A filha do reitor
2 Menino problema
Notas iniciais
– E aí? – Perguntou Angela esperançosa enquanto se sentava ao meu lado. – Me conta tudo. O que ele te disse, o que você disse a ele, tudo.
– Bom, não foi nada demais. Eu fui grosseira com ele em alguns momentos, me recusei a copiar e resolver seus exercícios, só isso.
– Não acredito!
– Nem eu. – Disse Jéssica chegando ao nosso lado e entrando no assunto. – Você foi grosseira com Edward Cullen?
– Nenhuma mulher é grosseira com ele.
– Eu sei, e foi por isso que eu fui. Ele parece fazer o gênero “filhinho de papai”, não gostei quando ele disse que fui passada pra cá só porque o meu pai é reitor.
– Ele disse isso? – Perguntou Angela.
– Sim, e eu respondi com grosseria. Ele está pensando que sou como ele que precisa de papaizinho influente pra passar? Tá muito enganado.
– E o que ele fez quando você respondeu?
– Mandou eu me acalmar.
– E você se acalmou? – Questionou Jéssica.
– Não, eu disse que eu o trataria do jeito que ele me trata.
– Nossa. Botou moral.
– E o que ele fez? – Perguntou Angela com os olhos arregalados e curiosos.
– Ele disse que eu estava sendo grossa e não tinha necessidade daquilo tudo, então resolvi recomeçar, me apresentei a ele, ele a mim e nós apertamos as mãos. Eu fiz o exercício enquanto ele copiava, depois o ajudei a resolver o dele.
– Mas não teve mais nada?
– Ah, ele disse que eu não precisava ficar longe, que a hora que eu quisesse era só falar e que podia me sentar junto a ele e seus amigos.
– Meu Deus! – Elas disseram juntas.
– Ele deu em cima de você amiga. – Disse Jéssica sorrindo.
– Edward Cullen vai ficar com uma amiga minha. – Comemorou Angela
– Hei! Quem disse que vou ficar com ele? – Perguntei.
– Você é louca se não ficar. – Disse Angela e Jessica concordou com a cabeça.
– Sem chances! – Eu disse relutante. – Eu vim pra cá pensando em meus estudos, não em me relacionar e se me relacionasse com certeza a última pessoa seria ele, meu pai me mataria.
– Calma. – Disse Angela. – É só sexo. O Edward não é pessoa de repetir os rolos. Vocês devem transar uma noite e pronto! Você vai se divertir, seu pai não precisa saber, vai até te ajudar a relaxar e o seu rendimento vai aumentar.
– Claro que não, eu não vou transar com ele.
– Por quê?
– Primeiro porque não vou fazer como todas as outras e segundo porque não faço essas coisas. – A última parte eu disse mais baixo.
– Você é virgem? – Perguntaram juntas.
– Sou. – Eu disse na defensiva. O que havia de errado em ser uma universitária virgem? – Não falem alto. – Disse as repreendendo.
– Qual a sua idade? – Perguntou Jéssica.
– Dezoito.
– Bom, eu acho que Edward Cullen não é a pessoa certa para ser o primeiro homem de ninguém. – Eu disse com absoluta certeza.
– Isso é. – Disse Jéssica encerrando o assunto desagradável.
O professor estava corrigindo os exercícios de quem acabou, no final da aula entrou um homem na sala e entregou uns panfletos para ele, que os entregou para todos nós. Nele dizia que na semana seguinte haveria uma viagem de duas semanas para os alunos do primeiro período de todos os cursos, a viagem seria para todos se conhecerem melhor, isso seria legal para mim já que queria fazer amigos, já tinha duas no primeiro dia, era um começo. No panfleto dizia também o que o lugar que iríamos ficar oferecia de lazer: piscina, praia, cachoeira, cavalos selados, sauna, um belo lago para pescar. É, pra mim aquilo parecia ótimo, meu pai com certeza pagaria para eu ir, porque ele também queria muito que eu me enturmasse, além do mais ele vai todo o ano, a final ele era o reitor.
– Vocês vão a essa Viagem? – Perguntou Angela.
– Eu não posso perder. – Disse Jéssica. – Quem sabe não arrumo um futuro médico por lá?
– Eu provavelmente vou. – Falei.
– Ai meu Deus. Gente disfarça. – Sussurrou Angela ao ver algo atrás de mim. – O Edward tá vindo pra cá.
Eu não estava acreditando. Por que ele estava vindo? Que saco! Esperava que ele estivesse indo para outro lugar porque se meu pai me visse falando com ele, eu seria uma garota morta.
– Oi meninas. – Disse Edward atrás de mim. – Angela, Jéssica.
– Oi. – Disseram juntas. Como ele sabia seus nomes?
