A liberdade em um olhar

9 Lembranças/ uma Brittany alterada


Notas iniciais
E aê, povo? Tudo na sussa? Cap novo e gigannnnnte. Essa pqp ta tão grande que tive logo que patentear como livro pra não ser processada kkkk brinks. Entonces, esperem de tudo nesse cap... tudo mesmo. Pra compensar meu atraso com a fic. Nesse, como alguns viam me pedindo, é pra mostrar de onde surgiu essa quimica doida entre Quinn e Santana. O final é cair o queixo kkkkk espero que gostem. Desculpem qualquer erro, to morrendo de sono.

–Mamãe?

–Oi, Char- Santana respondeu carinhosa, ajeitando Char em seu colo pra que ele se sentasse corretamente em seus pernas. Depois que saíram do Central Park em direção a mansão dos Lopez, ficaram presos em um trânsito parado caótico, causado por um grave acidente mais a frente entre uma moto e um carro e isso já durava trinta minutos. Charlie dormiu boa parte do caminho até ali e agora havia desperto, com um semblante evidente de tédio.

–Mamãe, vai demorar muito pra chegar em casa?

–Espero que não, meu bem. Durma mais um pouco, quando chegarmos eu lhe avisarei.

–Não quero dormir. Que tal uma história? Amo as histórias que você conta- Santana deu um beijo demorado no topo da cabeça do filho para lhe responder. Brittany estava a frente dos dois, quieta, apenas observando a interação da latina com o filho.

–Claro. O que quer ouvir? Alguma de Julio Verne?

–Hummm... Não. Quero algo diferente dessa vez- colocou a mão no queixo pensativo- Ah... Desejo que me conte como conheceu a mamãe Q.

–Sério? Isso nunca o interessou antes- franziu o cenho, intrigada com o repentino interesse do pequeno.

–Só estou curioso- deu de ombros- Você me conta? Por favorzinho- abraçou a nuca da mãe e deu vários beijinhos por seu rosto, com um carinho pidão.

–Bom... — pareceu ponderar por alguns instantes- Você se importa se eu falar sobre isso, Brittany? Não quero ser inoportuna- a latina achou que por se tratar de um assunto homossexual poderia incomodar a loira. Ainda não sabia da posição de Brittany sobre sua sexualidade.

–Fiquem à vontade e finjam que eu sequer estou aqui- ela foi tranquila ao dizer. No fundo Brittany tinha curiosidade para saber sobre Santana e sua ex esposa, que pareciam se dar tão bem, mas mesmo assim se divorciaram.

–Ok, se estão todos a favor, eu conto.

–Ehhhhhhh- Char bateu palmas eufórico, fazendo as duas mulheres rirem. Deu um selinho na ponta do nariz de Santana e depois abraçou a cintura dela, repousando a cabeça a seu peito para estar confortável ao ouvir os relatos da latina sobre como conheceu sua mãe Quinn. Santana deixou escapar um breve suspiro para começar.

–Bom, tudo começou quando...

~°~

Quase seis anos atrás

O saudoso verão enfim havia chegado. Essa era época preferida de Santana. Ela saia de casa com muito mais vigor e vontade de enfrentar um dia cheio na faculdade de advocacia. Seus companheiros óculos escuros brilhavam enquanto ela desfilava com um sorriso largo pelos corredores da escola, sempre recebendo olhares de infinitos significados por esse seu jeito tão de bem com a vida que sempre exibia. Sentada a sua cadeira de sempre, que se situava mais ao alto, ela tamborilava os dedos da mão direita na mesa no ritmo da música New York, New York de Frank Sinatra que cantarolava, enquanto deslizava os da mão esquerda por uma página de seu livro de direito em braile, feito especialmente para ela. O alarme do intervalo soou. A latina fechou o livro e o guardou na mochila, jogando-a em seguida nas costas.

–Quer ajuda pra descer, Santana?- Finn Hudson, um dos colegas de sala, que também era jogador de futebol americano, e amigo da latina, se ofereceu para ajudá-la.

–Ficarei honrada!- ofereceu a mão ao rapaz que prontamente aceitou sorrindo. Em outros casos ela não aceitaria, pois sempre decorava bem os lugares que frequentava, mas, no caso de sua sala, além da altura e degrais, alguns alunos deixavam coisas espalhadas pelo chão e ela poderia se machucar feio se caísse.

–Sabe, Santana, vou dar uma festa amanhã a noite lá na minha fraternidade. Não quer dar uma passada por lá pra uma dancinha?- o rapaz propôs balançando levemente o corpo, fazendo a amiga rir. Ela adorava aquele jeito bobo dele.

–Não estou habituada a esses tipos de coisas, porém creio que será até que interessante. Estou precisando mesmo quebrar um pouco a rotina- ela aceitou durante a descida até a porta.

–Maneiro. Se quiser eu te busco em casa- se ofereceu, parando na entrada.

–Não será preciso. Não quero incomodar. Meu motorista me levará- ela esticou a bengala tão querida e repousou sua ponta no chão dando leves batidinhas ali, como se estivesse estudando o local.

–Não será incômodo algum, mas sem problema. Vou te dar o endereço- Finn revirou os bolsos até encontrar um papelzinho meio amassado onde continha o tal endereço- Toma- ele delicadamente pegou a mão de Santana e repousou o papel exatamente na palma- Vou adorar ter a futura advogada mais brilhante de Nova York em minha festa.

