A liberdade em um olhar
12 Perdendo a noção de gravidade
Notas iniciais
Santana entrava no quarto do filho sorrateiramente. Ao abrir a porta já imaginava Charlie vir correndo a sua direção e pular no seu colo, como sempre fazia ao acordar. Mas dessa vez isso não ocorreu.
—Char?- chamou em quase um murmuro e só obteve como resposta um roncar baixo do filho que ainda estava por dormir desde o momento que lanchara com as mães na cozinha e caíra no sono, estando totalmente espalhado na cama com quase as pernas para fora. A latina sorriu, imaginando do que se tratava, Charlie era um menino elétrico, que gostava de estar na bagunça, mas quando cansado, hibernava como um urso e ninguém conseguia fazê-lo despertar sem briga e muito choro do pequeno que se tornava um exímio preguiçoso nesse estado. Santana andou com cautela até a cama do filho, repousando sua querida bengala Violet ao seu fim, sentando-se assim do lado do pequeno. Ao passar as mãos por seu corpo miúdo, percebeu o quão bagunçado Charlie estava ao dormir. Fez o que pode para corrigí-lo, por final cobrindo-o e depositando um beijo demoradamente carinhoso no topo de sua cabeça.
—Já está na hora de acordar, mamãe San?- Char piscou os sonolentos olhos esverdeados tão idênticos aos de Quinn, depois os coçou, mostrando ainda muito sono por ai. Santana pegou uma das pequeninas mãos do filho e levou a sua própria bochecha, para afagá-la. Estava um pouco gelada.
—Não, meu amor. Durma mais, se quiser.
—Uhum... Mas quero um copo de leite antes... E biscoitos. Dormir muito me dá fome e sede de ogro- Santana riu, puxando o filho para mais perto de seu corpo de uma maneira protetora, mas também como forma de matar a saudade, e o abraçou apertado- Senti muito sua falta, mamãe.
—Também senti a sua, querido. Não tem como eu ser a mamãe San sem você aqui, faz falta ser chamada assim.
—A gente se fala todo dia pelo telefone.
—Não é a mesma coisa, Char. Quando você for pai, vai entender o quanto isso é doloroso.
—Desculpa, mamãe San. Não quero que se sinta mal por minha causa- acariciou o queixo da mãe latina, se agarrando a sua cintura depois.
—Não é culpa sua, macaquinho. Não se desculpe.
—Então eu vou te apertar até você não ficar mais triste, pode?- Santana riu.
—Pode, Char... Você pode tudo- os dois se abraçaram forte. Charlie soltou uma risadinha sapeca- Que foi?
—Estava pensando aqui, a babá é muito bonita.
—Bem, parece que sim, pelo que percebi por sua animação- a morena então se afastou um pouco do filho, deitou-se melhor na cama ao seu lado e ficou testa a testa com ele, como sempre faziam ao tratar de qualquer assunto ou decorrência entre eles. Sempre retirava os óculos para isso. Char era a única pessoa para quem Santana conseguia deixar mostrar seus olhos sem vida sem se sentir desconfortável. O pequeno sempre fazia carinho em suas pálpebras, para deixá-la mais tranquila assim. Se tinha uma coisa que Charlie havia herdado de Santana era seu jeito meigo e carinhoso, era realmente indiscutível. Quem os via juntos não podia negar que entre os dois havia mais que amor materno, uma intensa amizade pairava ali- Sei que a beleza chama atenção de qualquer bom apreciador, mas você ainda é um bebê para se ligar tanto a isso.
—Acho ela bonita, muito, mas não nesse sentindo de bonita pra mim.
—Não? E por que é, senhor Char?- cutucou a barriga do filho, que se comprimiu de cócegas, deixando escapar uma gostosa gargalhada sapeca.
—Por você, oras. Na verdade, pra você.
—Pra mim?
—Sim- ele deu de ombros, como se fosse a coisa mais notável do mundo. Santana crispou os lábios- Se ela for tão legal quanto for linda, seus problemas de solidão acabaram, mamãe.
—Charlie! Eu não estou sofrendo, nem vivo na solidão. Eu tenho a Dona S, tenho você...
—Que não estou sempre aquiiii — o pequeno cantarolou, brincando com uma mexa de cabelo da mãe, entre os dedos- Precisa de alguém de esteja o tempo todo para você, como era com a mamãe. Não como você, mamãe, e eu, Char, precisa mais mamãe e mamãe. Entende?- se embolou inteiro, o que fez Santana rir- É aquela coisa de melamento... Relamento.. Relaciocimen... Não sei pronunciar essa palavra.
—Relacionamento, filho.
—Obrigado... Mas você me entendeu, não é?
—Sim, entendi. Mas eu não sinto nada por Brittany, muito menos posso namorar ela. É mais nova que eu.
—Se tratar de amor, ninguém pode prender você por isso.
—Pode sim.
