A liberdade em um olhar
17 Seria um equívoco?
Notas iniciais
A liberdade em um olhar
—Vamos lá, comece pela blusa. Tire!- Brittany dizia autoritária enquanto Santana resmungava algo ininteligível, encostada a parede do banheiro, quase escorregando por ela.
—Isso é mesmo necessário? Eu só preciso ficar na cama.
—Santana, você está ardendo em febre. Temos que baixar sua temperatura- a loira já começava a ficar impaciente.
—Eu estou bem, Brittany. Eu juro. Vamos voltar para a cama, por favor. Estou adorando gozar de sua maravilhosa companhia.
De braços cruzados, expressão aborrecida e o pé batendo freneticamente contra chão, Brittany encarava a morena a sua frente, banhada na moleza, como se fosse uma criança birrenta e malcriada, e teve uma sensação de estar sentindo um gosto de algo familiar.
“ Será que é assim que a vovó se sente quando eu implico com ela? Aff!”. A loira pensou encarando Santana.
—Você vai tomar banho agora, Santana. Nem que eu tenha que arrancar sua roupa.
Dito isto a loira se deu conta do que falou e ficou absurdamente vermelha, embora Santana sequer ter dado sinais de ter percebido ou levado para o lado errado da coisa. Se é que a latina tinha esse lado. Ela parecia ser do tipo “ certinho demais”.
-Agora você que está sendo a chata aqui- Santana choramingou, praticamente abraçada contra a parede.
A advogado era conhecida por sua seriedade, simpatia e firmeza ao levar sua vida com as pessoas ao seu redor, com seu trabalho e filho. Porém, poucos sabiam, que quando Santana adoecia, era como se voltasse a ser criança. Uma moleza e carência de dar dó. Só dona Susan conseguia confortá-la em momentos como esse. Agora Brittany tentava sem a ajuda da avó e aparentava estar falhando miseravelmente.
— Santa teimosia!- Brittany batia na própria testa. Se aproximou, enfim, de Santana, e pegou em cada lado debaixo da sua blusa- Vamos, levante os braços.
—Mas...
—Não quer que eu chame a vovó, quer?- ameaçou. Santana fez uma careta amedrontada e concordou com um balançar de cabeça- Boa garota. Agora levante os braços.
Dessa vez Santana acatou sem demora e logo erguia os braços para que Brittany lhe ajudasse a retirar a blusa. Quando o fez, a loira não pode deixar de olhar para a parte do corpo descoberto da latina e corou ao virem pensamentos sobre a definição dela e como era bonita cada parte sua.
—Minha genética é muito boa, sabe?- Santana sorriu de canto, fazendo a loira ficar embaraçada por encarar tempo demais a barriga da outra. Como ela conseguia notar isso? A adolescente se perguntava, pasma.
—C-Certamente. Hahaha- Brittany ria, totalmente sem graça. Chegou a bater na própria cabeça, se praguejando por dentro.
—Posso tirar minha calça de pijamas, ou você faz questão de fazer isso também?- Santana brincou, com as mãos nas laterais da calça.
Mais uma vez Brittany se atrapalhou, e com isso respondeu a própria pergunta anterior sobre Santana ter um lado sacana. E ela tinha, porém era terrivelmente sexy.
—Eu estava brincando, querida- riu da outra, tossindo em seguida.
—Para alguém que está com quase 40 graus de febre, a senhorita está muito engraçadinha- repreendeu a outra, empregando sarcasmo em suas palavras. A outra riu, divertida.
Brittany começou então a recolher as roupas de Santana, colocando-as no cesto de roupa sujas em seguida. A morena estava agora só com as roupas debaixo, com os braços atados ao corpo no intuito de se manter aquecida. Parecia que ia congelar a qualquer momento.
—Vamos logo com isso, hum? Me dê aqui suas mãos.
—OK. Qualquer coisa para acabar com essa sensação horrível- Santana reclamava enquanto dava as mãos a loira, e esta, a conduzia até o box, ligando o chuveiro.
—Levanta o pé, San. Espera... O outro. Isso. Já pode ficar debaixo. Se apóia ali. – pegou a não da advogada e a posicionou em um suporte que ficava no canto do box.
