A herdeira

4 Desculpa atração, mas sou noiva...Ou era...Bem...É complicado


Notas iniciais
Sejam bem vindos a mais um capitulo de A herdeira, que promete fortes emoções. Hoje quero dedicar esse capitulo a vocês meus amados leitores, que me acompanham em todas as fics, espero tê-los sempre ao meu lado. Beijos e boa leitura.

Subi o último degrau que dava acesso ao segundo andar, exausta desejando desesperadamente tomar um bom banho e cair na cama depois do dia de cão que tive, procurei a chave da frente dentro da minha bolsa antes de colocá-la na fechadura, mas logo senti algo me puxando para trás fazendo com que virasse para olhar a porta da frente, recordando tudo o que havia acontecido de manhã entre mim e o vizinho do duzentos e quatro.

Sem perceber, caminhei em direção a porta do meu vizinho e quando minha mão estava prestes a tocar a maçaneta a porta se abriu, revelando o causador do meu descontrole desde que nos encontramos hoje cedo.

—Veio derrubar a minha porta de novo? Ou veio atrás de outro beijo, princesa? — meu vizinho questionou sarcástico, enquanto se encostava na sua porta cruzando os braços, me medindo de cima a baixo.

—Não me chame de princesa. — rosnei furiosa olhando em seus olhos cor de avelã, fazendo-o rir o que me deixou com mais raiva. — Você deve ser um desses idiotas, que acham que podem conquistar qualquer mulher, não é?

—Não quero qualquer mulher, princesa...- ele segredou me olhando de cima a baixo, se demorando nas minhas curvas que ficaram acentuadas pela saia lápis que usava.

—Você é um tremendo cafajeste. — disse furiosa, tentando controlar a raiva que ele despertava em mim, o que me deixando confusa.

Afinal, se ele era o meu objeto de imprinting, deveríamos nos dar bem e não ficar brigando feito gato e rato ou nessa oscilação de humor, em que uma hora queria bater nele e na outra queria pular em seu colo e beijá-lo... Uma completa antítese das mais confusas.

—Obrigado pelo elogio, princesa. Sobre o seu carro, não se preocupe porque meu seguro já o levou para a oficina, amanhã à tarde você receberá a sua carruagem novinha em folha. -ele disse me tirando dos meus pensamentos e rosnei furiosa me afastando dele.

—Não fez mais do que a sua obrigação, afinal, foi você que bateu nele. Eu devia te denunciar para a polícia local, você é um perigo para a sociedade de Forks.

—Em minha defesa, a culpa foi sua que estacionou de qualquer jeito. Por acaso aprendeu a dirigir com lobos? — ele questionou e arregalei os olhos assustada com a sua insinuação, antes dele começar a rir de forma descontraída.

—Calma, princesa, não precisa ter um ataque estava só brincando. — ele se justificou e rosnei furiosa, ajeitando a minha bolsa no ombros.

—Não sei porque ainda perco meu tempo com você. — disse séria e lhe dei as costas andando em direção ao meu apartamento, mas antes que pudesse abrir a minha porta senti uma mão quente segurando o meu braço, enviando uma corrente elétrica por todo o meu corpo me impedindo de continuar o meu caminho. Atordoada, pelo diluvio de sentimentos que seu toque provocava em mim, olhei em seus olhos cor de avelã que transmitiam tanto amor e reverencia, me deixando sem saber o que pensar.

—Princesa, se o seu noivo não for legal depois do que aconteceu hoje, a porta da minha casa estará aberta para você a qualquer hora. — ele disse sincero sem um pingo de sarcasmo na voz e balancei a cabeça concordando, em seguida meu vizinho se inclinou para acariciar a ponta do seu nariz com o meu me deixando surpresa por sua atitude, afinal esse não era um carinho muito comum para os humanos, deixando meu corpo inebriado por seu cheiro de alecrim e cravo.

—Amo seu cheiro de flores do campo, princesa. -ele sussurrou devotado ainda acariciando nossos narizes, mas antes que pudesse questionar como ele havia sentindo meu cheiro natural, o som de alguém subindo as escadas nos despertou e rapidamente nos afastamos e voltamos para a realidade, como se tivéssemos levado um choque.

—Olha vizinho, agradeço a sua preocupação e por ter resolvido a história do carro, mas essa coisa...- disse apontando para nós ainda abalada por seu carinho, enquanto procurava uma palavra melhor para definir o que estava acontecendo.

—Você quer dizer, atração? Ou tesão? — ele sugeriu me ajudando e balancei a cabeça em concordância.

—Chame como quiser, tudo que sei é que isso não pode mais continuar, eu sou noiva e não vou deixar o meu relacionamento acabar por causa de uma coisa sem sentindo. — disse meio incerta e ele cruzou os braços me olhando de cima a baixo, como se não acreditasse nas minhas palavras. -Estamos entendidos, vizinho?

—Estamos, princesa, não se preocupe. — ele disse e respirei fundo, tentando controlar a minha raiva, por ouvi-lo me chamando novamente de princesa.

—Meu nome é Kyra e não princesa. — disse séria e ele sorriu suave, me deixando ainda mais furiosa, algo me dizia que o passatempo preferido do meu mais novo vizinho era me irritar.

—Kyra...É um nome bonito, mas prefiro te chamar de princesa. — ele esclareceu e bufei furiosa desistindo de vez, virando as costas para ele enquanto caminhava em direção a minha porta. -Dante.

—O que? — questionei confusa, deixando a chave na fechadura para vê-lo.

