A liberdade em um olhar
5 Char
Notas iniciais
A loira passou o dia inteiro em seu quarto sem querer ver ou falar com quem quer que fosse. Depois de sua conversa com Santana, ela adormeceu imersa a seus pensamentos bagunçados e lágrimas teimosas que caiam livremente por seu rosto alvo ao fitar a foto que sempre levava consigo de seus pais e o pequeno irmão. Tinha um relacionamento tão bom com os três, porém isso se quebrou assim que seu pai se foi. Brittany tinha o semblante neutro em um sono que agora estava tranquilo. Em sua mente um verde brilhante se pintava agora. Os raios do sol estavam fracos, mas mesmo assim ainda esquentava sua alma e lhe fazia fechar os olhos e arquear a cabeça para trás para se deleitar da sensação daquele leve calor em sua pele alva e na maciez da grama recém cortada daquele jardim tão lindo, no parque da cidade onde seu corpo estava repousado. A risada gostosa de Ken ecoou mais a frente e ao abrir os olhos se deparou com seu pai brincando com o pequeno, que agora tinha cinco anos, e a mãe mais ao lado preparando o lanche do piquenique que sempre faziam no domingo.
–Hey, Britt, que tal se juntar a nós?- seu pai propôs enquanto Ken corria ao seu redor animado.
–Agora não, papai. Aqui está muito gostoso- voltava a fechar os olhos, relaxando ainda mais o corpo com o banho de sol naquela posição.
–Ela não vem?- Ken perguntou ao pai, que negou com a cabeça. O mais velho fez um gesto para que o loirinho se aproximasse para lhe dizer algo ao ouvido. Ken sorriu sapeca e os dois foram na direção de Brittany. Seu pai ficou a encarando bem de perto enquanto Ken se escondia por detrás dela. A loira sentiu a presença de alguém próximo de si e quando abriu os olhos, se deparou com os azuis de Roger, idênticos aos seus, e franziu o cenho.
–O que foi?- ela indagou sem entender por que ele a encarava.
–Você não foi brincar, então viemos até você.
–Foi? Cadê o moleque?
–Aqui- Ken pulou de repente em suas costas, o que a assustou.
–Ai, que susto, moleque!- o pequeno ria horrores da expressão zangada da irmã.
–Sabe, Ken, acho que a princesinha aqui precisa aprender como se divertir de verdade- Roger comentou com um sorriso danado desenhado nos lábios. Kennedy concordou com um singelo aceno.
–Pai, nem ouse fazer isso- mal ela disse isso, Roger lhe deu uma chuva de cócegas, fazendo-a se retorcer no chão em agonia e gargalhadas que contagiou não só a seu pai, mas também a Ken e Rose- Pára, pai, vou acabar fazendo xixi nas calças.
–Continua, papai- Ken incentivou ajoelhado ao lado da irmã.
–Ah é, moleque danado, vê se você gosta disso- ela puxou o pequeno para cima de si e o encheu de cócegas também. Os três já riam bastante da situação. De repente Brittany e Ken se entreolharam partilhando uma ideia de justiça. Os dois no mesmo instante pularam em cima do pai e lhe devolveram a brincadeira.
–Meu Deus, parecem três crianças- Rose comentou rindo do marido rolando com os filhos pela grama. Roger sempre foi um ótimo pai para seus dois filhos e um ótimo marido para Rose. Ele levava muita alegria para casa e a perpetuava para Brittany e Ken, que não poderiam pedir um pai melhor.
Foi com essa imagem da brincadeira com o pai e o irmão, que Brittany sorriu durante o sono e sentia por instantes aquela felicidade extrema como a que tinha com sua família. Mas daí a lembrança de que tudo aquilo poderia acabar por completo com agora a descoberta do estado de saúde da sua mãe lhe atingiu. Ela ficaria sozinha por completo agora. Bom, teria Ken, mas não é como estar com seus pais, pois sempre depositaram tanto amor a ela e no irmão que não saberia se existia algo igual em qualquer outro lugar. A tranquilidade agora dava lugar para a agonia e o medo crescente. Seu sono encurtou e agora não quis continuar por nada, fazendo-a despertar. Não sabia que horas eram, mas isso não importava em nada. Suas pálpebras foram se erguendo aos poucos e inesperadamente sua vista se focou a pequenos olhos esverdeados a encarando com curiosidade ao lado da cama, com os cotovelos apoiados a mesma e o queixo as mãos. Quando viu que a loira despertava, Charlie tombou a cabeça de maneira meiga para o lado, abrindo um lindo sorriso idêntico ao o de sua mãe latina. Um lindo sorriso por sinal.
