A filha do reitor
31 Passando a manhã juntos
Notas iniciais
Eu tinha o aceitado de volta e isso era claro, mas isso não queria dizer que estava tudo como antes, é claro que era apenas um desentendimento e que em breve eu esqueceria, mas eu ainda estava chateada com tudo que aconteceu. Edward dormiu em minha casa, mas eu não quis transar, não estava com clima pra isso, então apenas fiquei o afastando. Ele aceitou bem, mas era visível que ele percebeu que as coisas estavam diferentes, porém respeitou meu espaço.
— Bom dia. – Ele disse amorosamente ao acordar.
— Bom dia. – Eu disse indiferente.
— Vamos tomar um banho pra ir à faculdade?
— Vamos. Pode ir primeiro.
— Você não vai vir comigo?
— Não.
— Mas... Por quê? – Perguntou visivelmente incomodado.
— Você sabe que se a gente tomar banho junto não vamos fazer apenas isso.
— Não se preocupe. Nós temos tempo.
— Edward, eu não quero, mais tarde a gente se vê e faz alguma coisa, mas agora não.
— Tudo bem, se é assim que você quer. – Disse decepcionado enquanto se levantava e ia em direção ao banheiro.
Fui à cozinha e preparei nosso café da manhã, quando ele saiu com a minha toalha rosa Pink enrolada ao corpo e eu não conseguir conter o riso.
— O que é isso? – Perguntei enquanto sorria.
— Eba! – Disse feliz. – É a sua primeira risada espontânea desde a nossa briga.
— Edward, eu juro que não tá sendo de propósito. Só estou meio chateada, mas tudo bem, todo mundo tem defeitos e você não é diferente. Eu tenho que aceitar isso, mesmo que os seus defeitos me magoem muito.
Edward olhou para baixo meio sem graça e depois começou a se vestir. Nós comemos. Eu tomei meu banho e em seguida fomos juntos para a faculdade. Ao chegarmos Edward estacionou seu carro e nós saímos de mãos dadas. Era a primeira vez que eu podia andar assim com ele, sem problemas com ninguém ou sem medo de qualquer coisa, éramos apenas ele e eu, dois namorados felizes e extremamente apaixonados como qualquer outro, eu me sentia como uma menina normal, com meu namorado normal, e a sensação era boa pra caralho!
— Ah é claro! – Disse Tânia entrando em nossa frente. – Então você me largou por causa dela?
— Tânia, por favor, sem vexames. – Disse Edward. – E além do mais, não fale dessa forma, nós nunca tivemos nada sério e eu deixei isso bem claro pra você desde o início.
— Eu não vou dar nenhum vexame Edward, porque nãos sou desse tipinho, mas você é um babaca!
— Tânia, me respeita. – Ele disse tranquilamente. – Porque antes mesmo de a gente ficar, nós éramos amigos, lembra?
— Ah você quer respeito? Pois então se dê ao respeito. O Edward que eu conheci em Londres não era assim como você. Ele se valorizava em primeiro lugar, enquanto você fica aí se rastejando pelas migalhas de amor que ela te dá. Quando tomar outro pé na bunda, não venha se lamentar comigo, porque ao contrário de você eu não sou uma idiota que fica implorando pelo amor de quem não me dá a mínima. – Disse Tânia fazendo com que Edward apertasse minha mão com força, mas ele não era o único ali a sentir raiva.
— Quem você pensa que é pra me julgar dessa forma? – Perguntei furiosa.
— Não se meta garçonetezinha de quinta. Estou falando com o Edward.
— A “garçonetezinha de quinta” aqui possui o coração que nunca vai ser seu.
Tânia respirou fundo e já ia abrir a boca para responder quando Edward interrompeu.
— Vamos embora daqui Bella. – Disse Edward.
— Vamos. – Respondi.
— Isso, se esconde atrás do Edward. – Disse me provocando.
— Atrás, ao lado, na frente, em cima, em baixo, com todo prazer. – Eu disse enquanto gargalhava.
Edward permaneceu com a mão colada na minha enquanto me puxava para a sala. O professor não estava lá, apenas alguns alunos em suas conversas entre si. Nós nos sentamos um ao lado do outro.
— Não liga pra ela. – Disse Edward enquanto acariciava meu rosto.
— Eu até me divirto.
— Não vai ficar arranjando confusão, hein.
— Tudo bem.
— Promete?
— Sim.
— É. Espero que sim mesmo, porque se ela te bater...
— Eu bato nela também.
— A Tânia é faixa preta em karatê.
— E o meu namorado luta bem mais do que isso.
— Falando em bater. Quer sair comigo hoje?
— Pra que? – Perguntei assustada.
— Calma. – Disse sorrindo. – Estou te convidando pra ver um treino meu de muay thai.
— Ah sim, não sei se vou poder ir. Tenho que trabalhar. Seus pais sabem que você luta todas essas coisas?
— Sabem, mas não apoiam muito. Eu pago com a minha mesada.
