A filha do reitor
6 Desentendimentos
Notas iniciais
– Não é perigoso nós ficarmos assim de mãos dadas? – Perguntei para não perder o hábito.
– Por quê seria? – Perguntou confuso.
– Meu pai pode ver.
– Para de besteira, ele não vai ver, deve estar muito ocupado com toda a organização.
– Bella. – Disse Alice vindo em nossa direção e Edward tirou a mão da minha. – O seu pai está te procurando.
– Ele me viu?
– Não, mas vem logo.
– Eu vou agora.
Eu saí e Alice ficou com Edward onde estávamos, fui até meu pai que estava perto do ônibus.
– Oi filha, eu estava te procurando, onde você estava?
– Andando pelo sítio.
– Foi bom no carro com a Alice?
– Sim.
– Vocês conversaram?
– Não muito. – Disse sincera.
– E o irmão dela? – Perguntou em um tom mais sério e preocupado.
– O que tem ele?
– Falou com ele?
– Não. – Menti. – Não falei nada.
– Ele falou com você?
– Não.
– Tem certeza? Ele não fez nenhuma gracinha?
– Ele não fez nenhuma gracinha, nós nem mesmo nos olhamos.
– Ótimo.
– Eu não entendo o motivo de tanto ódio.
– Não é ódio, só posso lhe garantir que ele não é uma das minhas pessoas favoritas.
– Só porque ele vive aprontando e parando na coordenação?
– E por ele ser tão mentiroso.
– Mentiroso?
– Já soube de meninas que choravam pelos cantos da faculdade porque Edward as enganou.
– Como assim? – Eu não estava gostando muito dessa história.
– Ele dizia a elas que estava apaixonado, que queria algo sério, mas quando conseguia o que queria, caia fora.
– Mas porque ele faria isso se a maioria das garotas se rasteja aos pés dele?
– Disse certo, a maioria, não todas, ele usava essa tática com as mais difíceis.
– Então ele é assim? – Me apavorei com o fato de ele ter se aproximado de mim, será que ele pretendia o mesmo comigo?
– Esse garoto não ama ninguém além dele mesmo.
– Acho que ele gosta dos dois amigos.
– Talvez, não coloco minha mão no fogo. – Ele disse desconfiado dos sentimentos de Edward. – Até acredito que algum dia ele se apaixone, mas atualmente eu acho impossível.
– É, isso seria bom pra ele.
– Bella, eu tenho uma boa notícia pra você – Ele disse mudando de assunto.
– Qual?
– Sobrou um quarto lá na parte dos professores e ele vai ser só seu.
– Então eu não vou precisar dormir com outra pessoa? – Eu disse animada.
– Não, o quarto será somente seu.
– Que bom.
– Quer vê-lo agora?
– Sim.
– Vem comigo.
Meu pai foi andando até uma casa menor que ficava em frente ao gramado onde estavam estacionados todos os automóveis, ele abriu a portada casa e nós entramos, tinha um corredor com cinco portas de um lado, cindo do outro e no final uma cozinha, no canto da cozinha tinha uma escada, meu pai subiu e eu fui atrás dele, e quando chegamos ao segundo andar, também era um corredor, com seis portas de um lado e outras seis do outro, nós andamos até o final e meu pai abriu a porta do lado esquerdo, depois entregou a chave na minha mão.
– Bom, o quarto é todo seu, fique à vontade.
– Tem até cozinha na casa.
– É, tudo é melhor para os mais velhos.
– Mas e o banheiro?
– Tem um em cada quarto
– Hum, em qual quarto o senhor vai ficar?
– No primeiro, que fica em baixo desse aqui que você está. Agora eu tenho que descer para orientar os alunos, você pode ir se organizando se quiser.
– Tá, eu vou arrumar minhas roupas, deixar o quarto mais a minha cara, depois eu desço e me junto a vocês.
– Tudo bem, qualquer coisa você sabe onde me encontrar.
– Sei sim.
– Tchau.
– Tchau.
