A liberdade em um olhar
11 Kitty ataca novamente/ Britt Britt corada
Notas iniciais
O Sol parecia querer provar algo nesse dia que iniciava em Nova York. Estava exageradamente quente. Santana não se agradava de ares-condicionados... Sempre gostou das brisas frescas que atravessavam as janelas e ninavam seus sonhos e, todas, hoje então estavam abertas, pois o calor já a incomodava bastante. Seu sono não seguiu o curso normal, dormiu muito pouco. Seus olhos permaneceram abertos aquele restante de noite passada e boa parte da manhã. O calor ajudou muito nesse fato, mas o caso é que, o que Brittany fez com ela não saiu de seus pensamentos. Santana se sentia errada por ter de alguma forma retribuído a investida da adolescente, naquele momento enquanto a mesma estava bêbada, e isso ia completamente contra a sua índole. Ela estava certa de que teria que conversar com Brittany sobre isso e Susan logo em seguida, a avó da adolescente não deveria ouvir de outra pessoa senão a própria latina. Não queria que aquilo virasse uma bola de neve de proporções terríveis. Sabia como eram os adolescentes, suas intensidades podiam ser bem corrosivas às vezes e com Brittany e toda sua revolta não seria diferente.
Não mesmo.
Levantou-se logo após o despertador soar... A água gelada lhe aguardava, fazendo assim o corpo moreno inteiro ganhar frescor absoluto. Durante o banho ela refletiu mais ainda... Abaixo, nas digitais dos dedos, ainda sentia a sensação de estar tocando a pele macia de Brittany...
—Tão macia quanto acariciar uma nuvem- ela murmurou, deixando um sorriso de canto solene- Bela Brittany... O que fazer agora quando já vi seu rosto e conheço sua pele, as curvas de seu corpo?- uma grande característica de um deficiente visual tão perspectivo como Santana é que, ele nunca esquece em algo que toca... Que serve como ver para quem possui a visão saudável... Aquilo não só impregna na mente, como no corpo inteiro. O tato parece codificá-lo, separa dentre os mais especiais, delicados e prazerosos toques deixando o cérebro em colapso- “ Estas alegrias violentas têm fins violentos,
falecendo no triunfo, como fogo e pólvora,
que num beijo se consomem"- citou Shakespeare, tocando nos lábios em um sorriso curto, meigo, mas ainda contrito- Lábios finos sabor adolescência- deu uma risadinha, encostando a testa na mão apoiada contra a parede- Doces lábios embriagados. Sou louca por pensar nesses lábios? Ou talvez ela foi louca em tocar nos meus? Creio eu que o planeta tem a gravidade que merece... Pois senão, essa pobre espécie flutuaria por estas sensações de gravidade zero- escorregou a mão até alcançar a registro, desligando assim o chuveiro- É... Tenha um bom dia, Santana...Um bom e quente dia.
***
—Porra, parece que me enfiaram em uma panela de pressão- Brittany reclamou ao despertar. Estava muito quente até para ela ficar na cama. E olha que não era tudo que fazia a loira deixar de dormir até mais tarde, principalmente hoje que era sábado. Sem deixar de citar a tão torturante ressaca que aparentava querer rachar seu crânio.
Se arrastou para fora da cama e foi de passos lentos, preguiçosos e dolorosos como nunca depois de uma bebedeira, e se enfurnou no banheiro. Ao olhar para a banheira enorme que se situava bem ao fundo, feita de mármore branco com detalhes em prata e dourado nas bordas e nas torneiras, se sentiu seduzida àquele espaço e decidiu:
—É, bem aqui que eu vou me aninhar... Essa ressaca vai me matar se eu não curá-la nessa linda, aconchegante e que cheira a rosas, banheira de hidromassagem- esboçou um sorriso presunçoso, abriu as torneiras da banheira e começou a se despir. Enquanto seu banho era preparado, ela se limitou a olhar no espelho por alguns segundos... Certas coisas se trituravam em sua mente bagunçada e ela soltou um gemidinho de desagrado, arrependimento, frustração- Por que você sempre é tão burra, Brittany?- bateu a mão na testa e escorou um dos cotovelos na pia, pensativa- Espero não ter feito nada que me arrependa por resto da minha vida, ontem. Melhor nem pensar a respeito... Preciso mesmo é relaxar... Pelo menos por hora- respirou fundo e após alguns passos, se certificou que a banheira estava cheia o suficiente, desligando em seguida ambas as torneiras médias. Entrou sem demora... A água estava tão refrescante que só deu tempo de Brittany apoiar a cabeça na lateral da banheira e caiu em um sono pesado.
