A humanidade de Renesmee

12 O Tempo Não Espera


O mês passou rápido.

Mais rápido do que Renesmee imaginava. Como se os dias corressem para empurrá-los para o novo destino, como se o tempo em Lime já estivesse esgotado para os Cullen.

As noites em que costumava se deitar tarde, ouvindo músicas com a mãe ou observando as estrelas do alto das árvores, agora eram ocupadas por planejamentos. Reuniões familiares diárias no grande salão da casa, mapas abertos, documentos espalhados pela mesa de jantar e telas com imagens aéreas da nova cidade.

A nova cidade. Um pequeno lugar ao norte do estado, discreto, com uma escola de ensino médio comum, moradores reservados e pouco trânsito de pessoas novas. Exatamente como Carlisle gostava — o tipo de cidade que não fazia muitas perguntas.

Edward lia tudo o que podia sobre o novo local. Desde o histórico de eventos escolares até os artigos locais. Alice cuidava da identidade visual da família — roupas novas, cortes de cabelo diferentes, até a cor dos olhos de cada um foi analisada, conforme a fase da dieta em que estariam.

Emmett cuidava dos novos carros, garantindo que fossem chamativos o suficiente para sustentar o estilo da família, mas não a ponto de levantar suspeitas. Jasper era responsável por estudar os perfis comportamentais mais comuns entre adolescentes da nova escola, preparando todos para interações que parecessem humanas — mesmo quando o coração não bate.

Esme passava os dias anotando receitas locais, organizando objetos decorativos que poderiam ser levados e embalando com carinho cada peça da casa que ainda carregava algum afeto.

A casa em Lime já não parecia a mesma. Os quartos começavam a ficar vazios, gavetas abertas, quadros sendo retirados das paredes. Havia algo melancólico em deixar aquele lar. Mesmo para uma família que já havia se mudado tantas vezes, cada partida deixava um eco, um fio de saudade.

— Voltaremos um dia — disse Carlisle certa noite, passando a mão na madeira polida da escada. — Mas só depois de muitos anos. E, quando voltarmos... será como estranho outra vez.

Renesmee sentiu o nó na garganta. Aquela casa era o único lar que conhecera de verdade.

Todas as noites, depois que ela dormia, os Cullen se reuniam. Um círculo de vozes baixas e olhares atentos. Conversavam sobre tudo. O novo endereço, os vizinhos, a melhor forma de entrar na escola com naturalidade, o cronograma de quem iria com Renesmee a cada aula. Nunca estaria sozinha.

Carlisle organizava uma espécie de escala: uma aula com Alice, outra com Emmett, depois com Rosalie. Jasper se ofereceu para acompanhá-la nas aulas de história e filosofia — áreas em que ele, secretamente, ainda encontrava sentido.

Bella insistia em acompanhá-la em inglês e literatura, e Edward queria participar das aulas de música e biologia, para manter um olho mais atento. Sempre alguém por perto. Sempre alguém vigiando, protegendo.

— Ela precisa aprender sozinha, sim — dizia Bella. — Mas isso não significa que vá atravessar o mundo humano desarmada.

As conversas à noite viravam longas reflexões. Às vezes, Alice contava de como quase foram descobertos em 1982, por conta de um livro de chamada que alguém questionou por ter nomes repetidos demais. Em outras, Emmett ria contando de quando fingiu quebrar o braço durante uma aula de educação física, só para justificar por que não participaria mais daquilo.

— A melhor parte foi o gesso falso que Carlisle fez. Um show de atuação! — dizia ele, gargalhando.

Mas nem tudo era riso. Havia silêncios carregados, olhares preocupados, sobretudo nos rostos de Bella e Edward. Renesmee era metade humana. E o humano... falha, sente, se apega, se machuca.

— Ela vai se apaixonar, vai sofrer — dizia Bella em um desses encontros, tentando disfarçar o aperto no peito. — Vai se frustrar com professores, com regras, com as limitações. E não vai poder usar a força para resolver nada.

— Vai crescer — completou Esme. — Vai viver. E isso, minha filha, é o que torna tudo isso belo. Até o medo.

Edward segurava a mão de Bella com força sempre que o assunto tocava no possível sofrimento da filha. Às vezes, queria desistir de tudo. Levá-la para uma ilha, longe do mundo. Mas não podia. Sabia que prendê-la era o mesmo que podá-la.

E então, noite após noite, os Cullen afinavam seu plano. Como uma orquestra de imortais ensaiando uma nova sinfonia: a canção da juventude humana que Renesmee tanto desejava viver.

E ela, no meio de tudo, dividida entre a euforia e o medo, se preparava para a maior aventura de sua vida.