–Será uma honra, meu caro Finn- ela sorriu, achando exagero tal título. Santana já tinha uma certa repultação na faculdade por ser a mais avançada nas aulas. Muitos achavam impressionante como uma garota de dezoito anos deficiente visual pôde chegar tão longe, já tendo um futuro promissor em vista. Não demoraria muito para já estar graduada e no comando da empresa de sua família, já que seu avô, o presidente, já ameaçava sua aposentadoria. Apesar de tais requisitos, a latina sempre se manteve humilde com todos daquela faculdade, cativando assim a simpatia dos demais.

–Te vejo amanhã, então. Tchau- deixou um beijo na bochecha da amiga e saiu em disparada para seu almoço.

–Uhh... Festinha amanhã- ela brincou, fazendo uma vozinha animada- Dona S vai amar a ideia.

~°~

–Não concordo!

–Mas por que, dona S? Lá vai estar cheio de amigos, conhecidos, ninguém vai me sequestrar, se é o que lhe preocupa- Santana argumentou enquanto jogava xadrez com seu avô, em um tabuleiro especial para deficientes visuais. O Lopez mais velho, Juan Emanuel, a quem a família e amigos chamavam de Manu, fazia careta enquanto orquestrava um virtuoso xeque mate, porém com Santana era uma tarefa nada fácil.

–Mesmo assim, eu ainda não acho boa ideia- a senhora andava de um lado pra outro na sala, limpando nervosamente cada móvel que havia ali- Alguém pode machucar você, sabia? E-Eles ficam, ficam lá, pulando feito uns gafanhotos e não vão nem prestar atenção em você- ela ficava cada vez mais nervosa, preocupada com o que aconteceria com a latina na festa da faculdade. Susan pra ser mãe de Santana só faltava ter dado a luz a ela, pois além de cuidar da garota desde seu nascimento, a tinha como um dos seres mais importantes de sua vida, como se fosse um de seus próprios filhos e netos. Quando a latina saía para qualquer tipo de coisa, ela ficava uma pilha de nervos. Tinha um medo absurdo de alguém maltratá-la, que a tratassem com indiferença ou até mesmo se aproveitarem de sua deficiência- Sem falar que terá bebida, jovens com hormônios nas alturas... Vai que tem um tiroteio?- Santana riu.

–Aí vou fazer jus aquela frase: Perdido como cego em um tiroteio- brincou, ganhando uma risadinha engraçada de Manu. Susan não gostou nada- Estou indo pra uma simples festa de faculdade, dona S, não me alistar pra alguma guerra no Iraque- disse, roubando uma peça de seu avô, que soltou uma bufada inconformado.

–Deixe a menina se divertir, mulher. Santana é muito jovem pra ficar presa nessa casa- Manu expôs com a mão no queixo, pensando em sua próxima jogada- Deixe que se solte, que beba, que beije na boca... Oras, que curta a vida.

–Não dê ideias, seu velho caduco- Susan esbravejou, olhando feio para Manu, que lhe devolveu um gesto malcriado de dar língua. Apesar de Juan Emanuel ser patrão de Susan, os dois interagiam por meio de alfinetadas. Não que não se respeitassem, mas os dois se conhecem desde a adolescência e já namoraram, porém Manu casou-se com Alma pouco depois de terminar com Susan, e daí se desencontraram e só foram se reencontrar anos depois, quando os Lopez já tinha seu primeiro filho Ricardo. A loira estava desempregada e sem rumo na vida, então ele se compadeceu de sua agonia e a contratou como doméstica. Depois de um tempo, ela tornou-se de grande confiança da família, tornando-se assim governanta até os dias atuais dos Lopez- San, filha, pense bem.

–Hey, não fique assim... Eu sei me cuidar- levantou-se e foi até sua querida governanta. Manu fez uma careta de insatisfação pela pausa no jogo- Me dê esse voto de confiança- pediu docemente, acariciando o rosto de sua velha amiga à procura de suas expressões, mas também tentando tranquilizá-la. A latina logo então sorriu de canto, captando algo- Nada de trocar as peças, vovô.

–Droga, ela sempre percebe. Que coisa! Começo a desconfiar que você não é cega coisa nenhuma, Santana Lopez- ele ficou emburrado, voltando as peças. Santana sorriu, voltando-se para Susan.

–Então, o que me diz, dona S?-Susan encarou Santana através dos óculos escuros e suspirou.

–Tudo bem- a latina sorriu largo- Mas qualquer coisa que aconteça, eu...

–Não vai acontecer. Relaxa- beijou com carinho a testa da senhora- Obrigada por cuidar tão bem de mim, dona S. Lhe serei eternamente grata. Sei que meus pais também, onde quer que eles estejam- Susan a abraçou apertado, demonstrando nesse gesto todo amor que sentia por Santana. Ela sabia que apesar desse jeito todo forte, toda meigo e independente de Santana, a garota sentia muita saudades dos pais e ao falar deles, se sentia fragilizada. Os óculos escuros impediam a passagem de lágrimas de uma saudade doída.

–Te ver bem já me é mais que satisfatório, minha pequena- Santana tornou a beijar a testa da senhora, soltando-se dela. Respirou fundo para espantar aquele aperto no peito ao mencionar os pais falecidos e sorriu abertamente- Vou voltar pra minha cozinha. Daqui a pouco trago suco de laranja com biscoitos de chocolate que você tanto gosta.

–Okay... Muito obrigada- Susan acariciou o rosto da latina e depois partiu.

–Vamos voltar ao jogo, por favor?- Manu deu umas batidinhas no tabuleiro, fazendo a neta rir por sua agonia. Ele sempre ficava ficava assim quando jogava e estava sob ameaça de perder uma rodada. Santana retornou a seu lugar- Eu já estava ganhando.

