acabou desacordada pelo impacto do carro contra a água. Seus pais eram o únicos ainda lúcidos, porém Marco estava preso pelo cinto e não conseguiu se soltar.
—Pegue ela e saia daqui.
—O que? Não vou deixar você aqui, Marco.
—Maribel, é nossa filha- ele gritou, com lágrimas nos olhos ao olhar para esposa e depois para a filha- Eu consigo. Encontro vocês lá fora.
—Marco... Amor- Maribel choramingou se negando a acatar o pedido do marido. Ele a beijou nesse momento, da maneira mais longa e desesperada que pode.
—Eu te amo. Te amo muito- o carro afundava cada vez mais. Estas foram as últimas palavras que puderam ser ditas, já estavam submersos.
Maribel, mesmo a contra gosto, se soltou. Teve que fazer força para tirar Santana e com a ajuda do marido a puxou de sua cadeirinha. Sua janela estava quebrada pela batida, foi fácil sair dali com a filha nos braços. Enquanto emergia, ainda pode trocar um olhar com seu amado, o último de suas vidas, Marco enviou um sorriso tenro. O carro afundava ainda mais e levava consigo a vida de uma das pessoas que ela mais amava, porém, era sua filha agora que merecia atenção. Santana não acordava e perdia muito sangue.
Deitou-a na areia molhada e checou sua respiração. Felizmente estava bem. Seu coração arrebentou-se ao notar que a pequena criança tinha ferimentos nos olhos por estilhaços de vidro. Apertou-a em um abraço de puro sofrer e agonia.
Pelo menos fora o rosto de Marco a última coisa que Santana viu antes de que seus olhos não pudesse mais captar a luz. A única coisa que teria do pai dali em diante...
Era o seu sorriso apaixonado pela vida que sempre exibia.
~o~
Presente:
—Se eu não pudesse sentir seus movimentos respiratórios como eu posso... – a voz de Santana fez com que Brittany saísse de seu transe reflexivo-... Eu poderia jurar que você não está aqui. Bem... Pelo menos não fisicamente.
—Eu estou aqui, San- disse quase que para si mesma.
—Corpo e mente?
—E muitos problemas- suspirou, apoiando os antebraços nos joelhos. Santana guiou-se de volta até Brittany e sentou-se ao seu lado, ficando em silêncio por alguns segundos.
— Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar. Sabe quem disse isso, Brittany?
—Papai Noel?- isso fez a latina rir.
— Shakespeare, bobinha.
—Esse seria o meu próximo palpite.
—Seria sim- a loira empurrou a outra com o ombro. As duas riram.
O celular de Brittany voltou a vibrar com o nome de Kitty na tela. Seu corpo tencionou no mesmo instante. Santana percebeu.
—Você não vai atender?- questionou a advogada.
—Não sei.
—É fácil. Só precisa deslizar o dedo pela tela e dizer: Alô?- disse isso de maneira cômica, levando a mão ao ouvido, simulando um telefone celular. Brittany não conseguiu segurar a risada- Vamos lá. Está tudo bem. Eu compreendo.
—Por que você faz assim?
—Assim como?
Brittany a olhou de perto e suspirou.
—Sendo tão perfeita. Isso é chato.
—Eu não sou perfeita. Agora vá e atenda o celular. Deve ser importante- deslizou sua mão cuidadosamente até encontrar a de Brittany e a acariciou- Isso aqui pode esperar.
—Tudo bem- Brittany concordou ao se levantar. Santana sorria para ela. Um sorriso tímido e sincero. Aquilo foi o bastante para ela não ter o que pensar mais. Seria a primeira vez em todas essas semanas que ela sabia o que queria fazer- Mas eu não quero que espere.
—Não? E o que você quer, querida Brittany?
A loira pôs a mão sobre a da latina e levantou-se.
—Eu quero dançar com você agora, Santana Lopez. Vem- puxou Santana pelas mãos e a guiou para perto da grande fonte do jardim.
—Cuidado. Eu sou frágil- Santana ria ao ser puxada por uma eufórica Brittany- Está tudo bem?
—Pela primeira vez eu posso dizer que sim- Santana fez careta, sem entender. Mas resolveu não contestar. Adolescentes são seres de outro mundo mesmo.
De repente uma música do cantor britânico Sam Smith soou por todo jardim. I'm not The only one era seu nome. Tinha um ritmo lento, envolvente, perfeito para a ocasião.
—Quem será que está controlando isso?- Santana apontou para o alto e sorriu- Que conveniente. Deus, é você?
