A filha do reitor
49 Um novo recomeço
Notas iniciais
Todo esse lance com o Edward ficou martelando na minha cabeça o tempo inteiro, agora não apenas o que ele andava fazendo quando chegava tão tarde, mas também a nossa separação. Durante os meus últimos dez anos, eu estava acostumada a estar sempre com ele e fazer planos com ele, e por mais que uma forte parte dissesse que isso era só uma crise e que ia passar, uma outra parte dizia que ele não estava disposto a tentar superar tudo junto comigo, ele estava chateado pela minha desconfiança, e realmente achava que não tínhamos futuro, então eu simplesmente estava de mãos atadas, enquanto ele permanecesse pensando desta forma, não havia nada a ser feito a não ser é claro esperar e ver no que dava.
Eu estava me sentindo fraca e sem muita vontade de fazer qualquer coisa, essa crise estava acabando comigo. Cinco malditos dias se passaram nessa mesmice, ele chegava tarde, a gente conversava um pouco, ficava naquele desejo contido, cada um para o seu lado sem tomar a iniciativa e mais nada. Eu já não aguentava mais isso. Então resolvi recorrer a outros métodos. Fui à minha médica, pedindo a receita de algum remédio que me deixasse mais calma e que me ajudasse a dormir também, porque eu estava me sentindo triste e desanimada o tempo inteiro, além de não conseguir dormir mais de três horas diárias, ela me receitou e eu comprei.
Mais duas longas semanas se passaram e eu tomava os remédios no tempo que ela receitou, e ainda mais vezes. Eu nem via mais Edward direito exceto pelos fins de semana, mas mesmo assim, a gente conversava o necessário, afinal se entrássemos em qualquer assunto mais avançado acabaria em briga, então ambos achamos melhor apenas deixar as coisas como estavam, mas durante a semana nós não víamos mesmo, porque ele saia de manhã bem cedo e voltava à noite bem tarde e esse remédio me fazia dormir quase doze horas por dia, a by Text-Enhance\">sorte era que Robert e Nessie também eram dorminhocos e não reclamavam. Só que por várias vezes fui acordada por Edward perguntando se estava tudo bem e eu sempre dizia a mesma coisa “Sim”. Só que a verdade era completamente diferente, minha vida estava horrível e meu único motivo de alegria eram meus filhos, eu já nem comia direito e já havia emagrecido quase cinco quilos.
Em um dia de quinta feira, eu estava descendo as escadas correndo para pegar Robert que chorava, só que quando estava quase chegando no final, senti uma tontura e caí.
– Ai. – Gritei de dor pelo meu pé, que parecia estar sendo arrancado ou algo assim.
– Mamãe? – Nessie perguntou correndo até mim. – O que houve?
– Mamãe caiu filha. – Eu disse colocando a mão em meu tornozelo que estava inchado.
– Nossa, o seu pé está enorme!
– Eu acho que quebrei. Pega o meu celular pra mim, por favor.
– Tá bom.
Nessie correu até meu quarto e pegou o celular, trazendo rapidamente até mim. Liguei para minha mãe que àquela hora com certeza já estava em casa. Rapidamente ela veio e nós fomos ao hospital, segundo o médico foi apenas uma torção de segundo grau, resumindo, eu teria que ficar com o tornozelo imobilizado de três a quatro semanas. Então o médico me perguntou o motivo de eu ter torcido o tornozelo e eu expliquei que estava tomando uns remédios para dormir e que fiquei tonta enquanto descia as escadas. O médico insistiu para que eu fizesse alguns exames psicológicos e quando eu saí da sala de atendimento, não havia apenas minha mãe, Nessie e Robert me esperando, mas também Edward, que parecia preocupado e aflito, havia mais de uma semana que eu não o via sem estar morta de sono, agora que podia vê-lo com clareza estava óbvio o quanto estava afetado, eu nunca pensei que diria isso, mas Edward não estava mais tão lindo quanto antes, estava mais magro, abatido e com olheiras terríveis, parecia estar em uma depressão profunda e isso me afetou, afinal eu sabia que estava da mesma forma e essa situação não estava fazendo bem para nenhum de nós dois.
– Tudo bem? – Perguntou chegando mais perto de mim, só que receoso.
– Sim. – Respondi olhando para baixo, sem conseguir olhar em seus olhos.