–Okay, é a minha vez?

–Sim. Vai lá.

–Tuuuudo bem- disse demorado, passando os dedos levemente pelas peças. Deu um sorriso danado de canto quando notou algo bem satisfatório.

–Quero ver me ganhar agora!- o mais velho disse convencido de sua vitória.

– Xeque mate!

–O quê?

–Xeque mate!- a latina repetiu apontando pra peça vencedora- Agora vou tomar um banho. Diga a dona S que vou comer meu lanche no quarto. Até mais, vovô.

–Mas que... — ele observava desacreditado o que acabara de ocorrer- Começo a me arrepender de tê-la ensinado a jogar isso- disse sério, porém logo em seguida desatou um sorriso orgulhoso- Essa é minha garota!

...

–Tem certeza de que não quer que eu a aguarde aqui fora, senhorita?- Arnold, motorista de Santana perguntou quando ela já estava na porta da fraternidade de Finn.

–Pode ficar relaxado, Arnold. Ficarei bem, qualquer coisa eu entro em contato pelo celular.

–Como queira, senhorita. Quando quer que eu venha buscá-la?

–Eu te ligo- o motorista tocou seu ombro e lhe guiou até que entrasse. Logo Finn lhe avistou e foi a seu encontro.

–Hey, San- pegou nos ombros da morena e os apertou de leve- Gostei, você veio. Mulher de palavra.

–É um dos códigos de honra dos Lopez. “Não faltarás a festa de um amigo onde tem comida e bebida de graça"- seu amigo riu pela brincadeira. Voltou-se a seu motorista- Pode ir, Arnold. Estou bem acompanhada agora.

–É, do cap preto... Eu cuido da tampinha.

–Hey!- Santana empurrou Finn com o ombro, fazendo um bico emburrado- Só porque você cresceu demais não significa que eu sou baixinha.

–Ok- Finn riu de maneira descontraida.

–Então já vou, senhorita. Qualquer coisa estou por perto.

–Está bem, Arnold. Eu vou ficar bem- a latina revirou os olhos por detrás dos óculos escuros. Às vezes ela achava exagerado a preocupação e proteção de seus parentes, amigos e até mesmo empregados. Ela sabia se virar, apesar da limitações. Mas para eles, com o mundo estando como está, a qualquer momento Santana poderia sofrer alguma coisa, principalmente por sua enorme boa fé nas pessoas e isso era preocupante.

–Vai na fé, cara- Finn fez joínha com o polegar para o motorista, que acenou com um gesto de cabeça e se retirou.

–Às vezes eu acho que esse pessoal pensa que eu vá dar a doida, me drogar e fugir a qualquer momento na garupa de um terrorista- comentou quando Finn pegou seu braço e a guiou pelo salão da festa.

–Você é alguém especial e não digo isso por você ser deficiente visual, mas pela pessoa que é. Eles se preocupam que machuque. Não se deve confiar nas pessoas hoje em dia.

–Eu sei bem o que faço, Hudson. Não é só porque sou cega que eu não sei enxergar as pessoas como elas realmente são- Finn encontrou clareza no argumento- Sem falar que confio em você... Isso comprova o quão louca eu já sou.

–Pelo o contrário, gatinha... Isso só mostra que você tem bom gosto- Santana riu, dando um pequeno tapa no ombro de Finn, que sorriu- Agora deixa eu apresentar a você um pessoal mais louco que nós dois juntos.

A festa transcorreu divertida para a latina. Ela havia se enturmado com os amigos de Finn que lhes foi apresentada. Puck, amigo e companheiro de fraternidade de Finn, foi um dos que ela mais se identificou. Ele era um rapaz descontraído, engraçado e bem comunicativo. Santana riu horrores quando ele pegou sua mão e a fez deslizar por seu moicano bem feito na cabeça, o apresentando como Puck Jr.

–Acho que agora sei como é a sensação de acariciar um guaxinim- a latina comentou fazendo os demais rirem. Finn teve que sair por alguns instantes, pois fora requisitado na porta da fraternidade, então deixou Santana aos olhares cuidadosos de Puck.

–Não finja que não gostou... Sei que tem vontade de dormir abraçada com o Puck Jr.

–Acho que minha rinite não concorda com você e seu bichinho de estimação que leva consigo na cabeça- o moreno riu, apertando Santana contra seu peito em um abraço carinhoso. Apesar das poucas horas juntos naquela festa, ele já havia construido um certo carinho por ela, sem falar que a bebida estava o deixando um tanto sentimental.

–Você é tão fofinha!- ele disse meio embolado pela bebida.

–Wow... E o senhor é tão pinguço!- ela o afastou rindo do estado que o agora então amigo se encontrava- Pra um homem forte e másculo, esse sentimentalismo está ficando estranho. Pára com isso... Seja macho.- disse em um tom brincalhão que só fez Puck a abraçar de novo. De longe essa interação dos dois era assistida por um par de olhos esverdeados. Desde que Santana havia se aproximado com Finn ao grupo de amigos jogadores e estudantes de advocacia do grandão, a loira a acompanhou com o olhar. Não sabia se era curiosidade por seu jeito tão descontraido, ou pelo o fato de seu ex namorado recente estar agarrado a ela como se a mesma fosse um ursinho de pelúcia. Ela sentiu uma certa gota de ciúme pela cena “carinhosa" dos dois.