Meu pai saiu e eu fechei a porta e joguei minha mala em cima da cama e fui até o banheiro, era pequeno, mas tinha seu charme, depois voltei para o quarto, em tamanho médio, com cortinas amarelas, um corta luz, um tapete preto bem peludo, cama de solteiro, penteadeira vazia, giro visão com uma tevê de vinte e uma polegadas, peguei minha mala, tirei todas as roupas e as arrumei no guarda roupa duplex, arrumei todas as minhas coisas em seus devidos lugares. Por fim, quando já havia terminado de arrumar minha suíte provisória saí para procurar todos e os achei no refeitório que ficava dentro da enorme casa, algumas pessoas estavam almoçando, inclusive Edward, que estava sentado em uma mesa junto a Jasper, Emmet, Rosalie e Lauren. Angela e Jéssica estavam se servindo, fui até elas, peguei meu prato e comecei a me servir também.
– Oi meninas. – Eu disse as cumprimentando.
– Onde você estava? – Angela olhou para mim ao perguntar. – Nós olhamos para Edward, mas não te vimos com ele.
– Fui conhecer meu quarto.
– Sério? Foi sorteada com quem?
– “Sorteada com quem”? Como assim?
– É, um quarto para quatro pessoas, e essas pessoas são sorteadas.
– Eu fiquei na casa dos professores.
– Na casa do Edward? – Disse Jéssica.
– É, sobrou um quarto e meu pai deixou ele pra mim.
– E é bom? – Angela perguntou curiosa.
– Sim, mas nem ligo pra nenhum luxo, só de ter privacidade já está ótimo.
– Com certeza, a única parte ruim da viagem é a falta de privacidade mesmo.
– Concordo plenamente. – Disse Angela.
– Mas vocês tiraram quem meninas?
– Não fomos nós quem tiramos, foi o seu pai quem tirou os nomes.
– Mas vocês ficaram com quem?
– Eu fiquei com uma menina de biologia chamada Maria, outra de gastronomia chamada Amanda, e uma de letras chamada Emily.
– E você Angela?
– Eu fiquei com a Lauren, uma menina de matemática chamada Julia e uma de nutrição, chamada Samara.
– Nossa, coitada de você, ficou com a Lauren.
– Nem me fala.
Nós nos sentamos em uma mesa que ainda estava vazia. Alice veio em nossa direção com sua refeição em mãos.
– Posso sentar com vocês? – Ela perguntou.
– Claro que pode. – Respondi prontamente.
– Bella, você não sabe como o meu irmão fica insuportável ao lado desses amiguinhos dele, e essas garotas tem uns papos tão fúteis, ainda bem que ao menos dentro do carro elas ficaram quietas, mas e as suas amigas, me apresente.
Apresentei Alice para as meninas.
– Mas e então Alice? Você é... – Disse Jéssica empolgada com a nova colega.
– Arquiteta.
– Que legal. E a sua idade?
– Vinte e seis.
– Está animada pelo Edward estar em direito?
– Na verdade não, porque direito não é muito a praia dele.
– Então porque ele está estudando isso? – Perguntei confusa.
– Porque o sonho do nosso pai é ter um filho ou uma filha advogado, eu disse a ele que queria ser arquiteta e pronto, ele tentou me convencer, mas não cedi, já o Edward só topou cursar direito só pra não entrar em conflito com o papai, mas ele gosta mesmo é de biologia, era a única matéria que ele tirava nota boa. Só dez, sabe, eu e ele sempre tivemos uma ideia bem fixa do que queríamos, desde pequeno em nosso tempo livre não ficávamos brincando como as outras crianças, ele cuidava dos animais e das plantas dele e eu desenhava casas, pena que ele não foi corajoso o suficiente para peitar o papai.
– Foi bom você ter escolhido o que gosta. – Eu disse. – Ele devia ter feito o mesmo. Ele tem animais?
– Muitos. Ele tem dois cachorros, sendo que a fêmea está prenha, um gato e uma cobra...
– Cobra? – Jéssica disse espantada.
– Sim, mas não é venenosa. Tem um porquinho da índia, uma chinchila, um furão e uma tartaruga. Isso só em casa.
– Só em casa? – Perguntou Angela confusa.
– Tem mais no sítio do papai.
– Quais?
– Tem um casal de lhamas, avestruz, micos leão dourado, várias espécies de pássaros, uma girafa e uma onça pintada. Esses são animais do Edward, porque foi ele quem comprou, mas tem muitos outros que são de toda a família.
