A filha do reitor
36 Um dia no sítio.
Nós ficamos no carro por aproximadamente umas duas horas, enquanto eu apenas me matava de curiosidade sobre o lugar que iríamos. Até que passamos por uma estrada rodeada pela mata verde e bonita. Até que paramos de frente a um portão de madeira, bem rústico. Edward pegou uma chave, saiu do carro e abriu o portão, depois voltou para o banco do motorista.
– Você abrindo o portão manualmente? Vai chover! – Eu disse.
– Haha. Muito engraçado. O meu pai disse que se colocar um portão eletrônico vai perder todo o clima de sítio.
– Ah, então aqui é o sítio do seu pai?
– É. – Respondeu sorrindo.
– Legal.
Edward ligou o carro e entrou no sítio. Depois saiu para fechar o portão. Quando ele terminou de estacionar o carro, nós saímos.
– Vem. – Ele disse pegando minha mão e me puxando em direção à casa de madeira. – Vamos entrar.
– Por que você não trouxe roupa para você?
– Eu tenho aqui. Por falar nisso tenho que comprar roupa pra você e guardar aqui.
– Você sabe que não precisa disso.
– Mas eu quero fazer isso.
Edward e eu fomos até a grande e linda casa de madeira que era linda. Entramos e subimos até o segundo andar. Edward entrou na primeira porta e eu fui atrás dele. Era uma suíte em tamanho médio.
– E o seu quarto?
– Sim.
– Estamos sozinhos aqui?
– Bom, nesta casa, sim, nós estamos.
– Como assim?
– Estamos sozinhos aqui dentro, mas não no sítio. Tem o caseiro e a família dele. Vamos conhecer o sítio?
– Vamos. – Respondi empolgada.
– Mas você não vai trocar de roupa não? Essa roupa está muito urbana pra um lugar como esse, seu salto vai afundar na terra. – Disse sorrindo. – Coloca o biquíni.
– Tá bom.
Peguei o biquíni e a saída que ele havia trago para mim e me vesti, calcei meu chinelo, depois fui ao banheiro tirar a maquiagem, coloquei os óculos e nós descemos de mãos dadas.
– Oi Edward. – Disse um garoto que parecia ter uns 15 anos chegando ao nosso lado.
– Fala aí moleque. – Disse Edward apertando a mão do garoto. – Como vai?
– Bem. E você?
– Ótimo, se melhorar até estraga.
– Quem é? – Perguntou a Edward, só que olhando para mim. Eu ia responder, mas Edward foi mais rápido.
– Muita areia pro seu caminhãozinho. – Disse Edward tirando o boné do menino e colocando em sua cabeça.
– Eu perguntei quem é?
– A minha garota.
– Ela é muda? – Ele perguntou e eu sorri.
– Não.
– Oi menina. – Disse olhando para mim.
– Oi. – Respondi timidamente.
– Sou Jarred. – Disse estendendo a mão para mim.
– E eu sou a Bella. – Eu disse apertando sua mão enquanto sorria.
– Não acredito que é sua namorada. – Disse Jarred para Edward.
– Por quê?
– É areia demais pro seu caminhãozinho.
– Eu te pego. – Disse Edward num tom de brincadeira.
Jarred saiu correndo e Edward foi atrás, ainda bem que ele não arranjou confusão com o garoto. Quando Edward chegou até Jarred, deu uma banda nele, depois tirou o boné e jogou em cima dele.
– Ainda tem muito que crescer. – Disse sorrindo.
Edward veio até mim e me abraçou de lado, repousando a mão sobre meu quadril. Foi então que vi um homem, uma mulher e uma menina de aparentemente uns 12 anos vindo em nossa direção.
– Quem são? – Perguntei baixo.
– O caseiro e a família dele.
– Olá Edward. – Disse o caseiro chegando ao nosso lado.
– Olá Marcus. – Disse Edward apertando a mão do homem. – Essa é a minha namorada. Bella.
– Demorou pra escolher, mas quando escolheu, acertou hein. – Disse sorrindo. – Bela moça.
– Obrigada. – Eu disse sorrindo.
– Bella. – Disse Edward. – Esse é o Marcus, nosso caseiro, sua esposa Carmen e sua filha Bree. Aquele idiota ali que você já conhece. – Disse apontando para Jarred enquanto sorria. – É filho deles também.
– É um prazer conhecê-los. – Eu disse.
– O prazer é todo nosso. – Disse o caseiro em nome da família.
– Mas mudando de assunto. – Disse Edward. – Como vão meus animais?
– Estão muito bem. Seu tigre quase arrancou o braço do Jarred esses dias. – Tigre? Edward tinha um tigre? Senhor. Por que eu não pude ter um namorado normal?
– Impossível. – Disse Edward com o cenho franzido. – Meu tigre é muito doce.
– Nada é impossível pro Jarred. Ele perturbou tanto o bicho até ele fazer isso.
– Não faz isso cara. – Disse Edward olhando para Jarred. – Meu tigre só come carne de primeira.
– Tsc. Vai se catar Edward. – Disse Jarred sorrindo.
– Mas falando sério cara. – Disse Edward agora olhando para Marcus. – Mantenha o Jarred longe do tigre, isso pode acabar em tragédia hein.
– Tudo bem.
– Nós vamos ver meus animais e ir à cachoeira.
Edward e eu começamos a andar pelo sítio de mãos dadas passando por todos os seus animais, ele tinha até um coala! O meu sonho era ver um coala e eu estava o realizando agora, eu simplesmente não conseguia parar de abraçá-lo enquanto Edward apenas sorria dizendo que estava começando a ficar com ciúmes do bicho. Por final fomos ver o tigre e ele insistia pra que eu entrasse.