–Mas é muito cachorro!- a loira balançou a cabeça negativamente enquanto sugava um pouco de sua bebida em um canudinho colorido- E essa garota? Quem usa óculos escuros é uma festa noturna?- riu consigo mesma sem tirar os olhos dos dois, não deixando de admitir que o sorriso da morena era lindo. O barulho irritante de sua garrafa se mostrando vazia fez com que ela saísse do transe. Decidiu ir pegar outra na mesa de bebidas e durante o percurso alguém gritou o seu nome e ela continuou a andar olhando pra trás a procura de quem a requisitava. Nesse momento se chocou contra algum desavisado, fazendo com que a garrafa em suas mãos caisse no chão se partindo em dezenas de pedaços, o que assustou a outra pessoa.

–Minha nossa! Você está bem?- Santana se preocupou pela força do encontrão contra a outra, que pode perceber que se tratava de uma garota pelo cheiro de sua pele bem cuidada. A latina também havia se agoniado pois no choque entre as duas, seus óculos saltaram do seu rosto e sabe-se Deus onde teria parado.

–Não graças a você. Ai!- acariciou o ombro dolorido, fazendo cara feia para a latina, que logo ela reconheceu sendo a garota com quem Puck conversava-Você não olha pra onde anda, não? Quase me atravessa! É cega por acaso?

–É, por acaso eu sou sim- Santana respondeu descontraída, apontando para os olhos inquietos e sem vida. Nesse momento Quinn teve vontade de cavar um buraco e enfiar a cara dentro. Sentiu o rosto esquentar de vergonha. “Claro que ela é cega, Quinn. Óculos escuros, bengala, andando de braços dados com os rapazes, olhar sem rumo... Só sendo você mesma, sua tapada". Quinn se mal disse.

–Oh, céus... Me, me... Me desculpe, eu... Eu não...

–Hey!- Santana interrompeu sua gagueira nervosa- Tudo bem. Acontece. Você se machucou?

–Não. Foi só um susto. E você? Nossa, estou me sentindo uma estúpida!- Santana riu do desconcerto da garota. Notou pela direção de sua voz que ela estava a sua frente, então esticou o braço para tentar encontrar a mão da outra. Alcançou primeiro o cotovelo e foi descendo delicadamente até achar a mão da loira, que ficou desconcertada pelo toque.

–Eu estou legal, relaxe. Já me acostumei com esses “carinhos" desastrados- Quinn arqueou uma sobrancelha, querendo entender o motivo da latina sorrir tanto enquanto ela estava pasma pelo acontecimento. “Garota estranha. Eu hein!". Pensou ela- Será que poderia me ajudar a encontrar meus óculos? Eles criaram asas na hora que você trombou em mim.

–Eu trombei em você?

–E não foi?- Santana crispou as sobrancelhas enquanto Quinn tentava achar os óculos pelo o chão, encontrando-o debaixo da mesa.

–Claro que não, foi você.

–Isso, joga a culpa na cega- a latina fechou as expressão, cruzando os braços parecendo chateada.

–Não, espera. Eu não... Bem, você ficou...- a loira voltou a seu estado de nervosismo desconcertante. Foi então que Santana juntou as sobrancelhas e inflou as bochechas como se segurasse uma gargalhada, e esta veio logo, fazendo Quinn ficar intrigada.

–Você se deixa levar muito rápido, sabia?- continuou a gargalhar de uma maneira gostosa, divertida- Eu estava brincando. Relaxa.

–Nossa, mas você é infantil, viu!- entregou os óculos rispidamente para Santana e passou por ela emburrada- Palhaça!- a latina não se aguentou e riu novamente.

–Hey... Espera... Foi só uma brincadeira- Santana ajeitou os óculos no rosto e pôs a tentar alcançar a loira mesmo sem saber pra que lado ela tinha ido- Como foi mesmo que me disse que se chamava?

–Eu não disse- a loira gritou mais da frente, ainda chateada pela brincadeira, porém com um sorrisinho ao notar a agonia da latina em encontrá-la.

–Boa hora pra dizer, não? Eu sou Santana!

–Prazer, Santana... Até outro dia- fez menção de acenar, mas lembrou que a latina não veria, então deu de ombros e se enfiou no mar de pessoas.

–HEY!- gritou na esperança da loira retornar- Você não me disse seu nome- disse baixinho, frustrada- Droga... Ela... Céus, aquela voz. É de uma deusa... Não, de um anjo- alisou com a ponta do indicador os óculos que há pouco a outra mulher havia tocado- Eu quero conhecer a mulher daquela voz.

Quando as aulas retornaram, Santana ainda não havia conseguido alcançar o sossego. Aquela garota, aquela voz, havia a tirado de sua calma e ela logo surtaria se não pudesse ouví-la novamente. Procurou Finn pelos estudantes até alcançar o amigo no campo, se preparando para jogar.

–Finn?

–Aqui, San!- ele correu até ela, pegando sua mão para que tocasse seu rosto. Uma forma de cumprimento entre eles- Algum problema? Você nunca me procura no campo.

–É que preciso urgentemente de sua ajuda.

–Pode falar, tampinha- tocou o ombro dela, preocupando-se por sua afobação.

–Procuro uma moça.

–Não sabia que você era dessas, mas sei de um lugar com as melhores prostitutas de Nova York.

–Credo, Hudson... Não falo desses tipos de moças- gesticulou fazendo uma careta engraçada- Procuro uma especifica. A conheci na festa e preciso encontrá-la.

–Tudo bem. Me diga o nome dela que te ajudo a procurá-la.

–Está aí o problema... Ela não me disse seu nome- Finn fez uma careta estranha.

