Draco ficara escutando a conversa de Hermione em cima das telhas que ficavam abaixo da janela, quando viu a silhueta da menina se levantando, entrou sorrateiramente e se deitou. Ao se virar, a menina tomou um susto, e Draco riu.

– Esse cara é um panaca. — Ele falou se aconchegando na cama da menina.

Hermione bufou, como sempre fazia quando não queria entrar em um assunto.

– Não começa.

– Ele nem liga pra você, Granger! Ele não nota quando você chora, ele não se importa com o que você faz...

– Malfoy, não...

– Ele não é o cara certo pra você! — Ele disse com raiva.

– E quem seria, então?! — A garota rebateu cruzando os braços.

Eu! — Pensou ele.

Mas ficou quieto.

– Volto mais tarde.

Ele se levantou e foi até ela, quando chegou perto á ponto de sentir as lufadas de sua respiração no pescoço, parou. Ele queria tocá-la, abraçá-la, beijá-la... Tudo isso, mas não teve coragem de fazer nada.

Ela mordeu o lábio inferior e ele abaixou a mão e saiu por onde entrou.

Queria voltar, queria fazer muitas coisas, mas apenas suspirou e se deitou na cama, fechou a janela e a cortina.

– Uma coisa de cada vez.

Sussurrou para si mesmo.

Duas horas antes do combinado, comprou um buquê de rosas vermelhas, e exatamente ás duas, bateu na porta. Ela apareceu com um vestido azul e ele sorriu e lhe entregou as flores. Os lábios de Hermione esboçaram um sorriso, o que o fez sentir algo quente no fundo da barriga.

– Quer fazer o quê? — Draco perguntou.

– Não sei...

– Quer ir ao cinema?

– Fala sério! Você não pensou em nada?!

– Talvez não... — Ele disse coçando a nuca.

Então ela fez algo que ele nunca imaginou que ela faria, pegou em sua mão e o guiou até os fundos de sua casa.

– Assim... Seus pais não vão achar estranho nós dois no seu quintal?

Draco olhou em volta quando ela largou seu pulso, e percebeu que aquele quintal não era um quintal, e sim uma enorme estufa cheia de flores coloridas e com um teto um pouco baixo. Tão baixo quanto o teto de seu quarto, mas para uma estufa dos pensamentos de Draco era baixo.

Era tão agradável lá dentro... O chão de pedras foi o que lhe chamou mais atenção. Acontece que não era um simples chão, havia um mosaico de uma flor que o lembrava um sol, e ele achou aquilo fantástico.

– É o meu lugar favorito. — Hermione disse com o tom infantil, como se eles houvessem voltado aos cinco anos. Ele ficava fascinado com essa forma que Hermione podia tomar.

Ela era fantástica... Ela era tão simples e tão complicada ao mesmo tempo, tinha a magnitude de uma rosa, tão simples em sua forma, porém tão complicada de se conseguir. Era assim que Draco a descreveria se lhe perguntassem como era Hermione.

Ela se sentou e ele acompanhou o movimento.

– Você já teve alguma namorada? Tipo, um relacionamento sério?

– Defina relacionamento sério. — Draco disse sorrindo.

Ela riu de leve, e sorriu torto, e Draco se impressionou.

Ela consegue dar um sorriso torto sem ser malicioso! — Draco pensou encantado — Alguém tem que me ensinar a fazer isso!

– Você sabe... Do tipo que eu e o Ron temos... — Ela sorriu e o olhou fundo nos olhos.

– Do tipo que eu e o Ron não temos — Ele disse imitando a voz dela -, você quis dizer.

Ela abriu um pouco a boca em surpresa.

– Vocês não são namorados, Hermione, vocês só se beijam de vez em quando. — Ele disse bravo.

– Não são simples beijos! — Ela retrucou mais brava que ele.

– Ah, tudo bem! Quando foi a última vez que vocês dois saíram juntos?!

Ele gritou, não conseguia acreditar que ela não percebia que o garoto não gostava dela.

– O que você tem com isso?! — Ela perguntou se levantando, e apontando o dedo indicador para o rosto do loiro de modo acusativo.

– Qual é o seu problema?!

Ele levantou também e ficou com o rosto acima do dela.

Sua vontade de beijá-la ficou maior. Ele quase a agarrou, mas se deteve antes de fazer qualquer movimento.

– Eu n-não te entendo, Draco... — Ela sussurrou — Te juro que tento te entender, mas não consigo.

Seu olhar se transformou de zangado para confuso, e depois para zangado novamente.

– Vai pra casa.

Ela resmungou.

– O quê?

– Vai pra casa! Agora! — Ela gritou apontando a saída.

Ele respirou fundo e segurou para não chorar, sim, Draco Malfoy quase chorou por causa de uma menina, na frente dessa menina.

Ele saiu correndo e bateu a porta de casa. Chegando em seu quarto, ele fechou a janela e a cortina. Ele começou a chorar intensamente.

– Eu te amo! Eu te amo!

Ele gritava socando a parede. Draco não queria ter um surto de raiva naquele momento, mas foi inevitável. Ele perdeu o controle. E quando foi perceber, ele havia jogado os livros no chão, os pôsteres estavam rasgados e o violão em pedaços.

Ele se encolheu em cima da cama e chorou o máximo que conseguiu. Era difícil manter a pose de durão o tempo todo, então ele chorou, porque a) ele não aguentava mais fingir ser impassível, b) Hermione claramente não o queria, c) sua cabeça estava latejando mais forte do que nunca e d) Por Hermione ser enganada por aquele palerma e ele não poder fazer nada sobre isso.

E então Draco dormiu encolhido na cama, chorando feito uma criança.

Notas finais
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