A fugitiva
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Arthur pegou seu livro favorito. Apenas uma pessoa o havia lido fora ele, sua falecida esposa, Clarisse. Ele não entendia o que aquela mulher fazia com ele. Nunca se quer cogitou a ideia de pedir desculpas a alguém. Mas ele concordou que havia se excedido com a moça. Saiu caminhando entre a campina em direção ao lago. Havia anos que não ia lá, desde a morte de sua esposa. Assim que chegou, observou a pequena Lizzy vestida com roupas de baixo, brincado na agua. Procurou por sua dama de companhia, e a encontrou conversando com um dos guardas. Ela mal percebera sua presença ali. Arthur sentiu um sentimento estranho por ve-la daquele jeito, rindo e se divertindo com o que o guarda falava. Já fazia um mês que a jovem estava no castelo e ele nunca havia visto ela conversando com um dos guardas. Ela estava sentada de um jeito desbojado, como se estivesse totalmente a vontade. Arthur se aproximou e o guarda logo o avistou, fez uma reverencia e se calou. Melissa o encarou assustada. Ele notou as marcas que haviam em seu braço e xingou todos os demônios que conhecia pelo que havia feito.
— Soldado – Disse – Deixe-nos a sós.
— Majestade – O soldado se reverenciou e saiu.
— Depois no falamos mais Hector. – Melissa se despediu e soltou u belo sorriso. Aquilo fez Arthur revirar os olhos.
— Senhorita Amyse, eu vim lhe pedir desculpas pelo modo como a tratei agora a pouco. – Melissa se levantou, só que agora seu rosto não tinha a felicidade de poucos minutos antes.
— Não precisa se desculpar. É o rei! Tem o direito de fazer o que quiser. – As palavras de Melissa fizeram Arthur se irritar, mas ele preferiu relevar. E isso era algo que Arthur não fazia.
— Eu lhe trouxe isso. – Disse esticando a mão com o livro – É meu livro favorito, espero que goste.
— Eu agradeço – Sua expressão mudou completamente, agora ela parecia surpresa. – Mas eu já li esse livro, aliás é meu favorito.
— Mesmo? Mas é uma edição limitada, apenas alguns reis têm exemplares. Onde conseguiu ler. – A expressão me Melissa mudava a cada instante, mas dessa vez ela teve medo de que sua verdadeira história viesse à tona.
— Papai? O que está fazendo aqui? – Lizzy veio correndo em direção ao pai. Melissa quase rogou aos céus seus agradecimentos por lhe livrar daquela pergunta.
Arthur pegou a menina no colo e lhe deu um beijo em sua bochecha. Arthur se voltou de novo a Melissa.
— Já que é assim, tens minha permissão para entrar em meu escritório para escolher o livro que lhe mais agradar.
Arthur resolveu que já que estava ali, ia brincar com a filha na agua. Melissa voltou a se sentar na grama. E ficou admirada com a cena do rei, um homem terrivelmente mal-humorado, brincando com a filha. Mas algo que Melissa não pode deixar de notar, é que ele não ria. Em nenhum momento se quer ele expressou um sorriso. Era um homem amargurado pela vida, seu único motivo de vida era sua filha, e apenas ela.
...
De volta o castelo. O tempo simplesmente, fechou. Havia nuvens negras e uma forte tempestade estava por vir. Melissa sabia que não ia ter muito o que fazer se começasse a chover. Então ela teve uma ideia. Ia usar a oferta do rei, ia escolher um livro de sua biblioteca pessoal. Ainda estava no final da tarde, mas as nuvens haviam coberto toda a iluminação do sol, parecia quase noite. Melissa bateu antes de entrar, mas aparentemente, não havia ninguém na sala do rei. Ela olhou todos os livros que ali estavam e nenhum deles a agradou muito. Exceto um. Era de uma capa de vermelho vinho, e estava escrito mitologia grega em grandes letras douradas. Ela já ouvira falar da mitologia grega, mas nunca lera nada sobre o assunto. Pegou uma escada que havia ao lado da estante. Enquanto subia nos degraus, sentiu uma mão forte segurar a sua, dando lhe apoio. Olhou e viu que era o rei, ela mal percebera sua entrada. Ela o encarou por poucos segundos, mas ele tinha apenas sua expressão dura como sempre. Ela chegou até o degrau necessário para pegar o livro e ele soltou-lhe a mão. E foi para sua cadeira onde passava a maior parte do tempo. Melissa logo percebeu que mesmo estando na altura certa estava longe de seu objetivo. Mas teimosa como sempre foi, achou que se esticando chegaria ao livro. Ela foi para a beira da escada e tentava agarrar de todas as maneiras possíveis. Até que conseguira, mas no momento que tinha seu precioso livro em mãos, se deu conta que estava sem apoio nenhum, os saltos baixos que ela usava escorregaram da escada e ela foi em direção ao chão. Ela não teve tempo nem de pensar, caiu com os braços tentando aliviar a queda, péssima ideia. Assim que sentiu o chão duro, veio a dor, mas por incrível que pareça o que doía não era seu braço mas sim seu pé. Arthur veio em seu socorro de imediato.
— Deus! Melissa está bem? – Apesar da dor, o que mais surpreendeu Melissa foi o rei lhe chamar pelo nome.
— Meu pé! Ele dói. – Melissa fez uma careta. Arthur a pegou no colo.
