Notas iniciais
Conhecendo mais personagens... Boa leitura!

Se passaram longos 4 dias, no primeiro, após a noite de insonia, tive a conversa com Jorge e Marta, meus pais, eles me disseram que eu sou uma pessoa sensível as coisas, que o mundo tinha sofrido uma fusão de tempos, que eu tinha presenciado o acontecimento assim como todos, mas tinha me abalado tão fortemente que entrei em choque, que causou minha perda me memoria. Disseram que o médico não sabia dizer quando e se minhas memorias retornariam e que tínhamos que fazer coisas que poderiam me ajudar a recupera-las. A Marta me mostrou a casa e logo saiu, Jorge foi trabalhar e não o vi até o dia seguinte. Os dias seguintes foram constituídos de tédio, comida, leitura e escrita, além das continuas conversas com meus pais sobre minha cabeça vazia de informações.

Marte e Jorge estão preocupados, está aparente, acho que estão com medo que eu nunca lembre, estão tão afastados de mim que nem parece meus pais, sinto que eles não querem me assustar com uma aproximação rápida já que não lembro deles, faz sentido.

Hoje resolvi sair, vou ir na biblioteca, venho sonhando com livros, livros coloridos, muitos deles, acordo com um desejo de lê-los, uma saudade, e como eu ando ficando muito em casa, é isso que farei. Eu tenho 17 anos e sou linda, então vou me animar, colocar uma roupa e nada vai me parar.

—Não.

—Mas mãe! Eu preciso ir, venho sonhando com eles, talvez me ajude a lembrar. Preciso ver pessoas, trancada aqui sinto que não existo.

—Não diga isso menina. Por que você não existiria?

—O simples fato de que não recebi nenhuma visita desde que voltei para casa, nenhuma mensagem. Sinto que eu deveria ter amigos e família.

—Tudo bem, mas seu pai vai te buscar daqui duas horas.

A biblioteca é um lugar charmoso, com sua cor nude e o senhor bibliotecário querido. Assim que me vê ele vem em minha direção de braços abertos e me aperta em um abraço longo e feliz.

—Minha Cassizinha, por onde andava? O Antônio passou por aqui semana passada umas cinco vezes, parecia te esperar, mas você nunca apareceu. Vamos, vamos, vamos, pegue sua chave, não há tempo a perder.

Ele me arrastou até a bancada, e até o fim do corredor e até a porta de uma cabine, abriu a porta me olhou e desejou boa sorte. Me sinto péssima por não saber quem ele é, assustada pelos meus pensamentos interrompidos tão rapidamente, angustiada por alguém me conhecer, saber meu nome e me abraçar como amigos, e curiosa o suficiente para deixar isso de lado e focar na salinha em que estou. Uma estante na parede do fundo, mesa no lado direito e no meio, há um livro em cima da mesa do meio, ele está aberto no mapa mundi, revistas na mesa da direita em uma ordem cronológica meio impossível e uma bolsa ao lado da mesa. Seguro cada livro que tenho naquela estante, não são muitos, folho cada pagina do livro em cima da mesa, e o tempo parece correr, pego todos as revistas da mesa e coloco na bolsa, me viro para sair, mas volto na estante e pego o livro que praticamente suspirou na minha mão, e então saio. Saio e fecho a porta, vou até o senhor e agradeço.

—Senhor, obrigada, posso voltar amanhã?-ele se vira para mim.

—Querida, você está bem?-é a primeira pessoa que me perguntou isso desde que me lembro.

—Claro.

—Volte quando quiser. O que digo se o Antonio aparecer?

—Diga que me procure, quero falar com ele também.

Papai me espera ao lado de fora, caminhamos lado a lado em silencio até a porte, e tudo fica escuro.

Notas finais
Quem SER Antônio??? :D —K