A herdeira
3 Brigas no corredor e ajuda fraternal
Notas iniciais
—Pietro, eu posso explicar. — disse me afastando da porta onde estava encostada, com o coração acelerado e o corpo tremulo, ficando longe do vizinho do apartamento duzentos e quatro, e meu corpo protestou em resposta.
—Explicação, Kyra?! Que tipo de explicação você pode me dar, que justifique o fato da minha noiva está se agarrando como uma qualquer na frente da nossa casa, com esse cara só de toalha?!-Pietro questionou me olhando furioso, enquanto abria e fechava a boca em choque sem saber como iria explicar o que havia acabado acontecido.
—Olha cara, não precisa descontar sua raiva na sua noiva, a culpa foi minha. Fui eu que beijei ela. — o vizinho do apartamento duzentos e quatro disse e o olhei surpresa.
Afinal, nenhum homem iria admitir na frente de outro que beijou a mulher dele, mesmo que nesse caso a mulher em questão tenha correspondido ao seu beijo...E que beijo, meu Deus...Pensei mordendo de leve meu lábio inferior, enquanto dava uma olhada no meu vizinho sentindo meu corpo ferver, ao lembrar do beijo tórrido que trocamos minutos atrás.
Meu...
Meu macho...
Meu imprinting...
Há qual é?! Nós duas podemos muito bem dividi-lo sem brigas, sugeri para o espirito animal que vivia dentro de mim e arregalei os olhos, assim que tomei ciência do meu pensamento e meu vizinho barbeiro olhou para mim franzindo o cenho em seguida, como se tivesse lido meus pensamentos, o que seria impossível.
—Como se eu tivesse nascido ontem, cara. Eu vi tudo e a minha noiva, não parecia estar fazendo nada contra a vontade dela. Ela parecia estar se divertido muito com você, como uma qualquer estaria. — Pietro disse furioso e meu vizinho desviou os olhos de mim, para olhar meu noivo e fiz o mesmo.
—O que você disse? -ele e eu questionamos juntos em total sincronia, olhando de forma severa para Pietro.
—Disse que a Kyra parecia uma qualquer nos braços...- Pietro começou a dizer e fechei a mão direita em punho, prestar a descontar a minha raiva na sua cara.
Afinal, quem ele pensava que era para me chamar daquela forma?! Mas antes que pudesse bater nele, meu vizinho o acertou primeiro. Logo o nariz do meu noivo começou a sangrar, respigando em seu casaco e no chão do corredor do prédio.
—Ficou doido, cara?! Você quebrou o meu nariz. — Pietro disse com o rosto pálido enquanto tentava conter o sangramento do nariz com as mãos e meu vizinho rosnou furioso, partindo novamente para cima dele, mas fiquei entre os dois evitando que meu noivo apanhasse de novo.
—Tem sorte de não ter quebrado a sua cara, seu idiota. Quem você pensa que é, para ofender a sua noiva desse jeito?!- meu vizinho questionou dominado pela raiva e tive que usar meu corpo, para impedi-lo de voltar a bater em Pietro, já que ele era mais forte o que me deixou confusa, afinal, eu era uma transfiguradora e em tese deveria ser mais forte que qualquer humano.
—Já chega os dois. — disse furiosa empurrando meu vizinho para longe, mas ele acabou batendo as costas na parede oposto do corredor me fazendo arregalar os olhos, apavorada de que ele pudesse ter se machucado por minha causa. — Me perdoa...Você...
—Quer saber, pra mim já deu. Se gosta de caras que a ofendam o problema é seu. Porque esse cara é um idiota, que não merece você. Você é uma rainha e sabe disso, e não devia se rebaixar para ninguém, muito menos para um cretino desses que não tem o menor respeito por você. – meu vizinho disse severo me olhando nos olhos e meu corpo estremeceu, diante do seu olhar de raiva. — E não se preocupe com o conserto do seu carro, porque já acionarei o meu seguro e até o final da tarde o seu precioso carro importado estará novinho em folha, princesa.
—Não me chame de princesa. — rosnei furiosa para ele que nem se deu o trabalho de me dizer nada, apenas virou de costas entrando no seu apartamento e batendo a porta com força na minha cara.
Quem aquele idiota pensava que era, para bater à porta na minha cara? Ou insinuar que estava em um relacionamento tóxico? Ele não tinha ideia de quem eu era, porque se tivesse não teria me dito metade das coisas que disse, muito menos ter me chamado de princesa...Aquela palavra sempre me fazia lembrar do legado que havia deixado para trás em La Push.
—Kyra, olha...- Pietro começou a dizer me tirando dos meus pensamentos e virei furiosa para vê-lo, segurando um lenço no seu nariz tentando inutilmente estancar o seu sangramento.
—É melhor nem tentar Pietro, você teve sorte de ter sido o nosso vizinho ter te batido e não eu. Porque se fosse eu meu caro, você iria parar em coma num hospital na melhor das hipóteses. — disse severa e ele deu um passo para trás com medo de mim, enquanto pegava a minha bolsa do chão e seguia em direção as escadas.
Passei pelo saguão sem cumprimentar seu Bartolomeu, caminhando apressada em direção à rua e fazendo parada para um taxi, já que o meu carro seria levado para a oficina pelo seguro do meu vizinho, assim que estava sentada no banco de trás abri a minha bolsa e peguei meu celular, mandando mensagem para a minha supervisora avisando que me atrasaria, antes de ligar para a única pessoa que poderia responder a todas as minhas dúvidas, já que ela havia passado pela mesma coisa anos atrás.