– Tudo bem?
– Sim. – Disseram juntas novamente.
– E com você Edward? – Angela perguntou tentando ser agradável, mas seu nervosismo estava atropelando tudo. Será que eu era a única garota que conseguia manter o foco perto dele?
– Tudo ótimo.
Eu ainda não tinha coragem de encará-lo, fiquei parada feito uma estátua olhando para o chão.
– Isabella? – Minha esperança de passar despercebida foi pelo ralo.
– Bella. – Eu disse inclinando levemente o meu rosto para cima. Até que meus olhos se encontraram com o belo par de olhos verdes, ele sorriu torto.
– Bella. – Ele corrigiu. – Você vai à viagem?
– Por que quer saber? Você vai?
– Eu perguntei primeiro, responde, depois eu respondo.
– Vou, agora me responde.
– Eu quero saber por curiosidade, e sim, eu vou. – Ele sorriu e seus olhos brilharam.
Era estranho, mas eu estava feliz porque ele ia, que inferno. Aposto que tudo isso era por conta de sua beleza, a final por que mais seria? Ele era insuportável, mimado e galinha, me irritava estar me revelando tão superficial como a maioria das outras meninas.
– Bella? – Perguntou me tirando de meus devaneios.
– Oi? – Falei um pouco alto.
– Algum problema? Está tão pensativa.
– Não, só estava preocupada com algumas coisas.
– Que coisas? – Disse franzindo o cenho. – Tem algo que eu possa fazer?
– Não.
– Edward, vem aqui. – Disse a loira excessivamente bronzeada que veio no carro com ele, eu tinha vontade de dar a ela uma cartilha que ganhei no dermatologista sobre câncer de pele. – O que está fazendo aí?
– Calma. – Disse grosso enquanto olhava para ela. – Estou indo. – Edward voltou a olhar para mim e de repente sua educação estava de volta. – Tchau Angela, Jéssica e tchau Isabella. – Ele sorriu perversamente, só podia estar me provocando mesmo.
– Bella. – Reclamei, ele não ia aprender nunca?
– Bella.
– Tchau Edward. – Respondi.
Ele caminhou lentamente em direção aos seus amigos. Na hora da saída fui até a sala do meu pai para ele me levar até em casa e nós almoçarmos juntos, pois ele tinha direito à uma hora de almoço. Entrei na sala sem bater e ao entrar vi Edward e seus amigos Jasper e Emmet sentados em frente à mesa de meu pai. Estava de dedos cruzados para Edward não me dirigir à palavra, caso contrário estaria em apuros.
– Oi Bella. – Ele disse acenando para mim.
– Oi. – Acenei timidamente.
Quando olhei para meu pai ele estava fuzilando Edward com os olhos.
– Filha, o que você está fazendo aqui? – Ele perguntou tentando transparecer uma calma que eu sabia que não se fazia presente.
– Eu vim buscá-lo para nós almoçarmos juntos e o senhor me deixar em casa.
– Vai para casa que eu vou depois e não me espere para almoçar. – Ele disse colocando um dinheiro na minha mão. – Pega um táxi. Eu até iria com você, mas eu estou esperando a secretária imprimir as suspensões.
– Suspensões? – Perguntei.
– É, para o trio aqui.
– O que eles fizeram?
– Em casa eu te conto.
– Tá bom.
Fui andando em direção à porta quando passei por Edward ele olhou para mim e sorriu malicioso.
– Tchau Isabella.
Só eu sabia o quanto fervia de ódio por ele estar me provocando, mas achei melhor não corrigi-lo para que meu pai não pensasse que eu estava dando confiança. Saí da faculdade e fui para casa. Quando cheguei minha mãe estava no sofá assistindo tevê.
– Como foi seu primeiro dia meu anjo? – Ela me perguntou.
– Foi bom. – Fui o mais sucinta possível.
– Como assim “Foi bom”? Meninos bonitos? Amigas?
– Mamãe não era pra senhora estar trabalhando? – Perguntei mudando de assunto.
– É que o réu enfartou.
– Nossa! – Eu disse realmente sentida, minha mãe era juíza e sim, ela foi o pivô da minha paixão por direito.
– Mas me fale filha.
– Ah mãe, eu conheci duas meninas legais, chamadas Angela e Jéssica. Você não vai acreditar, eu conheci aquele cara que o meu pai falou pra eu não me aproximar, o professor de direito previdenciário sorteou duplas para fazer exercícios, eu e o Edward fizemos juntos e ele não parecia o “coisa ruim” como o meu pai disse.
– É filha, mas seu pai o conhece a mais tempo do que você, não se pode julgar a personalidade de uma pessoa a conhecendo apenas há um dia.