—Você é a melhor advo... Advo...
—Advogada, filho.
—Isso... Advogada. Eu me enrolo em algumas palavras.
—Você só tem cinco anos, Char... Só nessas horas que me lembro sua idade. Quando você é fofo e pequenino demais para saber pronunciar certas palavras, mesmo sendo tão inteligente- ela agarrou o filho e apertou entre os braços.
—Enfim... Mamãe, você é a melhor advogada do mundo, pode se defender.
—E quanto ao coração?
—Ele aprende a amá-la como eu acabei de aprender a falar a palavra advogada. Tudo é questão de prática.
—Quem que te ensina essas coisas, hein?- indagou, de sobrancelha erguida. Charlie escorregou pela cama e começou a pular sobre ela.
—Não revelo meu fornecedor por nada- pulou para fora da cama e saiu correndo- Vou buscar meu leite com a vovó... Pense no que conversamos.
—Charlie!
—Se não for com ela... Deve ter outro anjo para você. Mas eu não demoraria tanto tirar a limpo... Esses tipos de pessoas acabam rápido das prateleiras- sussurrou a última parte, como se fosse um grande segredo, depois sumiu pelo corredor. Santana sorriu de canto, balançando a cabeça negativamente.
—Essas crianças de hoje...
Logo a latina caminhava calmamente, passando pelo corredor que separava o seu quarto do de seu filho. Ao abrir a porta, deixou um sorrisinho brincalhão pintar seus lábios carnudos ao constatar algo por ali.
—Existem mais quartos e camas nessa casa, sabia, Fabray?- a loira sobre sua cama, apenas de camisola mínima, deixou escapar uma risadinha maliciosa. Mesmo depois de tantos anos ela ainda se perguntava como Santana conseguia ser tão sensitiva, tão alerta com as coisas mesmo faltando um dos sentidos principais como a visão. Nada escapava daquela latina e isso assustava.
—É, tem sim, mas só essa tem seu cheiro.
—Uhhh... Então você quer meu cheiro, senhorita?
—Talvez? Me surpreenda- encarou a latina, com feições provocantes, mesmo que sua ex não as pudesse ver, e a mesma sorriu de igual forma, deixando sua bengala encostada em um móvel, tirando o suéter cinza que comportava seu corpo cansado e o jogando no pé da cama.
—Eu vou, Fabray... Agora, surpreenda-se... — a latina então, fez um olhar extremamente sensual e retirou seus óculos, os deixando onde havia repousado sua bengala. Andou sinuosamente até a cama, e quando já bem mais perto, saltou sobre Quinn na cama, começando a lhe fazer cócegas sem limites. A loira se contorcia na cama, rindo alto ao mesmo tempo em que começava a tentar se soltar da tortura em forma de brincadeira- Então, Fabray, surpresa?
—Idiota... Eu odeio quando você faz isso... Santana!- a latina passou os cabelos no rosto da amiga depois a soltou, sentando-se no início da cama.
—Pronto, Fabray, agora você tem meu cheiro.
—Idiota!- jogou o travesseiro que foi certeiro na cabeça de Santana- Desse você não desvia.
—Ai!
—Achei que você fosse mais ágil.
—Às vezes eu penso que você acha que eu sou algum tipo de super herói cego... Como o Demolidor, por exemplo.
—Você tem todos os pontos ao seu favor... Perdeu a visão quando criança tão qual a seus pais, tornou-se advogada, é toda misteriosa, sem falar que, devo admitir, é muito charmosa e gata- Santana jogou os cabelos para o lado, metida. Quinn riu- E tem um senso de justiça e uma forma de ver o mundo bem estranha.
—Sou uma visionária, minha querida... Aceite!
—Você é maluca, isso sim- as duas caíram na risada.
—O que você faz no meu quarto, que mal lhe pergunte? Achei que fosse dormir cedo.
—Vamos lá, você sabe que eu morro de medo de ficar sozinha em um quarto dessa casa sinistra desde que éramos casadas. Deixe de ser mesquinha e aceite que eu durma com você, como sempre faço quando fico aqui.
—Quer ficar na minha cama comigo, é, Fabray? — a latina perguntou, em um tom safado, escorregando a mão pela cama até tocar nas pernas desnudas de Quinn, que lhe deu um tapa ali mesmo.
—Sem brincadeiras, Lopez. Eu tenho um chinelo duro e não tenho medo de usar.
—Depois a chata sou eu... Sabe nem brincar- revirou os olhos, retirando os chinelos e os alinhando ao pé da cama. A latina era muito organizada com suas coisas. Nada ficava fora do lugar em seu quarto. Era muito pouco o que Susan tinha de organizar ali e isso às vezes virava briga porque isso fazia parte de seu trabalho na casa e a patroa não a deixava realizá-lo- O lado esquerdo é meu.
—Como sempre... A mais ativa da relação.