– Mas pra que tanto bicho? – Perguntou Jéssica.
– Porque o Edward é completamente apaixonado por animais e plantas também, ele plantou mais de cem árvores lá no sítio e tem várias plantas dele lá em casa também.
– Mas ele tem permissão para ter esses animais? – Perguntei. – São todos registrados?
– São sim, todos eles.
Nós terminamos de almoçar e fomos cavalgar, nós quatro, Alice era uma boa pessoa, definitivamente era merecedora dos elogios do meu pai, nós fomos na piscina e ficamos até de noite. Quando era dez da noite soou o alarme de recolher, eu me despedi de Jéssica, Angela e Alice e saí até a casa dos professores, quando passei pela cozinha meu pai estava lá junto a mais dois professores, imediatamente ele veio falar comigo.
– Oi filha.
– Oi. – Respondi.
– Vai dormir?
– Sim, o toque de recolher já soou.
– Ah sim.
– Quando o Tal de Jacob vai vir?
– No domingo. – Disse empolgado.
– Tá bom, vou subir.
– Vai lá.
Subi as escadas e fui até meu quarto, fechei a janela, liguei o ar condicionado e fui tomar banho para tirar o cloro do corpo, quando terminei pus o meu pijama e fui trancar a porta, em seguida liguei a tevê, acabei pegando no sono, mas fui acordada por um barulho vindo de minha janela, fiz minha trança rapidamente caso fosse alguém a me chamar e fui ver do que se tratava, surpresa foi a minha ao ver Edward pendurado na janela.
– O que você está fazendo aí? –Sussurrei.
– Vim te ver.
– Você está louco, era pra você estar lá, não aqui. Como fugiu do toque de recolher?
– Esperei dar duas horas e pulei pela janela, agora me deixe entrar porque estou quase caindo aqui.
– Tá bom, eu vou te ajudar.
Segurei seus braços e o puxei para dentro, depois fechei a janela.
– Nossa, tá fresquinho aqui dentro hein, acho que vou vir todas as noites.
– Melhor não. Como você soube que eu estava aqui?
– Eu vi você entrando nessa casa com o seu pai hoje de manhã, depois do toque de recolher e te vi na janela há algum tempo atrás.
– Você está me espionando é? – Perguntei em um tom brincalhão.
– Sim. – Ele disse abertamente.
– Por quê?
– Porque desde sábado eu tenho tentado te dar um beijo e não consigo. Me dá um beijo vai. – Disse insistindo.
– Eu não quero. – Se ele pensava que seria fácil assim estava muito enganado.
– Qual é o problema dessa vez?
– Nenhum, eu só não quero.
– Você queria hoje de manhã.
– Não quero mais.
– Por quê?
– Sei lá, só não quero.
– Tá legal, voltamos a estaca zero. – Disse desanimado.
– Que seja. – Respondi indiferente.
– Você está fria comigo. O que houve?
– Nada, é impressão sua.
– Espero que seja mesmo.
– Vamos dormir, o alarme vai tocar às sete e meia da manhã.
– Por que acordar tão cedo?
– Eu não gosto de dormir até tarde.
– Tá bom, vamos dormir, mas só porque não tem nada pra fazer. Posso dormir com você?
– No chão.
– Ah não!
– No chão, se quiser.
– Tá bom.
Coloquei vários edredons em cima do tapete peludo e um travesseiro, ele se cobriu e eu desliguei a luz e deitei, de repente lembrei do que Alice tinha me dito sobre Edward gostar de biologia e resolvi conversar com ele sobre isso.
– Edward, ainda tá acordado?
– Sim. – Ele respondeu.
– Você gosta de biologia?
– Bastante.
– Então por que você faz direito?
– Porque meu pai quer. – Disse secamente. – Posso apostar que foi a Alice quem fez a sua cabeça.
– Ninguém fez a minha cabeça Edward, estou te dando uma opinião, você deve fazer o que realmente gosta.
– Mas eu não faço questão.
