A liberdade em um olhar

16 A atitude assustadora de Brittany


Notas iniciais
Olá, galera. Tudo bem? Sei, demorei demais, mais uma vez, mas vocês sabem o dilema. Pior de tudo é que, pela primeira vez em toda minha vida de duas décadas e um ano, tive um puta Trump de bloqueio (sim, esse nome pra mim só se assemelha a algo ruim) e não consegui escrever nada direito sem querer socar o celular. Depois de mais de um mês, decide postar até o que consegui. Hoje tive que espremer mais maça cinzenta para finalizar (agradeçam ao friozinho que fez no Ma hoje). Porém, também pela primeira vez, um capítulo não me agradou 100%. Mas também não posso deixar vocês sem nada por mais tempo. Então, já peço perdão de antemão se esse não agradá-los, podem me xingar à vontade. Mas tá aí, prometo tentar fazer algo melhor para vocês. E me desculpem os erros, tive que postar do celular e ele tá doido hoje de tanto app.

—Sanbear... Está na hora de irmos, querida- Manu tocou no ombro da neta, que estava sentada em uma cadeira do canto, de cabeça baixa enquanto acariciava sua querida bengala.

—Temos mesmo?- fez careta.

—Você vai passar muito tempo aqui quando se formar, agora é hora de cama.

—A Quinn saiu magoada comigo – fez um bico penoso. Manu franziu o cenho.

—A filha do Russel? A que bateu em você? Não sabia que vocês eram amigas.

—Ela é minha namorada, na verdade.

—Namorada? Desde quando? Você nunca namorou!- espantou-se Manu.

—Hoje. Acabei de pedir à ela.

—Por que você não contou isso para sua avó ou a mim?- sentou-se ao lado dela – Mas Isso é bom, não é?

—Sim, claro. Eu gosto muito dela.

—Então o que acontece para vocês estarem dessa forma?

—Ela não sabia que eu era sua neta e a próxima presidente da L.A. Depois que descobriu, achou que eu estava brincando com ela e quase me nocauteia- acariciou a bochecha dolorida pelo tapa- E agora não sei se eu ainda tenho namorada.

—Vá atrás dela.

—O senhor acha?

—Vá. Deve mostrar a ela que está muito enganada. Que você tem um ótimo coração e que suas intenções são as melhores.

—O gênio dela é pesado, vovô- fez uma certa careta engraçada. Manu riu, beijando sua bochecha.

—Mulheres são naturalmente complicadas, meu anjo. Me surpreende você ainda não saber disso. Ou deve ser essa sua calma absurda que a impede de ver o dragão cuspindo fogo que é uma mulher brava ou você se finge de desentendida.

Foi a vez de Santana rir.

—Agradeço pelo conselho. Terei mais atenção daqui pra frente.

—Disponha. Agora vamos. Já está ficando tarde.

Santana, de maneira arrastada, deu a mão ao avô que a abraçou de lado para assim além de ir lhe guiando, enviasse a ela todo carinho que precisasse nesse momento. Ela aparentava um desânimo de tristeza realmente tocante.

No dia seguinte Santana ficou na cama até tarde;

Com o travesseiro entre as pernas, a colcha largada perto de seus pés, toda enrolada a si própria, os óculos quase para cair da mesinha ao seu lado esquerdo da cama, Santana bocejava pela enésima vez e não se sentia encorajada a se levantar, sequer os olhos permaneciam abertos. No entanto, para ela, os manter erguidos agora não faria diferença se não pudesse enxergar o dia lindo que com certeza estaria lá fora.

—San!

Susan gritava de fora ao bater na porta, quase que desesperadamente.

—Ainda estou viva, dona S- falou abafada pelo travesseiro agora em seu rosto.

—Levante-se e venha tomar café, filha. Já está passando da hora- Susan disse docemente, agora com uma voz mais amena.