—Morra de inveja, sua bruxa- a loira empurrou a amiga com o pé, fazendo-a quase cair da cama.
—Mais cuidado com a cega, pelo amor de Sócrates- Santana pôs a mão no peito, altamente fingindo espanto. Deitou-se ao lado de Quinn, onde a mesma entrou também nas cobertas e cobriu a amiga, aconchegando-se a ela ao abraçar sua cintura e esconder seu rosto a seu pescoço- Só ouço desculpas e mais desculpas sobre um certo medo da casa, porém só percebo motivos pra ficar agarrada a mim a noite inteira. O que acha sobre isso, Fabray?
—Que você é muito metida e espero que nosso filho não puxe isso seu.
—Tarde demais- Santana deu de ombros. Quinn abraçou mais sua cintura.
—Admito que seu corpo é muito bom para se aconchegar. Você transmite muita paz e eu sinto falta disso no fim de meu dia de trabalho, desse calor amigável. Alguém que me acalme como você sempre acalmou.
—Mas... — a latina explicitou e Quinn revirou os olhos. Sempre tinha um “mas"quando se tratava de Quinn Fabray.
—Mas... — disse demoradamente- Ainda sinto que não é assim que devemos estar, sabe?
—Estou quieta, Fabray. Não toco mais no assunto, como você sempre pediu.
—Eu sei. Tana, eu sei. Mas por que ainda vejo essa cobrança de sua parte em cada palavra sua? Na sua forma de lidar comigo agora?
—Porque deve ser que, em alguma parte de mim, algo ainda não entende o por quê de você ter escolhido esse caminho. Só isso. Achei que você me amasse o bastante pra fazer dar certo como eu sempre amei.
—Não é algo fácil de se explicar.
—Nunca achei que fosse, mas tudo bem. Eu respeito isso, Quinn. Somos amigas acima de tudo.
—Você é especial, Tana. Muito. Tenho certeza de que vai encontrar alguém que de verdade vai te dar o que você merece.
—Sabe que eu sempre me senti assim com você.
—Mas eu nunca senti estar dando isso a você, querida. Não era justo com você, comigo, com o nosso filho... Nosso casamento não era mais o mesmo. No final de tudo era mais amizade com o passar do tempo. Você entende?
—Claro que entendo. Ao contrario não estaria deixando você me alisar dessa forma- resolveu mudar de assunto logo, antes que aquilo se tornasse um clima chato entre elas. A latina amava muito Quinn para perder esse vínculo de amizade que ainda lhes restara depois do fim do casamento.
—Haha... Engraçadinha. Eu só estou com frio.
—Ok, e eu consigo ver de longe uma ervilha enfiada em uma agulha.
—Santana... Pára de brincar com isso.
—O problema está onde você o coloca, Fabray. Eu rio do meu e você?- a loira ficou sem palavras, apenas abriu a boca e fechou em seguida, voltando a deitar com a cabeça no peito da amiga.
—San?
—Hum?- Santana murmurou, pensativa.
—Se você encontrar alguém melhor,vai esquecer o que tivemos?
—Nunca. São páginas que não podem ser rasgadas da minha mente. Por que?
—Nada... Só conferindo- um sorriso tenro desenhou nos lábios rosados de Quinn, Santana acariciou-lhe os cabelos- Boa noite, Tana.
—Boa noite, Q.
***
Dias atuais:
—Eu vou fazer o que???- Brittany indagou, perplexa.
—Ir pra cama com a versão cega e mais gostosa da Kim Kardashian? Qual é, você viu aqueles peitos? Quase você se esmagou neles- Kitty levou as mãos aos próprios seios, com as mãos um pouco afastadas para frente para simular o que seria o tamanho dos de Santana- Não te dá curiosidade de saber como são?
—Por Deus, Kitty, isso é loucura.
—Essa loucura bem que vai tirar de uma loucura bem pior. O que custa fazer isso?
—Minha integridade?- Brittany levou as mãos para a cintura, em um gesto de: Isso não é obvio?
—E isso existe? Achei que fosse lenda urbana feminista- a loira mais baixa caçoou, deitando-se no banco de forma desajeitada- Então... Topa?
—Isso é insano de se pensar, Kitty. Não posso simplesmente fazer sexo com a Santana- ao dizer isso, a loira pausou alguns segundos, tendo um flash do corpo de Santana em sua mente. Como se uma brisa gélida tivesse lhe tocado o pescoço, Brittany se arrepiou, soltando um leve gemido ao pensar na possibilidade desse envolvimento.
—Você não vai simplesmente fazer sexo com a Selena...
—Santana- Brittany a corrigiu, Kitty deu de ombros.
—Santana... Nome quente, não é?
—Kitty- a loira maior deixou cair os ombros, olhando para sua amiga de maneira contrita.
