A humanidade de Renesmee
13 Nova Cidade, Novas Regras
A estrada serpenteava por entre florestas densas e céu nublado, como um cenário preparado para a chegada dos Cullen. A caravana de carros negros cortava o asfalto silenciosamente, como sombras em movimento. Renesmee estava no banco da frente ao lado de Edward, que dirigia com a calma habitual, os olhos voltados para a frente, mas com os sentidos atentos a cada batida de seu coração.
No carro de trás, Alice, Rosalie e Bella dividiam o espaço entre malas, mochilas e caixas rotuladas com letras desenhadas à mão. Alice, como sempre, mantinha o olhar esperançoso, as mãos inquietas com um caderno de anotações no colo — um cronograma detalhado dos próximos dias.
Rosalie apenas encarava a paisagem pela janela, seus olhos frios por fora, mas transbordando preocupação por dentro. Bella estava mais quieta, os dedos entrelaçados no próprio colo, como se conter o nervosismo fosse um esforço físico.
A nova casa era ampla, moderna, erguida no topo de uma colina. A vegetação ao redor era densa o suficiente para oferecer a privacidade de que precisavam, mas próxima o bastante da cidade para garantir que sua presença fosse notada — e comentada — como qualquer nova família “normal”.
Ao entrarem, Esme imediatamente assumiu o papel de anfitriã e organizadora. Os móveis já estavam no lugar, os cômodos perfumados com cheiro de madeira fresca e limpeza. Cada detalhe havia sido pensado com cuidado: a biblioteca para Carlisle, o espaço para Edward compor, o ateliê de Alice, e, claro, o quarto de Renesmee — um verdadeiro refúgio com luz natural, livros, paredes em tons quentes e cortinas que ela mesma havia escolhido.
— Aqui estamos — disse Alice, segurando a mão da sobrinha assim que as caixas começaram a ser desempacotadas. — Vai dar tudo certo. Eu já vi.
Renesmee sorriu, tentando disfarçar o nervosismo.
— Mesmo assim, é... muito.
— Eu sei. Mas você não está sozinha. E, ah! — Ela olhou ao redor e puxou Rose para perto. — Temos que revisar as regras pela última vez, né?
Rosalie se aproximou com o ar prático de sempre.
— Primeira coisa: na escola, nada de "mamãe", "papai", "tio" ou "tia". Somos irmãos. Entendeu?
— Isso é tão estranho! — resmungou Renesmee.
— Estranho é explicar por que todos os nossos ‘tios’ têm cara de dezoito anos — rebateu Rosalie. — Você se acostuma. Só mantenha o papel, Ness. Você quer ser humana? Os humanos têm irmãos, não parentes eternamente jovens.
— E se eu esquecer?
— Eu buzino — respondeu Edward da cozinha, com um sorriso.
— Muito engraçado — bufou Nessie, cruzando os braços.
Bella entrou no quarto com uma pilha de roupas passadas e já separadas.
— Estou tentando manter a naturalidade aqui, mas preciso dizer que ver você se preparar para a escola é surreal.
— Surreal? Como assim?
— Porque eu me lembro de quando você mal sabia falar e agora está... bem, indo para o ensino médio.
Alice apareceu na porta com seu bloco de notas.
— Agenda da semana: amanhã é só para reconhecimento de território. Vamos todos com você até a escola. Nada de entrar. Só observar. Você vai se familiarizar com o lugar, as rotinas, as pessoas.
— E depois? — perguntou Nessie, mordendo o lábio.
— Depois, começa o plano “sem estresse” — disse Rosalie. — Uma aula com cada “irmão”. Vamos revezar. Você nunca estará sozinha.
— E se alguém descobrir?
— Ninguém vai — disse Alice, com um sorriso calmo. — Eu veria isso.
Durante a noite, enquanto Renesmee arrumava seu material escolar e dobrava camisetas com o cuidado de quem organiza não apenas uma mala, mas um novo capítulo de vida, a casa estava viva de vozes.
Carlisle chamou todos para uma última reunião no novo escritório. Mapas da escola, horários das aulas e protocolos de emergência foram revisados como se estivessem se preparando para uma missão secreta. E, de certa forma, estavam.
Edward tomou a palavra por último.
— A única coisa que importa — disse ele, olhando para todos — é que Renesmee esteja segura. E feliz.
— Vocês sabem que eu tô ouvindo, né? — disse ela da escada, rindo.
— Ótimo. Assim economizo palavras — respondeu Emmett, jogando uma almofada nela. — Amanhã você vai madrugar, hein. Nada de sono até tarde, mocinha!
Nessie subiu para seu quarto e deitou na cama, os olhos voltados para o teto. Pensava em como tudo era mais difícil do que parecia: esconder o que era, fingir o que não era, medir cada gesto, cada palavra.
Logo sentiu um leve toque nos cabelos. Era Edward.
— Vim dar boa noite, pequena.
Ela não disse nada. Apenas se aninhou contra ele.
— Não é fácil, eu sei. Mas você está indo tão bem.
Bella entrou logo depois, sorrindo ao ver os dois juntos.
— A gente pode ficar aqui com você? Como fazíamos antes?
— Eu adoraria — sussurrou Renesmee, os olhos se fechando aos poucos.
Os três se deitaram na cama, como uma constelação silenciosa de amor e proteção. E ali, naquele momento de paz, Edward beijou a testa da filha e depois olhou para Bella com doçura.
— Faz tempo que não ficávamos assim — disse ele. — Só nós três. É o melhor momento da minha vida. Sempre foi.
Bella tocou sua mão e suspirou.
— Ela está crescendo, Edward. E agora... ela vai viver. Vai cair. Vai levantar. Vai ser tudo o que eu nunca fui.
— E você vai estar com ela em cada passo.
Eles ficaram em silêncio, ouvindo a respiração leve de Renesmee. Um novo capítulo se aproximava. E, apesar de todo o medo, eles estavam prontos para caminhar juntos.
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