–Bom dia, Britt!- ele disse encantadoramente, sem desfazer o lindo sorriso para a loira, que parecia ter se assustado por ver o pequeno ali no seu quarto- Oi, me chamo Charlie. Mas pode me chamar de Char, todos me chamam assim.
–Oi- Brittany disse timidamente, e ainda assustada, recebendo a mão do garoto estendida a ela educavelmente.
–Minha mamãe San disse que você vai cuidar de mim agora. Quer ser minha amiga? Eu não tenho muitos amigos, mas seria bem legal que você fosse a minha- ele disse com uma expressão em uma pontada de tristeza por isso. Charlie estudava em uma das melhores escolas de Nova York, mas não se sentia bem com seus colegas, pois a maioria não se importava em conversar, só queria estar de frente a um celular, videogame, computador e por aí vai. Ele era um menino muito meigo e doce, mas parecia que as outras crianças da escola não gostavam dele, e isso o fazia se sentir diferente dos demais.
–Bom, Charlie... – a loira pausou, sentando-se na cama e encostando-se a cabeceira- Quer dizer, Char- ele sorriu por ouvir seu apelido sair da boca dela- Você me parece um menino legal, mas acho que sou um pouco velha pra ser sua amiga.
–Em minha concepção, para ser amigo de alguém basta gostar daquela pessoa, não importando como ela seja ou de que classe ela venha ou sua idade. Deve ser uma pessoa que se simpatize e se possa confiar- Brittany ficou boquiaberta por uma criança daquela idade dizer algo desta forma- Eu gosto de você e sinto que posso confiar também. Você gosta de mim?
–Bem, eu... – ela olhou para o garoto, que tinha um semblante de expectativa sobre sua resposta. Respirou fundo e tentou formular algo que não o machucasse. Era somente uma criança- Olha, Char, eu acabei de te conhecer. Vamos dar tempo ao tempo, ta?
–Tudo bem- o pequeno assentiu um pouco frustrado, mas voltou a sorrir para a loira- Você gosta de panquecas?
–Gosto sim- Charlie ajoelhou-se na cama animado.
–Vovó Susan está fazendo uma montanha delas para a gente. Quer tomar café comigo?- Brittany não pode deixar de achar aquela criança muito adorável, principalmente naquele pijama azul de pequenos aviões. Ele lembrava muito Santana. Já Quinn, pelo encontro das duas loiras, Brittany só achava que o menino lhe parecia apenas na aparência, pois a achava arrogante. A loira tentou ser simpática com ele, pois estava sendo tão educado, mas ela não queria dar expectativas a ninguém daquela casa quanto a ser bem quista. Ao final de tudo iria embora e esqueceria tudo e todos dali.
–Estou sem fome, Charlie, mas pode ficar à vontade e ir comer suas panquecas.
–Mas não terá graça se você não for também. Eu até pedi para a vovó colocar um lugar para você ao meu lado- ele parecia ter se entristecido. Dava pra notar em seus olhinhos a decepção- Prometo ficar quietinho, mas venha, por favor.
–Não me sinto bem aqui, Char- ela não soube o porquê de ter dito aquilo para o garoto, mas queria ficar quieta no quarto.
–Por quê? Aqui é tão legal- Charlie fez uma careta de confuso, tombando a cabeça para o lado, o que Brittany achou fofo.
–É coisa de adulto. Você não entenderia.
–E nem pretendo. Adultos tornam até as coisas mais simples difíceis, só porque seu orgulho é maior que o amor-próprio e de outrem- o pequeno cruzou os braços e deu de ombros. Mais uma vez a loira se assustava com a forma que aquele menino pensava. Parecia ser mais inteligente que ela.
–Você tem quantos anos mesmo? Vinte?- ele riu.
–Eu tenho quase cinco.