Susan preparava o café da manhã no andar de baixo. No seu antigo radinho de pilhas localizado há anos sobre um suporte na parede da cozinha, ela se deleitava escutando músicas de Frank Sinatra, seu cantor preferido desde a jovialidade. Santana quis uma vez trocar aquele rádio por um novo e melhorado, mas Susan apelou dizendo que se ela trocasse aquele aparelho, teria que lhe trocar também, já que era velha e ultrapassada de igual forma. A latina quase teve um enfarto pela colocação da senhora e resolveu se desculpar, desistindo de dar esse presente a ela. Há certas coisas que não se podem mudar ou lutar contra, Susan Pierce era uma delas.
Santana logo se apresentou na cozinha. Bem arrumada, como sempre, com um terninho feminino na cor preta, já se preparava para mais um dia de trabalho na advocacia nesse sábado quente que hoje se mostrava.
—Bom dia, querida Susan.
—Bom dia, filha. Como foi sua noite?- Susan perguntou ao abraçar sua “criança", como ela sempre se referia a Santana. A latina se impressionou pela pergunta, lembrando-se do ocorrido na madrugada com a neta de sua eterna babá. Ela buscou não hesitar na resposta, pois a senhora logo notaria que algo não estava certo.
—Foi quente... Muito- não soube nesse momento se falava do clima lá fora ou do clima que ficou no seu quarto com a “pegação” repentina com a neta alheia.
—Realmente o calor está um castigo nesses últimos dois dias- Santana suspirou. Quente foi a palavra certa para o ocasião (in) desejável com Brittany. Ela realmente não esperava isso da Loira, mas não podia negar que sim gostara daquilo. Se punia mentalmente... Mas, quem pode apontá-la? Há tempos Santana não se envolvia com ninguém, Brittany é muito atraente, como lutar contra? Pode ser carência, como Quinn mesmo havia colocado quando se falaram na empresa- San?
—Hum?
—Perguntei se você aceita algo gelado para tomar nessa manhã ao invés do café, já que está tão quente. Mas está tão perdida aí em pensamentos que nem me deu bola.
—Não, não é isso, eu só...
—Relaxe, está bem? Algo novo à tona?- Susan tocou na mão da latina e a mesma deu uma leve tossida.
—Não... Só refletindo.
—Conheceu alguém, San? Me lembro que ficou assim quando conheceu Quinn e se sentiu apaixonada pela mesma- a latina se limitou a sorrir.
—Também não. Creio que um novo amor agora seria como levar uma pedra para um morro, não acha?
—Não entendi a colocação.
—Estou brincando, minha querida. Relaxe, estou bem.
—Santana...
—Charlie ainda dorme?- resolveu mudar de assunto antes que as coisas se complicassem.
—Sim e parece que minha neta sem juízo também. Vou alí acordá-la para o preparo de Charlie...
—Não é necessário. Deixe que durmam até mais tarde, hoje é sábado. Não tem escola. Deixe-os, OK? Até mesmo eu não irei ao trabalho hoje... Vamos todos aproveitar.
—Mas Santana... Não dê asas para a rebeldia de minha neta. Ela só tem dado trabalho. Não merece regalias.
—Até os jovens aloucados merecem um dia para descansar até mais tarde... Assim com as senhoras babás, você, que nunca relaxam na vida só pra manter seus assegurados, eu, mesmo já velhos gagás, para cuidar de si próprias. Deixe suas tarefas de hoje e descanse, saia com suas amigas da igreja, não sei... Se divirta. Estou lhe liberando.
—Você por acaso bateu a cabeça em algum lugar? Vou ligar para o seu avô agora- Santana soltou uma gargalhada e se aproximou da amiga.