—Jesús!- Santana gemia debaixo da água forte do chuveiro. E como reação ao estado gelado da água, ela se assustou e instintivamente agarrou-se a Brittany para escapar do frio, molhando-a inteira.
—Santana!- a loira estava boquiaberta, vendo suas roupas e cabelos encharcarem completamente- Você me molhou.
—Me desculpe. Mas fica aqui comigo, por favor- quase implorava, apertando o abraço no corpo alvo, assustada.
—O que foi? Eu sei que a água está um pouco gelada demais, mas você parece estar apavorada- encarou a morena a sua frente, intrigada.
—Más... Más recordações- Santana tremia o queixo, deitando a cabeça no ombro de Brittany, que acabou cedendo e a abraçou.
—Calma. Vai passar. Isso é para o seu bem. Para abaixar sua temperatura- dizia enquanto acariciava cima à baixo as costas de Santana.
—Nunca passa. Ela não passa. No final, a água gelada sempre volta. Eu odeio isso. Ela vem o leva, todas as vezes. Leva junto também a luz dos meus olhos.
—Céus, você está delirando, San- Brittany repousava a mão sobre o rosto moreno e fitava os olhos castanhos ficando cada vez mais inquietos- Nunca imaginei que poderia te ver assim, tão frágil.
—Não, Brittany, estou tão lúcida quanto antes. Só odeio essa sensação- fechou os olhos, ao falar- Me faz reviver tudo aquilo novamente. E já faz tanto tempo... Tempo demais. Eu odeio a água.
As palavras de Santana deram um choque nas lembranças da loira. Nesse momento, flashes retornaram a sua mente do dia fatídico em que receberá notícia da morte do pai.
Brittany estava no quintal da sua casa, ocupada na armazenagem das coisas compradas mais cedo essa manhã, na loja ferramentas. Eles tinham uma pequena cabana, onde guardavam os materiais de construção e outras tranqueiras qualquer que poderiam causar entulho na casa.
Kennedy corria pelo quintal, se divertindo ao chutar uma bola de futebol de uma ponta à outra do terreno.
—Bee, vamos jogar!
—Não posso agora, Ken. Estou arrumando as ferramentas do papai.
—Por favor- o garoto fazia bico pidão. Brittany riu da manha.
—Não inventa. Papai está chegando aí e você sabe que ele gosta de suas ferramentas impecavelmente arrumadas.
—Mas ele chega só amanhã.
—Eu sei. Porém eu tenho trabalho do colégio para fazer. Quer que eu reprove?
—Talvez.
—Talvez?- ela o olhava, com uma careta engraçada.
—Sim. Seria bacana você me esperar para que façamos ensino médio juntos- a mais velha soltou uma gargalhada.
—Não, Ken. Assim eu só vou me formar com 70 anos.
—Ah, para. Você não é tão mais velha que eu, sua chata.
—Do que você me chamou?- Brittany indagou, fazendo cara de brava.
—C-H-A-T-A. Chata.- sorriu, desafiador.
A adolescente levantou-se rapidamente e passou a correr atrás do irmão caçula, que tentava de tudo para fugir das garras da outra, que com toda certeza se o pegasse, iria torturá-la por um bom tempo com cócegas e mais cócegas. Seria bem a cara dela. Porém, o bater da porta do quintal e o aparecimento da mãe dos dois ali, os fizeram cessar a brincadeira preocupados. O semblante dela não era dos melhores.
—Mamãe?- Brittany chamou, se recompondo.
—O seu... O seu... Ele... O seu pai... – ela dizia, desorientada. Em seguida, a senhora caiu de joelhos no chão, deixando cair também um papel mais a frente.
—Mamãe!
Os dois gritaram e correram na direção da mãe.
—Ken, vai buscar um copo com água para ela. Rápido!-Brittany gritou para Ken, o garoto extremamente assustado com a situação da mãe, acatou meio sem saber o que fazer- Mamãe... O que foi? Aconteceu alguma coisa?
—Perdi meu chão, minha filha. Eu... – ela agarrou então as mãos da loira e pôs seu rosto entre elas- Perdi seu pai. O meu amor.
—O papai? Não vai me dizer que...
—Sim. Morto em batalha. Uma bomba estourou e-e ele não conseguiu a tempo porque estava ajudando uma criança. – Rose dizia, anestesiada. Brittany já tinha os olhos marejados, sem acreditar no que ouvia sair da boca da mãe- E-E a criança saiu, mas ele ficou preso. Meu Deus... Por que?