– Tem que fazer, maior parte do seu tempo você passa trabalhando você tem que gostar do que faz. A Alice me falou que você é muito bom em biologia, que só tirava dez. Por que você não tenta fazer a prova da nossa universidade pra biologia? Se você se esforçar eu tenho certeza que você passa, posso até te ajudar a estudar se você quiser.
– Não Bella, vou terminar direito e fazer o que meu pai quer.
– Mas você não quer isso.
– Eu vou fazer direito e pronto, agora dá pra parar de se meter na minha vida.
– OK Edward, o problema é seu. – Eu disse furiosa, definitivamente não gostei da maneira na qual ele falou comigo. – Me desculpe por tentar de ajudar.
Ele não respondeu. Fiquei me revirando até que consegui dormir, é difícil pegar no sono em algum lugar que não seja minha cama e principalmente quando não se está com raiva. Edward e eu acordamos com o alarme, comecei a arrumar minha cama, ele foi se levantando aos poucos e me abraçou por trás.
– Bom dia linda.
É claro que fiquei lisonjeada com o elogio, mas não o suficiente para esquecer a forma na qual ele me tratou noite passada então não respondi.
– Eu disse bom dia linda. – Ele repetiu e não respondi novamente. – O que houve Bella? Por que não está respondendo?
– Bom dia. – Respondi secamente.
– Bella, vamos sair e passear pelo sítio?
– Não estou a fim não. – Não me preocupei em ser simpática, isso era a última coisa que ele merecia que eu fosse.
– Qual é Bella? Por que está me tratando assim? – Perguntou enquanto parava de me abraçar.
– Você é tão inteligente. Por que não descobre sozinho?
– Isso que você está fazendo comigo não é justo tá? – Disse sério.
– Eu não acho.
– Espera aí, você está assim comigo porque eu disse pra não se meter na minha vida?
– Bingo! – Disse irônica.
– Só por isso? – Perguntou descrente.
– Só?! Você foi muito grosso comigo! – Disse indignada.
– Porque você estava querendo me dizer o que é melhor para mim.
– Eu estava tentando te ajudar.
– Esse tipo de ajuda eu dispenso.
– Ainda acha que está certo? – Perguntei descrente.
– Acho não, tenho certeza.
– Ótimo, fique com a sua razão e eu fico com a minha, mas ao menos eu posso dizer com todas as letras que gosto do que faço. E você? Pode dizer o mesmo?
– Eu vou embora, cansei de escutar os seus sermões.
– Vai então, eu nem te chamei aqui pra início de conversa.
Edward me olhou irritado, mas não respondeu, apenas abriu a janela e desceu. Qual era o problema dele a final? Por que não estava me bajulando como faziam com as garotas que era mais difíceis? Será que ele não me achava boa o bastante para ele? Aquilo nem era importante agora, porque eu acabara de tomar a decisão de nunca mais falar com Edward Cullen.
Nove horas, hora do café-da-manhã, me vesti já no clima para uma praia, cachoeira ou piscina e fiz minhas tranças. Fiz minha higiene matinal, depois fui ao refeitório, quando cheguei lá Edward já estava sentado em sua mesa, com seus amigos, Alice estava com eles e quando me viu, se levantou e veio até mim.
– Oi Bella.
– Oi.
– Me conta, o que rolou com o Edward, porque ele chegou lá no quarto bufando.
– Eu falei para ele fazer biologia e ele não gostou, foi super ignorante.
– Ah Bella, me perdoe por ele, é que você tocou na ferida, ele odeia que digam o que você deve fazer.
– É que achei sem necessidade aquilo tudo sabe?
– Eu sei, ele é muito nervoso, as pessoas tem que aprender a conviver com ele.
– Então nós não vamos nos entender nunca, porque não vou me calar só pra agradá-lo.
– É, desse jeito realmente vai ser difícil pra vocês, porque ele tem um gênio muito forte.
– O dele é forte? O meu é mais.
– Que legal, espero que você consiga domá-lo porque até hoje ninguém conseguiu.
– Não Alice, não vou tentar domá-lo, eu não quero mais falar com ele, fiquei muito magoada com o que ele disse.
– Ah Bella, não faz isso, vocês ficam tão bonitinhos juntos.
– O que você está dizendo Alice?
– Conquiste-o Bella, se você quiser você consegue.