– Bella, eu... – E hesitou. Fale Edward, fale. – Eu...
– Isabella Cullen. – Disse a enfermeira me chamando e eu fui até ela.
– Pois não? – Perguntei.
– A senhora pode me acompanhar, por favor?
– Claro. – Respondi.
Edward permaneceu onde estava e eu fui até a sala, onde a médica já me esperava.
– Eu tenho alguma coisa doutora? – Perguntei.
– Tem sim. – Respondeu. – Você está com depressão pós-parto.
– Sério? – Perguntei com os olhos arregalados.
– Sério.
– Mas... E agora doutora?
– Agora você vai ter que tomar os remédios que eu vou te receitar, esquece esses que você anda tomando, ok?
– OK.
– E também vai ter que fazer terapia até que esteja curada.
– E vai demorar quanto tempo até que eu me cure?
– Aí vai depender da sua força de vontade, do seu humor e do apoio do seu marido.
– Ih, to ferrada então. – Eu disse triste.
– Por quê?
– A gente está em uma crise.
– Pode ser esse um dos motivos dessa depressão. Se engana quem pensa que a depressão pós-parto tem a ver somente com o bebê, na verdade o bebê é o menor dos problemas, em geral o principal motivo está em você mesma. Na sua auto estima.
– Huhum.
– Você tem que buscar se sentir melhor. Ir ao teatro, cinema, parque, às compras, qualquer coisa que te deixe feliz. Mas faça por você, não pelos seus filhos ou pelo seu marido. OK?
– OK.
– Então tá bom. Não se esqueça de se cuidar.
– Pode deixar doutora.
– Até mais.
Peguei a prescrição do remédio com ela e depois saí. Minha mãe e as crianças ainda estavam lá, mas Edward não. Segundo ela ele tinha ido ao banheiro e já voltada, contei o que eu tinha e minha mãe ficou desesperada. Ela sabia que meu casamento não ia muito bem das pernas e estava me indicando sair em um fim de semana, só Edward e eu para que nós pudéssemos resolver as coisas e conversar. Só que ele sempre dizia estar ocupado. Mas hoje não havia escapatória, ele saiu mais cedo do trabalho e acredito eu que iria para casa conosco agora, e eu não estava mais tomando aquele remédio que me deixava sonolenta.
P.O.V. EDWARD
Eu já não aguentava mais tudo isso. Sim, eu estava trabalhando demais em algo que se eu conseguisse, seria maravilhoso para mim e a minha família, mas eu estava tão mal que parecia que todas as pessoas ao meu redor me olhavam com pena. Eu me sentia um verdadeiro trapo humano. Não apenas por estar trabalhando tanto, mas também pela situação na qual o meu casamento e até o meu relacionamento com os meus filhos se encontrava. Mas faltava pouco para eu concluir o que havia começado e eu não poderia desistir agora, mesmo que fosse para acalentar a insegurança da Bella. Eu propus separação a ela e Deus! Como isso doeu, porque eu realmente cheguei a considerar isto, já que por mais que a gente se amasse, sem confiança, de nada adiantaria. Só que o que eu diria ao meu corpo quando ele pedisse a presença dela? Como vinha fazendo todos os dias durante essas três semanas. Das duas últimas pra cá, eu nem mesmo a via direito, já que quando chegava e saia ela estava dormindo, fiquei até preocupado já que ela não costumava dormir tanto, algumas vezes eu até tentei acordá-la, mas ela estava sonolenta demais e nem me dava atenção direito. Eu estava me sentindo tão só e tão mal, minha vida estava simplesmente horrível dessas três semanas pra cá. Eu sentia falta da minha cama, de deitar ao lado da minha espora, sentir seu cheiro, seu corpo junto ao meu. Tudo! Fora meus filhos, que eu também morria de vontade de passar algum tempo junto, brincando, rindo.
E então em um dia normal no trabalho, quando eram umas sete horas, meu celular tocou e quando olhei achei estranho em ver de que se tratava da minha sogra. Atendi rapidamente.
– Alô. – Eu disse.
– Edward. – Ela parecia nervosa e isso me preocupou. – A Bella caiu da escada e torceu o tornozelo. Agora tá fazendo alguns exames. Eu acho que ela tá muito tristinha, se der pra você vir, acho que vai ser bom pra ela.