—Boba. Vem- Brittany sem cerimônia abraçou o pescoço de Santana, sem ao menos perguntar se podia. A morena riu e balançou a cabeça negativamente quando em seguida a loira arrancou-lhe os óculos escuros e o pendurou no bolso de trás de seu jeans.
—O que você tem contra meus óculos escuros, afinal?- perguntou enquanto começava a embalar-se e sua acompanhante no ritmo da música- Está sempre querendo se livrar deles.
—Me impedem de te ver direito, fica séria demais. E você fica bem melhor sem eles. Parece... – olhou diretamente nos olhos de Santana e parou, imersa a certas sensações de conflito que para ela, Brittany, não podiam ser ditas em voz alta – Mais atraente. Quer dizer, mais jovem- se embaraçou.
Santana as rodopiou lentamente.
—E você me acha atraente?- a latina estava com a voz levemente mais rouca e quente. Aquela forma traiçoeira de seduzir que só ela tinha. Brittany estava vermelha.
—B-Bom- gaguejou- Oras, você, hum, você é uma mulher bonita. Todo mundo acha isso.
—Você disse atraente, não bonita.
—É quase a mesma coisa.
—Não é, não. Beleza é quando alguém te admira de alguma forma. É externo- passou uma das mãos pela cintura de Brittany e a trouxe cada vez mais para si em alguns movimentos lentos para acompanhar a canção ao relento – Atração é físico. É o querer da carne. Ou seja, se alguém te atrai... – fez Brittany girar e a trouxe de lado para si, para falar-lhe diretamente no ouvido, baixinho- Seu corpo está querendo o dela.
—Você tem cada conceito- Brittany riu para disfarçar o desconcerto- Não acho que seja tãoooo físico assim. É mais psicológico, na minha opinião.
—Ainda é muito jovem para entender esse conceito tão afundo.
—Você fala como se tivesse uns 150 anos- caçoou. Santana sorriu.
—Sou apenas uma mulher mais vivida.
—Vivida quanto?
—Muito vivida- franziu o nariz, em uma careta cômica.
—Certo, então. Quem sou eu para retrucar?
—O que deu em você? Sinto que devo perguntar isso.
—Quê? O que quer dizer com isso?- franziu o cenho, desentendida.
—Seu humor. Você parece estar diferente. Desde que chegou aqui e seu telefone tocou.
—Não foi nada. Esquece isso, ok?
—Você ia sair hoje?- Santana continuou. Brittany suspirou – Não adianta negar. Eu tenho conhecimento de que você anda dando suas escapadas na calada da noite.
—Anda me seguindo?
—Hum não- as duas pararam mais de se mover durante a dança- Mas meus seguranças me mantêm a par de tudo que acontece por aqui.
—E por que eles não me impedem de escapar se têm conhecimento do que estou fazendo?- seu tom de pergunta fora acusativo.
—Porque simplesmente você não é uma prisioneira em minha casa. Está livre para sair quando quiser.
—E sobre o que estarei fazendo fora?
—Isso só lhe diz respeito – deu de ombros. Brittany mordeu o canto dos lábios, intrigada com tanta tranquilidade da latina.
—E se eu estiver ficando com alguém fora daqui?
Santana fora pega de surpresa com aquela questão. Seus olhos ficaram ainda mais inquietos. Chegou a entortar o maxilar e refletir por alguns instantes. Aquilo realmente havia mexido com ela a um nível desconhecido. Brittany esperava retaliação de sentimentos e emoções, mas só recebeu um singelo sorriso da outra.
—Como eu disse, você é livre para fazer o que quiser.
—Não faça isso- a loira soltou o pescoço de Santana e a encarou incrédula.
—Isso o que, exatamente?- Santana ficou confusa, franzindo as sobrancelhas.
—Isso de ser legal comigo o tempo inteiro.
—E isso é ruim?
—Não é saudável. Faz bem ficar com raiva às vezes, sabia?
—Não gosto desse sentimento.
Brittany a olhava estupefata.
—E o que você faz quando algo não está certo?
—Vou lá e conserto.
—Simplesmente?
—Simplesmente- respondeu, dando de ombros.
—Nada tira você do sério?
—Claro que tira.
—Tipo o que?
—Chiclete na sola do sapato. Precisa ver como eu fico irada e saio destruindo tudo- brincou, fazendo careta como se estivesse muito zangada. Brittany balançou a cabeça negativamente.
—Não fode. Você é maluca- A loira olhava Santana de uma maneira estranhamente engraçada.
—Que palavra feia- enrugou a testa e balançou a cabeça negativamente. Deu uma passo a frente, procurando o rosto de Brittany- Uma garota tão inteligente, de alma bonita, não deveria falar palavrão.
