A filha do reitor
1 Primeiro dia
Notas iniciais
Acordei às sete, tomei café-da-manhã, ao lado do meu pai, coloquei meu caderno e minha apostila em minha bolsa, escovei meus dentes e fui tomar banho. Ao sair avistei meu pai me esperando na porta de casa, calcei meus sapatos, peguei a bolsa e fui. Lá fora o sol estava forte, faziam trinta e dois graus, entramos no carro, ele ligou o ar-condicionado e nós seguimos para a universidade na qual eu cursava direito e meu pai era reitor.
Ao chegarmos eu saí do carro e meu pai foi estaciona-lo. Era o primeiro dia de aula, meu primeiro dia do primeiro período. Eu estava animada, queria me entrosar, fazer amigos, afinal, o que uma menina de 18 anos ia querer a mais? Ah claro, Homens, paquera e beijos, mas eu não, eu não queria isso, eu estava centrada em meus estudos, finalmente tinha conseguido passar para a Harvard, que felizmente ficava em meu estado e na primeira tentativa! Não estragaria tudo por um namoro, eu tinha potencial demais para acabar assim, sabia que se desse tudo de mim poderia ser a melhor advogada da minha geração, não seria muito sacrifício resistir aos meninos de lá, afinal nunca fui muito namoradeira, não a ponto de apresentar ao meu pai, no máximo uns beijinhos na porta da escola. Acho que não sou do tipo atraente, não gosto muito de atenção, geralmente fico quieta no meu canto lendo meus livros e escutando música em meu Iphone, sou feliz assim.
Por fim de meus pensamentos tomei ar e entrei na gigantesca universidade que estava a minha frente, já haviam algumas pessoas lá dentro, pessoas de diferentes estilos e cores, eu estava muito feliz.
Sentei em um dos bancos de madeira que estavam no enorme pátio com o piso de mármore. Tudo estava em paz, até chegar um audi R8 spyder, uau, só tinha visto um carro assim na tevê, bom o automóvel era lindo até o motorista sair, um rapaz alto, com um metro e oitenta e cinco em média, olhos verdes, forte e com os cabelos num tom de loiro bem escuro, do carona saiu uma mulher com a pele bronzeada, corpo escultural e os cabelos loiros e com ondas perfeitas, usava roupas extremamente vulgares, linda, mas não chegava nem aos pés do motorista, depois saíram do banco traseiro dois homens altos e bonitos. Nenhum dos quarto pareciam estudiosos, ao menos não para estar em uma universidade federal, mas é exatamente como dizem: “As aparências enganam”.
– Oi. – Disse uma morena de olhos castanhos interrompendo meus pensamentos. – Meu nome é Angela, prazer em conhecê-la.
– Prazer. Meu nome é Isabella, mas todos me chamam de Bella. O que você está cursando?
– Primeiro período de direito. E você?
– Exatamente o mesmo. – Eu disse feliz, já tinha uma colega na classe. – Nós podemos sentar juntas?
– Claro. – Ela disse sorrindo.
– Angela! – Disse uma menina com o cabelo loiro escuro de olhos castanhos ao chegar do nosso lado. – Ainda não estou acreditando que passamos para a mesma universidade, estou tão feliz! – A menina abraçou Angela e em seguida olhou para mim. – Desculpe a minha falta de educação, o meu nome é Jéssica. Você é...
– Bella.
– Prazer Bella. – Disse simpática apertando minha mão. – Eu estou no primeiro período de direito, e você?
– Também. – Respondi. Maravilha! Mais uma amiguinha.
– Sério? Legal. Nós três podemos sentar juntas. – Disse Angela.
– Ótimo. – Eu disse alegre.
De repente os quatro jovens que eu havia visto no carro preto passaram pela nossa frente e elas pararam de falar, eu olhei para as duas. Angela e Jéssica estavam boquiabertas acompanhando os quatro passarem. Eles pararam de frente a uma menina com os cabelos negros, olhos castanhos, com o corpo, o bronze e o nível de vulgaridade igual ao da outra que estava com o motorista do carro, ele estava andando de mãos dadas com a loira que veio de carro com ele, mas ao chegar perto da morena, ele largou a mão dela e beijou a outra, em seguida abraçou as duas e saiu andando, seus dois amigos foram andando atrás.
– Meu Deus! Esses três me deixam sem fôlego. Eles são tão lindos. – Disse Angela.