– Tem razão. Mas que ele é incrivelmente charmoso isso é. – Por que diabos eu estava admitindo isso para minha mãe? Eu era tão estúpida.
– Seu pai disse que ele é um conquistador, todas as garotas gostam dele, não vai ser mais uma né?
– Claro que não mamãe. – Disse com uma intensidade tão arrebatadora que nem eu mesma pude acreditar em minhas palavras.
– Acho bom mesmo, mas cadê o seu pai?
– Tá na facul.
– Por quê? Vocês não iam vir juntos?
– É, mas ele estava suspendendo o Edward e os amigos dele.
– Por quê?
– Não sei, ele disse que ia contar em casa.
– O que será que o garoto problema aprontou de novo?
– Ele apronta muito? – Pare de se importar Isabella, pare de se importar.
– Sim. Eu é que sei, toda vez que esse menino apronta, seu pai chega em casa de mau humor, hoje vai ser mais um dia. – Disse desanimada.
– Dona Reneé, o almoço está na mesa. – Disse Júlia, nossa empregada.
– Vamos almoçar então. – Disse minha mãe.
Nós almoçamos, logo depois fiz minha higiene matinal, repassei a matéria que estudei hoje e logo após fui dormir um pouco, quando acordei já eram seis horas da noite, peguei um livro e voltei a ler, era incrível a maneira que eu ficava relaxada enquanto lia, era como se entrasse em outro mundo, um mundo mágico, fantástico, eu ficava realmente feliz perto de um livro. Fiquei lendo até meu pai chegar e quando chegou, desci correndo pois estava extremamente curiosa sobre o que Edward Cullen tinha feito. Fui até a cozinha que era sempre o primeiro lugar que o papai ia quando chegava em casa, minha mãe estava na sala mexendo em seu mac.
– Papai.
– Bella. – Disse inexpressivo. – Você pode me responder algo?
– Sim. – Eu disse já nervosa.
– Você falou com aquele rapaz, Edward Cullen?
– Sim papai. – Admiti.
– O que eu te disse sobre falar com ele? – Perguntou tentando manter a calma.
– Eu sei que não podia, mas não tive nenhuma intenção, eu juro. O professor sorteou duplas para fazer uns exercícios e nós acabamos fazendo juntos.
– Então foi por isso que ele falou com você quando vocês estavam na nossa sala?
– Foi.
– Mas você é amiga dele? – Perguntou com uma dose de medo no olhar.
– Não papai, não sou amiga dele.
– Nossa que alívio. É bom que fique longe, ele é um garoto problema.
– Mas me conta uma coisa. – Eu disse desviando do assunto, eu realmente não queria ouvir meu pai falando mal dele.
– Sim meu anjo.
– O que ele fez hoje?
– Ele colocou fogo na mochila de um menino de administração.
– Mas como você sabe que foi ele?
– Porque ele colocou na hora do intervalo na sala de aula e as câmeras filmaram tudo.
– Você vai suspendê-lo?
– Já o suspendi.
– Por quanto tempo? – Pare Isabella, PARE!
– Três dias. – Seu rosto se iluminou com seu próprio ato. – Só vai voltar à faculdade na sexta-feira, eu espero que ele não vá à viagem.
– Ele vai. – Garanti.
– Como você sabe? – Eu e a minha grande boca.
– É... – Tive que mentir, mas era por uma boa causa. – Porque eu ouvi ele comentando com um menino que se sentava ao meu lado que ele iria.
– Droga! – Meu pai disse com raiva. – Eu já não aguento ficar seis horas de segunda a sexta no mesmo lugar que ele, que dirá duas semanas.
– Mas e eu? Eu vou?
– Vai, eu já até paguei.
– O senhor não vai levar a mamãe?
– Ela não pode ir, ela vai ter que trabalhar.
– Hum, que pena.
– Pois é.
Subi as escadas e fui ver tevê no meu quarto, até que já era tarde, então fui jantar, depois fui dormir. Acordei, tomei banho e me vesti, arrumei meus cabelos com o mesmo penteado de todos os dias. – Duas tranças amarradas com uma fita de cetim da cor da minha roupa. – Depois desci as escadas, sentei à mesa junto a meu pai e minha mãe, em seguida fomos à faculdade.
– Pai. – Eu o chamei enquanto estávamos a caminho.
– Sim?
– O senhor não acha que está na hora de eu ter um carro só pra mim. Porque eu já tenho a carteira, só fata o carro.
– Claro, você tem razão. Você quer o carro pra quando?
– Eu queria para a viagem.
– Ah meu anjo, não vai dar pra comprar pra viagem.
– Por quê?
– Esse mês temos muitas despesas com que arcar e além do mais existem algumas burocracias para se comprar um carro.