—Escapou. Acontece – foi a vez da adolescente dar de ombros. Santana acariciou sua bochecha com a ponta dos dedos.
—Não deixe acontecer na frente de Charlie,ok?
—Não deixo. Não parece, mas eu sei me controlar, San.- como sempre, a loira se sentia anestesiada toda vez que era tocada pela morena.
—Tudo se suaviza muito quando me chama assim- acariciava agora o queixo de Brittany- Por que será que estou sentindo que você está me dando brechas para chegar mais? Você quer mais de mim, querida Brittany?
—Sabe o que eu realmente acho de tudo isso, San?- Brittany retribuía o carinho de Santana em seu rosto acariciando suavemente com seu polegar pela mão dela, o que muito agradou a outra.
—Diga-me.
—Eu acho que... – A loira aproximou a boca do rosto de Santana e respirou delicadamente. A morena sentia o corpo estremecer com aquela abordagem- Eu realmente acho... Que está ficando tarde e eu preciso ir dormir. Tem aula amanhã naquele hospício dos infernos.
Santana se segurou para não suspirar de frustração. No lugar disso, esboçou um leve sorriso.
—Você tem razão. Está na hora de ir para cama.
—Certo. Mas antes vou checar o atazanado que você chama de filho- isso fez com que Santana risse-Ele gosta de fazer passeios noturnos fora de hora.
—Ele está fazendo isso?
—Sim. Eu ia falar com você sobre esse assunto.
—Certo. Obrigada por me informar. Amanhã falamos mais acerca disso- o semblante da latina agora era sério, preocupado.
—Hey. Ele vai ficar bem – Brittany tentou tranquilizá-la- Char é forte.
—Eu sei. Ele me lembra meu pai- esboçou um sorriso tenro e cheio de saudade- Na verdade, Char é todo ele. Inteligente, engraçado e doido da sua forma. Até parece que Deus me deu um filho para que eu nunca esquecesse do quão maravilhoso foi meu pai.
Ambas silenciaram-se por alguns minutos. Aquelas palavras tocaram Brittany. Não só pela história cheia de significados de Santana, mas pelo o que aquilo tudo lhe fazia recordar. A relação que tinha com seu pai, tudo que viveu com ele e a dor de sua perda lhe fez se sensibilizar e desestabilizar naquele momento. Mas, não sendo diferente das outras vezes, todos esses sentimentos e emoções trouxeram raiva a Brittany. Aquela revolta lhe efervescia. Ela não conseguia se manter normal quando todas as aquelas emoções lhe atingiam de uma vez só. E ela não as controlava, nunca conseguiu, mas tentava afastá-las com toda as suas forças.
—Brittany?
Santana tentou tocá-la, preocupada por tanto tempo que a garota permanecia quieta, calada e com a respiração ficando cada vez mais forte e desregulada.
—Brittany? O que foi?
Quando sentiu o toque da morena em seu braço, ela assustou-se, e por reflexo, empurrou Santana. As duas acabaram de olhos arregalados, em pleno espanto.
—San... E-Eu.
—Hey- Santana ergueu as mãos acima da barriga – O que foi isso? Eu fiz algo que não devia?
—Não. Eu só me assustei. Não quis machucar você- com um ar tristonho, suspirou- Não entendo por quê isso acontece comigo.
—Isso o que?
—Quer saber? Deixa pra lá. Vou me recolher agora. Até amanhã.
—Até amanhã- Santana respondeu fracamente, com um olhar confuso e intrigado.
Brittany estava seca novamente e fechava-se para seus sentimentos. Santana sentia que algo estava errado e de certa forma ela sofria com alguma coisa, porém, estava sempre fechada para qualquer um que se aproximasse.
A latina suspirou, frustrada. Achou que tinha feito grande progresso nessas últimas horas.
Brittany passou por ela de cabeça baixa, semblante fechado, olhar pesado e, mesmo Santana não podendo ver tudo isso, ela sentia o sofrimento da adolescente.
—Brittany – Santana chamou atenção dela e a mesma parou no meio do caminho, porém ficando ainda de costas para a outra – Não deixe seu passado te consumir. Você não merece todo esse mártir. E eu sinto isso. Mesmo sendo apenas uma cega tentando entender na escuridão, a dimensão do que você sente. E eu tenho paciência. Porque você vai saber o que fazer quando for a hora.
Nada mais foi dito em seguida. Santana deixou seu recado, firmou sua proposta e mesmo que Brittany não retribuísse, ela estaria em paz com seu espírito. Não seria ela mesma não oferecendo a mão a alguém que está caindo aos poucos em um lugar que desconhece.