– Eu vou agora mesmo. – Eu disse preocupado.
Imediatamente falei com o meu chefe, explicando que minha esposa estava no hospital e fui voando até o hospital que ficava perto do meu trabalho. Assim que cheguei a mãe de Bella me explicou tudo que estava acontecendo e Renesmee correu para meus braços.
– Nossa papai, eu estava sentindo tanto a sua falta. – Ela disse me abraçando forte.
– Eu sei meu amor. Eu sei. – Eu disse triste.
Algum tempo depois Bella saiu e eu fui até ela, queria tanto dizer o quanto eu estava me sentindo mal por toda essa situação e o quanto eu queria tentar resolver as coisas, só que a médica a chamou novamente e algum tempo depois eu fui ao banheiro, quando voltei ela já estava lá.
– E aí? – Perguntei. – Tá tudo bem?
– A gente conversa em casa. – Ela disse.
– Tá bom. – Eu disse com medo do que poderia ser dito.
Reneé perguntou a Bella se ela precisava dela e ela disse que não, então foi para casa, e nós seguimos para a nossa. Bella estava com o pé enfaixado e com dificuldade para andar, então eu a ajudei a entrar em casa. Renesmee foi para seu quarto brincar de boneca e eu coloquei Robert no berço, depois fui até a sala, onde Bella estava sentada.
– O que você tem? – Perguntei ansioso enquanto me sentava ao seu lado.
– Depressão pós parto. – Respondeu e meu coração apertou no peito. Bella estava em depressão?
– Mas... Por quê?
– Não dá pra saber ao certo, mas provavelmente tem a ver com a minha auto estima. Ao menos foi o que a médica disse.
– E o que a gente deve fazer? – Perguntei preocupado.
– Ela disse que eu tenho que fazer algo que eu goste, fora as sessões de terapia e os remédios.
– Sei. – Eu disse me sentindo culpado por ela estar desta forma. – Eu preciso pensar. Eu me sinto tão perdido.
– Tá bom. Parecia que você queria me dizer alguma coisa hoje mais cedo. Assim que saí do consultório.
– Deixa pra lá. – Eu disse olhando para baixo.
Bella respirou fundo parecendo decepcionada e virou as costas para mim, indo em direção à escada.
– Tá bom. – Ela disse. – Eu vou para o meu quarto deitar um pouco. Estou muito cansada.
– Tudo bem. Eu te ajudo.
Levei Bella até seu quarto, quarto este que nós costumávamos chamar de nosso. Eu a ajudei a deitar em sua cama, que também costumava ser nossa. De repente me deu uma vontade louca e quase avassaladora de me deitar ali também, ao seu lado, sem segundas intenções, apenas para cuidar dela. Mas eu não queria confundir as coisas, não queria tomar nenhuma decisão precipitada, porque eu sabia muito bem como acabaria tudo isso. A gente se acerta, depois eu chego tarde e brigamos novamente, eu não quero isso pra mim, muito menos para ela, então enquanto eu não tiver concluído meu trabalho, não quero nem cogitar me aproximar dela.
No dia seguinte fui trabalhar, e pouco tempo depois do meu turno, enquanto eu estava trabalhando no meu projeto, recebi uma ligação de meu pai, atendi prontamente.
– Alô.
– Edward, você pode vir aqui em casa?
– Pai, ontem eu já tive que sair mais cedo, hoje é meio que impossível, eu estou...
– Trabalhando. Eu sei. – Ele disse. – Mas eu realmente preciso que venha. Quero ter uma conversa muito importante com você.
– Tudo bem. – Respondi me dando por vencido. – Eu vou. Mas espero que seja realmente importante.
– E é. – Garantiu.
Saí do trabalho, curioso e preocupado ao mesmo tempo, meu pai não era de me ligar, geralmente quando fazia isso era porque algo realmente importante estava acontecendo. Assim que cheguei à casa de meus pais, percebi que apenas meu pai estava lá, o que achei estranho.
– Algum problema? – Perguntei a ele enquanto me sentava ao seu lado no sofá.
– Sim. – Respondeu sério. – A Alice contou pra sua mãe que a Bella está com depressão pós-parto e a Esme imediatamente largou tudo e foi visitá-la hoje mais cedo e quando chegou em casa, me contou tudo que vem acontecendo entre você e a sua esposa. A verdade é que eu não estou gostando nem um pouco da sua postura.
