A filha do reitor
3 Visita
Notas iniciais
Entrei no carro de meu pai e nós fomos para casa.
— O que foi filha? – Perguntou após algum tempo de longo silêncio. – Está pensativa demais. Algum problema?
— Não papai. – Tentei ser convincente.
— Tem certeza? – Ele insistiu.
— Tenho.
— E aí? Como foi seu segundo dia de aula?
— Foi bom. – Ele estava tentando puxar assunto e ser sociável, mas eu sinceramente não estava com muita vontade de conversar, então ele não se prolongou.
Nós chegamos ao restaurante, almoçamos em silêncio, depois ele me deixou em casa e voltou ao trabalho, minha mãe estava trabalhando, só estávamos eu e Júlia em casa, peguei meu caderno e comecei a revisar os exercícios e anotações de hoje, quando fui guardar o material, caiu um pedaço de papel da apostila, eu abaixei para pegar e ver o que era, quando li estava escrito “Edward Cullen” um número de celular e “Me liga”, amacei o papel e joguei no lixo do meu quarto para ter certeza que o meu pai não veria. Qual era o problema dele? Seria bem mais fácil se simplesmente nem percebesse minha existência. O resto do meu dia passou como no dia anterior, e os outros dois também.
Me arrumei ao acordar sexta-feira. Chegando na universidade Edward estava lá, com os amigos e com as garotas que costumava ficar. Quando ele me viu chegar, sorriu e veio até mim.
— Olá Isabella.
— Bella.
- É, isso mesmo. – Ele sorriu torto e tive que me lembrar de como respirar. – E aí? Já pensou num dia pra nós sairmos?
— Edward, eu acho melhor a gente não sair.
— Por quê? – Disse claramente decepcionado. – O que eu fiz?
— Nada, mas meu pai disse que...
— Ah não. – Ele me interrompeu. – Se você for pela cabeça do seu pai a gente não vai sair nunca.
— Eu acredito no meu pai, é melhor a gente não sair. Eu não sou o tipo de garota que você está acostumado a ficar, acredite.
— Eu sei, mas...
— Edward. – Eu o interrompi. – Vamos ficar por aqui.
Dei as costas, mas na hora que ia sair ele segurou meu braço.
— Seus pais vão estar em casa sábado?
— Sim. – Menti, pois não sabia o que ele planejava. – Por quê?
— E no domingo?
— Também. – Menti de novo, meus pais não trabalhavam no domingo, mas justo nesse minha mãe tinha que ir organizar as coisas do julgamento de terça e meu pai tinha que ir à faculdade para organizar o passeio de segunda-feira, eu ficaria sozinha nesses dois dias, pois Júlia não trabalhava aos fins de semana.
— Tá bom então. – Ele disse soltando meu braço. – A gente se vê no passeio.
— É, tchau.
— Tchau.
A aula passou rápido, eu anotava tudo e prestava muita atenção, mas não conseguia evitar de olhar para Edward, na maioria das vezes o pegava me encarando. No fim da aula meu pai não pode ir almoçar comigo pois estava resolvendo problemas na coordenação. Peguei um táxi até minha casa, almocei, revisei o dever do dia, depois fiquei o dia inteiro navegando na internet, deu a noite e eu fui dormir, acordei às onze horas da manhã e já estava sozinha, sem a mamãe, sem o papai, sem a Júlia, completamente só. Não queria tomar um café-da-manhã muito reforçado pois logo seria o almoço, então abri uma barra de cereal e tomei um copo de Iogurte. Uma hora preparei meu almoço e comi, algum tempo depois a campainha tocou, atendi o interfone para ver de quem se tratava.
— Pois não? – Perguntei.
— Oi Isabella.
— Edward?! – Perguntei assustada e incrédula ao ouvir sua voz.
— Sim.
— O que você faz aqui?
— Quero falar com você.
— Pode falar.
— Ah Bella, abre a porta.
— Tá bom. – Eu disse relutante.