—E eu achando, que você não iria mais querer olhar na minha cara depois de ontem. — a voz familiar disse sorrindo, assim que se aproximou da mesa ao ar livre em que estava sentada em um café da cidade. -Posso me sentar, ou vai me expulsar como fez ontem?
—Pode se sentar Lucas e não vou expulsá-lo, afinal, liguei para você pedindo que me encontrasse. — disse olhando para o meu irmão e automaticamente me lembrando do nosso pai, já que os dois eram tão parecidos e tive que desviar os olhos para a rua, reprimindo a culpa esmagadora que estava pressionando o meu peito desde que sai do meu prédio.
Com cuidado, meu irmão segurou as minhas mãos nas suas, me fazendo voltar a olhar em seus olhos castanhos. Lucas era dois anos mais novo que eu, ao contrário de mim, que havia herdado o temperamento explosivo dos Clearwater e o orgulho dos Thompson, ele havia herdado a doçura e o bom coração da nossa mãe, além da capacidade racional do nosso pai.
Quando Lucas era bebê, nossos pais contam que sempre fugia do meu quarto para vê-lo e lhe contar histórias, que inventava e sempre lhe faziam rir. Essa nossa ligação continuou mesmo depois que crescemos, comprovando assim que o laço tínhamos era indissolúvel, não só por sermos irmão de sangue, mas porque ele seria o meu futuro beta, o segundo no comando da minha matilha, assim como nossa irmã Ava que seria a minha a minha ômega, a terceira no comando, quando me tornasse a alfa da tribo Quileute.
—Kym, você sabe que pode me contar o que está havendo, não importa o que seja, jamais irei recrimina-la. Posso ver em seus olhos, que aconteceu algo muito sério. -Lucas pediu me chamando pelo apelido que havia me dado quando criança e virei para vê-lo, em meio as lágrimas.
—Estou tão perdida, Lucas...- solucei com dor antes de começar a a chorar e meu irmão me abraçou com força, enquanto chorava em seu ombro e ele acariciava minhas costas tentando me acalmar.
Meu irmão não disse nada, apenas me deixou chorar no seu ombro enquanto desabafava entre lágrimas lhe contando o que havia acontecido mais cedo, deixando a parte de que talvez tenha tido um imprinting e como resultado disso, acabei beijando meu vizinho mesmo estando noiva de outro.
—Acho que preciso dar uma bela garrafa de vinho importado para o seu vizinho, por ter batido no idiota do seu noivo. — meu irmão disse sério depois que parei de chorar e tomei um pouco da água, que ele havia pedido para a atendente.
—Aquele idiota não é meu noivo...Ou melhor, nem sei se ele vai continuar sendo, depois de tudo o que houve mais cedo. — disse me corrigindo e Lucas estreitou os olhos, me analisando em silêncio.
—Aconteceu alguma coisa hoje, que não está me contando, Kyra? — Lucas questionou cruzando os braços enquanto me olhava sério, da mesma forma que nosso pai faz quando desconfia que estamos escondendo algo.
—Tá legal, só para de me olhar desse jeito, parece até o papai desconfiado de que estou mentindo.- segredei e meu irmão sorriu enquanto respirava fundo, tomando coragem para falar em voz alta o que estava evitando admitir para mim mesma, desde quando aconteceu.- Acho que tive um imprinting pelo meu vizinho e a gente acabou se beijando...Um beijo muito bom, diga-se de passagem... O cara tem um corpo de causar inveja e a pegada dele....
—Chega, pelo amor de Deus. Esses detalhes, você pode contar para a Ava, me poupe de saber isso, afinal sou seu irmão. — Lucas implorou fazendo cara feia e concordei sorrindo saudosa ao me lembrar da nossa irmã, que era três anos mais nova que Lucas.
—Tudo bem, vou guardar esses tipos de detalhes para a Ava, porque você é um chato. — segredei brincando e ele agradeceu aliviado me fazendo rir. — Falando sério, Lucas, você acha que tive realmente um imprinting?
Meu irmão respirou fundo, antes de se apoiar em cima da mesa me olhando nos olhos de forma séria.
—Tenho certeza absoluta, Kym. Tive a mesma reação, exceto a parte do beijo, quando esbarrei na Sabrina nos corredores da faculdade de farmácia. — meu irmã disse pensativo, como se estivesse pensando em algo, mas não quisesse me contar.
—No que está pensando, Lucas Benjamin?
—Não sei se estou certo, porque não sou especialista no assunto, talvez você devesse falar com o vovô sobre isso, mas parece que o seu imprinting é mais forte do que o normal, afinal, vocês se beijaram antes mesmo de se conhecerem e pelo que soube, isso nunca aconteceu, Kym.
—Que ótimo. O que faço agora, Lucas? Tive um imprinting com um tremendo estranho, estando noiva de outro homem. — questionei aflita olhando para o meu irmão, que respirou fundo enquanto me olhava nos olhos.
—Odeio dizer isso, mas o papai avisou que isso poderia acontecer e você não ouviu. — ele disse e revirei os olhos, não precisava de alguém que jogasse a culpa na minha cara, pois já estava fazendo isso, precisava agora de uma solução urgente para o meu problema. — Tudo que posso dizer é que só você e mais ninguém, pode resolver esse problema no qual se meteu.
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