Santana sempre era pontual, principalmente ao levantar cedo, tomar café e passear pela jardim, em seu aconchegante banho de Sol. Susan já estava preocupada em ela estar doente por estar até essa hora no quarto.

—Onde está o vovô?- Santana perguntou de volta, de forma arrastada. Mal tinha dormido aquela noite passada, imersa a pensamentos inquietantes sobre Quinn e o que houve entre as duas.

—Seu avô já foi trabalhar há horas. Me pediu que lhe arrastasse do quarto de qualquer maneira e que reforçasse algo que ele havia falado a você antes. Mas quero conversar sobre isso com você, antecedendo o recado.

—O vovô também não segura a língua na boca, vou te contar. Foi falar isso logo pra vovó S, pelo amor de Shakespeare. Ela vai me socar com a panela de pressão se eu não contar tudo.

—O que você está resmungando aí, dona Santana?- levou as mãos a cintura, em um tom repreensível.

—Nada, vovó. Já estou saindo- fez careta ao levantar e correr para o banheiro, onde acabou batendo em alguma coisa largada pelo chão.

Alguns minutos depois:

—Então quer dizer que a senhorita está namorando e não nos contou nada?

Santana já estava sentada à mesa, agora na cozinha, onde preferia tomar café quando só havia ela para dispor do desjejum, e Susan estava a sua frente, lhe servindo de achocolatado e panquecas enquanto lhe olhava acusativa.

—Bom, colocando dessa forma, não é correto – se defendeu a latina, agora provando um enorme pedaço de panqueca. A fome lhe atacara com força essa manhã. Susan cruzou os braços, de cenho franzido.

—E não é?

—Claro que não. Sabe que conto tudo a você e o vovô, vovó S- tomou um gole profundo de achocolatado – Eu só estava conhecendo-a melhor primeiro, tentando entendê-la, explorá-la, instigá-la e...

—Você só está me enrolando – cantarolou Susan. Santana sorriu, sem graça. Não tinha como esconder nada da avó postiça/melhor amiga/cozinheira de mão cheia que era a dona Susan Eleonor Evans, mais conhecida como Dona S, a irredutível- O que aconteceu... De verdade?

—Ela estava me evitando há semanas. Pronto, falei. – levantou as mãos e depois as fez cair na mesa como uma bigorna, deprimida.

—Sei... E o que mais?

—O que mais? Eu ser ignorada já não basta?

—Por que ela bateu em você? Ela é doente mental, por acaso? Porque se ela machucou você, vai dar um oi rapidinho para minha panela de aço...

—Vovô realmente tem que aprender a controlar a língua- disse pensativa e em seguida contou o motivo por ter apanhado, tentando acalmar dona Susan, pedindo para que não surrasse Quinn por lhe esbofetear em plena festa.

—Você também deu mancada, viu, Santana! Vai esconder logo isso da moça?

—Então a senhora não está com raiva por ser uma garota?

—Quê? Eu lá ligo para quem anda beijando quem, Santana. O corpo é seu, você dá pra quem bem desejar. Contanto, claro, que tal pessoa não seja nenhum delinquente ou perigoso. E ela não é, certo?

—É uma eximia futura advogada, na verdade- orgulhou-se pelo o que ficou sabendo da reputação da amada pela faculdade- E logo estará integrando nossa amada empresa.

—Então eu não me importo. E fico feliz que ela seja alguém tão empenhado. E, mesmo se não fosse, o que me importa é você e sua felicidade. Quero você bem, minha filha. Como seus pais iam querer que estivesse, assim como continuasse tão educada e justa. Por isso... -pegou a mão de Santana e deu umas palmadinhas-...Que você tem, e vai, se retratar com a moça a quem diz estar enamorada.

—Mas o que eu deveria fazer? Queria aproveitá-la melhor naquele momento. Nunca quis lhe faltar com a justiça e ternura, mas me desesperei. Estou gostando muito dela, vovó. É sério. Acabei emitindo isso por medo.