–Agora ferrou. Pior que você nem pode fazer um retrato falado dela- Santana riu concordando- Não tem nada mesmo que possa identificá-la? Um apelido, sobrenome...

–Não, nada... Apenas sua voz pode me levar até ela- acariciou novamente os óculos que a loira tocou e sorriu docemente- Aquela voz soa como cânticos angelicais.

–Ok... Então a porra é séria mesmo- Finn pegou a mão de Santana e passou a guiá-la pelo campo- Vem, vamos achar sua Cinderela da voz de anjo.

...

–ATENÇÃO DAMAS E SUAS VOZES DE DAR CÁRIE DE TÃO DOCES... FAVOR COMPARECER AO REFEITÓRIO, POIS ALGUÉM SE LARGOU EM SANTANA E QUASE MATA A POBRE CEGA E ELA QUER SABER QUEM É, POIS PROVAVELMENTE TÁ COM OS OITO PNEUS ARRIADOS PRO LADO DESSA FÊMEA... EU SEI, UMA PESSOA NORMAL PROCESSARIA TAL SER HUMANO QUE QUASE LHE FEZ PERDER O PÂNCREAS TENTANDO ATRAVESSÁ-LA, MAS COMO SE TRATA DE SANTANA, QUE EU DESCONFIO SERIAMENTE USAR SUBSTÂNCIAS ALTAMENTE SUSPEITAS, É NOSSA AMIGUINHA... ENTÃO SE VOCÊ FOR A TAL GAROTA DA VOZ DOCINHA COMO MEL, VENHA AQUI QUE ELA QUER TE COISAR, DIGO, TE CONHECER.

–Puckerman!- Santana acertou o amigo no ombro pela loucura que ele estava aprontando. Puck estava com um megafone enorme nas mãos enquanto enchia o saco da amiga com aquelas brincadeiras- Desce daí, idiota.

–Oxe, só estou te ajudando a achar sua gatinha- ele deu de ombros, rindo.

–Ajudando? Desse jeito você vai é espantá-la. Ela já saiu zangada comigo.

–Uhhh... Então a moça é brava? Relaxa, maninha... Você vai ver como isso vai ajudá-la...A garota logo logo ouvirá a notificação e correrá para seus braços... Ou não. 50% de chances pra cada lado.

–Eu não sei se isso a trará de fato- Santana disse receosa, logo sentindo um cutucão de Finn- O que foi, Hudson?

–San... Não sei se isso trará sua garota, mas acho que metade das mulheres da faculdade, vai sim- ele olhava pra fila de mulheres que se formava a sua frente, com os olhos arregalados. Puck sorriu maliciosamente.

–O quê? Garotos? O que foi? Galera... Alguém diga alguma coisa.

Uma hora e meia depois:

–Hummm... E ao todo são... — Puck checava uma prancheta marrom nas mãos e arregalou os olhos- Cento e doze garotas e duas coisas que eu acho serem garotas também, mas pelo gondó na garganta, sugiro que tenha cuidado, Finn... Tem um caroção no angu e vieram por você.

–Credo!- o jogador fez careta de nojo, se tremendo todo- Eu hein!

–Cento e doze?- Santana estava atônica- Minha nossa!

–Pois é... Pelo jeito elas tem feitiche por um Stevie Wonder latino- Finn riu da brincadeira de Puck, mas Santana se aproximou dele, pegou em seu braço para depois acertar um soco ali- Ai, oh!

–Eu disse que não ia dar certo isso.

–Mas deu, oras. Olha o tanto de garotas ali- Santana cruzou os braços, de cenho trancado- ihhh... Desculpa... Toda hora esqueço- coçou a nuca- Finn olha por ela.

–Muiiita garota aqui, San. Se ela não estiver no meio, já sei.

–Oh Diós... Ok, vamos começar logo com isso...

Por incrível que pareça, a garota mistério de Santana não estava lá. Ela escutou cada garota... Uma por uma... Cada uma com um argumento mais louco que o outro. Algumas chegavam a agarrar a latina pela nuca e a beijavam, então Puck e Finn tiravam a maluca de lá, deixando Santana assustada e ofegante. No final do dia já haviam acabado com as “entrevistas". A latina foi pra casa cabisbaixa e frustrada por todo aquele esforço e tentativas de abusos a seu corpo em vão. Subiu até seu quarto sem querer falar com ninguém. Sequer quis comer. Apenas tomou banho e se jogou na cama, apertando sua têmporada dolorida, num martelar desajustado de cabeça- Onde será que você está, minha voz de anjo?- alguém bateu na porta.

–San?

–Oi, vovô. Precisa de algo?

–Nada, filha. Só queria avisá-la da reunião na sexta com o corpo de advogados da empresa para apresentá-la como minha substituta na presidência- Santana bateu a cabeça levemente na cabeceira da cama, bufando por se lembrar de mais essa agora. Com toda certeza ela não teria cabeça pra essa reunião.

–Tem certeza que essa reunião não pode ser adiada, pra sei lá, uns quinhentos anos?- Manu soltou uma risadinha.

–Semana ruim, Sanbee?

–A pior, abuelo- ele suspirou, encostando as costas a porta do quarto. Sabia quando Santana o chamava de abuelo era porque algo realmente a perturbava.

–Quer conversar sobre isso, filha?

–Não... Só preciso pensar um pouco, ta?

–Ok, querida. Se quiser adio a reunião.

–Não... Não quero atrasar o andamento de nossos projetos. Vou estar melhor amanhã. Só preciso de uma boa noite de sono.