– NÃO! – Gritei. – Eu não vou entrar nessa jaula!
– Ele é manso. – Disse garantindo.
– Tão manso que quase arrancou o braço do Jarred.
– Mas foi ele que perturbou. Por isso.
– Não vou.
– Vem sim.
– Eu não quero.
– Eu vou te obrigar.
– Não. – Eu me virei.
– Se correr ele corre atrás e eu não vou fechar a jaula. – Disse com um sorrisinho diabólico.
– Estou com medo. – Eu disse paralisada.
– Relaxa e confia em mim.
– Não confio em você.
– Vem.
– Não.
Edward me segurou pelo braço e me puxou para dentro da jaula, eu gritei e ele apenas sorria. Idiota!
– Para de gritar mulher. – Disse sorrindo. – Parece que está morrendo.
– Eu vou morrer! – Eu disse gritando.
Tentei me libertar de seus braços enquanto gritava.
– Para de gritar.
– Não, eu quero sair daqui.
Edward me pegou no colo e me levou até o tigre. Eu parei de gritar, mas o abracei forte e fechei os olhos com força, ele me colocou no chão, meu pé encostou no pelo do tigre e eu me assustei. Edward se abaixou acariciando o tigre que pulou em cima dele o fazendo cair no chão.
– Edward. – Gritei desesperada.
– Calma. – Ele disse sorrindo enquanto desviava o rosto das lambidas do tigre. – Eu estou bem. Esse é o jeito dele de me receber.
Edward levantou e eu ainda olhava o animal com desconfiança.
– Ele não vai te fazer mal. – Garantiu. – Olha como é mansinho – Disse passando a mão na cabeça do tigre que até fechava os olhos com o carinho. – Vai, passa a mão nele.
Passei a mão levemente na cabeça do tigre e ele continuou com aquela cara de que estava adorando. Aos poucos eu fui ficando mais confiante e o acariciando pra valer, até que era bom fazer carinho nele.
– Ele é doce. – Afirmei sorrindo.
Depois que saímos dali Edward me levou até a cachoeira que tinha uma bela queda.
– Isso é tudo do seu pai? – Perguntei.
– Só a partir da queda. Vem.
Edward atravessou a ponte que ligava um lado da cachoeira ao outro. Tirou o short e o chinelo, ficando apenas de sunga, eu tirei minha roupa também deixando apenas o biquíni e nós entramos na água. Nós ficamos ali por um tempo, apenas nos beijando, abraçando e brincando um com o outro. Depois eu saí e me deitei no gramado que tinha perto da cachoeira. Edward saiu também e deitou na direção oposta a minha, deixando apenas as nossas cabeças lado a lado.
– Como você acha que estaremos daqui a dez anos? – Edward perguntou olhando para o céu.
– Casados. – Eu disse sorrindo ao visualizar a cena. – Com um ou dois filhos, quem sabe? Eu advogada e você biólogo. A Candy estará gigantesca.
– Uma família feliz.
– É. E você? O que imagina?
– A mesma coisa. – Ele disse sorrindo.
– Vai ser muito legal.
Eu olhei para ele e acariciei seu cabelo, sorrindo. Ele também olhou para mim e me beijou apaixonadamente, era engraçado como mesmo estando de cabeça pra baixo, nossas bocas se encaixavam perfeitamente, como se fossem feitas uma pra outra.
Edward e eu andamos mais um pouco pelo sítio e depois voltamos para a nossa casa. Até que o passeio tinha sido bem legal. Quando estávamos no carro, peguei meu celular e tinham várias chamadas perdidas da minha mãe, então imediatamente liguei para ela.
– Alô. – Disse ela.
– Mãe, está tudo bem?
– Sim. Eu só liguei para avisar que seu pai e eu queremos falar com o Edward.
– O que? – Perguntei preocupada.
– Você vai ver.
– Ih, lá vem tempestade. – Eu disse triste.
– Eu ia direto pra sua casa, mas aí lembrei que você se mudou. Eu não sei o endereço, por isso estava ligando.
– Ah sim, anota aí.
Eu disse o endereço para minha mãe que anotou tudo, avisei a ela que estava na rua e que em duas horas estaria chegando em casa, ela concordou e depois desligou.
– O que ela queria? – Edward perguntou.
– Disse que ela e o papai querem falar com você.
– O que? – Perguntou com o cenho franzido.
– Não sei.
– Coisa boa que não deve ser. Olha amor, sua mãe até gosta de mim e eu não acho que ela vá falar alguma besteira, agora o seu pai não, então se ele vier de graça eu não vou levar desaforo pra casa não, ainda mais agora que você não depende dele pra nada.
– Claro, nem eu quero que você engula sapo pra ninguém.
Eu lembro que meu pai tinha dito que aprovava nosso namoro, mas eu não confiava muito nisso, a final, ele tinha um ódio mortal de Edward, e um sentimento desses não passa de uma hora pra outra.
Nós chegamos, tomamos um banho e nos vestimos – Coisa que não costumávamos fazer quando estávamos em casa. – Não demorou muito e alguém tocou a campainha.
– Eu atendo. – Eu disse.
– OK. Estou esperando aqui na sala.
Fui até o portão e abri, lá estavam meus pais.
– Oi mãe, oi pai. – Eu disse sorrindo. – Entrem.
– Onde está o Edward? – Meu pai perguntou.
– Na sala.
Nós entramos e fomos até lá. Meu estômago estava revirando e eu estava morrendo de medo. A final não era todo dia que meu pai vinha me visitar, ainda mais pra falar com Edward. Mas seja o que Deus quiser!
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