– Nossa, estou recuperando o ar ainda. – Disse Jéssica respirando fundo.
– Quem são esses? – Angela espantou-se com a minha pergunta.
– Eles são simplesmente o trio mais popular da facul.
– Nossa amiga, você está mesmo desatualizada. – Disse Jéssica. – Nós ficamos sabendo que a gente estudava. Eles são conhecidos como o terror daqui.
– Ah claro! Então são eles? – Perguntei espantada, meu pai havia me falado sobre.
– Sim. – Disse Jéssica.
– Você já ouviu falar? – Perguntou Angela.
– Já. Meu pai mandou manter distância deles.
– Manter distância deles é fácil, – Jéssica disse triste. – afinal eles não olham pra nenhuma de nós. Só para as gostosonas.
– Mas mesmo assim, não duvido nada que garotos que tem preguiça de estudar como eles fariam de tudo para conseguir as provas antes de serem aplicadas, eles pensam que eu como filha do reitor posso conseguir isso. Aconteceu muito com a minha irmã enquanto ela estudava aqui.
– Você é filha do reitor? – Perguntaram juntas.
– Sou, por que o espanto? – Perguntei curiosa.
– Nenhum, mas o cargo do seu pai é bem importante aqui. – Disse Angela.
– É mesmo. – Eu disse.
– Gente, tá na hora da aula. – Disse Angela – Vamos?
– Vamos. – Jéssica e eu respondemos juntas.
No caminho até a nossa sala passamos perto dos “terrores da facul”. Que idiotas! Ao chegarmos percebi que eles também entraram ali.
– Gente, eles são da nossa turma? – Perguntei a elas.
– São. – Disse Angela feliz. – Não é o máximo?!
– Mas não é o primeiro ano deles aqui, como podem estar no primeiro período? – Perguntei confusa.
– Eles repetiram três vezes o primeiro período.
– Impossível. Aqui só pode repetir uma vez ou o aluno é expulso.
– Bom, com eles é diferente. – Disse Jéssica.
– Mas por quê? – Perguntei indignada. – Isso não é justo.
– É que eles são ricos. Sabe aquele garoto do meio? O que tá abraçado com as meninas, mais alto e mais sexy.
– Sei. – Ele realmente era o mais bonito, era um verdadeiro espetáculo.
– Então. – Continuou Jéssica. – Ele é o Edward Cullen é o chefe do trio, o mais desejado, ainda que as meninas fiquem com os outros, o sonho delas é ele. A final por que as estrelas se existe o sol? Enfim, ele não passou pra essa universidade, mas o pai dele é ninguém menos que o governador estadual.
– Ele é filho de Carlisle Cullen? – Perguntei com os olhos arregalados.
– Sim.
– Nossa.
– Eu sei.
– Mas e os outros?
– Bom, o de cabelo curto, olhos castanhos e forte se chama Emmet, o pai dele é sócio majoritário de uma rede de supermercados famosos em todo país. O de cabelo loiro e elegante é o Jasper, os pais dele são donos de uma rede de condomínios em áreas nobres dos Estados Unidos.
– E essas meninas?
– São as ficantes oficiais do Edward
– Como assim “ficantes oficiais”?
– São as fixas, as garotas que ele sempre sai, as outras ele sai por uma noite e só.
– Mas por que elas são fixas?
– Porque elas são bonitas e são as preferidas dele. – Ela disse decepcionada. – Mas elas só ficam com ele de dia porque a noite ele sai com outras. Ele e os amigos.
– Então elas passaram pra cá?
– Na verdade não. – Ela deu um sorriso debochado. – A loira é irmã do Jasper e a morena do Emmet.
– Hum, talvez seja por isso que ele sai com elas, porque elas são irmãs dos melhores amigos dele.
– É, faz sentido.
– O meu pai me alertou sobre esse Edward.
– O que ele disse? – Perguntou Jessica curiosa.
– “Filha na faculdade vai ter um cara chamado Edward Cullen, se afaste o máximo possível, jamais troque uma palavra sequer com ele. Esse garoto é o coisa ruim em forma de gente.” – Eu disse imitando a voz de meu pai.