–Céus!- ela balançou a cabeça negativamente e encostou a cabeça à parede, pensativa.
–Vai tomar café comigo?
–Não- ela disse breve, sem encarar o garoto.
–Por favor- Charlie pediu com uma vozinha melosa e chorosa- Não vai se arrepender.
–Discordo.
–Por favorzinho- ele reforçava, agora juntando as mãozinhas e fazendo um bico triste e uma expressão sofrida. Brittany tentou ignorá-lo, mas ao olhar o pequeno naquela súplica de uma simples companhia no café, não conseguiria deixar pra lá. Concordou mentalmente das palavras de Santana quanto os métodos de persuasão do filho.
–Está bem, eu desisto. Eu vou com você tomar café, mas pára de fazer essa cara. Isso assusta de verdade- Charlie riu, descendo da cama.
–Perfeito- ele aplaudiu, voltando a ficar animado- Quer que eu te espere aqui?
–Sim, por favor. Não quero descer sozinha. Essa casa me assusta.
–Tudo assusta você- Charlie ponderou brincalhão- E olha que ainda não viu o jardineiro daqui. Parece uma fuinha- ele fez uma careta engraçada, fazendo Brittany sorrir- Aguardo você aqui então- ela assentiu e foi para o banheiro. Apareceu minutos depois de banho tomado e uma expressão até mais calma. Char estava distraído observando a foto da loira com a família, balançando os pezinhos para fora da cama e cantarolando baixinho uma música que Brittany julgou ser dos Beatles. Blackbird, para ser mais precisa- Quem são?
–Minha família- a loira respondeu, pegando a foto das mãos do pequeno e guardando-a em uma gaveta.
–Você se parece muito com seu pai.
–É? Sempre me achei mais parecida com a mamãe- ela franziu a boca, borrifando um pouco de perfume no pescoço.
–São os pequenos detalhes que contam, Britt- ele ficou em pé na cama para alcançá-la- Seu pai também tem esse sorriso de anjo- tocou no canto da boca da loira, e depois apontou para sua própria bochecha- Assim como eu tenho os furinhos nas bochechas como a mamãe San. Poucos detalhes, mas de grande importância, porque amo demais minha mamãe e isso me deixa sempre próximo a ela, mesmo que estando longe- Brittany suspirou, relembrando o sorriso cativante de seu pai. Ele sempre a fazia rir por nada. A saudade ainda doía forte em seu peito- Vamos tomar café?
–Vamos sim.
Os dois saíram lado a lado pelos corredores. Charlie ia contando algumas histórias sobre o lugar, apontando e de vez em quando mexendo em algo que achava interessante. Era tão miúdo, mas grandemente esperto. Realmente uma raridade de criança, porque ele parecia captar coisas que ninguém mais tinha atenção. Os pequenos pés calçados a pantufas azuis, com uma boca de tubarão na ponta, alcançaram os degraus da escada e junto com a loira, foi descendo até encontrar a grande mesa do salão de jantar. Santana e Quinn já haviam acordado e tomavam seu café tranquilamente enquanto conversavam sobre o trabalho.
–Quem ficou responsável pelo caso daquela empreendedora japonesa, como é mesmo o nome...
–Shimizu- Santana completou, tomando um gole de seu café.
–Isso. Soube que Nelly quis o caso e você não deu.
–Exatamente, o entreguei para Mercedes.
–O que?- Quinn a encarou bestificada- Como deu um caso dessa magnitude para uma pessoa inexperiente, Santana? A garota acabou de se formar, sua maluca.
–Os melhores são descobertos pelos desafios vencidos, minha cara Fabray- respondeu calmamente- Vejo potencial na senhorita Jones, então não vi oportunidade melhor para provar minha teoria sobre ela. Sabe como sou.
–Sei sim, uma maluca- a latina riu, recebendo algo nas narinas que a fez alertar-se.
–Bom dia, Brittany!- a loira até se assustou com aquilo. Não tinha dito uma palavra e a latina sabia que estava ali.
–Bom dia- disse timidamente, observando Quinn e Santana voltadas a ela.
–Senta aqui do meu lado, Britt- Char pegou na mão da loira e a levou até a cadeira para que se sentasse.