—Já viu o dia lá fora? Eu não- Susan riu da brincadeira- Mas sei e sinto que está maravilhoso, o Sol tão quente deve estar fazendo tudo brilhar. Então, dona Susan Eleonor Pierce, vá curtí-lo. Avise a Ryder que também está liberado.
—Santana...
—Agora dance Sinatra comigo- a latina começou a cantarolar a música que tocava, Fly Me To The Moon, puxando a senhora para dançar consigo, que ria da bobeira da outra. Santana rodopiava com Susan pela cozinha, fazendo sua amiga rir intensamente, sempre mantendo cuidado para que sua patroa não acabasse batendo em algo. Da entrada Brittany via tudo, sentindo uma pontada no coração ao lembrar-se de quando tinha essa relação tão de amizade com a avó, onde ambas riam de tudo, faziam programas animados e ainda tinha colo que só Susan sabia dar quando a loira estava triste... Como as coisas podem mudar tão rápido assim?
—Que se dane... Isso não me faz falta. Espera só eu sair desse lugar... Nunca mais ela terá o desprazer de viver comigo assim. Que fique com a cega alegre dela- falou com amargura, dando meia volta e retornando a seu quarto. Santana pode ouvir os passos pesados de raiva da adolescente e suspirou: “Deus, algo me diz que isso não será nada fácil".
—Você acha que Brittany um dia voltará a gostar de mim como avó?- Susan perguntou ao deitar a cabeça no peito de Santana e abraçar sua cintura. A latina envolveu a senhora em um abraço protetor e beijou o topo de sua cabeça.
—Ela nunca deixou de amar você, minha querida... Mas sabe o vermezinho do orgulho, da revolta? Pois é... Estão se proliferando na adolescência dela. Vamos cuidar para que não polua seu ser também. O dela é muito puro para se perder assim.
—As vezes sinto que a culpa disso tudo é minha... Não devia...
—Shii, esqueça isso... Vamos dançar Sinatra...
Fly me to the moon and
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On jupiter and mars
In other words, hold my hand
In other words, darlin, kiss me
***
—O que você quer fazer hoje?- Char perguntou visivelmente entediado. O pequeno estava deitado na cama de Brittany, com a cabeça para fora, para assim, mesmo de costas, poder ver o que a loira fazia. Ainda de pijamas, ele tentava tirar a babá do quarto para brincar, mas ela somente o ignorava e continuava a navegar na internet- Britt Britt, eu quero brincar.
—Então por que você não vai jogar no seu vídeo game que custa mais que minha vida lá na sala de jogos?
—Está quente... Quero brincar lá fora.
—Você tem centenas de brinquedos... Até uma moto enorme de brinquedo... Por que não vai lá curtir sua vida de rico e me deixa em paz aqui, hum?
—Você é chata demais, meu Deus. Não sabe aproveitar a vida, a natureza?- fez careta de desagrado.
—Já ouviu falar em Facebook?- Char afirmou- Pois é... Quando se entra nisso, esquece a vida e fica praguejando as dos outros.
—Depois eu que sou criança- o pequenino revirou os olhos- Que tal a piscina? Podemos brincar de...
—Charlie, vai passear e me deixa.
—Urrrrrrr- Charlie grunhiu impaciente e acabou indo embora dali, desistindo da batalha. Mas com certeza não da guerra- Vovó, preciso de sorvete... Muito sorvete- ele pediu ao entrar na cozinha e avistar Susan lavando vasilhas- Por favor.
—Por que essa carinha?
—Britt não quer brincar comigo... Fica só clec clec clec clec hihihi clec clec- o pequeno imitou a loira digitando e rindo por nada, fazendo Susan sorrir- Quem eu preciso matar para ter a atenção dela?
—Talvez ela só precise de um incentivo- comentou servindo Char com uma tigela grande de sorvete de chocolate, onde o mesmo olhou como uma carinha sapeca.
—Vovó, a senhora é uma gênia- levou uma colher cheia de sorvete para a boca e sorriu, perverso.
*--*
—Sério que o Jake falou isso de mim?