Angela e Jéssica caíram na gargalhada e eu acabei rindo junto. Nós assistimos a aula do professor de direito previdencial, eu ficava atenta a tudo que ele dizia e anotava em meu caderno. Quando ele escreveu algumas observações e exercícios no quadro ele sorteou duplas para fazerem a bateria de exercícios juntas, o primeiro nome sorteado foi o de Edward Cullen, imediatamente desviei meu olhar para ele e para a minha surpresa ele olhava em minha direção, rapidamente voltei a olhar para frente muito sem graça por ele ter me pego o encarando, quando usei minha visão periférica o vi dando um sorriso torto malicioso e inegavelmente lindo. Meu Deus! Existia alguma coisa que não era perfeita naquele homem? Ah claro, como pude me esquecer, sua personalidade e seus atos.
– E quem vai ser a dupla de Edward Cullen é... – Disse o professor fazendo com que me lembrasse de que estávamos em aula. – Isabella Swan.
Não! Era eu. Olhei para Angela e Jéssica que sorriam felizes como se eu tivesse ganhado o prêmio Nobel.
– É amiga, vai ter que quebrar a regra do seu pai. – Disse Angela, mas não em um tom debochado, ela estava feliz por mim, agora eu me perguntava “Feliz pelo que?” – Sortuda.
– Muito sortuda. – Disse Jéssica sorrindo.
– Estou indo meninas. – Eu disse.
Ele levantou sua carteira e colocou no local indicado pelo professor em seguida veio em minha direção. Confesso que gelei, ele me assustava um pouco.
– Posso levar a sua carteira? – Perguntou simpático.
– Claro. – Eu disse tentando parecer imune ao seu charme e beleza.
Ele levantou a carteira com apenas uma das mãos, não pareceu estar fazendo o mínimo esforço enquanto eu quase morria quando tentava levantar uma. Ele colocou a carteira junto à dele no fim da sala, ele se sentou na sua e eu na minha. Ele observou meu rosto por um longo tempo enquanto eu lia – ou fingia ler – os exercícios. Eu olhava rapidamente pelo canto do olho e percebi que em um momento ele mordeu o lábio inferior, sorriu maliciosamente e depois seus olhos brilharam.
– Isabella Swan. – Ele disse com sua voz forte e máscula.
– Oi? – Perguntei.
– O seu sobrenome é igual ao do reitor, que coincidência.
– Não é coincidência, ele é o meu pai.
– Sério? – Ele pareceu surpreso e assustado ao saber.
– Sim. – Garanti.
– Então você também não passou, mas foi passada pra cá. — Afirmou.
– Desculpe, como disse? – Perguntei irritada com sua insinuação.
– Você está aqui porque o seu pai de passou, não é?
– Não é porque o meu pai consegue fazer com que eu estude aqui sem passar no concurso que isso tenha acontecido. – Disse zangada. – Até mesmo porque eu acho muito errado, pessoas que não fizeram o mínimo esforço para passar tomando o lugar de quem estudou muito para isso, mas a questão é dinheiro não é? A final ele compra quase tudo, mas se tem uma coisa que ele não compra é competência. Quer um exemplo? Tire por você e os seus amiguinhos.
Eu sei, eu fui grossa e falei mais do que deveria, mas eu precisava me expressar, dizer como não gostava de pessoas assim.
– Calma. – Ele disse espantado com meu aborrecimento. – Eu não quis te ofender.
– Olha eu não sei qual é o tipinho de garota que você costuma andar, mas eu sou diferente. Eu faço questão que você me trate como eu te trato, ou vou lhe tratar da maneira como você me trata. Você é grosseiro então eu também serei, dar e receber. Você que faz direito há um ano e meio, deveria saber. Ah claro, você foi “passado”. – Fiz aspas com as mãos.
– Você me desculpa, mas a única pessoa que está sendo grosseira aqui é você, eu só te perguntei se você também foi passada e você já vem com quatro pedras na mão. – Disse levemente irritado.
– Mas isso é coisa que se pergunte pras pessoas?
– Não sei, só sei que não foi motivo pra você querer me humilhar. – Sua irritação estava aumentando.
– Acho melhor nós recomeçarmos então. – Eu disse mais calma. – Prazer em conhecê-lo, meu nome é Isabella, mas todos me chamam de Bella. – Eu disse estendendo minha mão para ele.
– Prazer Bella. – Ele disse apertando minha mão. Estremeci com seu aperto forte. – Meu nome é Edward.
– Que tal nós fazermos os exercícios Edward? – Perguntei. – Onde está a sua folha de exercícios?