Mas ao contrário do que a advogada esperava, Brittany voltou a andar. Porém, foi na sua direção.
—Brittany, eu...
A loira a envolveu em um abraço forte, sentido, quase esmagador, o que muito surpreendeu Santana. Pela primeira vez ela havia ficado sem palavras e sem ação alguma.
—Obrigada- foi a única coisa que Brittany sussurrou em seu ouvido, da forma mais verdadeira que se poderia existir. Deixou um beijo demorado na bochecha de Santana e um curto selinho em seus lábios, porém fora o bastante para aquecer ambos os corações.
—Estarei sempre aqui- Santana disse suavemente.
—Eu sei – Brittany sorriu, mesmo que Santana não pudesse ver esse gesto- Boa noite, San.
—Boa noite, querida Brittany.
Santana fora deixada no jardim, mas dessa vez ela estava confortável com isso. Encheu-se de esperança com aquilo tudo, mesmo ainda desacreditada no que acabara de acontecer, mas a vontade mesmo era de sair correndo e gritar como uma maluca. Ao invés disso, apenas arriscou uns passinhos alegres de dança.
Não muito longe estava Charlie apoiado a sua janela, com a cabeça deixada nos braços, vendo de camarote tudo que acontecia. A criança sorriu de forma danada, imitou a mãe dos passos de dança e se jogou na própria cama, sendo que dessa vez, teria uma maravilhosa noite de sono.
No dia seguinte o telefone tocou. Charlie correu como louco para ser ele quem o atenderia. Arrastou uma cadeira e subiu com cuidado, tomando o fone para si e o posicionando no ouvido.
—Alô! Mansão dos Lopez. Charlie falando.
—Olá, mocinho. Ainda se lembra de que tem outra mãe?
—MAMÃE Q!- o menino gritou afoito. Quinn riu do outro lado.
—Olá, meu amor. Como vai você? Estou com tanta saudade do meu bebê- ela fez bico.
—Estou muito bem. Saudades suas também. Como vai na Inglaterra?
—Chato sem você.
—Eu sei – ele se gabou, fazendo a mãe rir novamente – Quando volta?
—O mais rápido possível. É muito ruim estar longe de casa- Quinn suspirou. Realmente estava chato toda aquela correria com as ações judiciais. A melhor parte daquilo tudo era o loiro nu em sua cama. Riu com esse pensamento.
—Você me trás alguma lembrança de Londres? Adoraria uma miniatura do Big Bang. Ainda não tenho uma.
—Claro, amor. Levo sim. É só me lembrar que eu levo.
—Que demais!- Charlie comemorou.
—Char, como vai Santana?- esboçou um sorriso carinhoso ao lembrar da amiga. Sentia muito sua falta também. Pouco se falaram depois de sua viagem.
—Mamãe está bem.
—Ela está por aí?
—Não. Está no banho. Quer que eu a chame?
—Não. Falo com ela depois, mas obrigada.
—Tudo bem- ele deu de ombros- Ah, já ia esquecendo. Você nem sabe o que aconteceu.
—O que, Char?- Quinn estava curiosa por tamanha animação do filho.
—Mamãe San. Ela está namorando – sussurrou como se fosse um grande segredo. Quinn franziu o cenho, surpresa.
—Como? Santana namorando?-estava complexada- Com quem? Você já viu a pessoa?-
—Sim, namorando. Creio que quando duas pessoas se beijam, elas estão namorando, certo- Charlir disse como se fosse a coisa mais natural do mundo, passando ainda mais sua mãe.
—Quem é, Charlie?- ela estava ficando cada vez mais séria.
—Ora quem... A Brittany- para Charlie aquela conversa estava sendo a das mais normais enquanto Quinn já estava ficando vermelha, quase púrpura.
—Brittany? A do Direito Familiar?
—Não, a minha babá.
—O QUÊ? Que brincadeira é essa, Charlie Fabray Lopez?
Ryder chamou Charlie da porta.
—Depois a gente se fala, mamãe. Tenho aula agora. Beijo, te amo- fez barulho de beijo.
—Também te amo. Mas, Char, volta aqui e me explica isso direito, meu filho.
Não dava mais. Charlie já havia desligado e corria pela salão. Quinn olhava incrédula para o próprio celular, onde tinha uma foto dela com Santana e o filho como papel de parede, chocada com o que Charlie acabara de lhe contar.
—Isso não pode ser verdade- disse em um tom chateado- Que droga você pensa que está fazendo agora, Santana?
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