–Hey, eu não ganho um beijo de bom dia?- Quinn reclamou para Char, que saiu correndo em disparada até a mãe e lhe agarrou pelo pescoço, beijando-lhe demorado a bochecha- Agora sim, meu pequeno polegar- Char sorriu, voltando para seu lugar ao lado de Brittany. Susan apareceu minutos depois com uma bandeja carregada de panquecas para Charlie, que bateu palmas animado e faminto pela comida. Brittany se sentia deslocada à mesa, olhando para os lados sem saber o que fazer. Charlie ia começar a comer, mas percebeu o estado da loira. O pequeno se colocou de pé na cadeira, pegou um prato e colocou algumas panquecas e serviu Brittany. Despejou bastante calda de chocolate ali, tudo sob o olhar de Quinn, que nunca viu o filho tão animado com alguém.
–Se quiser mais é só pedir- ele informou, lambendo os dedos lambuzados de calda.
–Obrigada, Char. Não precisava.
–Esse é o meu ‘’Seja bem vinda, Britt’’- disse começando a comer suas panquecas, balançando em seguida a cabeça em apreciação. Santana não entendeu muito bem a conversa, mas já imaginava do que se tratava, sorrindo internamente pela gentileza do filho. Era o ser que ela mais tinha orgulho na vida. Brittany estava vermelha pela ação do pequeno, e antes que explodisse ali, cortou um pedaço da panqueca e comeu. Estava maravilhoso.
–Como passou a noite, Brittany? O quarto ficou de seu agrado?- Santana perguntou, cortando o silêncio.
–Ficou sim, obrigada- ela disse breve, sentindo o olhar pesado de Quinn nela. Sentia que Fabray não havia gostado dela, era evidente. Logo porque ela também não tinha ido com a cara dela.
–Vejo que já se enturmou com o Char- a latina tinha um sorriso largo na direção da loira. Charlie olhou para ela e sorriu também, fazendo joinha com o polegar.
–É um garoto persistente- disse mais pra si que para Santana.
–Não sabe o quanto- Quinn concordou veemente. Charlie sempre se mostrou alguém de persuasão- Vai gostar da companhia dele. Charlie é ótimo para conversar- foi a vez de Brittany concordar- Bom, vejo que com Char já está tudo ok, mas quanto a escola, preparada? Começa na segunda agora, eu suponho.
–Sim, nessa segunda- tomou um pouco de suco, engolindo a pergunta sobre estar preparada. Ele realmente não estava nem um pouco sequer preparada para aquilo, para uma nova vida em um lugar estranho, com pessoas estranhas. Só queria estar em casa, ir às festas com os amigos, e mais ainda viver sua vida como ela achava ser a forma correta. Resolveu apenas responder brevemente- Vou me adaptando.
–Isso é bom. Nova escola, novos conhecimentos. O que acha, Fabray?
–Eu concordo- Quinn ofereceu a loira um sorriso forçado, voltando a seu café- Santana, antes de ir, quero acertar umas coisas do caso com você. Me acompanha até o escritório?
–Claro- a latina tomou um último gole de café e afastou a cadeira para levantar-se- Com licença- as duas saíram da sala e rumaram para o grande escritório ao lado da biblioteca de Santana. Quinn foi a última a entrar, trancando a porta atrás de si- Muito bem. Sou toda ouvidos, Fabray.
–Essa garota, Santana.
–Como?
–Essa tal de Brittany. Tem certeza que confia nela para cuidar de nosso filho?- Quinn perguntou desconfiada- Não fui com a cara dela.
–E por que eu não confiaria?
–Ora, por que... Ela é uma delinquente, Santana.
–Prefiro o termo ‘’adolescente confusa’’- a morena sentou-se a sua poltrona de couro e colocou a bengala ao seu lado. Cruzou as pernas, repousando a mão no joelho. Quinn revirou os olhos.
–Eu sinceramente não entendo esse seu empenho de ajudar pessoas ruins, Santana.
–Pelo o contrário, minha cara. Eu ajudo pessoas que merecem uma segunda chance. Não acha que todos merecem uma segunda chance?
–Pau que nasce torto, nunca se endireita. Isso serve para muitos.
–Para os que não possuem nenhuma qualidade, Fabray. Procuro potenciais, não perfeições.