Dali em diante foi como se Brittany houvesse perdido a noção de respirar, de raciocinar... Estava confusa. Havia falado com o pai pela web cam na noite passada. Ele parecia estar tão bem, tão feliz por voltar para casa em breve, e agora essa notícia de que ele nunca voltaria para junto da mulher e dos filhos.
—Papai...
Ela repetia, como se a simples menção de seu nome o fizesse aparecer ali, são, salvo e sorridente.
Mas de fato, sequer seu corpo fora encontrado para ser devidamente velado pela família. Enterraram um caixão vazio, coberto com a bandeira americana e tiros de seus de colegas em formas de honraria. Banhado com as lágrimas de sua família e com o ódio de Brittany pela fatalidade que a vida lhe proporcionara.
—Brittany?- ouviu a voz de Santana lhe chamar e assim caiu em si.- Você ainda está aqui? Ou será que apartei o abraço demais e acabei te matando?
—Estou aqui.
—O que foi?
—Lembranças.
—Ruins?
—A pior- suspirou ao responder.
—Quer falar sobre?
—Ainda não é o momento para falar sobre isso... Principalmente na sua situação.
—Eu respeito- a latina acariciou as costas da loira- Me alegra saber que você se preocupa comigo.
—Não enche!- Brittany rolou os olhos e riu, dando um leve empurrão no ombro da latina, que riu de volta.
— Posso te contar um segredo, B?
—Pode.
—Um bem íntimo e cabeludo?- fazia suspense, com um semblante de preocupação.
—Pode, San- a loira consentiu, começando a sentir medo com o que viria.
—Pois bem... Eu... – suspirou profundamente- Estou começando a enrugar debaixo dessa água gelada.
—Santana!- Brittany gritou, pasma, e estapeou o braço de Santana quando ela começou a rir sem parar- Eu achava que era algo sério.
—E não é? Ficar enrugada debaixo de água não é nada sexy.
—E como pode saber se algo é sexy ou não? Você não enxerga.
—Não, de fato- falou mansinho ao pé do ouvido da outra- Mas eu sei onde tocar perfeitamente para saber.
A loira não sabia se era a temperatura da água ou pelo fato de Santana começar a dedilhar com a mão pela lateral de sua cintura até subir pelos braços e parar pelo pescoço em uma massagem confortável, a arrepiou daquela forma e a fez saltar para o outro lado do box, toda desconcertada.
—Eu agi de maneira indevida com você, querida Brittany?- Santana se preocupou em perguntar.
—Eu só estou começando a ficar com frio. Vamos sair?- disse, limpando a garganta logo em seguida.
—Vamos sim- Santana sorriu tranquila. Fechou o registro do chuveiro atrás de si- Me ajuda?
—Claro- a adolescente lhe estendeu a mão e a auxiliou a sair com cuidado.
Santana poderia sair dali tranquilamente, sem problema algum e sequer precisava da ajuda de Brittany. E ela sabia disso. Porém, estar perto da garota lhe fazia bem. Uma paz indescritível assolava seu coração e só de pensar estar longe desse novo vicio, a fazia se sentir vazia.
—Você é um amor, Brittany.
A revelação fez a garota congelar.
—Não sou, não. Só estou sendo simpática.
—Não. Você está sendo perfeita. E demonstra que se preocupa comigo. Mesmo me chamando de chata o tempo inteiro- fez uma careta engraçada ao falar.
—Mas você é chata. Não... – soltou uma risada quase nervosa, levando as mãos a cintura- Meu Deus, você é muito chata. Chata... Pra... Caralho. Chatíssima. Nossa senhora. E implicante. Parece que nasceu pra me atazanar.
Pelo contrário do que se imaginaria com essa explosão de revelação, Santana começou a rir como uma criança boba. O jeito que Brittany falava aquelas coisas era de longe a coisa mais engraçada que já havia falado dela.
—Você não deveria rir quando alguém te insulta.
—Isso não foi um insulto para mim, querida Brittany. Está mais para uma crítica construtiva colocada de maneira brusca- Santana deu de ombros. Brittany rolou os olhos.
— Como eu disse: Chata. E você não está se enxugando direito.