Desci as escadas correndo, por que diabos meu coração estava tão acelerado? Quando abri o portão percebi que estava tão distraída com a visita inesperada que esqueci de tirar o pijama que eu tinha há sete anos, lembro que nessa época ficava enorme em mim e eu odiava, mas hoje eu o adoro, mesmo estando curto, tão curto que chegava a ser indecente, o short deixava uma pequena parte das minhas nádegas de fora e a blusa deixava meu umbigo à amostra, meu cabelo apesar de preso, estava despenteado e eu estava usando minhas pantufas de coelhinho.
— Nossa. – Ele disse me analisando dos pés a cabeça. – Você está uma gata.
— Ah, sei. – Disse irônica.
— Sério. – Disse sorrindo. – Não vai me convidar para entrar?
— Claro! Como pude me esquecer disso? Entre. – Disse irônica.
— Se você não quiser não entro.
— É brincadeira, pode entrar.
Ele passou pelo portão e observou o quintal.
— O que você veio fazer aqui a final?
— Vim te ver. – Ele disse sorrindo.
— Até parece que sou tão importante assim. – Eu disse fazendo charme sem nem perceber.
— E não é.
— Ora seu... – Eu o empurrei.
— Brincadeira.
— Você lembra que eu te disse que era melhor não sairmos?
— Sim.
— E então?
— É, você disse para não sairmos, não estamos saindo, você está em casa.
— Edward!
— O que?
— Você não pode agir assim feito uma criança.
— Eu já não estou aqui? Então, por que você não relaxa um pouco?
— Porque o meu pai pode chegar.
— Ah então ele não está aqui? – Ele disse como se tivesse me pego no flagra.
— Se ele estivesse você acha mesmo que te deixaria entrar?
— É, mas você disse que os seus pais iam estar em casa hoje.
— Eu menti, tive medo de você querer vir e o meu pai ou a minha mãe acabarem chegando, mas parece que você não tem medo do perigo.
— Que perigo? O seu pai? – Perguntou num tom debochado e gargalhou alto em seguida, como se fosse a piada do ano. – Se eu tivesse ter medo dele não me meteria em tanta confusão.
— Com você não vai acontecer nada, mas comigo vai.
— O que?
— Ele vai ficar zangado comigo e a mamãe também, eu odeio desapontá-los, sempre fiz tudo para ser tão boa quanto a minha irmã.
— Você tem uma irmã?
— Sim, a Leah, ela sempre foi tão boa em tudo que fez. O papai, a mamãe e eu temos muito orgulho dela.
— O que ela faz?
— Ela é engenheira mecânica.
- Uau. Tem quantos anos?
— Vinte e nove.
— Ela é quantos anos mais velha que você?
— Onze.
— Você só tem dezoito? – Perguntou com uma expressão impressionada.
— Pareço tão velha assim? – Perguntei sorrindo.
— Não, é que é difícil entrar nessa faculdade logo aos dezoito, pensei que você tinha uns vinte.
— Quantos anos você tem?
— Quer mesmo saber?
— Sim.
— Vinte e três.
— Tudo isso?
— Sim, eu sei que sou velho.
— Você entrou na faculdade com quantos anos?
— Vinte anos.
— Nossa, bem velho hein.
— Era pra eu ter entrado aos dezoito, mas eu repeti o primeiro e o terceiro ano.
— Você é velho.
— E você é nova. Mas você não vai me convidar para entrar não?
— Vem. – Eu disse andando em direção à porta de casa. – Vamos entrar.
Passei pela porta e Edward veio logo atrás de mim, eu estava feliz por ele estar ali, não sei porquê, mas eu me sentia mais especial de alguma forma.
— Fique à vontade, pode se sentar no sofá. – Eu disse.
— Você vai sentar ao meu lado? – Perguntou malicioso.
— Eu vou tomar banho e trocar de roupa primeiro. Depois eu desço, mas você pode ligar a tevê se quiser.
Me virei de costas e ele já havia se sentado no sofá, antes que pudesse sair do lugar ele segurou minha cintura e me puxou, eu caí em seu colo nossos rostos estavam muito próximos e estávamos nos olhando nos olhos, ele foi chegando mais perto e meu coração disparou, eu sabia que ele estava prestes a fazer, mas eu não tinha forças, nem vontade de impedir, além do mais era apenas um beijo, um beijo não faria mal, ele fechou os olhos enquanto se aproximava cada vez mais, eu fechei os meus também, já conseguia sentir sua respiração, o cheiro de menta que vinha de seu hálito fresco, mas pouco antes de seus lábios encostarem nos meus, o maldito telefone tocou me trazendo de volta para a realidade, tudo bem, acho que isso era um sinal de que eu não devia beijá-lo.