—Não será um simples sexo, Brittany. Além de que, vai e bem aproveitar, você ainda vai se sair de boa dessa. Vai puxando dinheiro dela o quanto puder e se ela não quiser te dar, você acusa a cegueta lá de aliciamento de menor. E Bang... -lançou um olhar um tanto maldoso para Brittany-... Você nunca mais irá se preocupar com dinheiro. Aliás, nós... Podemos ter tudo que quisermos. E só basta você abrir essas perninhas esticadas e guiar a cega mais gostosa do mundo bem pro meio delas- foi até a amiga, que lhe encarava incrédula, tocando com as pontas dos dedos por uma de suas coxas. Brittany deu um pulinho pra trás e segurou no braço de Kitty.
—Você tem que ir.
—Mas eu mal cheguei- a loira menor e problemática amiga de Brittany ergueu as mãos, sem entender a atitude da outra.
—É, mas precisa ir. Estou a trabalho agora, vovó vai me azucrinar o dia inteiro se eu ficar de conversa contigo aqui. Até mais, Kitty.
—Que chato... Estava esperando você me oferecer um banho nessa piscina enorme e refrescante. Está um calor dos infernos aqui- Kitty fez bico, recebendo um sorriso forçado de Brittany enquanto a mesma a guiava até a saída da área. No caminho deram de cara com Santana que já se preparava para entrar em seu carro, auxiliada por Ryder, seu motorista.
—Algum problema, meninas?- Santana perguntou ao sentir a presença de Brittany, que estava de respiração desregular e apenas sua patroa conseguiu notar esse detalhe. Como de costume.
—Não tem problema algum aqui... Só estou guiando Kitty até a saída- tentou aparentar calma.
—Mas já vai? Achei que passariam o restante do dia juntas.
—Brittany é uma chata, senhorita bonitona- Kitty comentou, fazendo Santana sorrir com o apelido.
—Então não vai ficar? Temos uma piscina enorme e muitas guloseimas que vocês adolescentes “piram"em consumir. Pode ficar à vontade, senhorita Wild- antes que Kitty dissesse algo, Brittany se apressou em responder.
—Ela realmente precisa ir agora, Santana. Não foi você mesma que disse ter um compromisso na Time's Square quando nos falamos pelo telefone, Kitty?
—Bom, sim...
—Pois então... Já deve estar atrasada- ofereceu um sorriso forçado a Kitty, que cerrou os olhos para ela como resposta.
—Que pena, então. Posso lhe oferecer uma carona, pelo menos? Nosso caminho é o mesmo, praticamente- Santana ofereceu, como sempre, educada e cortês, Brittany sentiu algo ruim naquilo.
—Claro, senhorita bonitona. No caminho você me conta como conseguiu essa bengala daora- Kitty piscou safada para Brittany, que sentiu uma enorme vontade de lhe socar naquele instante.
—Ok- Santana voltou a sorrir, de uma maneira engraçada- Nos acompanhe, senhorita Wild.
—Só um instante... -foi até Brittany e cochichou a seu ouvido- Pense no que conversamos, será o melhor a se fazer caso queira se ver livre novamente. Te espero na festa às dez, vou te passar o endereço por mensagem, e... Por acaso... Você falou meu sobrenome pra ela?
—Não falo nem seu nome.
—OK... Ela é sinistra... Gata... Mas muito sinistra. Me arrepiei aqui- Kitty fez uma careta grotesca e saiu, com Santana, entrando no carro pela porta aberta que Ryder segurava, sorrindo para a convidada, onde recebeu uma piscadela maliciosa da mesma. O motorista coçou a nuca, embaraçado e trancou a porta, olhando para Brittany que o ignorou, entrando na casa. Passou por Charlie, que estava com dois copos de leite bem gelados em mãos.
—Peguei para nós, Britt Britt- ofereceu para a loira, que suspirou aceitando. Tomou um longo gole.
—Obrigada, Charlie. Mas acho que estou precisando de algo mais forte que isso agora- devolveu o copo para o pequeno, que franziu o cenho sem entender, mas logo abriu a boca como se tivesse captado o anseio da outra.
—Oh, está certo. Entendi bem o que você quer dizer.
—Entendeu?- Brittany se manteve surpresa pelo sorriso comparsa do menor.
—Sim, claro. Vou buscar o todynho...- e saiu correndo para a cozinha, deixando cair um pouco do leite dos copos. Apesar da agonia de Brittany, ela começou a rir pela inocência e bobeira da criança que cuidava. Char era realmente um amor... Quando não está entediado.
***
A noite já havia alcançado Nova York. O clima amenizou, finalmente. Depois do jantar, onde contaram com a ausência de Santana que estava presa no trabalho com um grande problema de última hora, Char não demorou demonstrar cansaço e mal entrou na sala de jogos e já acabou por adormecer na poltrona onde sempre sentava para jogar videogame. Brittany o pôs no colo, não era tão pesado, apesar de comer como um filhote de lobo. Dormia de um jeito cômico, sempre com uma das mãos enfiada por entre os cabelos dourados e a outra na barriga. Brittany sorriu ao observá-lo. Embora parecesse assombrosamente com Quinn, Charlie tinha o jeito sereno de Santana, o olhar calmo e o sorriso convidativo. Uma bela combinação de genes pairava sobre aquele pequeno ser. Com certeza irá dar trabalho para as garotas quando crescer, pensou Brittany.