–Que potencial vê naquela garota? Eu só vejo revolta e rebeldia.
–Quinn, eu a conheci ontem, não tem como já ter um dossiê dela.
–É nesse ponto que eu quero chegar- a loira sentou-se de frente a Santana, apoiando as mãos na mesa- Só a conhece mais pelo o que a dona S te conta dela e o contato mais presente foi apenas ontem. Charlie não é nenhum caso milionário que você joga na mão de um funcionário inexperiente, mas sim nosso único filho e bem mais precioso. É diferente.
–Sei disso.
–Então?
–Minha decisão continua a mesma. Devo isso a Susan- a latina mantinha sua postura calma perante a de controversa de Quinn.
–Eu amo você, Santana. É acima de tudo minha melhor amiga e mãe de meu filho, mas, veja só, não pode carregar todo o peso do mundo nas costas- Quinn repousou a mão sobre a de Santana na mesa- Sei que gosta de ajudar as pessoas, mas não acha que isso pode ser perigoso em certos casos?
–Quinn, com o dinheiro que eu tenho, nem se eu quisesse, eu conseguiria gastá-lo em cinquenta anos comprando besteira. Uns tem tão pouco e quero dar minha parcela de ajuda pra que esse mundo mude. Sem falar que sempre tive pessoas boas e humildes me apoiando quando mais precisei. Você sempre teve de tudo assim como eu, então não sabe o quanto dói ser limitada- Quinn suspirou pesado.
–Só fico com medo de que acabe se machucando. A você e Charlie.
–Eu sei me defender muito bem, Fabray- a loira riu, vencida pelo cansaço.
´-Tudo bem, Demolidora, só cuide para que você e nosso filho fique bem enquanto estou fora. Vocês sem mim se perdem.
–Corrigindo: Nós sem a dona S estamos completamente perdidos. Lembra aquela vez que Charlie teve cólica quando bebê e quase enlouquecemos sem saber o que fazer?
–Claro que me lembro. Passamos um verdadeiro perrengue- elas riram- Ela é sem dúvidas uma ótima pessoa. Se não fosse por ela em muitas coisas, a gente já estaria em algum sanatório.
–Por isso nunca hesitei em ajudá-la. Ela merece todo e qualquer esforço- Quinn concordou, levantando-se- Tudo bem pra você?
–Só não quero que se quebre- sentou-se no braço da poltrona de Santana, abraçando sua nuca.
–Você vem aqui me consertar- a loira sorriu, beijando a bochecha da amiga.
–Nem a pau eu volto dessa viagem diva por você, Santana Lopez.
–Sua ingrata! Eu sou sua patroa, lembra?
–Poderia ser minha mãe, nem ligo. É Londres, bebê.
–Bicha ordinária!- Quinn riu, acertando Santana com uma borracha que jazia sobre a mesa- Hey, quero detalhes quando voltar. Sei de um lugar ótimo ali que...
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Quinn ficou mais algumas horas com Santana e seu filho, partindo depois do almoço. Susan se negava a deixar a loira ir sem antes comer alguma coisa. Charlie passou o dia brincando em sua sala de jogos, adormecendo no colo de sua mãe enquanto ela lhe contava alguma história que seu pai o contava. Brittany se recolheu depois de colocar o pequeno na cama. Charlie se mostrava um amor de menino para a loira e ela não sabia se era só primeira impressão, mas parecia que ele não lhe daria tanto trabalho. Mas ela ainda estava insatisfeita com sua situação. A saudade de casa a assolava. Em uma hora dessas estaria se preparando para ir à alguma festa que suas amigas, mais precisamente Kitty, a arrumava todos os dias. Ela suspirou indo até a sacada que dava a uma vista incrível do grande jardim da casa. Ele estava agora banhado pela luz cintilante da grande lua escondida pela poluição da cidade grande. Dali dava para se ver alguns vagalumes planarem perto das folhagens das árvores e na fonte onde uma serpente tinha na boca um jorro mediano de água. Suspirou mais uma vez se sentindo entediada, quando de repente escutou uma voz a chamando mais abaixo.
–Brittany? Hey, vadia, olha pra cá.
–O que... Kitty?
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