— Não vai. – Ele pediu com os olhos de cachorro sem dono.
— Eu tenho que ir.
— Por quê?
— Pode ser importante.
Ele me libertou aos pouco, me levantei e fui até o telefone.
— Alô.
— Bells? – Só Leah me chamava assim, era ela.
— Oi Leah
— Oi pirralha. – Disse num tom divertido. – A mamãe tá aí?
— Não, mas se você quiser deixar recado eu aviso a ela.
— Diz a Ela que eu e o Sam – Marido dela. – queremos convidar vocês para jantar conosco no próximo sábado.
— Daqui a uma semana?
— Isso.
— Ih, eu acho que não vai dar.
— Por quê? – Perguntou decepcionada.
— Porque eu e o papai vamos viajar com a universidade na segunda-feira e só vamos voltar dali a duas semanas, mas prometo que farei de tudo para comparecer.
— Legal, muito obrigada. – Ela disse animada.
— Bella, volta vai. – Disse Edward do sofá.
— Quem é esse? – Leah perguntou.
— Esse quem? – Perguntei nervosa.
— Alguém, era um homem que te pediu para voltar, voltar para onde? Quem tá aí Bella? – Perguntou desconfiada.
— Um amigo. – Eu disse olhando para Edward sentado no sofá. – Ele veio fazer um trabalho da faculdade.
— Amigo? Sei.
— É sério. – Eu estava sendo convincente, o que me surpreendia já que se tinha uma coisa que eu não sabia fazer era mentir.
— Mesmo?
— É. – Eu disse rápido para não tropeçar nas minhas próprias palavras.
— Você sabe que nós somos irmãs e você pode contar comigo para qualquer coisa né?
— Por que está dizendo isso?
— Porque se você está namorando aí em casa quero que saiba que não precisa se preocupar porque eu já fiz muito isso quando você ficava estudando o dia todo na escola. Ao contrário do que você e os nossos pais pensão eu não sou e nem era um robô. Eu era dedicada é claro, mas eu vivia também, saía com os meus amigos, namorava. Ninguém é perfeito, então não fica tentando ser. Bom, eu tenho que desligar, beijão e juízo.
— Tudo bem, vou pensar no que você me disse, tchau.
Desliguei o telefone e olhei para Edward, ele também olhou para mim e deu aquele magnífico e arrebatador sorriso torto.
— Vem. – Disse estendendo os braços para mim.
Era quase impossível resistir aquele convite, mas eu consegui.
— Vou tomar banho.
— Ah não.
— Ah sim. – Rebati.
— É, vai subir e me deixar aqui sozinho?
— Vou. – Nem tentei mudar a situação.
— Bela anfitriã.
— Obrigada.
Subi as escadas correndo antes que ele me puxasse de novo, mas ele nem se movimentou do sofá.
— Volta logo, estou te esperando. – Ele disse.
Fui tomar banho, lavei meus cabelos com o condicionador mais cheiroso que eu tinha, passei perfume e uma maquiagem leve e me vesti. Desci as escadas e vi Edward sentado no sofá assistindo a um programa de esportes, quando me sentei ao seu lado ele desligou a tevê e deixou o controle remoto na mesinha da sala, depois colocou a mão em meu rosto e foi chegando mais perto, quando ele estava bem perto de beijar meus lábios virei o rosto e seus lábios encostaram-se em minha orelha.
— Por que você está fugindo de mim?
— Não posso ceder.
— Por quê?
— Porque não, não me força a fazer isso.
— Tá bom. – Disse se afastando de mim aos poucos. – Mas eu não vou desistir.
— OK. Só baixa a guarda por hoje.
— Só hoje.
— Tá legal, mas amanhã eu vou voltar a insistir.
— Amanhã? – Ele estava considerando mesmo vir amanhã?
— É. – Ele deu aquele sorriso torto que me deixava tonta.
— Por quê?
— Eu vou voltar amanhã.