–Ok, Sanbee. Te quiero, mi amor. Boa noite.

–Te quiero tambien, abuelo. Boa noite- Manu deu umas batidinhas na porta e saiu, optando deixar a neta sozinha pra esfriar a cabeça.

...

Sexta-feira chegou rápido. Santana ainda se sentia frustrada por não ter encontrado a garota da bela voz, porém não deixaria isso atrapalhar o progresso de sua empresa. Chegou o dia em que ela seria apresentada como sucessora de seu avô, e o mesmo estava tão animado e orgulhoso com isso, que ela resolveu deixar suas perturbações de lado para realizar o sonho do avô em vê-la assumir o lugar de seu pai falecido. Manu havia se afastado da empresa desde que o pai de Santana havia terminado a faculdade e estava apto a tomar o seu lugar na presidência. Mas depois que o filho falecera, Manu retornou para manter a empresa nos eixos até que Santana tivesse idade de assumir o alto cargo na L.A. E esse era o momento.

O grande salão da recepção presidencial estava impecavelmente bem decorado e organizado à espera de todos os convidados de Manu e até mesmo do anfitrião, a neta e Susan, que estava em um alto teor de orgulho de sua menina. A festa já transcorria em toda a classe que sempre a família Lopez ostentou. Manu conversava com os convidados enquanto Santana estava encostada a uma mesa, degustando um bolinho que logo fez cara feia pelo gosto e quando um dos advogados foi lhe cumprimentar, ela sorrateiramente o abraçou colocando o bolinho no bolso de seu palitó. Depois riu sapeca com o feito. Logo uma certa voz fez sua diversão se esvair. Era ela.

Como Santana estava de costas, Quinn tocou em seu ombro achando que ela era uma das garçonetes e quando a latina se virou, a loira trancou a expressão.

–Sério? Você de novo?

–Culpada?- Santana sorriu abertamente, tentando se conter de felicidade- Nem acredito que você está aqui.

–Pode ter certeza que penso o mesmo a seu respeito- a loira cruzou os braços, irônica- Por acaso está me seguindo?

–O que faria se eu dissesse que sim?

–Chamaria a segurança... Você tem cara de psicopata- Santana riu, passando a mão entre os cabelos.

–Como você se chama?

–E por que acha que vou te dizer meu nome?- Quinn colocou as mãos na cintura de uma forma intimidadora. Santana poderia ficar mais assustada ainda se pudesse ver tal gesto.

–Porque por acaso desde a primeira vez que ouvi sua voz, que, Deus, me deixou maluca por tão linda e doce, eu não consegui mais me concentrar em nada- tentou tocar a loira, porém a mesma se afastou, intrigada pela confissão da outra- Por favor... Me deixe saber seu nome. Pelo menos isso.

–É Lucy... Lucy Quinn Fabray, na verdade- ela nem soube o por quê de ter falado, mas ao ver o sorriso lindo que a latina abriu por isso, seu coração saltou em seu peito. Ela não queria admitir... Mas se sentiu atraída pela latina naquele encontro nada convencional na festa. Esse dias que se passaram foram um conflito para ela também, pois não conseguia tirar a morena de seus pensamentos... De nenhuma forma. Por isso passou todo esse tempo na casa de praia dos pais em Miami. Pra colocar os pensamentos em ordem.

–Tem um nome lindo... E devo dizer que deve ser tão linda quanto- o rosto de Quinn esquentou, ficando vermelho. E mais uma vez ela deu graças por Santana não enxergar nesse momento.

–Obrigada- foi só o que pode dizer- Eu já vou indo...

–Não- Santana conseguiu de primeira segurar sua mão agora- Por favor, me deixe te conhecer também. Sinta... Meu coração palpita agora em apenas estar tocando sua mão- levou a mão da loira até seu coração e a mesma tentou segurar o suspiro que se formou na sua garganta- Você acredita em amor a primeira vista?

–Não vindo de você- Santana riu abertamente e Quinn se sentiu contagiada com aquilo- Você me parece louca.

–E sou- acariciou a mão de Quinn em seu peito- Mas dizem que as melhores pessoas são loucas.

–Tenho que concordar- ela deu de ombros e Santana agora levou seus dedos aos lábios, deixando-a um tanto hipnotizada com o toque carinhoso, cuidadoso, gentil, e mais ainda seu coração queria se fundir as costelas... Ela sentia a loucura lhe alcançar, e nem sabia por quê, mas queria aqueles lábios em outro lugar agora.

–Vai me deixar te conhecer melhor?- perguntou aplicando beijos que foram de delicados a sexys pela mão, pulso, e boa parte do antebraço da loira, que já estava se sentindo quente com aquilo- Então?

–Não sei quanto a isso, mas, hum... Posso te deixar conhecer a direção de minha boca- Santana arqueou o corpo, sorrindo com certa malícia pra loira, que pegou a mão da latina e a fez tocar os dedos em seus lábios rosados- Bem aqui- Santana trocou o indicador por seu polegar, acariciando os lábios delicados com mais delicadeza ainda , por toda sua extensão, se agradando da textura macia que encontrou ali. Quinn fechou os olhos, agradada a sensação do toque da latina, logo sentindo a respiração da mesma cada vez mais próxima. Seu corpo logo se acendeu quando ela trocou seus dedos por seus lábios carnudos aos dela. A loira apoiou as mãos nas laterais da cintura morena e a trouxe pra mais perto de si enquanto a outra acariciava o maxilar alvo durante o beijo de reconhecimento que trocavam. Quando Santana tocou os lábios da outra com a língua, ela sentiu que aquele não era o local correto para aquela cena- Santana... Acho bom pararmos. Logo iremos atrair olhares repreensíveis. Sem falar que meu pai está aqui.

