A garota da casa ao lado

3 Capítulo 2-Um domingo travesso!


Notas iniciais
Olá amores, olha eu aqui de novo! Obrigada para quem está acompanhando e para a Alê que comentou

–Miau.

De repente eu acordo espirrando. E com um gato (peludo) em cima de mim.

–Miau! –Miou novamente e lambeou meu rosto para ter certeza que eu estava cordada, depois em um salto bonito retornou para o chão, onde havia um travesseirinho e um cobertor preparado por minha mãe.

–Acho que se continuar assim –cocei os olhos com preguiça- não vou precisar mais de despertador.

–Miau! –Não, não era o Wall falando comigo, era um gato com fome.

Levantei-me com pressa e tirei as cortinas da janela, deixando com que a luz do Sol queimasse levemente meus olhos. Ainda era de manhã, pelo meu celular não passavam, das nove e meia.

–Por que você tem que acordar cedo, hein? –Perguntei acariciando cuidadosamente a cabeça dele, que respondeu se enrolando entre minhas pernas.

Calcei as pantufas de ursinho desbotadas pelo tempo de uso, e vesti um casaco por cima da camisola branca escrita “Sion”, o nome de um personagem de jogo que eu não conheço, quer dizer, ganhei essa camisola do meu primo que mora no Paraguai, ele me mandou por correio e disse que não viria para meu aniversário. Eu não gosto do jogo, nem conheço direito, mas ele aparenta ser viciado, no bilhetinho que veio junto ele explicava tudo.

–Vem peludo! –Chamei Wall enquanto descia as escadas e ele pareceu entender pois obedeceu.

Infelizmente o clima perfeito se desfez assim que nós saímos do meu quarto, ou melhor, assim que entramos na copa. O choro da minha irmã de quinze anos era como um estrondo.

–Quero minha festa! –Ela gritava e esbravejava como se precisasse disso para viver, não duvido que ela precise.

–Mas querida... –Começou minha mãe, pondo a mesa.

–Mas nada! Ela teve –apontou para mim- vocês gostam mais dela?! É isso?

–Não filha! –Meu pai afirmou triste por não poder dar para Heloísa o que ela queria – Você vai ter sua festinha, eu prometo! Só espere o papai e a mamãe terminarem de resolver umas coisas, okay? –Ele falava como se ela tivesse dez anos a menos (ou seja, cinco)- Você quer uma boa festa? Então espere mais um tiquinho.

–Não! Não! Não é justo! –E a menina correu chorando para seu quarto e bateu a porta.

–Ah... Deus. –Minha mãe se sentou e começou a fazer o desjejum.

Meu pai foi até a porta, mas decidiu não falar com ela agora. Voltou, pegou seu café e foi para o escritório:

–O senhor não come com a gente? –Perguntei pegando uma caixinha de ração para gatos e colocando numa tigela.

–Tenho que terminar umas coisas que vão bancar umas dez festas de quinze anos para a Lolo, – pense numa pessoa irritante, depois em um nome que você odeia, some tudo, dará esse apelido que meu pai deu para Loísa- mas talvez eu esteja no almo... Na janta. –Ele desceu apressado, quase derramando o café.

–Ah... –Wall pulou na tigela e começou a comer e eu fui comer minha torrada.

Antes que eu e minha mãe reclamássemos, Lorenzo adentrou com um pijama verde listrado e uns chinelos azuis.

–Bom dia! –Ele sorriu.

–O que há de bom nele? –Perguntei emburrada.

–Ah, não se abatam por causa da Heloísa. –Lorenzo se sentou ao meu lado e mordeu uma torrada – Alias, hoje é domingo.

–Um domingo onde almoçaremos sem nosso pai... Normal. –Botei a língua para fora demonstrando repulsa.

–Que isso garota! –Minha mãe repreendeu tanto a minha fala quanto o meu gesto.

Apenas revirei os olhos e bebi o leite com achocolatado em um único gole. Ouvi um miado fino e alto de Wall, que soou como um agrado ou elogio pelo gosto doce da ração.

Terminei o café da manhã rapidamente e me levantei entediada, fui até o banheiro e comecei a escovar os dentes, quando acabei, reparei que Lorenzo estava na porta:

–Que foi Lorenzo? –Cuspi o último bocado de água.

–Ah... Você sabe onde há uma livraria por aqui? –Ele parecia confuso.

–Sei sim –Olhei para ele –espere eu me arrumar, que te levo. Fica perto de uma sorveteria e da escola. Já te mostro a região. –Lorenzo apenas acenou feliz.

Corri para meu quarto, não podendo deixar de ouvir minha mãe chamando Heloísa:

–Filha, você precisa fazer o desjejum! –Ela batia na porta do quarto da outra.

–Vou fazer greve de fome até minha festa! –O grito da voz de minha irmã era de ensurdecer qualquer um.

Eu apenas subi as escadas e retirei as pantufas, calcei umas meias longas e tratei de colocar uma calça jeans, uma bota preta sem salto, troquei as roupas íntimas e no lugar da camisola, uma regata branca e modesta. O tempo não estava frio: estava gelado, o que, para mim, significa “com brisas e ventanias gélidas”, mas com uma sensação térmica de calor. Botei também uma espécie de top preto para cobrir meus braços, que era quase como uma blusa, muito mais confortável e maior do que o normal, porém chegava só até o umbigo e era de abotoar (não abotoei, pois estava com a regata). Não sei se isso combinava, tanto faz. Peguei meus cabelos levemente ondulados e castanhos (quase ruivos) e escovei uma ou duas vezes, depois, amarrei não em um coque, porque não gosto muito de coques, em um rabo de cavalo perfeitamente bem amarrado e firme. Sem querer falar mal de ninguém, mas, na minha classe do ano passado, estava cheia de garotas com “coques desajeitados”, eu não sei se era de propósito ou se não sabiam amarrar o cabelo, foi assim que peguei bronca desse estilo japonês de prender os fios.