—Mais que sério. Ele se sentiu mal por você ter ido embora e acha que a culpa é dele, então foi onde sua querida mamãe e contou tudo a ela, desmentindo assim a história que vazou sobre sua virgindade— Brittany ficou boquiaberta- Não só pra ela, mas também para a escooola inteira. Tirou seu nome dos becos, amiga.
—Isso não quer dizer nada. Ele foi um cretino espalhando isso sobre mim.
—Mas não foi ele.
—Não foi?- Brittany corrigiu a postura na cadeira, ajeitando o telefone melhor no ouvido.
—Segundo ele, não. Foi coisa da Bree, aquela recalcada, ex dele. Fiquei sabendo pelo próprio que ele até gosta de você e sente muito por sua partida.
—Aquela vadia!- socou a mesa com o computador sem se importar com a dor que isso lhe causou na hora.
—Credo, miga, desliga o modo super girl- Kitty fez careta do outro lado enquanto pintava as unhas com um esmalte extremamente rosa- Por acaso ouviu o que eu disse?
—Daquela vaca da Bree acabar com minha imagem? Sim, ouvi. Vou arrancar as unhas dela uma a uma com uma pinça enferrujada.
—Credo, Britt. Me refiro ao fato do Puckerman ter dito que gosta de ti.
—Aposto que foi da boca pra fora. Da última vez que nos encontramos, ele quis um espaço entre minhas pernas, isso sim, não me encher de amor- mordeu o lábio, sentida. Sempre sentiu algo por Jake Puckerman desde a quarta série. Mas o garoto sempre foi descolado demais pra repará-la, isso até quando Brittany passou a andar com Kitty, uma das garotas mais “pichadas" da escola, o que fez a meiga neta de Susan, a carinhosa, dedicada e tenra filha de Rose acabar com a mesma fama. A mudança de Brittany foi tão da água pro vinho que assustou até quem não era do seu meio familiar e afins.
—Quem pode saber? Homem é um ser muito quadrado... Ninguém sabe em que canto ele pode atuar, só sabe que vai. Se ele gosta ou não... Se ele quer ou não só te traçar, isso só Deus. A gente só tem que aproveitar a dádiva... Se ela tiver uns 25 cm, melhor ainda.
—Credo, Kitty, você é tão promíscua- Brittany rolou os olhos... Kitty deu de ombros- E o colégio? Sabe da Marley?
—Quem se importa com colégio e Marley tendo tantas coisas mais divertidas e quentes para se fazer?
—Eu me importo... Ela é nossa amiga e por nossa causa ela quase morre.
—Nossa nada, ela foi porque quis. Não lembro de ter amarrado ninguém e jogado no porta-malas do meu carro. Mas pra sua informação, eu a vi, não lembro aonde, e ela está muito bem, obrigada. Agora me escuta e esquece essa baboseira- antes que Brittany desse um sermão, se apressou em continuar- Estaremos em Nova York hoje ainda, para uma festa em uma casa noturna secreta. Você mais que está dentro, não é?
—Vou passar essa, amiga. Tenho prova de história nessa segunda, minha avó me mata se eu tirar nota baixa. Tenho que estudar- Kitty soltou uma potente gargalhada do outro lado.
—Desde quando você se preocupa com isso mesmo?
—Não quero aborrecer minha mãe, você sabe.
—Sua mãe não vai morrer se você for a uma festa, Brittany. Porra, você tem 17 anos... Tem que viver, garota.
—Fala isso para minha família.
—Estou dizendo para você. Deixa de cuzisse e se encontra com a gente naquela rua de sempre, que pegamos você no caminho da festa.
—Kitty...
—OK, Britt Britt? Posso contar contigo nessa? Sabe que nunca te deixei na mão. Hum?
—OK...Vou estar lá.
—Às dez, não se esqueça. Coloca uma roupa bem sexy que a gente descola umas paradas legais com aqueles caras das tatuagens engraçadas no pescoço de novo.
—Acho aquilo horroroso... Quem tatua um macaco no pescoço?
—Porque você não viu a de palhaço escrota nas costas- as duas riram— Enfim, tenho que ir agora. O dinheiro da bolsa da minha mãe não vai sair sozinha de lá, não é? Preciso das passagens de trem para NY. Beijocas.