Por sorte o pequeno já estava de banho tomado e trajando seu pijaminha azul, cheio de miniaturas de foguetes desenhados por toda sua extensão. Charlie os adorava. Cogitava em ser astronauta quando crescesse. Santana aprovara muito bem a ideia, já Quinn nem tanto. Torcia para que o filho seguisse a carreira de ambas as famílias das mães, que coincidentemente eram de maioria advogados renomados... O que pra Santana de nada significava. Pra ela, o filho não deveria necessariamente seguir esse padrão... O que quisesse ser, era o que de fato seria.
Brittany com cuidado repousou Charlie em sua cama e o cobriu. Sentiu o celular vibrar no bolso e antes de atender, certificou-se que o pequeno estava em ordem. Ao sair do quarto, pôs o celular no ouvido.
—Alô?
—Bi?- uma voz infantil chorosa se mostrou do outro lado.
—Ken? O que aconteceu?- se preocupou. Teve medo de ter ocorrido algo com sua mãe doente- Como está a mamãe?
—A mamãe está bem. Eu liguei porque sinto sua falta. Está sendo muito difícil segurar isso tudo aqui sem você, Bi— um nó formou-se na garganta de Brittany. Ken não tinha culpa de nada o que acontecia, mas estava sendo prejudicado tanto quanto a loira.
—Hey... Não chore, OK?Logo eu estou de volta.
—Você promete?
—Sim, Ken. Eu prometo. Logo eu estou em casa, está bem? Agora pare de chorar e me conte como estão as coisas por ai- aparentou frieza. E ela tinha um bocado disso, porém naquele momento se segurou para não demonstrar fraqueza para o irmão caçula que parecia sofrer. Ken fungou mais uma vez, porém foi se acalmando aos poucos. Sempre confiou em Brittany e dessa vez não seria diferente. A loira estava firme de que logo arrumaria um jeito de sair dali, o quanto antes, e por um momento o que Kitty lhe propusera lhe retornou a mente, causando a si um certo choque, tanto físico quanto mental. Será que ela teria coragem de fazer isso? Ir pra cama com Santana por dinheiro, pra se ver livre de tudo aquilo?
—Bi, você ainda está ai?
—Estou, Ken. Desculpe, me distrai.
Do que falava?
—Eu respondi sua pergunta sobre como estamos. Todos bem, por acaso. Mamãe já está dormindo. Amanhã ela começa com a quimioterapia. Ela está com medo, Bi. Medo de morrer e nos deixar— a loira suspirou fundo e recostou-se a parede atrás de si, levando a mão ao rosto. Tentou lidar com a queimação na garganta e no peito... O mundo de repente girou ao seu redor- Bi?
—Oi, Ken.
—Estou preocupado com algo— Ken tirou sua irmã do transe de agonia. Sua voz estava trêmula, parecia ainda chorar.
—O que foi?
—Temo que o plano de saúde do papai não cubra o tratamento inteiro da mamãe. A quimioterapia é cara e os remédios são mais ainda, e são muitos. Mamãe disse que está tudo certo, mas eu acho que ela me esconde algo.
—Não consigo falar com ela. Já tentei. O que eu for conseguindo aqui, vou mandar para ajudar, como o combinado com ela.
—Ela não quer falar com você agora e muito menos quer aceitar o dinheiro que ganhar. Ele é pra você pagar sua faculdade quando acabar o colégio.
—O que? Isso não tem nada a ver- a loira pasmou em intriga.
—Ela tem medo, eu acho. A sua ida pra ai deixou ela muito triste, mas mamãe também não quer que você se meta mais em confusão e que tenha um futuro bom aí em Nova York.
—Mas foi ela mesmo que me mandou pra cá. A culpa foi das loucuras dela, Kennedy.
—Não fala assim da mamãe, Brittany!- o caçula brigou, quase gritando, o que assustou Brittany. Ken nunca foi de fazer isso- Se tudo está assim, é porque você não soube lidar consigo mesma.
—Hey... Baixa a bola aí, moleque. Foi só um comentário, seu estressado.
—Não estraga as coisas, Brittany. Pense na mamãe.
—Vai ficar tudo bem, Ken. Eu vou dar um jeito de estar ai com vocês. Palavra.
—Tudo bem. Preciso desligar agora. Tenho aula amanhã cedo. Boa noite.
—Boa noite- foi só o que a loira disse, deixando o braço que continha a mão com telefone cair, sem força- Não fode, vida... Não fode.