Desci a escada sorridente, ignorei o drama de Loísa e coloquei o capacete com cautela, calça jeans não dificultava minha pedalada. Lorenzo estava com uma camiseta branca e uma bermuda cinza, tênis esportivos e com seu capacete azulado. Subimos nas nossas respectivas bicicletas e começamos a pedalar, ele me seguindo e eu na frente, pois sabia o caminho:

–Você é um lerdo mesmo! –Brinquei, mas não obtive resposta.

Não pude deixar de perceber, quando passei pela frente da casa da família Amel, que Oliver estava recolhendo um jornal, ele até me cumprimentou:

–Bom dia Annie! –Ele levantou a mãe com em um tchau.

–Ollie! –Sorri sem graça, não sabendo o motivo de usar esse apelido se ele não me chamou pelo apelido, fiquei com um pouco de vergonha.

Continuamos pedalando astutamente na calçada, entre os pedestres e Lorenzo questionou:

–Quem era? –Sua voz soara baixo.

–Ahn... O nosso vizinho, o nome dele é Oliver Henry, mas o apelido é Ollie. –Suspirei- É amigo do Hugo e da Jaqueline.

Meu irmão não disse mais nada sobre isso, também, em menos de cinco minutos chegamos à biblioteca do lugar, ficava no mesmo quarteirão da escola e de uma sorveteria que, ontem, eu fiquei com vontade de provar.

Estacionamos a bicicleta em um lugar, perto da biblioteca e Lorenzo foi correndo ler alguma cosia, eu fui comprar um sorvete. Entretanto, para meu desencanto, quem também havia pensado nisso era Patrícia, e dessa vez ela estava com duas ou três amiguinhas:

–Olha só quem chegou! –Paty veio até mim com suas amigas debochadas que seguravam sorvetes de chocolate e baunilha.

–Oi... –Disse sem graça, não por estar com vergonha ou medo, eu apenas não gosto de falar com as pessoas, especialmente quem não conheço.

–Então você acha que a é a última do pacote? –Uma delas se aproximou de mim dando uma volta pela minha esquerda.

–Você é bem fora de moda viu, Alisson. –A outro foi pela direita me provocando.

–É Allícia! –Rebati irritada- Será que dá para saírem da frente, ou perderam alguma coisa em mim?

–Ui, poderosa! –A outra que estava do lado de Patrícia disse rindo e simplesmente derramou a bola de seu sorvete de chocolate em minha camisa regata branca, manchando-a inteirinha-Ops! –Ela riu.

As outras riram também, e derramaram seus respectivos sorvetes em minhas peças de roupas, uma derramou na calça e a outra teve a cara de pau de jogar no meu top. Patrícia apenas sorriu declarando:

–Perdoe minhas amigas, elas são tão desastradas! –Eu franzi o cenho.

A minha primeira reação foi limpar o excesso do sorvete com a mão, e a segunda foi jogar e passar a mão na cara daquela patricinha. Quem ela estava pensando que era?

O rosto dela ficou cheio de baunilha misturado com chocolate e por fim um belo cuspi baboso (cada um ataca como pode), ainda não satisfeita eu pulei em cima dela, descontroladamente.

–Sua piranha! –Gritei.

As outras me puxaram de cima da amiguinha e começaram a me estapear. Doeu muito. Uma puxou meu cabelo até arrancar o elástico que prendia meu rabo de cavalo, quebrando-o e fazendo minhas ondulações se mostrarem, depois conseguiu arrancar um bocadinho de fios. A outra puxou minha regata rasgando-a (sim rasgando-a) e fazendo eu agradecer muito por ter aquele top e por ele ser um pouco maior que o normal. A Patrícia em si, só deu uma risada maligna e saiu de perto. Quando ela estava na porta, chamou as amigas. Mas não sem antes esperar a outra arrancar minha bota sem salto (o par) e pegar para ela.

Claro que eu tentei revidar, mas não consegui. Eram cinco ou quatro contra um! Resultado: Eu estava parecendo uma mendiga. Estava com o olho roxo, sem calçado, toda suja de sorvete, com o cabelo totalmente bagunçado e sem camisa, apenas um top que cobria minhas curvas e meu sutiã, mas a vestimenta chegava até o umbigo, um pouco abaixo. Levantei-me sem saber o que fazer e com muita raiva e dor.

–Que droga! –Sussurrei baixo.

Deveria ter me contentado com ter passado sorvete no rosto dela, não ter inventado de ataca-la. Suspirei e sai o mais rápido dali, peguei a bicicleta sem avisar Lorenzo e pedalei com rapidez para a casa.

Para o meu azar, assim que estava chegando, encontrei Oliver. Não tinha como o dia ser pior. Ele olhou para a ciclista apressada e reconheceu minha bicicleta:

–Allie? –Perguntou enquanto eu passava.

Não respondi, pulei da bicicleta, deixando-a no gramado e corri para dentro de casa. Minha irmã estava fazendo o desjejum, eu ignorei e entrei no meu quarto. Fechei a cortina e tranquei a porta. Suspirei:

–Vou me vingar daquela... Patricinha!

Wall pulou em mime começou a me lamber, fazendo cócegas, ri e acaricie-o, ao menos eu tinha meu peludo para me distrair.

Notas finais
Que dó da nossa Annie, a fic não tem nem 4 capítulos e ela já apanhou! Ownt! :D (Sorrisinho maligno).