—Beijos, sua louca- Kitty foi quem desligou, Brittany respirou fundo- Mal me recuperei da última- choramingou, depois riu- Mas que foi legal, foi. O que há de errado em querer se divertir mesmo?
—Eu digo o mesmo, Britt Britt- Char apareceu atrás de Brittany, com uma pistola de água, apontando para ela. Sorriu danado e a loira arqueou uma sobrancelha.
—Ah não, Charlie... Nem ouse.
***
—CHARLIE, SEU FILHOTE DE CAPETA... VAI ME PAGAR POR ISSO- a loira corria atrás do pequeno, que estava desesperado. Ele só queria divertir sua babá, mas não deu muito certo. Após molhá-la quase por inteiro, agora corria como se sua vida dependesse disso pelo casarão dos Lopez.
—Eu só quis ser legal, Britt Britt. Você parecia tão frustrada com o calor... Lhe fiz uma simples gentileza.
—De gentilezas assim o inferno está cheio, seu pestinha- ela quase o alcança, porém ele se jogou por debaixo da mesa e saiu deslizando para o outro lado. Brittany, por sua vez, escorregou na água que caia de seus cabelos e bateu contra o sofá, caindo do outro lado. Charlie teve uma terrível crise de risos que só deixou a loira ainda mais zangada. Ela então levantou, toda torta e cabelo desgrenhado, voltou a correr atrás dele. Os dois passaram correndo, derrubando coisas pelo caminho perto de Susan. A senhora se assustou.
—Senhor, é a terceira guerra mundial!- a senhora disse, pasma. Brittany conseguiu segurar Charlie, mas ele se soltou tirando a blusa de pijamas, caindo sentado e voltando a correr, deixando a babá com a peça de roupa na mão e um rosto bem vermelho de raiva.
—SEU PESTE... VOLTA AQUI!
—Ah ta que eu vou parar pra você torcer meu pescoço- o pequeno deu de ombros e correu para a área da piscina... Brittany foi atrás. Foi então que ele desapareceu... Não mais pode ser visto. A loira bufou, procurando com o olhar apenas pela vasta área da piscina, colocando a mão na testa para poder enxergar melhor pois a luz do Sol estava forte e incomodava seus olhos claros. Avistou uma peça de roupa dentro da piscina e logo percebeu se tratar da calça de pijama de Char. Seus olhos se arregalaram e o desespero bateu.
—Minha nossa, o moleque morreu afogado... CHARLIE!- a loira se aproximou da borda da piscina e passou a gritar pelo garoto. Mal sabia ela que o pequeno travesso estava atrás de si, sorrindo como se fosse aprontar a pegadinha do século.
—Bom mergulho, Britt Britt- então ele a empurrou para dentro d’água, porém ela ao cair, segurou em seu braço e os dois acabaram banhados na piscina.
—Seu filho de uma...
—Sem palavrões... É pecado- Charlie ergueu as mãos e Brittany lhe deu um beliscão no bumbum, o loirinho riu. Não foi forte... Ela era tudo, menos violenta com crianças, mesmo que merecessem.
—Eu devia era te afogar.
—Pera, vai me dizer que não foi engraçado?- ele cerrou o olhar para ela, que o olhou séria... — Você sabe que faço isso para te ver feliz... Alegrá-la. Sei que isso tudo é chato pra você, mas queria muito que gostasse de mim ao ponto de se divertir comigo-...mas não demorou muito para abrir um sorriso enorme. Char era realmente um garoto muito fofo.
—Eu te odeio, seu monstrinho- puxou o pequeno para um abraço, afagando a cabeça dele com o punho... Char riu.
—Odeia nada. Aposto que já morre de amores por mim.
—Não abusa, moleque- afundou o pobre na água, nadando até a beirada. Ele retornou a superfície sorridente- Vou colocar meu biquíni pra gente nadar o pouco, o que acha?
