A janela vizinha
4 Hermione
Notas iniciais
Pra compensar a demora, vou postar mais uns três capítulos
Hermione não conseguia parar de sorrir.
– O que ele queria, filha? — Sua mãe perguntou.– Nada, reclamar da luz acesa de madrugada... — Ela improvisou, corada. Sua mãe sabia que não, ela os vira conversando. Hermione se deitou e ficou olhando para o teto, enquanto pensava em todas as brigas entre ela e Draco. Ele sempre a chamara de "sangue ruim", o que a fazia chorar demais, mas nunca chorava na frente de ninguém. E quando fazia, inventava uma dor qualquer. Mas depois de todos os xingamentos, ela lhe descia um soco no olho, sempre. Ela se lembrou dos olhares que Draco lhe lançava da janela do quarto dele. Lembrou também das mudanças no quarto dele, quando tinha carrinhos nas paredes azuis escuras, e depois bonecos de ação, que anos depois foram trocados por pôsteres de bandas de rock, que hoje continuavam lá. O quarto dela sempre fora azul claro. E cheio de livros para todos os lados. Ela sabia que, quando ele não fazia nada, ficava lá, olhando para ela. Os dois ficavam se encarando quando crianças, e só saíam pra ir ao banheiro, ou comer. E ela sorriu imensamente quando se lembrou do dia em que soube o nome dele. O menino disse:– Meu nome é Draco Malfoy.– O meu é Hermione Granger.– Seu nome é estranho.– Já pensou bem no seu? E assim os dois começaram a brigar. Ela riu e olhou pela janela. Malfoy estava lá, de costas para a janela, com um violão nas mãos, ele começou a tocar, e ela só observava, e percebeu que a música que ele tocava tão maravilhosamente era Starway to Heaven, do Led Zeppelin. Então ele errou um acorde e bufou, soltou o violão com cuidado na cama. Se levantou e enterrou o rosto nas mãos, se virou pra janela e abaixou as mãos. Ele a viu ali, e sua expressão se suavizou. Os dois respiravam alto, se encarando com olhares sonhadores. A porta do quarto de Hermione se abriu e Ronald entrou.– Oi...?– Ah! Oi! Faz quanto tempo que você tá aqui?! Hermione disse desesperadamente e fechando a cortina.– Entrei agora...– Ah, o que você quer? — Tentou não ser fria demais, mas não conseguiu, ainda estava brava por ele não ter percebido que estivera chorando.– Só passei pra te ver. Tudo bem?– Sim.– Eu acho que eu estou te atrapalhando. Então vou indo.– Tudo bem.– Tchau.– Tchau. E ele se foi, e ela suspirou aliviada. Trancou a porta do quarto e quando se voltou para sua cama, viu Draco deitado lá, e pulou de susto.– Esse cara é um panaca. — Ele falou colocando os braços sob a cabeça. Hermione bufou e percebeu que o rapaz estava descalço.– Não começa.– Ele nem liga pra você, Granger! Ele não nota quando você chora, ele não se importa com o que você faz...– Malfoy, não...– Ele não é o cara certo pra você! — Ele disse bravo.– E quem seria, então?! — A garota rebateu. Ele ficou em silencio por um tempo.– Volto mais tarde. Ele se levantou e foi até ela. Fez menção de tocá-la, mas não o fez, em vez disso, sua mão ficou no ar por um tempo, Draco deu um último suspiro, e com uma expressão que misturava confusão e tristeza se virou. Assim ele saiu pela janela novamente, e a deixou lá com aquela dúvida: Ele quis dizer que o cara certo é ele?
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