Ela mal teve como impedi-lo quando se deu conta já estava sem seus braços. Deus! Como era forte, mesmo por baixo da roupa ela podia sentir seus músculos, e como a levantou sem nenhum misero esforço. Seu rosto estava próximo ao pescoço dele. Ela podia sentir seu cheiro, seu perfume. Seu cheiro era forte e poderoso, assim como ele, o cheiro lhe fazia lembrar a refrescancia da grama molhada da campina. Ele era perdidamente perfeito, apesar de sua constante amargura. Ele a colocou em uma poltrona e ela foi subitamente arrancada de seus pensamentos. A dor de seu pé foi retornando aos poucos. Ele levantou um pouco a saia de seu vestido apenas para poder olhar melhor seu pé. Ele retirou delicadamente, seu sapato.
— Graças a deus, você não quebrou o pé – Ele a encarou por pouco tempo e logo se virou – Eu devia ter ido pegar o livro, assim você não teria se machucado. – Arthur parecia irritado com a situação.
— A culpa foi minha, eu insisti em pegar o livro mesmo não o alcançando. – Ele a encarou com um olhar furioso, ela não sabia dizer se era estava furioso com ela ou se estava furioso com a situação. – Eu estou bem, veja.
Melissa tentou se levantar, mas ele a impediu.
— Não ouse sair dessa cadeira, eu não lhe permito. – Melissa se perguntou quem era ele para manda-la não fazer algo, mas logo lhe veio à mente que ele era o rei. E desistiu de dizer qualquer coisa.
Arthur saiu do quarto e logo voltou com um homem de meia idade que devia ser o curandeiro do castelo. O Homem avaliou o pé de Melissa e disse que não era nada um pouco de gelo ia melhorar tudo. Arthur a obrigou a ficar sentada ali até que o pé estivesse melhor. Como melissa não podia contraria-lo, ela ficou ali por um tempo lendo seu livro. E ele junto a ela, na verdade, ele fazia suas coisas de sempre, revisava papeis e assinava outros. Melissa mais observava seus movimentos do que lia realmente. Ela o achava intrigante, ele era um homem bastante irritante e um pouco grosso, mas dentro dele havia algo bom, algo gentil.
— Tem algo errado? – Sua voz a despertou de seus pensamentos.
— Co-como? – Melissa ficava perdida quando ele falava com ela.
— Está me olhando mais do que o normal, tem algo errado ou alguma coisa a falar? – Melissa sentiu seu rosto esquentar, era tão na cara que ela o estava encarando.
— Nada senhor, eu só acho que vou me retirar. – Ele se virou rapidamente para ela, enquanto ela colocava o sapato. – Meu pé já está melhor, obrigada por sua preocupação.
Ele apenas acenou com a cabeça, e a viu sair pela porta. Arthur não sabia o que fazer aquela mulher mexera com sua cabeça, perto dela ele não parecia ser o mesmo. Se sentou em sua cadeira tentando entender o que aquela mulher lhe causava.
...
Melissa já não sentia dor vinda do seu pé. Seu quarto, já que era dama de companhia da princesa, não era um quarto comum de empregada. Ele ficava consideravelmente perto do da princesa, era grande, mas nada comparado a o seu antigo quarto. No mesmo corredor ficavam os quartos do Rei e de Felipe. O quarto do rei ficava no final do corretor, porque logicamente era o maior de todos. Melissa já havia jantado e posto a princesa para dormir. Preparou a banheira, e tomou um longo banho, mas logo sentiu falta de sua mãe que as vezes lhe ajudava com os fios do cabelo. Ela saiu do banho e colocou uma camisola de algodão longa rosa bebe, ela deixava seus ombros a mostra, como estava frio colocou um robe da mesma cor por cima. Se sentou na penteadeira e começou a escolar seus frios castanhos, seu cabelo não era muito grande, ele vinha até um pouco a baixo dos ombros, e ele tinha pequenos cachos no final. Seu pai dizia que tinha o cabelo mais belo de todo o reino, ela não podia acreditar muito no que o pai falava, ele era o homem mais influente e ela ainda era sua única filha. Soaram batidas na porta, Melissa imaginou ser uma criada que ela pedira uma xicara de chá.
— Pode entrar – Quando a porta se abriu e a pessoa entrou, melissa quase desmaiou. Até deixou cair a escova que estava em sua mão. E se abaixou para pega-la.
Arthur não podia negar o quão linda estava seu cabelo saindo sobre os ombros quando ela se abaixou. Mas ele tentou afastar o pensamento. Ela se levantou assustada e fez uma leve reverencia.
— Majestade! Eu não esperava o senhor aqui! –
— E-eu vim trazer isso para você – Ele mostrou um pequeno pote em sua mão, e melissa foi em sua direção para pegar o pote, ela pegou o pote e tentou entender o que era aquilo – É para as marcas no seu braço e novamente eu peço perdão pelo acontecido.
Ele se virou para sair do quarto, Melissa não conseguia achar palavras para quilo. O homem mal-humorado e ranzinza estava a sua frente lhe entregando remédio para as marcas que o mesmo fizera.
— Obrigada – Ele se virou de volta a ela.
— É o mínimo que eu podia fazer, já que eu as fiz em seu braço.
Melissa não pensou muito, mas se aproximou daquela enorme criatura, colocou a mão em seu ombro e lhe deu um leve beijo em sua bochecha. Melissa não sabia, mas aquele gesto havia mexido intensamente com Arthur. Ele assentiu com a cabeça e se virou sumindo pelo corredor.
Naquela noite, Arthur não dormiria pensando no pequeno beijo em sua bochecha, aquela mulher lhe acendera uma parte de si a muito adormecida, ele só não sabia se isso era bom ou ruim.
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