— Sua mesada é alta?
— Bastante. – Confessou.
— E com que você gasta a grana que ganha?
— Atualmente com as artes marciais, carros, de vez em quando com aparelhos eletrônicos, roupas e sapatos, acho que só.
— Por que “Atualmente”?
— Porque antes eu gastava com mulheres.
— Não acredito que um cara tão lindo quanto você precise pagar por sexo.
— Eu não pagava por sexo. Só dava presentes para algumas delas.
— Para as mais especiais?
— Para as que se faziam de difíceis.
— Por que eu não ganhei um também?
— Porque você não se fez, você era difícil.
— Nesse caso... – Eu disse sorrindo.
Edward chegou mais perto de mim, colocando sua mão sobre minha coxa, quase em minha virilha.
— Edward, aqui não. – Eu disse olhando para os lados, sem graça.
Ele desceu a mão para meu joelho, mas em seguida veio até mim e me deu um selinho demorado e gostoso, levantou de sua carteira e se sentou no meu colo sem depositar todo o peso, depois me abraçou.
— Edward, as pessoas estão olhando. – Eu disse.
— Problema é delas.
— Não, o problema é nosso. Quem está dando showzinho somos nós.
— Tá com vergonha?
— Sim, e você está esmagando minhas pernas.
— Te amo tá? – Perguntou olhando em meus olhos e em seguida me beijou, mas pela primeira vez eu não me importei, apenas deixei que ele se aprofundasse.
— Eu também te amo. – Eu disse após o longo beijo e ele me abraçou ternamente.
— Cullen. – Disse meu pai que estava parado em frente ao quadro. – Sente-se em uma carteira, por favor.
Edward se levantou relutante e se sentou ao meu lado.
- Com licença. – Disse meu pai aos outros alunos da sala. Seus olhos estavam diretamente para mim e Edward, mas pela primeira vez eu não vi raiva, era apenas decepção. – Venho avisar que o professor que daria aula a vocês agora teve um problema com a família e não comparecerá, mas vocês não ficaram sem aula. Eu vou substituí-lo. Primeiro vamos arrumar esta sala. Sei que vocês não são crianças e estão em uma universidade, mas essas são as minhas normas. – Disse e em seguida olhou diretamente para Edward. – Cullen.
— O que foi dessa vez? – Disse Edward um pouco alto demais.
— Eu quero você lá. – Disse meu pai apontando para o final da sala, o mais longe possível de mim.
— Eu não quero sentar lá. – Disse Edward.
— Você prefere se retirar? Garanto que não fará muita falta.
Edward levantou, pegou suas coisas e saiu de sala batendo o pé. Me levantei com minha bolsa em mãos e fui atrás dele.
— Você também vai Isabella? – Meu pai perguntou.
— Lembrou que eu existo é? – Perguntei e em seguida saí.
Saí atrás de Edward e não consegui encontrá-lo, o que era incrível já que ele saiu segundos antes de mim. Rodei a universidade inteira atrás dele e quando saí lá estava o carro dele na garagem, do mesmo jeito que deixamos, bom, ele só podia estar lá. Fui até o carro e abri a porta do carona, ele estava deitado no banco traseiro olhando para o teto.
— Oi amor. – Ele disse assim que olhei para trás.
— Oi.
— Veio atrás de mim é? – Perguntou sorrindo enquanto se sentava no banco.
— Vim, não queria ficar lá com o meu pai me fuzilando com o olhar sem você por perto.
— Imagino.
— Quer ir embora?
— Sim.
— Vamos então. O que você acha de a gente ir no meu treino agora?
— Mas não tem um horário certo?
— Na verdade não. Eu tenho direito a duas horas em dois dias na semana, eu escolho qual e em qual horário.
— Vai ter sangue?
— Talvez. Mas geralmente não tem não.
— Ai Edward, não sei, não gosto de ver as pessoas brigarem. Eu começo a chorar, é sério.
— Ninguém briga lá. É só luta, é como qualquer outro esporte.
— Não sei não...
— Vamos, vai ser legal.
— Tá bom, mas se a coisa começar a ficar demais pra mim eu vou pro carro.
— OK.
Fomos até o enorme casarão de dois andares que estava escrito em letras garrafais “Clube da luta”. Nós entramos e Edward passou o pequeno cartão que tinha como um chaveiro em suas chaves do carro e passou, nós entramos e fomos até a recepção onde uma loira o olhava com um sorriso exageradamente grande fazendo com que eu sentisse vontade de matá-la.
— Olá Jane. – Disse sorrindo e assinou um papel. – Eu trouxe uma acompanhante. Tudo bem?
— Sim é claro.
— Obrigado. – Disse entregando o papel a ela que abriu um sorriso ainda maior, se é que isso era possível.
— De nada e até. – Disse com um sorrisinho sacana como o de quem diz “Temos um segredinho”. Biscate.
Nós entramos e começamos a subir as escadas.