– Mas pai...
– Edward, você está com outra mulher?
– Não. – Respondi imediatamente.
– Você sabe que pode ser sincero comigo não sabe?
– Sei, e estou sendo, não existe outra mulher pra mim pai, desde que a Bella entrou na minha vida, só dá ela. Já fazem três semanas que a gente não fica junto e mesmo assim eu não consigo olhar para nenhuma outra mulher.
– Então por que está fazendo isto? Eu sei que não sou a pessoa mais indicada para te dar um puxão de orelha, já que passei tantos anos ausente na sua vida, da sua mãe e da sua irmã, mas você viu como terminou, não viu? Sua mãe e eu ficamos quatro anos separados. E é assim que a sua vai terminar se não tomar uma atitude também.
– Pai, eu estou fazendo o melhor pra ela e pros meus filhos. Só que ela não quer enxergar isso.
– O melhor pra eles é ficar longe de você?
– Não, não vai ser assim pra sempre, na verdade falta muito pouco pra eu terminar o que eu quero. Só que ela tinha que confiar em mim, coisa que ela não faz.
– Tudo bem, ela devia ser mais confiante, mas Edward, tente entendê-la ela acabou de ter um filho, o corpo dela está diferente, além do fato de que as mulheres ficam muitos sensíveis nessa época, elas precisam se sentir desejadas e amadas, porque elas pensam que estão horríveis e essas coisas que nós sabemos que não é verdade. E então, em um período no qual ela está com a auto estima baixa, você começa a chegar tarde. O que quer que ela pense? – Olhei para baixo, sem graça, pelo fato de as coisas que ele estava dizendo estarem começando a fazer sentido para mim. – E digo mais, se gosta tanto assim dela, faça algo pela atual situação na qual ela se encontra. Ou você vai mesmo deixar a sua esposa ficar na depressão?
– Não, mas eu estou de mãos atadas. Eu não posso tentar me reconciliar com ela e no dia seguinte a gente brigar porque eu cheguei tarde novamente. E eu não quero brigar com ela, principalmente agora.
– Eu sei, mas será que vale à pena abandoná-la por causa do seu emprego? Justamente a mulher que te deu tanta força pra seguir o ramo que você tanto gosta que é a biologia?
– Eu sei. – Eu disse esfregando o rosto. – Eu sinto tanta falta dela e das crianças. Eu vou tentar, novamente resolver tudo. Mas dessa vez, eu farei qualquer coisa para que dê certo.
– Vai fazer isso mesmo ou está dizendo da boca pra fora?
– Eu vou. – Garanti.
– Então tá bom. Só quero ver hein.
– Deixa comigo. – Eu disse sorrindo. – Eu vou reconquistar essa mulher.
– É isso aí. – Disse meu pai parecendo feliz com minha decisão.
Assim que cheguei à casa de meu pai, minha intenção era voltar para o trabalho assim que saísse, mas eu não o faria, hoje eu iria para casa e ia começar a corrigir meus erros. Em primeiro lugar, voltar a ser o marido dos sonhos para a minha linda esposa. Eu definitivamente não ia deixar o meu casamento acabar por nada neste mundo. E fui um verdadeiro idiota por sequer considerar em desistir.
– Oi amor. – Eu disse ao chegar em casa e vê-la na sala.
– Oi Edward. – Ela disse parecendo meio confusa. – Amor? Acho que você anda esquecendo das coisas.
– Verdade. Eu tinha me esquecido do quanto é incrível jantar com você. O que acha? Só nós dois, no seu restaurante favorito?
– Ah Edward, melhor não. – Disse desanimada. – Eu tenho que ficar olhando o Robert.
– Ah Bells, vamos. Eu sei que tem várias mamadeiras com o seu leite na geladeira. E eu tenho certeza que a Alice não vai se importar de olhar as crianças hoje.
– É! – Disse Nessie empolgada vindo correndo na direção de Bella e a abraçando. – Por favor mamãe, deixa eu dormir na casa da tia Alice, eu vou brincar muito com a Geanna, vai ser muito legal!
– Ah... Tá bom. – Disse Bella olhando para mim e sorrindo, de repente vi um brilho nos seus olhos que me fez acreditar que as coisas iam sim, melhorar e eu estava disposto a tudo para que isso acontecesse.
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