A humanidade de Renesmee
1 o aniversario se aproxima
Dezoito anos. Essa é a minha idade cronológica — a ser completada daqui 2 meses. Dizem que atingi o auge do meu desenvolvimento aos sete anos, tanto físico quanto mental. Meu pai discorda. Para ele, ainda sou uma adolescente, aprendendo sobre emoções e descobrindo quem sou.
No meu ponto de vista, talvez eu nunca esteja completa. E talvez seja justamente essa a graça da eternidade: aprender, sempre. Essa filosofia aprendi com meu avô Carlisle, nas nossas aulas noturnas particulares. Ele costuma dizer que é natural que eu deseje conhecer a humanidade — afinal, convivo entre humanos, mesmo sem interagir com eles.
Minha mãe, Bella, vê isso como uma perda de tempo. Para ela, ser vampira é uma libertação. Diz que nunca se sentiu pertencente ao mundo humano e que, se eu soubesse como eles realmente são, entenderia por que ela insiste tanto em me manter afastada. Eu, por outro lado, acho que só poderia formar uma opinião se tivesse a chance de viver mais próxima deles.
Meu pai, Edward, tem outro argumento: os humanos são imprevisíveis. Ele acredita que meu contato com eles colocaria nosso segredo em risco — e, pior, minha vida. Eu entendo seus medos e receios. Mas ainda assim, acredito que mereço a oportunidade de aprender com o mundo ao meu redor.
A humanidade me fascina. Há mais ou menos cinco anos, passo minhas tardes refletindo sobre o que significa ser humano. Costumo subir na árvore mais alta da reserva, de onde posso observar e ouvir o movimento da escola mais próxima. No começo, minha família estranhou esse comportamento. Mas minha tia Rose interveio e, desde então, tenho meus momentos de paz e silêncio garantidos de segunda a sexta.
A Tia Rose talvez seja quem mais compreende minha curiosidade. Ela sempre me conta suas aventuras da juventude, os sonhos que tinha e o que teria feito diferente. Essas conversas nos aproximam. É ela quem topa ver filmes adolescentes comigo e compartilhar histórias hilárias dos tempos de escola. Seus relatos alimentam minha imaginação e me ajudam a montar o quebra-cabeça da experiência humana.
Para manter a harmonia em casa — afinal, moramos todos juntos — criamos alguns acordos. Um deles foi feito por Vó Esme: todas as noites devemos jantar juntos. Isso se tornou ainda mais importante nos últimos dois meses, desde que decidi me alimentar apenas de comida humana, para total desgosto dos meus pais.
Vó Esme encarou minha escolha como um desafio culinário. Todos os dias, prepara pratos típicos de diferentes partes do mundo, como forma de me ajudar a explorar sabores e culturas. Isso se tornou o nosso momento. E, como uma verdadeira família margarina — como brinca o tio Emmett — todos participam do ritual, mesmo que, para eles, “comer” signifique apenas fingir.
Hoje, por exemplo, passei a tarde acompanhando Marina, uma jovem de vinte anos que acabou de descobrir que está grávida. Ainda não contou para as amigas. É curioso ver como os humanos lidam com segredos, fofocas, omissões. Fico fascinada com a facilidade com que mentem. Isso é algo que não existe em uma família de vampiros com superpoderes.
Meu pai, por exemplo, lê mentes. Talvez por isso eu goste tanto de estar fora de casa nessas horas — posso mergulhar em meus pensamentos sem o medo de ser invadida por suas interpretações. Com o tempo, aprendi a proteger minha mente e a transmitir apenas o que quero que ele veja. Admito que tenho melhorado muito. Até ele reconhece isso.
Gasto meu tempo explorando, ouvindo, pensando em como eu faria diferente em certas situações. Observar os humanos se tornou quase um estudo — um misto de curiosidade e desejo. Com a proximidade do meu aniversário, tenho me preparado para mais uma tentativa, talvez a milésima: pedir, de novo, o que mais desejo. Quero estudar. Quero, ao menos uma vez, viver como uma humana comum e frequentar o ensino médio.
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