—Perfeito!- Charlie ergueu os dois polegares em um “joinha", nadando depois para a parte mais rasa da piscina. Ele já nadava excepcionalmente. Quinn era da equipe de natação quando estudava no ensino médio, foi medalhista até, então passou tudo que sabia para o filho, ensinando-o a nadar quando ainda tinha poucos meses de vida.
—Charlie, não entra por aí, vai acabar molhando tudo, seu...- Brittany estava fora da piscina, gritando para alertar o loiro menor que não entrasse pela sala, porém por um descuido quase cai de volta se não fosse uma mão amiga agarrar a sua e lhe puxar rapidamente da beira. Só que, como inesperado, Brittany no susto acabou trombando em quem lhe ajudara, o que ocasionou de ambas caírem no chão.
—Por essa eu não esperava... Acho que desconheço minha força... Ai!
—Santana? Ai meu Deus, eu quebrei você em algum lugar?- a latina começou a rir pela agonia da loira, que deu por cair em cima dela.
—Não, quebrou nada... Pelo menos eu acho que não. Mas meu traseiro provavelmente vai precisar de gelo. Ele amorteceu nossa queda- foi a vez de Brittany rir. Ela tinha que concordar que era uma situação engraçada.
—Desculpa, acho que te molhei inteira.
—Não estou reclamando, minha cara- Santana ergueu uma sobrancelha, apontando para o próprio corpo, fazendo Brittany arregalar os olhos- Estava correndo... Estou suada de mais, você só me refrescou- piscou um olho de maneira galanteadora para a adolescente que se sentiu encabulada, desconcertada e até mesmo chegou a corar com aquilo, o que levou Brittany a se xingar muito mentalmente por reagir daquela forma. Mas pudera, Santana era linda, tinha um corpo perfeito, quente, uma voz sexy, era simpática demais, inteligente... Tirando o fato de ser cega, ela era quase perfeita, pensou Brittany. Tanto que a loira se perguntou se isso não enjoava. Se perguntou também se foi por isso que Quinn deixou a morena, mesmo não sabendo ainda quem deixou quem. Talvez Fabray fosse como ela, prefere os mais cafajestes aos românticos e tão simplórios... As pessoas normais.
Santana então sorriu... A loira ficou quieta esse tempo todo, devaneando, e, apesar de não poder ver as expressões dela, a latina sabia bem o que se passava. Os lábios carnudos ao deslizarem para sorrir tão abertamente, deixaram amostras covinhas lindas que só ajudou a deixar Brittany mais perdida ainda em sua própria mente... Sem falar que esse gesto a fez inconscientemente sorrir também.
“Que sorriso botinho!". Pensou consigo.
A adolescente estava tão avulsa ao momento que não percebeu a mão de Santana avançando lentamente até seu rosto. Ao sentir o toque quente da pele morena, ela rapidamente despertou de um transe, porém acabou caindo em outro: o sentimento de conforto que aquela carícia em sua bochecha provocou por todo seu corpo. Logo os dedos de Santana alcançaram os lábios rosados e finos de Brittany e lhe fizeram o contorno com tanta delicadeza que fez o coração da loira acelerar de uma forma que ela achou estar enfartando.
—Mamãe e Brittany estão namorando?- Char perguntou a Susan enquanto os dois observavam a cena de longe.
—Santo Deus... Será que...- a senhora nem ousou completar a frase- Venha, querido, me deixe lhe servir um pedaço enorme de bolo de chocolate.
—YEH!- o pequeno loiro comemorou. Susan foi encaminhando o neto postiço para a cozinha enquanto ainda olhava para as duas na piscina, com Brittany encima de Santana trocando sorrisos com ela e algo em seu coração apertou. Balançou a cabeça negativamente, suspirando.
—Você tem um belo sorriso!- Santana quebrou o silêncio- Vê-los deve ser perfeito, mas tocar seus lábios para desenhar teu sorriso, me soa bem mais lisonjeiro.
—É bom.
—O que é bom, Brittany?
—Seu toque... — tocou nos dedos da latina em seus lábios, apenas com as pontas dos dedos- Ele é quente... Confortante.