—Mas deveria ter contado tudo, minha filha. Ninguém merece ser enganado. Ela pode estar gostando bastante de você também.

Santana suspirou.

—É, realmente eu agi errado.

—Que bom que admite isso- Susan sorriu.

—Devia ter contado a ela antes mesmo de nós transarm... Hummm... Transitarmos...Pela empresa. – pigarreou, ficando vermelha. Susan arregalou os olhos – Eu vou, hum, tentar de li... Ligar, é... Vou tentar ligar para ela.

—Santana Lopez... O que você anda aprontando?

Santana levantou toda desconcertada e quase derruba a cadeira. Susan levantou na mesma hora para ajudá-la e tentar arrancar algo mais sobre o que ela custava acreditar que ouvira, e a latina saiu quase fugida de lá, deixando Susan confusa e preocupada.

—Essas crianças... Vou acabar ficando gagá.

(TT)

—Eu só quero falar com você um instante, civilizadamente. Será que é possível, Fabray?- Santana dizia ao telefone, enquanto Quinn, irredutível, desferia centenas de milhares de palavras magoadas e furiosas- Sim, eu sei o que eu fiz e quero mostrar o quanto me arrependo... Querida, por favor não xinga minha mãe, que ela já morreu... Tudo bem, eu desculpo. Espera, não chora por isso. Você não sabia – Santana tentava conversar, mas Quinn agora se debulhava em lágrimas e a latina estava mais agoniada que tudo na vida para conseguir acalmá-la- Quinn, por favor, se acalma. Escuta, me deixa estar com você agora que te explico tudo... Não, você não vai me jogar um tijolo quando me ver, porque é uma mulher civilizada e meu avô te processaria e minha avó S te mataria com uma panela de pressão... Como assim você não sabe o que é uma panela de pressão? Não, não estou te chamando de inútil. Para, já chega. Eu vou aí te visitar... Mas eu não estou gritando, você que está... PELO AMOR DE DEUS, EU NÃO ESTOU TE CHAMANDO DE DESCONTROLADA- a latina levava a mão a testa, quase desistindo de argumentar – Quer saber, estou indo aí. Como assim você que vem aqui? Ok, eu aguardo. Beijo.

Santana desligou a ligação, sentindo a cabeça doer. Dessa vez pode concordar com o avô sobre a complexidade que era lidar com uma mulher, mesmo ela, também sendo uma.

Quinn não demorou chegar. Entrou timidamente, quando, atendida à porta por uma intimidadora Susan com um pau de macarrão na mão e assim foi guiada até o jardim, onde Santana já a aguardava em um dos bancos perto da fonte.

—Pronto. Aqui está ela, San. Deixarei que conversem, mas juízo as duas. Estarei por perto... Com meu pai de macarrão.

—Certo. Obrigada dona S.

—Disponha, querida.

Susan saiu, deixando um último olhar assassino para Quinn, que engoliu secamente a saliva e virou-se para Santana, que caminhou a sua direção e a envolveu em um abraço apertado que a loira permitiu acontecer.

—Senti sua falta. Muita- começou, suspirante.

—Por que mentiu para mim, Tana?- perguntou direta, porém com uma pontada de tristeza, afastando Santana de si- Queria brincar comigo? Porque se for isso, mesmo que a sua babá me achate com aquele pau de macarrão, eu te bato de novo... E com força.

Apesar da seriedade do momento, Santana riu e estendeu a mão a Quinn, que aceitou e foi puxada delicadamente pela morena para mais perto de seu corpo.

—Vem cá, bravinha.

Santana, acariciou o rosto alvo da outra e em seguida a beijou com ternura, em um beijo quase infantil e delicado. Quinn, apesar de triste e chateada, não pode se negar a retribuir. Santana emitia um calor tão confortável e acalentador que era quase impossível se manter longe. Logo, então, aquele beijo adocicado e carinho se transformou em um cheio de sentimentos e certezas, em que Santana, quis traduzir melhor que em palavras, o que realmente ela queria da loira Fabray.