–Mas eu quero você- passou as unhas de maneira excitante pela nuca alva de Quinn, que tentou segurar o gemido forte por tal coisa.

–Pior que eu também te quero, mas agora eu...- a loira parou, passando a mão nervosamente pelos cabelos- Deus, só posso estar ficando louca- bufou, pegando a mão de Santana e saiu a arrastando pelo salão, onde pegaram um corredor até o elevador.

No salão da reunião:

–Peço atenção a todos, por favor- Manu pediu ao microfone. Os demais voltaram sua atenção ao presidente- Obrigado. Bem, como todos já sabem, o motivo dessa reunião é a apresentação de minha neta com minha sucessora aqui na empresa. Então, tenho a honra de apresentar Santana Lopez, a mais nova presidente da L.A- disse sorridente apontando para onde Santana estava, porém não a encontrando- Onde quer que ela esteja, afinal- arqueou a sobrancelha, coçando a cabeça confuso. Onde estaria Santana?

Enquanto isso, em alguma sala da empresa:

–Ai, droga!- Santana resmungou quando deu com as costas na mesa.

–Meu Deus, desculpa. Às vezes me esqueço que você não enxerga... Eu sou mesmo uma tapada- ela abraçou a cintura morena, acariciando suas costas doloridas. Santana apenas riu, puxando a loira para mais um beijo intenso.

–Relaxa. Pra mim foi até excitante- escorregou os lábios até a orelha da loira, sussurrando rouco- Mas adoraria que me guiasse até um sofá agora. De preferência, com você por baixo de mim, gemendo.

–Que safada!- a loira a encara boqueaberta- Vou adorar te ajudar... Agora vem- pegou as mãos da latina e foi andando de costas até encontrar o sofá e se deitar, levando a outra a cair encima de si, que soltou uma risada divertida- Pronto. E agora?

–Bom.... Agora eu faço você gemer.

Daí em diante houve apenas o conversar de corpos se conhecendo, se provando... Logo Santana abocanhou com desejo os lábios de Quinn, que tirou rapidamente os óculos escuros da latina para que houvesse mais liberdade no beijo. Conforme as coisas esquentavam, as roupas iam sendo descartadas, e os gemidos sicronizados tornavam-se mais intensos e os corpos em fricção só esquentavam cada vez mais. Santana era conhecedora em trilhar caminhos com os dedos. Ela dedilhava desde o maxilar trincado de excitação de Quinn até sua cintura perfeita, onde arranhou com volúpia até sua virilha, sentindo com o polegar a umidade que ela havia provocado com seus toques ousados.

–Se não quiser que eu te bata, acho bom parar de me provocar e me fazer sua, oh dos óculos escuros- Santana soltou uma risadinha sapeca, sem parar de brincar com a ponta dos dedos pelo clitóris excitado da loira, ora circulando-o ora escorregando para sua entrada escorregadia. Quinn gemia sofrida- É sério, Tana... Cuida logo.

–Humm... Tana é?- ela fez menção de penetrar a loira, porém somente circulou pela entrada e voltou para o clit.

–Achei bonitinho... Mas vai, anda... Eu já estou a ponto de explodir- ela implorava, jogando os cabelos negros de Santana para trás, para acariciar-lhe a nuca.

–Só se aceitar namorar comigo.

–Mas eu mal te conheço- ela já roçava o quadril mais forte contra os dedos da latina, em busca de mais contato.

–Já eu sinto que você já é minha faz tempo- Quinn a olhou pasma... Não sabia por quê, mas seu coração só palpitava cada vez mais forte pela morena que mal conhecia. Elas tinham uma química muito forte para se conhecerem apenas há alguns dias. Mas pra Santana, esse jeito precoce que estava levando em nada lhe atrapalhava, pois ela nunca sentiu por ninguém o que sente por Quinn agora.

–Vai ser coisa de louco, mas eu aceito- Santana sorriu abertamente, beijando a loira- Mas vamos precisar de muitos encontros pra que isso deixe de ser tão assombroso e eu possa dormir direito a noite... Deus, isso é realmente uma loucura.

–Como quiser, senhorita Fabray...Mas agora...- foi escorregando lentamente dois dedos até o núcleo de Quinn, com seus lábios roçando nos dela- Eu preciso satisfazer minha garota.

–Oh céus!- a loira suspirou, aprovando a invasão- Eu sou sua, Santana.

–E eu sua, querida- e mais uma vez os lábios se encontraram em um beijo profundo, sensual, porém mais ainda de desejo. Santana por um tempo manteve seus movimentos lentos e fundos, mas logo, conforme os gemidos da loira foram ficando mais intensos, ela aumentou a velocidade das estocadas, fazendo Quinn passar a soltar uns gritinhos finos e excitantes a seu ouvido, ameaçando estar chegando a seu ápice. Seu orgasmo não demorou se apresentar... Mas Santana não esperou que ela se recuperasse. Se posicionou melhor entre as pernas da loira, juntando as umidades de tanto desejo, passando a friccionar-se forte contra o corpo de Quinn, que já se contorcia ainda mais por ainda estar sensivel do último orgasmo. Logo a loira circundou a cintura morena com as pernas e moveu o quadril sinuosamente ajudando Santana com a movimentação.