— Você já me perguntou se os meus pais vão trabalhar amanhã?
— Não importa, eu vou vir do mesmo jeito.
— Você não pensa mesmo nas consequências que a sua vinda pode causar para mim.
— Seus pais vão trabalhar amanhã?
— Sim.
— Então estarei aqui.
Edward passou a mão levemente por meu rosto e beijou meu queixo.
— Eu disse que não forçaria a barra hoje. – Disse num ar de vitória e se afastou.
— O que você quer fazer? – Eu o perguntei preocupada em agradá-lo, até mais do que devia.
— O que eu quero você não quer então deixa pra lá.
— Além disso. Não é possível que não tenha nada.
— Hum. – Ele pensou por alguns segundos antes de falar. – Vamos assistir um filme, comer pipoca.
— Essa é uma boa opção. – Eu disse realmente satisfeita com a sugestão. – Vamos à locadora.
— Vamos. – Ele disse seguido de um lindo sorriso.
Peguei meu cartão de crédito universitário e nós saímos pelo meu portão, eu já estava preparada para caminhar, até que Edward desativou o alarme de seu audi. Edward andou até o carona e abriu a porta para mim enquanto eu estava parada no portão visualizando o quanto ele e o carro ficavam ainda mais perfeitos um ao lado do outro.
— O que está esperando? Vem Isabella.
— Bella.
— Vem Bella.
Eu andei ansiosa em sua direção e entrei no carro com banco de veludo, o carro era tão equipado que eu nem sabia o que fazer com tantas utilidades. Edward passou na frente do carro, se sentou ao banco do motorista e pôs seu cinto de segurança.
— Coloque o cinto, vou sair agora. – Ele disse me alertando.
— OK.
Coloquei o cinto, mal havia terminado e ele já havia começado a correr, e como corria! Feito um louco, eu estava tão nervosa que nem tive coragem de olhar no velocímetro, ele ia ultrapassando os carros tão rapidamente que mal conseguia vê-los.
— Edward, vai devagar, por favor, não gosto de correr.
— Não vou bater, fique calma.
— E se bater?
— Você está com o cinto de segurança e o carro tem air bag, você vai sobreviver.
— Edward. – Eu disse com mais medo ainda.
— Eu já não te disse que não vou bater, cofia em mim.
— Eu não confio.
Edward não diminuiu seu ritmo, eu estava morrendo de medo, meu coração simplesmente não queria parar de acelerar feito louco, então achei que a melhor maneira de me acalmar enquanto aquele longo minuto não passava, fechei meus olhos firmemente e não estava disposta a abri-lo enquanto não chegássemos à locadora.
— Bella – Edward disse após eu sentir o carro parando.
— Oi?
Abri os olhos devagar e me surpreender ao ver seu rosto a menos de quinze centímetros do meu, ele me observava atentamente e então começou a gargalhar, alto e espontaneamente, feito uma criança, ria de uma forma na qual nunca o vi fazer antes.
— O que tem tanta graça? – Perguntei ao perceber que enquanto eu o admirava feito uma idiota ele ria de mim.
— Você tinha que ver o seu rosto. – Ele disse entre gargalhadas.
— Não importa como ele estava, não é motivo para rir de mim. – Eu disse séria e ele imediatamente parou.
— Não estou rindo de você Bella, estou rindo com você. – Disse visivelmente incomodado com meu mau humor.
— Olhe bem para mim. – Ele observou meu rosto chegando ainda mais perto, fazendo com que eu tivesse que me concentrar para me lembrar do que estava falando. – Eu pareço estar rindo?
— Não. – Ele disse sério enquanto nossos rostos quase se tocavam.
— Exato. – Eu disse tirando o meu cinto e saindo do carro.
— Bella, espera.
Ele saiu do carro e foi atrás de mim.
— Aonde você vai? – Perguntou confuso.
— Na locadora.
Entrei na porta da locadora que estava em frente ao carro de Edward. Quanto olhei no relógio eram duas e trinta e nove, o mesmo horário que nós saímos com o carro, era perto de casa, mas não a ponto de se fazer em menos de um minuto, ele corria demais. Alugamos dois filmes de comédia, ele foi mais devagar ao irmos para casa. Quando chegamos, subi até meu quarto e ele foi junto.