O ato fora encerrado pela morena, que distribuiu alguns selinhos pelos lábios de Quinn.

—O que isso tudo significa?- Quinn questionou, recobrando a postura. Santana a puxou para sentar-se com ela no banco atrás de si.

—Não está na cara? Que eu realmente gosto de você e brincar com teus sentimentos, é uma pinóia- sorriu.

—E o que pode me levar a confiar em você? Que não está me escondendo mais nada?

Santana a abraçou de lateral e beijou sua bochecha.

—Só acredite, querida. Se me der uma chance, posso provar que mais verdadeiro o que sinto por você, só o meu amor por mocassins.

Quinn acabou rindo e estapeou o ombro de Santana.

—Garota, te odeio. Você está sempre brincando.

—Mas você bem que ri de tudo. – deu de ombros, fazendo um bico zombeteiro.

—Ah, vai se ferrar.

—Vem aqui me ferrar, então...

E mais um beijo, de infinitos àquela manhã fora findado. Quinn não conseguia ficar brava com Santana, o coração da latina era tão bom que transpassava à distância, e mesmo aquilo, aquela intriga, não fora o bastante para fazê-la querer desistir daquilo que estava havendo entre elas.

E nenhuma sabia o que era... Mas estava lá.

;-)

Brittany chegou quase levitando em seu quarto àquela noite, depois do papo longo e de certa forma bem aproveitado com Santana no jardim da grande mansão. Trombou com sua avó pelo caminho, assustando dona Susan ao pronunciar um:

-A noite não está muito graciosa hoje, vovó?

O que foi de deixar a senhora deveras afetada por muitas horas ao achar que a neta estava agora por se drogar. E tudo só piorou quando Brittany lhe deixou um beijo afetuoso na bochecha acompanhado de um incrível “Boa noite”, rumando para seu quarto toda saltitante.

Susan chegou a fazer o sinal da cruz e correr para seu quarto no intuito de orar ajoelhada em frente à sua cama. Poderia parecer uma atitude exagerada de sua parte, mas, bom, era Brittany, e sua neta, A Brittany Susan Pierce que anda lhe afrontando desde o primeiro dia que pisou no chão Nova-iorquino, nunca falaria daquela forma com ela. Não agora... Nesse milênio.

Mal sabia ela que a garota estava sim sob efeito de algo realmente forte, porém de não tão ilícito. Aquele sentimento de aceitação e compreensão que Brittany enfim notou estar recebendo de Santana pareceu retirar-lhe milhares de pesos de seus ombros. E ela ainda não estava conseguindo saber lidar com aquilo, porém pela primeira vez não repudiou a sensação. Gostou, de fato, e gostaria de poder desfrutar de bem mais, das melhores e ternas maneiras.

Estava como uma boba.

Mas, UAU, Brittany S. Pierce boba por algumas palavras doces ditas por uma outra mulher que, em verdade, estava por, ocasionalmente, querê-la? E isto era possível? Ela não estava indo contra seus próprios princípios? E o que isso de fato significava? Que sensação maluca era aquela que atordoava seu peito agora?

Brittany se perguntava tanto. Em sua mente chegava a fazer ecos de cada pergunta, porém, seus lábios não conseguiam parar de afastarem-se para formar um sorriso avoado, divertido e pior, encantado.

—Que droga, San!- ela resmungou, soltando um risinho a encostar -se de costas a porta e ir deslizando até estar sentada no chão, esparramada- Você é realmente uma chata- passou a mão entre os cabelos e depois, sem perceber, tinha dois dedos tocando os lábios enquanto sorria levemente agora- Uma chata que vai acabar me deixando maluca. E você não é real, Santana Lopez. Nem fodendo que é.