– Eu não copiei.
– Você tem que copiar se quiser seus pontos.
– Eu pensei que talvez você pudesse copiar para mim. – Ele disse jogando charme, charme esse que apesar de desconcertante não funcionaria.
– Eu acho que isso não vai rolar não. – Eu disse.
– Por quê?
– Porque eu já copiei minha bateria de exercícios e você tem que copiar a sua.
– Se você copiar duas vezes vai aprender em dobro.
– Ótimo argumento, você vai ser um bom advogado, mas pra isso você deve fazer seus deveres.
– Sabe, geralmente as garotas topam tudo que eu proponho, inclusive fazer os meus exercícios. – Os olhos dele se intensificaram e seus lábios se curvaram levemente para cima formando um sorriso quase imperceptível, um sorriso ao estilo “Monalisa”.
Seria mesmo um sorriso? Ele estava feliz por eu não trata-lo como as outras o tratam? Ele olhou para baixo na esperança tola de que eu não reparasse que ele estava se divertindo com aquilo tudo e deu evidentemente um sorriso, ao recuperar sua expressão voltou à antiga posição.
– Pelo visto você não é como todas as outras que eu conheço, interessante.
– Você realmente acha que é a pessoa mais irresistível que já conheci? – Perguntei com as sobrancelhas arcadas numa expressão de desdém.
– Sim, eu acho, não por eu me achar o gostosão, mas você sendo filha de quem é não deve ter conhecido muitas pessoas interessantes.
Pra dizer a verdade ele realmente era a pessoa mais linda, charmosa e irresistível que já conheci, mas ele definitivamente não ouviria isso da minha boca, então continuei com a pose de durona.
– Meu pai tem amigos com filhos muito atraentes, bem mais que você pra ser sincera. – menti. – E são vários.
– Sei. – Ele disse sem acreditar em nenhuma palavra.
– Olha, estou percebendo que você está só enrolando e copiar que é bom nada. Mãos a obra.
– Tá bom Isabella. – Ele só podia estar querendo me irritar.
– Bella.
– Bella. — Disse se corrigindo.
Eu fiz todos os meus exercícios enquanto ele copiava. Eu terminei e ele não havia chegado nem na metade. Eu fechei meu caderno e fiquei observando seu rosto, o modo como escrevia, era um cara muito bonito, chegava a ser humilhante para qualquer pessoa normal ficar perto de tamanha beleza.
– Acabei, onde estão as respostas? – Perguntou ao terminar.
– Na apostila.
– Onde?
– Pesquisa. – Coloquei a apostila em sua carteira e ele me fitou incrédulo. – O que?
– Você vai mesmo me obrigar a pesquisar?
– Não, eu não vou te obrigar a nada, você pesquisa se quiser, lembrando que isso vale nota.
– Eu sei, mas o trabalho vale nota, você tem que me ajudar.
– Eu vou até te AJUDAR, não fazer os seus exercícios.
– Ótimo.
Eu abri a apostila no capítulo que estavam às respostas, ele leu e respondeu tudo sozinho. Nós fomos os primeiros a terminar. Me levantei para puxar minha carteira de volta para o meu lugar, ele me observou e antes que eu pudesse movimentá-la, colocou o pé nos ferros onde se colocam os livros, olhei para ele sem entender o motivo de estar me impedindo de sair dali.
– Por que está me travando? – Perguntei confusa.
– Será que sou tão insuportável a ponto de mal acabarmos de fazer o trabalho e você já querer ir embora?
– Não é isso, eu só quero voltar ao meu lugar.
– Tá legal, mas você não precisa ficar longe. A hora que você quiser é só falar comigo. E se te interessa você pode se sentar conosco durante as aulas.
– Provavelmente isso não vai acontecer, mas mesmo assim abrigada pelo convite.
– Disponha. – Ele disse tirando o pé que impedia minha carteira de se movimentar.
Ele pegou a minha e a levantou com apenas um braço, deixando-a em meu lugar. Angela que terminou o exercício logo depois voltou ao seu lugar atrás de mim. Ela abriu um sorriso enorme mostrando seus belos dentes brancos. Ela parecia ansiosa por notícias e já dava para perceber o quanto queria que eu tivesse algo bom para contar, algo me dizia que esse garoto ia me dar uma baita dor de cabeça.
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