***
O celular de Brittany apitou, anunciando que havia chegado uma mensagem de texto. Ao desbloqueá-lo, Brittany se deparou com uma mensagem de Kitty explicando onde seria a tão aclamada festa de seu amigo na cidade.
“Estou à caminho. Bjs!".
Foi o que enviou de volta, jogando o celular em qualquer canto da cama, então rumou para o banheiro. Cerca de 15 minutos depois Brittany descia correndo as escadas e logo atravessava a grande sala do casarão, certificando-se de que ninguém mais estava ali. Imaginou que se Santana já estivesse chegado, com certeza já havia se recolhido, pois a mesma era de hábitos saudáveis como dormir cedo e acordar cedo. Já se passavam das dez, então seria difícil encontrar alguém por ali agora. Foi o que ela pensou.
Assim que Brittany saiu pela porta da frente, sentiu alguém segurar seu braço, o que lhe assustou. Era Ryder, que lhe enviou um sorriso amigável e ao mesmo tempo tímido, como sempre lhe recebia.
—Me solte!
—Hey, calma, senhorita. Não vou lhe fazer mal.
—O que você quer?- Brittany perguntou mal humorada, soltando-se rispidamente dele, e em seguida consertando o vestido que subira mais do que já estava suspenso, mostrando suas longas e alvas pernas. Ryder olhou para outro lado, corado.
—Peço que me siga.
—Não vou com você a lugar algum.
—Não é comigo- ele explicou, apontando para Mercedes negra estacionada bem de frente a grande porta de entrada. O vidro do lado de trás, do passageiro, desceu e Brittany pode ver a mão de Santana, que dava pra reconhecer pelo anel prateado com um símbolo de uma serpente assustadora que ela nunca tirava do dedo, fazendo-a ficar intrigada com aquilo.
—Você aceitaria dar um passeio comigo, Brittany?
—Bom, eu... — a loira ficou sem reação, abria e fechava a boca sem um bom resultado de palavras conexas.
—Se tiver algo para fazer agora, eu vou entender- se Santana descobrisse para onde a loira ia, com certeza iria dar problemas novamente. Quem sabe se fosse rápido o passeio, ainda daria tempo de ir à festa?
“DROGA!”. Pensou a loira.
—Não. Eu não tenho nada agora. Só saí um pouco pra arejar a cabeça. Nem estou arrumada devidamente- Ryder a encarou com um semblante de descrença e a loira retribuiu o olhar perigosamente demonstrando que se ele dissesse algo, ela daria um jeito no rapaz.
—Tudo bem, não se preocupe com seu vestuário... Ryder, por favor- o motorista abriu a porta educadamente para a loira, que entrou sem quebrar a olhada feia para ele e sentou-se ao lado de Santana, que recebeu-a com um sorriso charmoso.
—Podemos ir, Santana?
—Por favor.
Depois de bom tempo em silêncio, Brittany resolveu se pronunciar.
—Aonde estamos indo?
—Para o Matadouro fora da cidade- Brittany buscou brincadeira nas palavras da latina, porém ela continuou séria, em sua postura de classe. A loira ficou assustada, porém quando voltou a olhar para Santana ela estava se segurando para não rir- Estou brincando.
—Isso não teve graça.
—Ah teve sim. Admita. Pena que nem eu nem você pudemos ter visto sua cara de susto na hora... Teria sido mais hilário ainda- Brittany riu, balançando a cabeça negativamente. Santana sorriu de canto, como sempre, encantada pela risada da adolescente. Ela se sentia bem quando a outra se mostrava feliz de alguma forma. O carro passou por uma lombada sem que Ryder percebesse, o que fez Brittany ir parar quase no colo se Santana com um pulo, pois somente a latina estava de cinto de segurança- Tudo bem?
—Tudo sim- Brittany respondeu, cara a cara com Santana. Malditos óculos que a separavam daqueles olhos tão enigmáticos e belos por expressar tantas coisas intensas, mesmo sem poder vê-la, de fato, pensou Brittany- Segunda vez em um dia. Em algum lugar alguém escreveu que eu devo te matar esmagada com meu corpo.
—Seria uma bela morte, não?
—Que galante!- a loira brincou, fazendo Santana rir. Os cabelos da latina se bagunçaram pelo embalo repentino no carro. Brittany viu na proximidade uma brecha para corrigí-lo e ela nem sabia por que tinha feito aquilo ou por que ainda continuava ali, tão perto da outra.
—Já chegamos, meninas- Ryder quebrou aquela conexão intensa pelo silêncio, onde Santana riu, desconcertada pela primeira vez desde que conheceu Brittany e a mesma achou aquilo muito fofo. As duas andaram lado a lado pelo grande parque em que Brittany recordou ser o mesmo em que trouxeram Charlie alguns dias atrás. Resolveu nada perguntar. Optaria pela surpresa.
—Esse lugar é realmente acolhedor, não acha?