— Você já transou com ela? – Perguntei direta.
— Com quem? – Perguntou confuso.
— Com essa recepcionista daqui.
— A Jane?
— É.
— Sim, a gente já transou. – Disse com a maior naturalidade do mundo.
— E você me conta isso assim?
— Por que eu esconderia? Foi antes de conhecer você, não importa mais.
— Tem certeza?
— Escuta aqui garota. – Disse me imprensando na parede. – Aos meus olhos, só existe uma mulher agora, não precisa ficar insegura nem nada disso, porque eu não quero mais ninguém. É você e só você. Entendeu?
— Entendi. – Eu disse sorrindo toda abobalhada.
Edward tomou meu rosto em suas mãos e me deu um beijo que me deixou sem ar, enquanto seu corpo pressionava o meu com força contra a parede e ele mordia meus lábios ferozmente intercalando nos beijões.
— Vamos treinar Cullen. – Disse um cara moreno, careca e todo saradão, fazendo com que nos separássemos e me deixando mega sem graça.
— Só se for agora. – Disse Edward sorrindo enquanto se afastava de mim. – Brady, essa é a minha namorada Bella, e Bella, esse é meu colega de treino, Brady.
— Namorada é? – Brady perguntou sorrindo e estendendo a mão para mim em seguida. – Meus parabéns Bella, não é qualquer uma que dá um jeito nesse aqui.
— Pois é. – Eu disse sorrindo enquanto apertava sua mão.
Edward segurou minha mão e nós subimos juntos até uma porta onde estava escrito “Muay thai masculino”, nós entramos e lá haviam alguns homens lutando e outros três em pé, apenas supervisionando tudo e dando toques no que devia ser feito. No canto haviam algumas mulheres e até homens em cadeiras que pareciam ser para convidados. Um dos professores veio até nós e apertou a mão de Edward.
— Vamos treinar? – Perguntou.
— Só se for agora.
— Quem é a mocinha?
— Minha namorada.
— Hum. Todo mundo trás as namoradas pra assistir os treinos, menos você, já estava mais do que na hora né? – Disse sorrindo. – Muito prazer, sou Collin, sensei/chefe do Edward.
— Chefe? – Perguntei confusa.
— É, ele é meu auxiliar com o pessoal menos graduado.
— Você não é aluno daqui?
— Mais ou menos. – Edward respondeu. – Eu o ajudo com os alunos e de vez em quando luto com algum que já esteja crescendo na graduação, pra mostrar os defeitos, essas coisas. É claro que eu luto com gente ao meu nível também, só pra não perder o costume. – Disse sorrindo.
— Ah, legal.
— Ela vai assistir ao treino. Tudo bem?
— Claro, fique à vontade Bella.
— Obrigada. – O sensei saiu de perto de nós e Edward se aproximou.
— Amor, vou trocar de roupa e começar o treino, qualquer coisa é só me chamar.
— Tudo bem.
Edward me deu um selinho e saiu, entrando em uma porta que estava escrito “Vestiário, banheiro e armários” Me sentei em uma das cadeiras para visitantes e em pouco tempo Edward já estava de volta, devidamente vestido.
Ele ensinou alguns novatos, lutou com outros, ensinando passo a passo do que devia ser feito, mas a coisa ficou séria mesmo quando ele lutou com Brady, o moreno grandão e careca, ele era da mesma graduação que Edward, e a luta estava eletrizante. O fato dele ter menos massa corporal que o adversário não atrapalhou em nada, muito pelo contrário, Edward era extremamente rápido e nocauteou rapidamente o grandão.
Depois do treino que tinha sido bem mais legal do que eu pensei que seria, Edward tomou um banho e se trocou lá mesmo. Depois nós fomos até um restaurante, já que era hora do almoço, mas definitivamente não era um restaurante qualquer, era “O restaurante”, parecia muito mais sofisticado do que qualquer um que eu já tenha ido, o que me assustou.
— Edward. – Eu disse antes de entrarmos. – Que lugar é esse? Não estou vestida para esse restaurante.
Ele me olhou de cima baixo e sorriu de lado.
— Está linda!
Eu estava com uma roupa boa, mas não pra um restaurante daqueles.
— Eu poderia estar nua e você ainda diria isso.
— Aí ficaria ainda mais. – Disse sorrindo.
— Palhaço.
— Vamos logo. Nossa mesa já está reservada.
Nós entramos e fomos à recepção.
— Oi Carmen. – Disse Edward sorrindo.
— Olá Edward. – Disse a mulher sorrindo, mas não era de desejo como todas as outras, parecia mais um sorriso maternal. – Reservei sua mesa favorita.
— Perfeito! – Disse sorrindo.
— Quer que eu avise a sua mãe que está aqui?
— Não, deixe ela trabalhar em paz. – Disse Edward num tom divertido.
Então esse era o restaurante que Esme era chefe de cozinha? Uau, ela não estava nada mal, definitivamente.
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