A janela vizinha
5 Draco
Draco ficara escutando a conversa de Hermione em cima das telhas que ficavam abaixo da janela, quando viu a silhueta da menina se levantando, entrou sorrateiramente e se deitou. Ao se virar, a menina tomou um susto, e Draco riu.
– Esse cara é um panaca. — Ele falou se aconchegando na cama da menina. Hermione bufou, como sempre fazia quando não queria entrar em um assunto.– Não começa.– Ele nem liga pra você, Granger! Ele não nota quando você chora, ele não se importa com o que você faz...– Malfoy, não...– Ele não é o cara certo pra você! — Ele disse com raiva.– E quem seria, então?! — A garota rebateu cruzando os braços. Eu! — Pensou ele. Mas ficou quieto.– Volto mais tarde. Ele se levantou e foi até ela, quando chegou perto á ponto de sentir as lufadas de sua respiração no pescoço, parou. Ele queria tocá-la, abraçá-la, beijá-la... Tudo isso, mas não teve coragem de fazer nada. Ela mordeu o lábio inferior e ele abaixou a mão e saiu por onde entrou. Queria voltar, queria fazer muitas coisas, mas apenas suspirou e se deitou na cama, fechou a janela e a cortina.– Uma coisa de cada vez. Sussurrou para si mesmo. Duas horas antes do combinado, comprou um buquê de rosas vermelhas, e exatamente ás duas, bateu na porta. Ela apareceu com um vestido azul e ele sorriu e lhe entregou as flores. Os lábios de Hermione esboçaram um sorriso, o que o fez sentir algo quente no fundo da barriga.– Quer fazer o quê? — Draco perguntou.– Não sei...– Quer ir ao cinema?– Fala sério! Você não pensou em nada?!– Talvez não... — Ele disse coçando a nuca. Então ela fez algo que ele nunca imaginou que ela faria, pegou em sua mão e o guiou até os fundos de sua casa.– Assim... Seus pais não vão achar estranho nós dois no seu quintal? Draco olhou em volta quando ela largou seu pulso, e percebeu que aquele quintal não era um quintal, e sim uma enorme estufa cheia de flores coloridas e com um teto um pouco baixo. Tão baixo quanto o teto de seu quarto, mas para uma estufa dos pensamentos de Draco era baixo. Era tão agradável lá dentro... O chão de pedras foi o que lhe chamou mais atenção. Acontece que não era um simples chão, havia um mosaico de uma flor que o lembrava um sol, e ele achou aquilo fantástico.– É o meu lugar favorito. — Hermione disse com o tom infantil, como se eles houvessem voltado aos cinco anos. Ele ficava fascinado com essa forma que Hermione podia tomar. Ela era fantástica... Ela era tão simples e tão complicada ao mesmo tempo, tinha a magnitude de uma rosa, tão simples em sua forma, porém tão complicada de se conseguir. Era assim que Draco a descreveria se lhe perguntassem como era Hermione. Ela se sentou e ele acompanhou o movimento.– Você já teve alguma namorada? Tipo, um relacionamento sério?– Defina relacionamento sério. — Draco disse sorrindo. Ela riu de leve, e sorriu torto, e Draco se impressionou. Ela consegue dar um sorriso torto sem ser malicioso! — Draco pensou encantado — Alguém tem que me ensinar a fazer isso!– Você sabe... Do tipo que eu e o Ron temos... — Ela sorriu e o olhou fundo nos olhos.– Do tipo que eu e o Ron não temos — Ele disse imitando a voz dela -, você quis dizer. Ela abriu um pouco a boca em surpresa.– Vocês não são namorados, Hermione, vocês só se beijam de vez em quando. — Ele disse bravo.– Não são simples beijos! — Ela retrucou mais brava que ele.– Ah, tudo bem! Quando foi a última vez que vocês dois saíram juntos?! Ele gritou, não conseguia acreditar que ela não percebia que o garoto não gostava dela.– O que você tem com isso?! — Ela perguntou se levantando, e apontando o dedo indicador para o rosto do loiro de modo acusativo.– Qual é o seu problema?! Ele levantou também e ficou com o rosto acima do dela. Sua vontade de beijá-la ficou maior. Ele quase a agarrou, mas se deteve antes de fazer qualquer movimento.– Eu n-não te entendo, Draco... — Ela sussurrou — Te juro que tento te entender, mas não consigo. Seu olhar se transformou de zangado para confuso, e depois para zangado novamente.– Vai pra casa. Ela resmungou.– O quê?– Vai pra casa! Agora! — Ela gritou apontando a saída. Ele respirou fundo e segurou para não chorar, sim, Draco Malfoy quase chorou por causa de uma menina, na frente dessa menina. Ele saiu correndo e bateu a porta de casa. Chegando em seu quarto, ele fechou a janela e a cortina. Ele começou a chorar intensamente.– Eu te amo! Eu te amo! Ele gritava socando a parede. Draco não queria ter um surto de raiva naquele momento, mas foi inevitável. Ele perdeu o controle. E quando foi perceber, ele havia jogado os livros no chão, os pôsteres estavam rasgados e o violão em pedaços. Ele se encolheu em cima da cama e chorou o máximo que conseguiu. Era difícil manter a pose de durão o tempo todo, então ele chorou, porque a) ele não aguentava mais fingir ser impassível, b) Hermione claramente não o queria, c) sua cabeça estava latejando mais forte do que nunca e d) Por Hermione ser enganada por aquele palerma e ele não poder fazer nada sobre isso.
E então Draco dormiu encolhido na cama, chorando feito uma criança.
Notas finais
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