A guerra pelo País das Maravilhas
1 O coelho branco
Notas iniciais
Acordo com um pulo ofegante. Limpo o suor de minha testa e respiro fundo.
– Arg... este sonho de novo!
Me levanto da cama e vou em direção da cozinha para beber um copo d'água.
– O que está fazendo acordada a essa hora mocinha?
Quase cuspo minha água de tanto susto.
– Para mãe!
– Oque eu fiz?!
– Me deu um baita susto!
– Me desculpe — Diz ela rindo — Sonhou com aquilo de novo?
– Sim...
– Acho que devemos levá-la com mais frequência para o psiquiatra
– Não mãe! Eu odeio aquele "Dr. Wite"!
– Porque?!
– Não sei... não fui com a cara dele!
– Não pode odiar as pessoas só porque você não foi com a cara delas!
Termino de beber minha água e começo a andar em direção ao quarto.
– Boa noite — Diz minha mãe enquanto me abraça.
Seus cabelos louros e encaracolados são macios e cheirosos.
– Boa noite...
Ando até meu quarto e deito em minha cama, mas ao invés de dormir fico pensando em meus sonhos, sempre os mesmo desde o ano passado. Eu caia em uma buraco escuro e profundo, me vejo encolher e crescer, vejo criaturas mágicas e fantásticas, mas no final desses sonhos sempre acaba com a visão de uma mulher extremamente magra com um olhar de ódio e maldade olhando fixamente para mim. Ela esta sempre em seu trono, sempre com seu vestido largo e sua cora fina, mas parece que a c ada dia fica mais real, tem vezes que até sinto sua presença, como se eu realmente estivesse lá.
Finalmente pego no sono...
Dessa vez acordo normalmente, não me lembro se eu sonhei com aquilo, oque me proporciona uma manhã confortável.
Levando de minha cama e me olho no espelho. Meus cabelos estão um pouco bagunçados, mas nada que uma passada de mão não resolva. Meus olhos e meu rosto estavam com uma aparência perturbada, mesmo eu não sabendo porque. Tiro meus pijamas e visto um vestido preto com meias listradas e botas pretas, me arrumei assim porque eu teria que ir para o aniversário de minha amiga mais tarde mas mesmo assim quis vestir agora.
Fui me olhar no espelho e fiquei me avaliando, até que por um segundo, no reflexo do espelho, vejo a mulher ossuda atrás de mim me encarando fixamente. Grito e dou um giro para olhar para traz. Mas quando viro não há nada, além de minha cama.
– Filha você esta bem?! — Entra minha mãe desesperada no quarto.
– S... Sim... Acho que estou vendo coisas...
– Ok... Já esta se arrumando?! Mas a festa é mais tarde.
– Eu sei, só quis provar...
– Tudo bem, se precisar de alguma coisa estou na cozinha ok?
– Ok...
Ainda estava em estado de choque olhando para onde tinha a visto. Mas logo recordo a noção e saio do quarto.
Vou andando até o jardim, deito nas raízes de uma arvore que me proporciona sombra. Fico olhando os pássaros e as borboletas voando.
– Deve ser legal ser um pássaro... Você pode ser livre, voar, ir para onde quiser...
De repente um coelho brando salta meu corpo e vai diretamente para o lago beber água. Percebo que sua orelha está dobrada para trás, então vou até ele sem fazer barulho, gentilmente desdobro sua orelha e faço um cafune em sua cabeça.
– Mais que lindo...
Quando o coelho termina de beber água ele levanta, tira um relógio de bolso de algum lugar em sua pelagem e o olha rapidamente.
– Ou não! Estamos atrasados! — E ele sai correndo em direção a uma arvore.
Fico uns instantes aterrorizada, mas ao mesmo tempo curiosa com a situação. Acho que estou realmente ficando louca!
O coelho chegou em seu destino e virou-se para mim.
– Venha rápido! Estamos atrasados!
Levantei relutante e andei devagar dando paços curtos até o coelho.
– Vamos logo menina!
Quando estava a um metro do coelho ele disse:
– Ande, pule na toca de coelho! — Disse o coelho apontando para um buraco grande o suficiente para eu passar.
– Você é um colho... que sabe andar e falar... porque devo confiar em você?
– Arg! Menina teimosa! — Ele foi pulando atrás de mim e me empurrou com força para a toca.
Incrivelmente um coelho daquele tamanho conseguiu me empurrar, mas consegui rapidamente me agarrar nas raízes que haviam na borda do buraco.
– Oque está fazendo?! — E imediatamente as raízes arrebentaram e eu caio na escuridão profunda.
Enquanto caia me virei para cima e vi o coelho pulando no buraco comigo, mas ele passou direto por mim sumindo na escuridão. O buraco era rodeado por terra e raízes, mas também haviam quadros pendurados. Também começaram a surgir móveis como mesas, cadeiras, pianos, velas etc. Mas os objetos não estavam caindo, e sim, flutuando.
O buraco não acabava nunca, algumas vezes eu esbarava em objetos, mas nada de mais. Um castiçal de três velas que havia aparecido em baixo de mim botou fogo na barra do meu vestido. Eu comecei a bater no ponto em chamas, mas demorou um tempo até que se apagou, e assim fazendo um buraco chamuscado do meu lado direito.
– Isso nunca acaba?! Mas se acabar eu vou colidir com o chão... e morrer. — Instantaneamente meus olhos se arregalam e se enchem de lágrimas de medo.
Alguns segundos depois consegui ver o chão em baixo de mim, então me preparei para sentir todos os meus ossos e órgãos se estraçalhando dentro de mim, mas a única coisa que eu senti foi de cair sentada no piso gelado. A queda não havia causado nenhum impacto, eu simplesmente cai sentada sem nenhum dano... Isso só pode ser um sonho.
Quando olhei ao redor me vi em uma sala redonda e completamente fechada com piso xadrez e paredes com uma papel de parede bege descascado.
Levantei-me e olhei para cima, e a única coisa que vi foi um teto xadrez com um lustre de cristal.
Quando voltei meus olhos para as paredes haviam aparecido várias portas, cada uma mais mal tratada que a outra, e também havia alguns castiçais iluminando uma pequena parte do cômodo. Tentei abri-las, mas todas estavam trancadas.
– Esse lugar me é um tanto familiar...
Eis que viro para traz e me deparo com uma mesa de cristal com um frasco transparente com um liquido de aparência linda, parecia uma galáxia engarrafada. Andei até a mesa, peguei o frasco e amarrado em seu bido está uma etiqueta escrita "Beba-me"
Continua...

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