— Aonde nós vamos? – Perguntou .
— Para o meu quarto.
— Gostei disso. – Ele disse sorrindo maliciosamente em seguida.
— Não sei por quê. Você disse que não ia forçar a barra hoje.
— E não vou. – Ele disse seguido por um sorriso torto malicioso. – Só quero conhecer o seu quarto.
— Tá bom. – Eu disse sem muita fé em suas palavras. – Fica aqui tá? Vou descer para fazer a pipoca. – Eu disse ao chegarmos ao quarto.
Eu liguei o ar-condicionado, ele deitou na minha cama e tirou o tênis.
— Não demora não, tá? – Ele piscou para mim.
— Abusado.
Saí do quarto antes que ele pudesse responder, desci as escadas e fui até a cozinha com as pernas bambas. Peguei a pipoca de micro-ondas, tirei a embalagem e a comecei a prepara-la. Edward Cullen estava na minha casa! Não sou de me exibir, mas cacete! Era Edward Cullen. Fiquei ali sem acreditar que aquilo estava de fato acontecendo e quando a pipoca ficou pronta, peguei duas garrafinhas de academia, enchi cada uma com coca e fui para o quarto, quando cheguei vi Edward olhando um porta retrato com uma foto minha segurando o troféu de aluna mais brilhante, eu tinha vários troféus e ali tinham minhas fotos com eles.
Andei em direção a ele que colocava o porta retrato no lugar, pegando outro que era do prêmio da vencedora das olimpíadas de matemática do ensino médio.
— Edward. – Eu disse quebrando o silêncio.
— Ah, oi. – Ele se assustou e imediatamente colocou o porta retrato no lugar. – Eu, eu só estava olhando, espero que você... Não, não... Se importe.
Edward Cullen sem saber o que dizer e gaguejando? Isso sem dúvidas era um momento histórico, ele era sempre tão articulado.
— Relaxa, você pode olhar. – Eu disse num tom calmo e natural para não fazê-lo ficar ainda mais sem graça.
— É que eu não sabia se você gostava que mexessem nas suas coisas.
— Coisas íntimas sim, eu me incomodo, mas nos outros objetos não, nem um pouco.
— Esses são seus prêmios?
— Sim.
— São quantos?
— São quarenta e um por enquanto.
— Nossa, mas e os prêmios mesmo, ficam aonde?
— No escritório do papai, em uma prateleira, na verdade não é nem um escritório, mas uma sala de prêmios e troféus.
— Sério?
— É, tem as conquistas da família.
- Mas a sua irmã já se mudou e não levou os prêmios dela junto?
— Não, o papai implorou pra que ela os deixasse aqui, todo prêmio que ela ganha ela manda pra cá.
— Você também vai ser assim?
— Vou, esses prêmios são muito importantes para o papai, e além do mais eu tiro fotos com todos que eu ganho, as fotos vão comigo quando eu me mudar.
— Ao menos isso.
— Mas que tal a gente parar de conversar e ir assistir o filme?
— Boa ideia
Deitei ao lado de Edward em minha cama, ele passou um braço a minha volta, mas coloquei a pipoca entre nossos corpos, ele pegou uma garrafa e eu a outra, dei play no filme que ele colocou enquanto eu estava na cozinha, senti sua respiração balançando meus cabelos.
— Belo colar. – Ele disse enquanto segurava o pingente com os dedos que aproveitavam para roçar em minha pele e traçar uma linha de fogo por onde quer que passassem. – Eu gosto do seu apelido, Bella. Faz jus a você.
— Obrigada. – Eu disse sem graça. Ele estava mesmo dizendo que eu era bonita?
— Sabe, — Ele sussurrou ao meu ouvido e senti seus lábios encostados em minha orelha. – eu nunca assisti a um filme com uma garota sem no mínimo beijá-la.
Estremeci com o convite implícito e a maneira como ele falava, deixando um ar refrescante sair de sua boca, mas fui forte e resisti.
— É, não dizem que pra tudo se tem uma primeira vez?
— É, mas...
— Edward. – Eu o interrompi. – Você prometeu que não ia forçar a barra hoje.