—Não?- perguntou, intrigada. Era assim que se enxugava a vida inteira.
—Não. Assim vai acabar com a sua pele, faça em outro sentido. Seja mais delicada.
—Assim?- Santana tentava ajustar a sua forma a que Brittany lhe aconselhou. A adolescente balançou a cabeça em desaprovação.
—Passa a tolha pra cá- Santana a entregou, mesmo sem entender direito o que a loira queria expressar.
Brittany então abriu a toalha, observando o olhar inquieto da outra. Mesmo Santana dizendo que é desconfortante para as pessoas que a vissem sem óculos, pela coloração de suas orbes, pela maneira que seus olhos não foquem em nada e ficam agitados em movimentos perdidos, Brittany nunca cansaria de fitá-los. Eram tão diferentes, tão confortáveis, tão únicos a sua maneira, tão... Tristes?
Santana tinha todo aquele jeito de bem com a vida, sorrisos ao vento, simpatia esbanjadora, porém, quando ela estava sem aqueles misteriosos óculos, Brittany podia sentir tristeza vindo de seu interno através daquelas janelas escondidas e embaçadas que a neblina tomou tão precocemente.
Seria Santana uma pessoa que esconde sua tristeza através de óculos escuros e um sorriso encantador? E por que Brittany estava se questionando sobre isso?
—Venha aqui, San.
Ao pedir aquilo, Santana se aproximou, sendo envolvida com a toalha por Brittany, que começou a delicadamente lhe enxugar da maneira que acreditava ser a correta e menos agressiva a pele.
A latina, que permanecia calada pela primeira vez, sentia cada célula do seu corpo agraciada por aqueles toques cuidadosos e acalentadores. E aquela proximidade tentadora? Seus sentidos apontavam gritantemente que se ela se movesse em um passo apenas, poderia alcançar o paraíso tocando nos lábios adocicados de Brittany Susan Pierce. E esta, por vez, deixava a concentração dos cuidados à suas mãos, enquanto que seu olhar estava indeciso em fitar as expressões de agrado de Santana e a seus lábios carnudos e convidativos.
—Seu coração está acelerado- Santana expôs, deixando Brittany desconcertada. Ela apenas envolveu a morena melhor na toalha e a soltou, passando a procurar seus calçados – Desculpe por dizer isso, mas não precisa envergonhar-se- sorriu, sincera- Porque o meu também está. Sinta.
Santana buscou a mão de Brittany e a repousou sobre seu peito, recebendo assim uma expressão surpresa da garota quando sentiu seu coração enlouquecido no peito.
—Acho que enfim chegamos a sintonia que eu queria.
—Que sintonia?- a loira perguntou, intrigada.
—O que o seu coração quer, o meu responde o chamado.
— Poxa, Santana- mordeu o lábio, contrita. Respirou fundo- Você também não ajuda.
— Mas o que eu fiz?
—Nada- emburrou-se logo em seguida.
Santana mal pode raciocinar a alavancada de Brittany a sua direção e logo sentia os lábios da loira sobre os seus e os braços alvos por seu pescoço, puxando-a para mais perto, e profundamente mais íntima de seus quereres. Teve que se apoiar em algo atrás de si para não cair.
—Você, hum... – sentiu o lábio superior ser sugado pela loira- É bem imprevisível, querida Brittany. Achei que quisesse um tempo para pensar.
—Quem há de pensar em tempo em uma situação como essa?- prensou a morena contra a parede do banheiro e suspirou sobre os seus lábios- Você me deixa confusa e isso me enfurece. – sugou fortemente a boca da outra, sentindo seu gemido e se agraciando com isso- Me enfurece porque eu odeio estar a mercê de algo e o que você me faz sentir está me viciando como uma idiota... E em tão pouco tempo.
—Sempre fui um tanto precoce mesmo- Santana brincou, dando de ombros. Brittany se apoiou aos ombros morenos para aprofundar melhor o beijo.
—Cala a boca. Eu te odeio.
—E eu te desejo- expôs para a adolescente, com a boca próxima a seu ouvido, quente e sensualmente.
Brittany sentiu um calor subir por seu ventre e perfurar seu coração. Logo estava arrancando a toalha de Santana e afundando seu corpo ao dela sem pudor, sem sequer também raciocinar que nunca havia feito sexo com alguém para agir daquela forma tão voraz e desleixada.