– Tá bom então. O senhor compra quando puder. – Eu disse compreensiva.
– Espero que você não tenha ficado magoada.
– Claro que não pai, eu entendo.
– Gosto muito do quanto você é delicada e companheira, é uma filha perfeita. Devo ter sido um homem muito bom em outra vida para ter duas filhas maravilhosas como você e a sua irmã.
Sorri gentilmente para ele, gostava quando ele ou a mamãe me elogiavam , eu sabia que merecia, a final nunca havia feito absolutamente nada que pudesse mantê-los chateados, quanto ao carro, eu realmente não estava magoada, a final, logo eu o teria. Quando chegamos à faculdade, meu pai me deixou na porta e foi estacionar como no dia anterior, Angela já havia chego. Eu caminhei sua direção e ela sorriu ao me ver.
– Oi Angela. – Disse dando um abraço nela.
– Oi Bella.
– O Edward foi suspenso.
– Sério?
– Sim, ele e os outros dois amigos.
– Por quê?
– Quando a Jess chegar eu conto pra vocês duas.
– Tá bom.
Nós ficamos sentadas no banco de madeira conversando, ela me disse que o que ela tinha feito após a faculdade ontem, depois eu disse a ela o que fiz, contei sobre o carro e ela ficou super feliz. Angela tinha uma moto amarela que era um charme. Jéssica chegou na faculdade algum tempo depois de mim, veio correndo em nossa direção e nos abraçou ao mesmo tempo.
– Oi lindas. – Ela disse.
– Oi Jess. – Nós dissemos juntas.
Contei a elas do motivo deles terem sido suspensos e ambas ficaram boquiabertas, botar fogo na mochila de alguém não era de fato algo que uma pessoa possa se orgulhar.
– Que droga. – Disse Jessica. – Agora vamos ter que ficar três dias sem aquelas beldades.
– Pode crer. – Disse Angela.
Eu ri até um pouco demasiado pela situação e elas riram junto comigo.
– Ai vocês não prestam. – Eu disse em meio as gargalhadas.
– Ninguém merece. – Disse Angela com cara de nojo. – Lá vem a vadia.
– Quem? – Perguntei.
– Lauren
– Quem é Lauren?
– Ela. – Jessica apontou discretamente para alguém atrás de mim.
Não foi grande a minha surpresa ao ver que Lauren era uma das namoradas de Edward, ela estava estacionando um porshe vermelho, era a do cabelo chocolate. Pouco tempo depois chegou uma Lamborghini amarela a outra namorada dele.
– E essa? Quem é? – Perguntei.
– Essa é a outra vadia, Rosalie. – Disse Jéssica. – Mas você já não conhece elas duas de vista?
– Já, mas não sabia os nomes.
Elas andavam desfilando pelos corredores, sentaram juntas a aula inteira e não paravam de conversar fazendo murmurinho na classe, estavam me incomodando. Na hora da saída fui até a reitoria chamar meu pai, quando ele foi buscar o carro eu fiquei o esperando parada na porta da faculdade, quando veio correndo pela rua um audi R8 spyder, eu sabia quem era e isso fez meu coração acelerar, o carro parou ao meu lado, era Edward, ele estava com Jasper no carona e Emmet no banco de trás. Edward olhou para mim, sorriu e deu uma piscada.
– É Isabella... Seu pai me ferrou. – Ele disse.
– Bella.
– Perdão Bella. Quer dar uma volta?
– Não, vou almoçar com meu pai.
– Que pena. A gente podia marcar um dia.
– Quem sabe? – Eu disse sem dar muita atenção.
– Quando? – Perguntou direto.
– Não sei. – Eu disse sem mostrar nenhum interesse, apesar da ideia de um encontro com ele ser muito excitante.
– Tá bom, pensa até sexta. Queria te ver antes da viagem.
– Olha, eu não sei se...
– Sch. A gente se fala na sexta. – Ele mandou um beijo e arrancou com o carro.
Em menos de um minuto meu pai chegou, a sorte que ele não viu Edward falando comigo. Se me restava alguma dúvida agora eu tinha certeza de que Edward Cullen queria sair comigo, queria que eu fosse mais uma na sua enorme lista, eu não podia aceitar aquilo, mas o mais estranho nisso tudo era que mesmo sabendo de suas intenções sujas eu não conseguia parar de sentir uma coisa estúpida por ele olhar para mim, talvez fosse apenas por de saber que o garoto mais desejado da faculdade me queria, nem que fosse apenas por um momento, mas seja como for isso não mudaria nada, eu jamais sairia com um cara para ser descartada como lixo no dia seguinte, eu estava decidida a não sair com Edward Cullen e assim seria.
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