— Não resisti. Porque geralmente quando estou na cama com uma garota não é para assistir filme.
— Eu sei, mas não estamos ficando. Agora vamos ver o filme.
— Você quem manda. – Disse sorrindo.
Nós ficamos assistindo filme, senti seus lábios e minha orelha descendo devagar e pararam em minha bochecha, eu tentava lutar contra as reações que aquilo estava me causando, quando a pipoca acabou coloquei a embalagem no chão, ele se aproximou de mim e deitou a cabeça em meus seios, deixou uma das mãos envolvendo minha cintura, por fim passou uma de suas pernas entre as minhas. Fiquei sem graça por ele estar tão envolvido e eu sem fazer absolutamente nada, feito uma pedra, então acariciei seus cabelos sedosos com uma das mãos, assistimos ao filme assim, quando acabou ele continuou daquele jeito, quase em cima de mim, peguei o controle e desliguei o DVD, olhei para o relógio e já estava tarde.
— O que vamos fazer agora? Eu ainda tenho algum tempo. – Ele disse.
— Você pode me falar sobre a sua família. – Sugeri interessada.
— Não.
— Por quê?
— Eu não quero.
— Mas você não quer falar nada?
— O nome do meu pai é Carlisle Cullen, ele é governador de Massachusetts, o da minha mãe é Esme, ela é chefe de cozinha, eles são separados, eu moro com o meu pai e tenho uma irmã chamada Alice que tem vinte e seis anos, é arquiteta e mora com a minha mãe, sou Edward Cullen, tenho vinte e três anos, faço faculdade de direito, adoro mulher, sexo, meus amigos e verde.
— Verde? – Perguntei confusa.
— Sim. – Ele respondeu. – Gosto da natureza em geral e dos animais também, sou defensor deles.
— Legal. – Eu disse admirada, por essa eu realmente não esperava. – Mas você é um protetor ativo, desses que participa de ONGS e luta pela preservação?
— Sim, sou um dos fundadores de uma ONG na verdade, o nome é pedaço de vida, ela abriga animais silvestres que foram maltratados ou estão machucados por algum motivo, cuida deles e depois os solta na natureza.
— Caramba! – Eu disse boquiaberta. Por que ele simplesmente não mostrava esse Edward às pessoas? Seria tão mais fácil. – Você me surpreendeu, isso é uma coisa muito bonita. – Não sabia se ele havia percebido, mas eu estava encantada por ele naquele momento, esse definitivamente era um cara que eu beijaria, queria beijá-lo agora na verdade e pela primeira vez não era apenas pelo seu físico.
— Obrigado. – Ele agradeceu um pouco sem graça, fazendo suas bochechas corarem quase imperceptivelmente, ele ficava ainda mais lindo desse jeito, com a guarda baixa.
— Acho que está na hora de você ir. – Eu disse ao ouvir algum barulho vindo do primeiro andar.
— Por quê? Ainda é cedo.
— Eu sei, mas eu ouvi um barulho, acho que alguém chegou.
— Bella. – Gritou uma voz conhecida, era minha mãe.
— Quem é? – Edward sussurrou.
— Minha mãe. – Sussurrei entrando em desespero.
— E agora? Por onde eu saio?
— Por enquanto você não sai.
— Mas ela vai me ver.
— Não! – Disse apavorada só de imaginar. – Entra no meu closet.
— O que? – Perguntou descrente.
— É, vai pro closet.
— Eu não. – Protestou.
— Vai sim.
— Bella. – Minha mãe me gritou novamente, mas com a voz mais perto. – Você está falando sozinha?
— Não. – Eu disse rápido. – Estou cantando. – Olhei para Edward que me encarava como quem esperasse uma solução e sussurrei. – Vai logo.
— Mas...
— Vai. – Disse desesperada.
— Tá bom.
Ele levantou da cama e entrou no closet, imediatamente tranquei a porta e guardei a chave na gaveta da escrivaninha. Minha mãe bateu à porta logo depois.
— Filha, trouxe umas coisinhas pra você, estou entrando.
Ela entrou em meu quarto e jogou várias bolsas sobre a cama. Pegou um vestido amarelo e florido de dentro de uma das bolsas e me mostrou.