Santana agarrou seu quadril e girou ambos os corpos, passando assim a dar atenção a ao pescoço alvo da outra, beijando-o de maneira que arrepiasse cada singelo pelinho loiro de seu corpo. Brittany arqueou os ombros, como se entregasse mais o pescoço para Santana fizesse ainda melhor o que aprontava.
Brittany foi empurrada até pia mais próxima e se perguntou como Santana sabia que a mesma estava ali. Sentada logo em seguida na peça, a loira foi acariciada da cintura até o busto e percorrida do pescoço até os lábios pelos os carnudos de Santana, que parecia outra pessoa quando o assunto passou a ser um amasso quente e mal comportado.
—Posso fazê-la minha, querida Brittany?- pediu da maneira mais sexy que Brittany pode deduzir naquele momento, com direito a mordida no lóbulo da orelha e movimentos das mãos cessados com as de Santana prendendo as suas contra a base da pia.
Nada pode dizer, só sentir e gemer perante as carícias ousadas que a latina estava lhe fazendo com todo gosto, em busca daquele sabor com cheiro agridoce que era a pele e alma daquela loira marrenta, porém encantadora.
Brittany nunca havia se sentido assim com ninguém antes. Conforto em uma situação íntima essa a ponto de querer se entregar de qualquer forma e em qualquer lugar a alguém que ela mal conhecia e muito pouco se dava bem... Bom, pelo menos no começo.
Porém com Santana era diferente. Aquela mulher era indiscutivelmente bondosa, amável, para Brittany “ extremamente chata”, e sexy como um poço de feromônios para muitos que só levavam o fato de que seu jeito e corpo era gostosos o suficiente para vetar o fato de que ela não enxergava sequer um clarão de luz há 17 anos. Não que isso fosse algum problema. Só o fato de que alguém com sua incapacidade saber como deixar alguém ouriçado com seus toques e suas ações.
E Brittany estava usufruindo e muito bem dessa habilidade da morena, esta que a loira agora replicava os beijos a seu pescoço.
—B... Nossa!- a morena deixou escapar, agradada.
Ambas estavam fora de si pelo momento, pela entrega, pelas sensações que cada uma causava a outra a sua maneira, porém, para Santana, algo lhe fez acordar como um estalo. A voz doce e carinhosa de dona Susan, que dizia confiar na latina até no fim de sua vida. Isto, então, fez com que a chefe da casa Lopez caísse em sim, lembrando do lugar aonde estavam, da idade da garota que estava dando sinais que iria até onde ela bem quisesse e o gritante fato, pela forma que a garota tremia ao ser tocada em lugares mais íntimos, que ela ainda era virgem. E isso ia contra a sua moral.
—B, espera... – ela pediu, mudando a direção do rosto para desviar assim dos saudosos beijos adocicados da loira.
—humm... A gente fala depois, San.
Brittany segurou o rosto de Santana e a embriagou com um beijo digno de esquecer como se respira.
—B, por favor. Eu preciso...- apoiou as mãos aos ombros de Brittany e cuidadosamente a afastou- Espere, por favor.
—O que foi?- intrigou-se ao perguntar visivelmente irritada- Não está gostando? Porque foi o contrário do que me pareceu.
—Não, não. – se apressou em dizer e segurou a mão da loira entre as suas- Foi o beijo mais gostoso que eu recebi.
—Então?
—Sinto que estou fazendo algo errado, B. E isso me incomoda.
—Errado? Ambas estamos afim, o que de mal tem nisso?- a loira franziu o cenho, levando as mãos a cintura, demonstrando todo seu descontentamento. Mesmo que Santana não pudesse vê-lo. Mas ela iria sentir. E sentia.
—Sua avó... Minha dona S. Sinto que estou faltando com sua confiança- pôs uma das mãos contra o rosto e apertou a têmpora com o polegar e indicador- Você é neta dela... Uma adolescente. Veja só até onde cheguei por desejar tanto algo... Você só tem 17 anos.
— E daí? Que droga, Santana. Isso é tão retrógrado. Idade é só um número.
—Eu respeito você. Demais! Como vou fazer com que acredite nisso, sua família, se me encontro aos amassos com você dentro de uma banheiro, sobre uma pia? Minha nossa... Que grosseira eu fui. Desça daí, por favor.
