Foi um choque na hora. Na minha cabeça tudo aquilo era mentira. Tudo era um sonho. Os milhares de olhos vermelhos me olhavam, e eu simplesmente não fazia nada. Não é real. Não pode ser.

Fecho meus olhos e tento acordar deste pesadelo. Mas para minha tristeza não consigo. Com os olhos fechados sinto uma dor tremenda em meu ombro esquerdo.

Quando vejo estou sangrando e caído no chão. No calor do momento começo a correr, voltando para o corredor- que agora estava iluminado- e com medo de ser pego por aquelas coisas.

No fim do corredor avisto uma placa de saída, fico aliviado por ter achado uma saída.

Abro rapidamente a porta, e vejo a fina camada de neve no chão da cidade deserta. Fecho a porta, tentando ganhar tempo para correr para longe.

Corro rápido sem prestar atenção a onde estava. Paro perto de prédios quebrados e abandonados, lojas com vidraças quebradas por todos os cantos, e carros destruídos ou parados na rua.

Entro em uma loja e pego uma calça jeans, uma blusa vermelha, uma jaqueta preta e um par de sapatos pretos. Depois de vestir, tento ligar um carro, mas não consigo. Tento ligar outro carro, mas também não consigo.

Fico com raiva ao pensar que estou sozinho neste lugar. Será que existe alguém aqui?

Caminho até a direção de um shopping. Entro no shopping e vejo que ele está escuro e todo quebrado como as ruas. Estranho que consigo ouvir alguns zumbidos em minha cabeça. Tento fingir que não estão lá, mas são irritantes. Decido usar o banheiro do shopping, e fico surpreso, pois o banheiro está intocável, como se nunca fosse usado. Mas algo me faz querer retirar dali, vejo escrito novamente na parede, as letras:

M.O.N.I.Q.U.E

Decido sair do banheiro, mas sinto algo me jogando na parede. Vejo que são as criaturas do hospital novamente, tentando me matar.

Tento desviar e não consigo, mas de repente tinha muitos ao meu redor, e sabia que era minha vez, não tinha como escapar, eu iria morrer.

Mas foi quando a vi pela primeira vez, atirando, lutando para que eu não fosse morto. Seus cabelos eram pretos e lisos, ela usava uma roupa preta colada no corpo com botas que alcançavam as cabeças das criaturas.

Mas ela não estava só. Estava um homem loiro grande e alto, também me defendendo, e também um homem moreno não tão magro, mas não tão gordo, também me defendendo.

A garota com cabelos pretos, me faz correr junto com ela até uma saída próxima, os dois ainda continuavam lá, tentando sair daquela emboscada.

– Corre Vicente!- gritou a garota.

Então o homem moreno correu para saída, conseguindo escapar, deixando para trás o homem alto e loiro.

– Corre Daniel!- gritaram os dois.

– Vão longo!- gritou o homem loiro- levem ele para o abrigo, eu ficarei aqui!

– Você está louco!- gritou a garota- vou ajuda-lo!

– Não!- gritou o homem loiro levando um tiro nas pernas fazendo-o cair- leve ele rápido, vou ficar aqui!

Sem esforço a garota me levanta e começa a correr, junto com o homem moreno. Ela olha muitas vezes para traz, por causa do amigo.

No caminho seus olhos ficam cheios de lágrimas, e ela pede para parar e começa a chorar.

– Monica, vai ficar tudo bem- disse o homem moreno tentando acalma-la.

A garota não fala nada, só fica chorando de baixo da pequena neva que caia em nossas cabeças. Ficamos muito tempo em silencio, ouvindo a garota chorar.

– Olha alguém pode me dizer o que está acontecendo?- perguntei para quebrar o silêncio.

A garota com raiva me joga ao chão subindo em cima de mim, e pegando a gola da minha jaqueta, e sinto a dor no ombro por causa do tiro.

– Olhe aqui garoto, não sei quem você é, mas Daniel se sacrificou por você!- gritou a garota com raiva.

– Mas eu não fiz nada!-argumentei.

– Exatamente, ninguém fez nada!- disse ela soltando a gola da minha jaqueta.

A garota sai de cima de mim e me ajuda a ficar de pé novamente.

– E agora?- pergunta o homem moreno.

– Vamos leva-lo ao abrigo.