Enquanto Manu e os convidados procuravam por Santana, ela e Quinn se exploravam cinco andares acima onde futuramente seria a sala da latina como já presidente da empresa. Aquilo era mais que um sexo quente e gostoso... Ela já sentiam que era algo além... Amor? Acreditam nessa velocidade de fatos?

~°~

Quando Santana finalizou a história, seu filho já dormia de mau jeito em seu colo. Ela contou tudo em um resumido tranquilo e sem tanta riquezas de detalhes como se lembrava. O restante, a noite quente que se sucedeu as duas, ela guardou pra si em pensamentos. Brittany ouviu a história até o final e sentiu algo em seu estômago revirar pela expressão de carinho que Santana mantinha ao falar da ex esposa.

Não sabia por quê, mas aquilo lhe incomodou sim e muito, o que lhe rendeu uma semana tortuosa e enfadonha, onde não se concentrava mais em nada, senão nas lembranças da história e o clima estranho no parque. Ela se perguntava no que aconteceria caso Charlie não chamasse pela mãe naquele momento... O que aquilo se tornaria. Havia sido estranho, sim, mas por que sua cabeça estava tão bagunçada? Agora mais ainda ela queria ir embora daquela casa... Ela tinha que sair dali de qualquer jeito.

Na sexta, sequer voltou pra casa depois da escola. Kitty estava de volta a Nova Iorque e fez com que a loira desviasse seu caminho para uma festa que aconteceu em uma casa abandonada, onde ela ficou com três caras diferentes, porém nenhum fez com que ela conseguisse afastar seus pensamentos de Santana. Já estava achando que a loucura lhe alcançava. Quando chegou em casa já se aproximava das quatro da manhã. Entrou trocando os pés, subindo as escadas quase que arrastada, praguejando aos quatro ventos a trombada que deu em uma mesinha que segundo ela estava correndo de um lado a outro do corredor, lhe provocando.

Queria ir direto a seu quarto e morrer na cama gigante que lhe colocaram ali, mas o quarto de portas duplas de uma madeira evidentemente cara lhe pareceu chamativo no fim do corredor. Entrou cautelosamente no local que era iluminado apenas pela luz hoje bem clara daquela noite fria. Notou que a latina dormia tranquilamente em sua cama de casal de madeira escura, com uma serpente grotesca envolta de um L talhada na cabeceira. A loira fez careta, tropeçando no tapete e caindo no chão de qualquer jeito.

–Inferno!- resmungou baixinho, levantando-se com extrema dificuldade, apoiada na cama grande da latina. Brittany andou alguns centímetros para sentar-se ao lado da morena na cama. Ela olhava para o nada, como se sua alma tivesse sido sugada. Santana sentiu a presença de alguém no quarto, e apesar do cheio forte de alcool, pode sentir o perfume embriagante da loira.

–Mhmm... Brittany?- despertou, sentando-se na cama com uma feição preguiçosa no rosto. Quando colocou a mão na cabeceira para pegar os óculos, Brittany segurou sua mão.

–Não... Eu prefiro você sem eles. Odeio essa pegada Stevie Wonder- riu pra si, dando um gole da bebida que trazia em uma garrafa pela metade.

–Brittany, você está bêbada?

–Depende, você também está?

–Deus... Se sua avó vê-la assim...

–A “véia" bate as botas, eu sei... Então shiiii- disse arrastada, levando os dedos que segurava a garrafa pra tampar os lábios da latina, que fez careta por ter sentindo a boca da garrafa na sua o gosto amargo da bebida.

–Céus, você precisa de um banho e cama agora... O que faz em meu quarto?

–Sei lá... A porta estava aberta. Não deve deixar a porta aberta. Vai que entre um estuprador?- a loira fez uma careta de medo.

–Ou uma adolescente inconsequente bêbada- cruzou os braços, Brittany deu de ombros- Você precisa ir dormir. Amanhã falamos sobre isso.

–Não. Eu preciso te dizer uma coisa- levantou uma mão enquanto repousava a garrafa na mesinha com o despertador de Santana.

– E o que é?

–Você é estranha.

–Bom, obrigada pelo elogio?- arqueou a sobrancelha- Agora vá dormir, Brittany.

–Não... Você está me deixando confusa.

–Por que?

–Esse seu jeito estranho, chato, metido e atencioso. Tem que parar com isso.

–Ainda não percebi o motivo de tê-la deixado confusa- o semblante da latina agora era de intriga- Brittany, o que...

–Eu não gosto de você...Você é tão perfeita aos olhos de minha avó que me irrita quando ela nos compara- revelou de maxilar trincado.

–Oh... Me desculpe, mas...

–Cala a boca, ta? Cala essa maldita boca bonita que... — a loira pausou, encarando os lábios carnudos da latina- Eu desde o parque quero beijar.

–Brittany... — Santana tentou argumentar, mas as palavras morreram em sua garganta quando Brittany pousou seus lábios contra os dela em um beijo tímido e meio desajeitado. A loira usou das duas mãos para segurar cada lado do rosto da latina, passando sua língua entre os lábios carnudos pedindo passagem. Santana tentou cessar com aquilo, mas seu corpo não reagia a tais impulsos, senão segurar um dos braços da loira e o apertar quando o beijo se intensificou, fazendo Brittany gemer curto. Quando a loira pendeu para cima de si, cobrindo o corpo moreno com o seu, Santana sentiu seu ser revirar e algo gritar em sua cabeça, porém o barulho das batidas de seu coração estava muito alto para dar atenção a ele. E agora?

Notas finais
Uhhhhhh... mandem ver... Me digam o que acharam sobre as duas situações. Bj e obrigada a todos.