— Gostou?
— Adorei! Vou usar na segunda-feira para ir à viagem da faculdade.
— Experimenta para eu ver.
— Mãe, estou muito cansada, que tal deixarmos isso para depois?
- Tá bom, mas guarda tudo no seu closet, quando você for experimentar me chame para ver como ficará tudo.
— Tudo bem.
— Estou indo então, beijo. – Ela disse fazendo biquinho, então levei minha bochecha até seus lábios, ela me beijou e saiu.
Abri a porta do closet e Edward saiu impaciente pelo quarto, algo me diz que ele não gostou muito de ficar trancado.
— Você tem que ir. – Eu disse a ele
— Por quê?
— Minha mãe já está em casa, é perigoso.
— Eu vou, mas amanhã no mesmo horário de hoje vou voltar, se você me permitir até mais cedo.
— Não, nesse horário está de bom tamanho.
— Perfeito, então amanhã estarei aqui.
— OK, agora vai.
— Por onde?
— Hum... – Olhei para a porta principal, o que não era uma boa ideia porque se ele saísse por ali a possibilidade de minha mãe o ver era enorme, então dirigi os olhos para a outra porta, que era uma boa ideia. – A sacada! – Corri até lá e abri a porta, Edward veio logo atrás de mim, mas quando olhei para baixo percebi que era realmente alto, uns três metros até o chão. – Você consegue pular daqui? – Perguntei na esperança que ele dissesse sim.
— Você é louca? Mesmo que eu consiga, vai fazer barulho e sua mãe vai perceber, você quer isso?
— Não, se ao menos houvesse um jeito de... – Me interrompi. – Espera. Tem uma escada lá em baixo, você fica aqui e eu desço para pegá-la, não sai daqui tá bom?
— Tá. – Ele disse sério, mas cuidado com a sua mãe.
— Pode deixar.
Saí do quarto, desci as escadas correndo, quando passei pela sala, minha mãe estava sentada no sofá assistindo tevê e lixando as unhas dos pés, até que notou minha presença.
— Bella. – Disse sem olhar para mim.
— Oi? – Eu disse já em frente a porta da sala.
— Aonde você vai?
— Vou tomar um ar, ficar um pouco no portão.
— Você nunca fica no portão. – Disse desconfiada.
— Hoje me deu vontade.
— Tá legal, mas você já experimentou as roupas que comprei pra você?
— Não, vou experimentá-las quando entrar.
— Tudo bem.
Quando estava prestes a sair ela reiniou a conversa.
— Filha, você viu aquele carro preto conversível aqui perto de casa?
— Não. – Menti. – Por quê?
— Por nada, é que nunca vi esse carro aqui antes, achei que talvez você soubesse de quem era, mas deixa pra lá, pode ir.
Fui até a piscina atrás da casa , peguei a escada e fui até a frente da minha sacada, onde Edward estava me esperando, coloquei a escada apoiada na ponta da sacada e segurei firme em baixo.
— Pode vir. – Sussurrei para ele.
— Tá segurando firme? – Ele sussurrou de volta.
— Sim, vem logo.
Ele virou o corpo, segurou a escada e desceu, quando chegou até o fim, ele pegou a escada e colocou onde eu indiquei. Depois eu o levei até o portão e fiquei do lado de fora junto a ele. Ficamos apenas nos olhando por cerca de vinte segundos, mas ele quebrou aquele silêncio assustador.
— Não quero ir. – Disse relutante.
— Também não quero que você vá. – Nem sei de onde tirei coragem para confessar aquilo, mas soou muito natural.
— Então por que eu vou?
— Porque meus pais podem te ver aqui, e isso vai ser um problema para mim.
— Eu sei, tchau então. – Disse conformado.
— Tchau. – Disse com uma estranha tristeza dentro de mim, o dia de hoje tinha sido tão bom, não queria que acabasse.
Mesmo sabendo que o veria amanhã eu estava com saudades, sim, saudades. Ele beijou minha testa e andou lentamente até seu carro, entrou e seguiu seu caminho. Fiquei no portão o olhando sumir com a distância, quando sumiu completamente entrei. Isso era estranho, mas eu definitivamente gostava da companhia de Edward Cullen.
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