—Meu nome é Dante. — ele disse se apresentando e balancei a cabeça concordando, voltando a abrir a minha porta e entrando em casa.

—Kyra, que bom que chegou. — Pietro disse aliviado se levantando do sofá, assim que entrei em casa.

Depois da conversa que tive com meu irmão, na qual ele me esclareceu todas as minhas dúvidas sobre o imprinting, decidi fingir que não havia acontecido nada demais e continuar a minha vida de onde estava, o que não agradou em nada Lucas.

—Você não devia estar no restaurante a uma hora dessas? — questionei surpresa colocando a minha bolsa em cima do sofá, antes de tirar meus saltos sentindo o alivio que era ficar sem eles.

—Sim, mas queria conversar com você sobre o que houve e pedir desculpas. — Pietro disse se aproximando de mim e me afastei automaticamente ao seu sentir seu cheiro enjoativo, algo que nunca aconteceu antes.

Era como se todo o meu corpo tive criado uma certa repulsa dele de uma hora para a outra, só de imaginar que ele pudesse me tocar meu estomago já se revirava e meu espirito de lobo gritava na minha mente em protesto, me deixando confusa.

“Ele não é o nosso macho e você sempre soube disso.” — a voz do meu espirito de lobo rosnou na minha cabeça e respirei fundo, tentando ignorá-la o que não adiantou muito, pois ela continuou gritando esse mantra na minha cabeça com mais força.

“Mas nós estamos noiva do Pietro.” — a lembrei em pensamento e ela sorriu de forma sarcástica.

“Nós não, você está. Você nos meteu nessa confusão e agora terá que nos tirar, porque não vou abrir mão de ficar com o meu macho.” — o espirito de lobo disse e rosnei furiosa, afinal estávamos juntas desde sempre e não podíamos brigar agora por causa de um homem.

Ótimo, até quem deveria sempre estar do meu lado estava contra mim.

O que ainda faltava acontecer, meu Deus?!

—Kyra, você ouviu o que eu disse? — Pietro questionou me tirando dos meus pensamentos e pisquei confusa tentando me lembrar do que ele havia falado, antes de embarcar no meu monologo interno.

—Sim, eu ouvi, Pietro, mas hoje não é um bom dia para isso. Foi um dia extremamente cansativo e maluco, cheio de casos complicados no escritório e tudo o que quero agora é tomar um bom banho quente, comer alguma coisa e deitar na minha cama. Não estou com paciência para discutir a relação, ainda mais depois que me chamou de qualquer na frente de um completo desconhecido. — disse severa e ele me olhou surpreso, como se não esperasse por minha acusação.

“É isso aí, garota. Não deixa isso barato não. Quem ele pensa que é para nos chamar de qualquer?! Somos rainhas e ele é um tremendo idiota, que não nos merece.” — meu espirito de lobo disse furiosa e concordei com ela, porque jamais deixaria alguém me ofender daquela forma, mesmo que tenha tido uma atitude reprovável como beijar o nosso vizinho.

—Agora o errado sou eu?! Você estava aos beijos com o nosso vizinho só de toalha, e não quer discutir sobre isso? Não acha que me deve ao menos uma explicação, Kyra? — Pietro questionou severo e balancei a cabeça concordando.

“Ele não tem razão nada, Kyra. Não devemos nada a ele.” — meu espirito de lobo argumentou séria e suspirei negando.

“Sim, nós devemos tudo a ele, ou melhor eu devo. Meti nós duas nessa confusa e irei nos tirar dela, só me desculpe por ter colocado você nisso e por favor, me deixe conversar com ele a sós.” — implorei em pensamento para a voz na minha cabeça que concordou, me deixando sozinha em minha própria mente.

—Não queria que passássemos por isso, Pietro. Achei de verdade que sentia algo por você, mas tudo aquilo foi uma tremenda ilusão. — admiti sincera e percebi que ao olhar para Pietro, não havia mais nenhum sentimento por ele, era como se ter meu imprinting tivesse realmente aberto meus olhos para o erro que estava prestes a cometer.

—Do que está falando, Kyra? — Pietro questionou me olhando nos olhos e respirei fundo, sentindo as lágrimas descerem dos meus olhos, por ter que magoar uma pessoa que havia sido importante pra mim.

—Estou falando que o nosso noivado acabou, Pietro. Você nunca foi o homem certo pra mim, esse noivado foi um tremendo erro, que me custou o amor da minha família. — disse aliviada por finalmente me livrar desse fardo que carregava por três anos, mas assim que olhei nos olhos de Pietro cheios de lágrimas, me senti a pior pessoa do mundo por tê-lo magoado daquela forma. -Pietro, me desculpe, jamais quis fazê-lo sofrer, mas não posso continuar nos enganando.

—Não está tudo bem, nosso relacionamento nunca daria certo, não é verdade?! Você nunca retribuiu o meu amor da mesma forma, mas sempre achei que com o tempo isso mudaria...Mas isso nunca aconteceu. Sinto muito por tê-la feito brigar com a sua família, espero que vocês possam fazer as pazes algum dia. Não se preocupe, porque amanhã mesmo quando estiver para o trabalho tirarei as minhas coisas daqui. — Pietro disse sério antes de caminhar em direção a porta da frente, saindo por ela e batendo a mesma com força.

Em choque, pelo que havia acabado de fazer me sentei no sofá me encolhendo, antes de começar a chorar culpada, por ter feito uma pessoa inocente sofrer por minhas escolhas egoístas.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capitulo de hoje. Beijos e até sexta. ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️