—Está tudo vazio- crispou os lábios, acompanhando Santana por onde ela entrava, mesmo estando tudo escuro- E todo escuro.
—Cegos não precisam de luz para enxergar, senhorita.
—Que bom pra vocês, mas eu não sou cega. Precisar olhar por onde ando porque não tenho uma bengala extremamente cara que me impeça de perder um dedo se acertar alguma coisa- Santana riu, pegando a mão da outra e entrelaçando na sua. Brittany sentiu o calor do toque da morena ir preenchendo seu corpo, causando uma bela experiência de tranquilidade. Ela se sentia segura com Santana, por mais estranho que aquilo parecesse. Entraram em uma espécie de ginásio ou algo parecido, Santana foi se esgueirando com destreza pelos obstáculos, deixando Brittany impressionada por sua agilidade em se movimentar pelos lugares sem problemas grandes aparentes.
—Fique aqui.
—OK, me larga sozinha aqui no escuro, senhorita. Espero que nenhum psicopata tenha escolhido logo hoje para se esconder nesse lindo lugar sem luz e me matar.
—Acho bom fechar os olhos então- disse brincalhona. Santana então puxou uma enorme alavanca que tinha debaixo de uma caixa de luz e o local inteiro se iluminou por completo. Brittany ficou boquiaberta pelo o que encontrou. Era um lugar secreto de jogos, que ficava abaixo do parque e estava repleto de brinquedos e games que somados dava pra passar anos a fio sem abusar de nenhum por repetí-los.
—Uau ... Isso não se vê todo dia- expôs, impressionada.
—Digo o mesmo- Santana cutucou. A morena retirou seu casaco e o pendurou em uma cadeira.
—O que é isso tudo?
—Algo que eu pedi para que meu pai fizesse na minha infância, que não fosse em nossa casa e as outras crianças tivessem acesso. Se chama A ilha do anjo. Fazia tempo que eu não vinha aqui.
—Isso é seu?
—É nosso- girou o dedo indicador no ar, com um sorriso divertido.
—Isso é muito irado- a loira parecia uma criança indo de um brinquedo a outro, testando alguns deles e se divertindo com o que via, deixando Santana contente pela escolha do lugar para levar a loira.
—Quer ver qual era o meu preferido meio de diversão aqui na adolescência?- Santana ofereceu a mão a Brittany, que dessa vez pegou sem nem pensar.
—Vamos lá- de repente a hesitação fora deixada de lado e Brittany agora auxiliava Santana a entrar em uma cabine com grades nas laterais. Ela não entendeu muito aquilo, mas resolveu deixar rolar. Estava realmente se divertindo ali, embora parecesse um lugar um tanto estranho para se colocar um espaço de jogos para crianças. A latina tinha um pequeno controle remoto nas mãos e agora retirava seus sapatos com cuidado.
—Você quer ajuda?
—Não, mas quero que você tire os seus também. Ficaria agradecida.
—Tudo bem- a loira deu de ombros, jogando os saltos que estava calçada para fora da cabine. Diferente de Santana, que apenas alinhou seus sapatos nas escadarias. Chegava a ser engraçado o senso de organização da latina.
—Venha cá, Brittany. Me dê suas mãos.
—Nada de gracinhas- alertou.
—Pode me bater.
—Eu seria presa.
—Conheço uma boa advogada- Santana fez bico, Brittany riu.
—Pronto- a loira estendeu as mãos para Santana, que as pegou e juntou as suas, tendo cada dedo entrelaçado ao outro.
—Qual seria a melhor sensação no mundo pra você?
—Bom, sem dúvidas, voar- Brittany já estava ficando em um misto de assustada e animada com tudo aquilo.
—Desejo concedido- Santana deslizou os dedos pelo controle e apertou um pequeno botão, que continha alguns pontinhos cravados a ele em que Brittany reconheceu ser escrita em braile. De repente, todo seu corpo ganhou leveza e logo ambas estavam a alguns centímetros do chão e subindo.
—O que é isso?- perguntou espantada.
—Isso é a gente desafiando a gravidade- Santana sorriu grande e impulsionou Brittany para trás, para poder flutuar como bem quisesse. Mostrou como se fazia dando alguns giros no ar, com destreza, deixando Brittany encantada com o modo de Santana se movimentar tão angelical e ao mesmo tempo tão serelepe quanto uma criança- Agora é sua vez.
—É seguro?
—Eu sou cega, né?- deu de ombros, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.
—Ok, lá vou eu...
Daí pra frente, as duas se divertiram bastante. Riram... Sorriram... Santana fez Brittany gargalhar com suas piadas e frases divertidas. Tudo estava se saindo uma bela noite de um conto de fadas surreal, totalmente fora do normal. Desse jeito, a loira conseguiu se sentir criança novamente, teve um pouco da felicidade que lhe fazia tanta falta... Lembrou-se da forma que o pai a fazia bem e teve vontade de chorar.