A latina se sentiu desesperada por suas ações e rapidamente tomou a mão de Brittany para lhe ajudar a descer da pia, porém, esta não gostou nada da retrocedida da latina quanto ao que faziam, por seus motivos, segundo ela, sem noção alguma. Bruscamente ela afastou a mão de Santana e desceu sozinha do objeto.
—Está brava?
—Brava? Eu? Jamais!- Brittany respondeu cinicamente e com um forte sarcasmo.
Cruzou os braços, brava. Santana tinha os olhos mais inquietos que a outra já presenciou. Ela parecia agoniada pela situação. E de fato estava.
—Eu sinto muito- Santana tentou tocar na loira, porém a mesma se afastou- Eu só quero fazer o que é certo, Britt. Fazer dar certo. E eu a quero tanto. Mas em verdade devo respeitá-la acima disso se a quero ao meu lado como minha companheira. E sei sinto que ainda é virgem...merece muito mais que uma simples relação sexual sobre uma pia.
Ouviu uma gargalhada forte da outra em descaso.
—Você é uma graça. Como eu suspeitava. Só mais uma riquinha querendo dar uma de romântica... Só para se por entre minhas pernas.
—O que? Como pode pensar isso de mim? Eu só estava...
—Tentando me iludir? Acha que eu acredito que alguém como você quer compromisso comigo? Uma ninguém de uma cidade pequena e de uma família esfarrapada. Ah, vá se ferrar, Santana. Eu não caio nessa. E quem te garante que eu ainda sou virgem? Isso nem é da sua conta para começo de conversa. E quer saber? Tchau! Isso que dá tentar ser simpática com os outros.
E se pôs a sair depois de revirar os olhos. Santana estava boquiaberta, incrédula pela reação da loira. A única ação que teve foi procurar a parede mais próxima para apoiar o corpo e ir deslizando até sentar no chão.
—Mas... Como pode alguém tão cabeça dura? Eu só quero protegê-la... Amá-la- a latina suspirou- Ela ainda está tão machucada... Eu sinto. Mas o que fazer quando ela não quer me deixar ajudá-la a sarar?
Descendo a escada, uma irritada Brittany descia como um foguete desenfreado. Passou pela avó, que se assustou com sua aparição repentina e a ignorou quando a mesma perguntou porque ela ainda não estava na escola. Rumou até o jardim, passando a chutar e socar uma árvore sem se preocupar em machucar -se com essa ação impensada de raiva.
Só uma coisa veio em sua cabeça agora. Pegou o celular do bolso e revirou por entre seus contatos recém adquiridos nas festas que foi com Kitty pela grande Nova York e clicou no seu último enlace. Um cara tatuado, alguns anos mais velho, que costumava dar festas escondidas em propriedades privadas.
O telefone chamou uma, duas, três vezes e...
—Alô? Pensou em diversão, aqui estou.
—Pierre?
—O próprio. Acho que estou reconhecendo sua voz. É a amiga gostosinha da Kitty, não é? – supôs, com malícia na voz.
—Me contenta saber que ainda lembra de mim.
—E não tem como lembrar? Passei a noite toda olhando pra sua bunda maravilhosa.
—Engraçadinho- ela riu do outro lado- PI, tem alguma festa pra hoje para me encaixar?
—Te encaixo aonde você quiser, minha delícia. Tem um barato novo pra rolar hoje ainda, já que perguntou. Na casa de comendador que vai passar uns dias na França. Diversão certa.
—Tô dentro. Me manda o endereço.
— Nem precisa pedir. Acabei de fazer isso. Haha!
—Vou ficar te devendo uma. Até a noite, PI.
—Até a noite, gostosa. Se liberar o ouro hoje, te levo em um local VIP, só nosso. É prazer na certa. O comendador tem uma banheira gigante de hidromassagem.
—Até la, Pierre!
E encerrou a ligação. Sua expressão era séria, por um segundo cogitou em retornar a ligação para Pierre e cancelar aquela loucura, porém decidiu ir até o fim. Se ninguém a levava a série, nem mesmo Santana, ela mostraria a todos que não precisava de proteção. Que Brittany S. Pierce sabia cuidar de si mesma.
—Não sabe o que vai estar perdendo, Santana Lopez.
Fale com o autor