Seu celular pela enésima vez aquela noite estava tocando, denunciando uma Kitty ansiosa para falar com a loira com as pernas quase trançadas pelo chão e ela sabia que a amiga de Lima estaria furiosa à essa altura. Brittany rolou os olhos, entrou em suas mensagens, digitou algo e atirou o celular de qualquer jeito pela cama.

—Ah, vai se ferrar, Kitty!

Deu de ombros rodopiando até o quarto até encontrar o banheiro para se aliviar do calor que passou a fazer aquela noite.

O celular brilhou, mais uma vez, porém, agora era a resposta de alguém que recebera a mensagem que Brittany enviara há poucos instantes.

E não era Kitty.

“Boa noite, mamãe. Como você está? Eu te amo. Vou dormir pensando nos seus mimos. Não desista. Estou com você... Sempre”.

Ao que recebeu de volta:

“Amo você também, meu amor. Também estou com você. Sempre. Mamãe sente saudades. Mas quer que você melhore. Ótima noite de sono, querida”.

E, bem, parece que ela teria sim uma ótima noite.

No dia seguinte, Brittany levantou em um pulo. Arrumou-se o mais rápido que pode e desceu correndo pelas escadas até a cozinha.

Susan já estava acabando de coar o café, o cheiro estava incrível. A loira havia deixado Char se ajeitando em seu quarto e agora ajudava a avó a pôr a mesa.

-Acordou disposta hoje- Susan insinuou.

—Boa noite de sono. Eu estava precisando- Brittany ergueu os braços, como se tivesse espreguiçando-se.

—Fico feliz. Principalmente porque isto é sinal de que não andou bebendo.

—E quem disse que eu bebo, dona Susan?- brincou. Susan lhe atirou um guardanapo, o que a fez rir.

—Nem vem. Você é igualzinha sua mãe na sua idade. Rose bebia como um marreco no lago, morrendo de sede.

A loira riu por alguns segundos, porém esse gesto foi morrendo aos poucos, até ela parar pensativa. Susan se praguejou pelo comentário. Estava indo tão bem aquela manhã.

—Oh, me desculpe, querida. Não quis lhe magoar.

—Tudo bem, vovô. Isso não é mentira, é?- sorriu fraco. Susan espantou-se por não tomar um coice de palavras más de volta- Você sabe dela? Da mamãe? Ela não aceita minhas ligações. Só consegui uma mensagem ontem, como resposta. E ela nem me respondeu como estava.

Susan suspirou e deu a volta na mesa para dizer aquilo mais a frente da neta, sem esconder seus sentimentos.

—Minha querida. Nesse momento devemos direcionar todas nossas intrigas, todos os nossos medos, incertezas e de quebra, revolta... -tocou delicadamente no nariz da neta, o qual lembrava muito o da própria folha Rose- Para aquele Pai lá de cima, o maior e melhor de todos.

—Mas, vovó...

—Sua mãe vai ficar bem, minha filha. Vamos ter fé. Ela já começou o tratamento, agora é só esperar o resultado. Mas tenhamos esperança, hum?- Brittany deixou os ombros cair e sua garganta ardeu, com uma vontade imensa de gritar. Teve vontade de empurrar a avó de si naquele instante por estar tão calma perante aquela situação horrível com sua mãe, com aquele papo de esperança e fé, porém, recordou de Santana, tal conversa que direcionava a paciência e a ponderação. De certa forma aquilo a acalmou, assustadoramente. Enquanto Susan, sentia medo de todo aquele silêncio da neta e já esperava uma horrível retaliação.

—Você tem razão.

—Então, aquilo que eu disse... É o que?- se tivesse algo na boca, Susan teria morrido engasgada com aquilo.

—Disse que você tem razão. Só não me manda ter paciência a todo momento. Isso me tira do sério de um modo que, urrr- fez uma careta – Mas quero ficar tranquila. E a mamãe vai ter que me engolir, uma hora ou outra.

—Você tem de ir com calma com ela, Britt. Sua mãe está...