—Brittany, tudo bem? Você está calada.
—Sim, tudo. Você poderia nos fazer descer? Estou um pouco enjoada- a loira fechou o semblante e ficou quieta novamente, o que preocupou Santana, que já havia cancelado o efeito gravitacional do brinquedo. As duas foram voltando para o chão devagar, Santana pegou na mão de Brittany para se auxiliar quando tocasse no chão, porém a outra estava dispersa demais para pensar nisso. Detalhe: Brittany caiu de novo por cima de Santana.
—Au! Acho que você tem razão.
—Por Deus, Santana, vou acabar matando você- as duas riram, a latina tocou o rosto de Brittany com ternura.
—Por que você ficou triste? Não gostou do passeio?
—Não, eu adorei. Foi tudo maravilhoso. Só que... – travou. Não estava indo longe demais com essa intimidade toda?
—Só que... – incentivou.
—Nada, Santana... Melhor voltarmos para sua casa. Amanhã eu tenho aula- a adolescente foi sair, porém Santana foi mais rápida girando seus corpos e prendendo o de Brittany debaixo do céu. Passou calmamente os dedos pelo delicado rosto da babá de seu filho em cada ponto de expressão seu. Se ela não queria dizer, Santana buscaria- Santana...
—Eu faço mal a você, Brittany?
—Deixe disso.
—Me conte... Eu faço mal a você?- Brittany suspirou.
—Isso tudo faz mal a mim, Santana. Meu lugar não é aqui.
—Mas não acha que é o melhor para você?
—É o que dizem ser, mas eu só vejo tentativas de me controlar como pessoa.
—Deus, você é ainda tão ingênua com o que faz com sua vida.
—Não venha com sermões para mim agora- segurou a mão de Santana que estava por seu rosto e a tirou- Eu quero minha vida de volta.
—Eu posso pedir algo a você?
—Se for pra eu pensar...
—Não, espere. Eu tenho uma proposta- Brittany ficou quieta, curiosa pelo o que viria- E se eu pudesse te provar que seu lugar é aqui... Ao meu lado?
—Espera... Como? Eu...
—Brittany, eu... – a latina parou um instante, suspirando tristemente- Eu não quero que você vá.
—Santana... Lima é meu lar. Nova York só me assombra.
—Estou aqui com você- pegou a mão da loira e levou até os lábios.
—E quem é você pra mim, Santana? Eu sou uma simples estudando de ensino médio e babá de seu filho — a morena pareceu se assustar com a pergunta. Ela sentou-se rapidamente, virou o rosto pro lado. Aparentou perder-se em pensamentos. Brittany engatinhou até ela e tocou seu rosto. Santana já sabia para quê, ela queria tirar seus óculos e assim o fez- Olhe pra mim. Por favor. Estou na sua frente- meio a contra gosto, Santana abriu os olhos e tentou os mirar em Brittany. Ela ainda se sentia mal por mostrar aqueles olhos mortos para a outra, que deveria ter os mais belos do mundo, segundo Char que contara a ela sobre o azul do olhar encantador de Brittany- Não fique assim, eu gosto dos seus olhos.
—Estão mortos.
—Você dá sentido ao que falta nele pelo restante.
—Eu não quero que você vá- voltou ao assunto, deixando o olhar cair sobre qualquer outro ponto.
—Por que? Me intriga você querer a presença de...
Nesse momento, parecia que a realidade gravitacional da cabine havia sido ligada novamente. Brittany se sentiu acima de todos os planetas, ganhando um universo só seu assim que, por um impulso, Santana puxou seu rosto para si e a beijou. Não foi um beijo malicioso como da primeira vez tendo a loira tão alcoolizada, agora pairava a delicadeza e o cuidado em forma de tocar de lábios. Apesar do susto, Brittany se deixou levar. Seu coração parecia querer saltar do peito de tão rápido que batia... Sentiu até enjoada por conta das infinitas borboletas enlouquecidas no estômago. Nunca se sentiu assim ao beijar alguém, nem mesmo com Jake, de quem sempre gostou desde a infância.
Quando percebeu a tranqüilidade de Brittany, embora a mesma estar trêmula, Santana resolveu aprofundar o beijo, mas da forma mais calma e tranqüila que conhecia para lhe passar segurança, sempre acariciando seu rosto. Se inclinou um pouco sobre a adolescente, apoiando com um mão na sua cintura para puxá-la mais para si, causando efeitos desnorteantes sobre a outra que chegou a gemer com aquilo. O beijo fora finalizado pela latina, que distribuiu mais alguns selinhos pelos lábios, canto da boca, maxilar e enfim no pescoço da loira, onde afundou o rosto ao abraçá-la com carinho.
—Me desculpe, Brittany- sussurrou ainda ali, sentindo o peito pesar por medo e alegria ao mesmo tempo sobre aquele envolvimento- Mas acho que estou me apaixonando por você.
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