—Fico feliz em ser útil- brincou, Brittany sorriu, o que só deixou Santana ainda mais encantada por sentir o sorriso dela ainda maior sob seus dedos. A loira foi mover-se, acabou por tocar no abdômen desnudo de sua patroa. Era tão charmoso, sensual e ao toque, céus, causou um frenesi tão intenso na adolescente que arrepiou-a por toda a extensão de seu corpo- Espero que esteja muito confortável.
—O que?
—Você ainda está sobre mim- Santana apontou para os corpos ainda unidos, fazendo a loira corar. Ela agradeceu mentalmente por a latina não poder enxergar nesse instante.
—Me desculpa, de verdade. Não queria...
—Hey, foi brincadeira. Relaxa. Só me ajude aqui a levantar.
—Tudo bem- Brittany levantou, pegou nas mãos de Santana e a puxou para que ficasse enfim em pé novamente- Queria pedir desculpas novamente.
—Tudo bem... Foi uma prazerosa experiência- piscou novamente para a loira, sorrindo, o que realçou seu conceito sobre o olhar daquela latina... Era tudo, menos morto. Tinha mais luz que qualquer outro e era tão, vamos dizer, acalentador!- Eu vou subir agora. Até mais.
—Santana!- freou seus passos, acompanhando a direção da voz da loira, porém seus olhos focavam para baixo, um tanto inquietos como sempre.
—Pois não?
—Char e eu vamos nadar um pouco... Você não quer vir com a gente?- “Que droga, Brittany! O que pensa estar fazendo, sua imbecil?”- Vai ser legal.
—Eu ia adorar- a loira estirou um largo sorriso- Mas, infelizmente agora vou ter que dar uma passada no escritório para resolver uns contratempos. Fica para a próxima, ok? Obrigada por me convidar.
—Tudo bem, fica pra próxima- sorriu fraco, parecia frustrada, mas ela não sabia por que. Santana então se aproximou e tocou seu rosto.
—Perdoe-me por quebrar esse lindo sorriso. Não sabe o que eu daria para mantê-lo aí para sempre- Uau... Essa pegou Brittany de surpresa.
—Não me deve nada, mas mesmo assim agradeço a gentileza- usou rispidez nas palavras. Santana recuou a mão com um semblante de desilusão. Achou que estava indo bem com a adolescente. Acenou com a cabeça, depois se retirou- Que droga!- resmungou assim que Santana saiu de sua vista, sentindo algo estranho no peito lhe engasgar.
—Sua patroa é gostosa!
—Meu Deus, Kitty, está maluca?- virou-se, empurrando a amiga pra longe, senão podiam pegá-la ali e a coisa ficaria feia.
—Vim te visitar, oras... Não pode mais?
—Pode, claro. Mas aqui não. Se minha patroa te...
—Relaxa, foi ela que me deixou entrar.
—O que?
—Foi o que ouviu. Eu disse que era da sua escola.
—Kitty! Se ela descobrir que foi você que veio daquela vez, eu perco meu emprego.
—Perde nada, deixa de coisa. Do jeito que ela está gamada em você, eu duvido.
—Como é?- indagou pasma.
—Não vai me dizer que não percebeu que a cega lá está doidinha por você?- Kitty sugeriu, lançando um olhar malicioso para amiga.
—Claro que não. Ela apenas simpatiza comigo por causa da minha avó.
—Vai achando- a loira menor se sentou no banco de qualquer jeito, acendendo um cigarro e sem demora deu um profundo trago, jogando a fumaça contra Brittany, que deu algumas tossidas, fazendo careta- O jeito que ela olha pra você, mesmo sem nem poder enxergar, é bizarro.
—Você é maluca!- Brittany negou diversas vezes com a cabeça.
—Se eu sou maluca, você é uma louca de muita sorte.
—E por que assim?
—Sei de um jeito que você pode tirar proveito disso para ganhar uma grana com a cegueta e ainda ajudar tua mãe, assim podendo também voltar para Lima. Topa?
—O que você está maquinando aí, Kitty Wild?- se preocupou com o rumo dessa conversa. Kitty nunca dava um ponto sem virgula.
—Loirinha Pierce... – levantou-se do banco, foi até Brittany e apoiou um de seus braços no ombro dela- Você vai pra cama com a ceguinha milionária.
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