—Eu sei- disse agora com uma voz nervosa, porém respirou fundo e diminuiu o tom- Me deixa fazer do meu jeito, tá? Sem estresse. E quanto a paciência...- tocou no nariz da avó, que nem ela fez-Tenha a senhora- e beijou a bochecha da loira mais velha, que ficou sem palavras- Vovó, você sabe por que a Santana ainda não desceu? Ela é sempre a primeira a estar na mesa antes de mim.

Susan pareceu pensar muito bem no que responder a neta.

—É melhor deixar a San quieta hoje. Não vamos incomodá-la- aparentava intranquilidade.

—O que ela tem, vovó?

—Nada, filha. Só está indisposta- desconversou.

—Vovó...

—É hoje, Brittany. É aniversário dela.

—Sério? E por que isso parece tão ruim?- se intrigou, cruzando os braços.

—É também aniversário da morte do seu pai, B. E ela fica extremamente deprimida nesse dia.

—Oh. Ela havia mesmo comentado isso para mim, ontem à noite.

—Por isso eu digo para deixá-la tranquila, na dela.

—Pelo contrário, vovó. Ela precisa provar do mesmo veneno- Brittany olhou sinistramente para a avó e depois saiu correndo, escada acima- Cuida do Char para mim? Obrigada.

—Brittany, espera. O que você vai... A que coisa- a senhora levou a mão a cabeça, temorosa.

Enquanto isso a loira se aproximava do quarto de Santana, entrando com cautela quando percebeu a porta aberta. A cena seguinte foi de perfurar seu coração.

Santana estava agarrada ao seu travesseiro, sobre ele, uma camisa na cor ciano no qual ela apoiava a cabeça e derramava algumas lágrimas sofridas. Brittany nunca imaginava que poderia presenciar algo assim de Santana e muito menos que teria esse sentimento tão forte que lhe empurrava a ela agora.

Foi então que a loira com cuidado subiu na cama de Santana, engatinhando até ficar atrás do corpo moreno e assim a abraçando naquela posição de conchinha.

—Britt?- Santana se assustou com o contato – Espera! O que faz aqui? Deveria estar se aprontando para a escola.

—Não deveria, não. Cala a boca – se aprofundou no abraço e suspirou no pescoço de Santana, que sentiu-se arrepiada.

—Você precisa ir para o colégio. Hoje começa sua detenção, não pode faltar.

Sem esperar por isso, Santana foi puxada por Brittany para ficar de frente a ela, com suas testas em contato.

—Você precisa de mim, San. Só estou retribuindo o que você faz por mim.

—E o que eu faço por você?- Santana enxugava as lágrimas ao falar.

—Não desiste do que eu preciso. E eu sei do que você precisa. Agora vem cá, porque eu sei também o que você está sentindo agora.

Com isso, Santana não se suportou e chorou como uma criança ferida. Ali, abraçada a Brittany, alguns anos mais nova que ela, uma senhora dor de cabeça, mas de um abraço magnífico e significante.

—Ele morreu por mim, Britt. Ele me deu oportunidade de viver, de ser o que sou, de ter o que tenho... E eu sou tão grata. Mas não consigo não sofrer.

—Você é humana, San. Não pode carregar o mundo nas costas- acariciou os cabelos morenos ao falar.

—Céus, isso dói muito. Britt, não deixe meu filho me ver assim, eu te imploro.

—Shiii, San. Eu cuidarei disso. Agora descanse e depois você me conta do seu pai bacana.

Santana acabou por sorrir.

—Sim, ela era demais. O melhor homem do mundo.

—Era? E o que mais?- perguntou. Tentando descontraí-la.

O olha apagado de Santana se mostrou encantado ao responder.

—Ele me deu o mundo.

Notas finais
Pois é, é isso. Mais uma vez, desculpem pela demora e pelo o cap em si, mas de certa forma ,vai me servir como um gancho. O que acharam da atitude da Britt? Beijo no capô do fusca de vocês.