– Por que está dizendo isso?
– Porque eu sinto que com você é diferente, ele foi à universidade segunda só pra te buscar, os olhos dele sempre estão na sua direção, ele finalmente encontrou alguém, é você Bella.
– Será? – Eu disse com os batimentos cardíacos acelerados demais. – Mas mesmo assim, vou conhecer meu pretendente no domingo.
– Pretendente?
– É, o meu pai arranjou um namorado pra mim, um advogado bem sucedido onze anos mais velho do que eu chamado Jacob Black.
– Nossa, onze anos.
– Eu sei, é muito velho pra mim, mas meu pai quer ele então vai ser assim.
– Coitada. – Alice disse me abraçando em seguida.
Fui tomar meu café-da-manhã, depois quando nós ainda estávamos no refeitório a professora de literatura subiu num pequeno banco para falar conosco.
– Olá meus queridos alunos e olá também para os que não são meus alunos. Eu vim dar um comunicado, eu tenho um tema para cada turma, vou sortear e quero que vocês façam uma peça a partir do tema sorteado. Por exemplo, vai ser um tema para o pessoal de direito, outro para letras, outro pra matemática, e assim por diante, a peça é para um dia antes de irmos embora, ou seja, no domingo, todas as peças serão de contos de fada, eu quero que vocês usem como base o modelo original, mas acrescentem ou tirem algo. Perguntas?
Ninguém se manifestou então ela deu continuidade. Minha turma pegou Cinderela e nós nos reunimos. Quem ia auxiliar era o nosso professor de direito criminal, senhor Richard Brooks.
– Oi gente, vocês tem alguma ideia para a peça?
– Acho que nós podíamos representar uma sátira a história original. – Disse Edward.
– Boa Edward, vou anotar sua ideia. – Disse o professor.
– Professor. – Eu disse interrompendo.
– Sim Bella.
– Eu discordo da ideia apresentada anteriormente pelo meu colega de classe Edward Cullen. É uma competição certo?
– Sim, primeiro, segundo e terceiro lugar. O primeiro ganha um troféu enorme e uma medalha de ouro para aluno e professor auxiliar, o segundo ganha um troféu menor e uma medalha de prata e o terceiro ganha apenas as medalhas de bronze.
– Então eu acho que fazer uma sátira não será muito adequado, primeiro porque com certeza alguém de outro grupo vai ter essa ideia, segundo que a sátira é uma ideia muito passada, todo mundo que quer fazer algo diferente do proposto faz uma.
– Eu adoro isso, conflito de ideias, debate, senhorita Swan, você discordou da ideia do seu colega de classe Edward Cullen, mas tem alguma ideia para repor?
– Na verdade tenho sim, acho que ficaria bem legal se houvesse um triângulo amoroso, o príncipe podia ter dado um baile não por uma namorada, pois isso ele já tinha, mas pra se entrosar porque era novo na cidade, a Cinderela pode ser uma adolescente problemática, quando ela vai ao baile escondida da mãe que havia deixado ela de castigo, pode ser algo desse gênero.
Todos bateram palmas menos Edward que brigou com Jasper e Emmet por baterem.
– A história é boa, alguém tem mais alguma ideia?
– Eu tenho. – Disse Edward me encarando, eu não desviei o olhar. – Ainda acho a ideia da sátira bem melhor.
– Então você insiste na sua ideia Edward? – Perguntou o professor.
– Sim, insisto.
– Mas você tem alguma história em cima da sua ideia?
– Ainda não, mas amanhã te apresento uma.
– Tudo bem, vamos fazer o seguinte, hoje é terça-feira, vocês tem até quinta para me apresentar um texto com as ideias adaptadas, nós vamos ler todas, na sexta nós decidimos qual vai ser a história, no sábado eu faço um texto para a peça, no domingo nós decidimos quem vai reproduzir os outros personagens e de segunda a sábado nós vamos ensaiar três horas por dia, de manhã. Alguma pergunta?
– Os ensaios vão ser todos nessa hora?
– Sim Edward.
– Começam quando? – Perguntei.
– Na quinta-feira.
– Mas e amanhã?
– Amanhã não tem, vocês vão estar pensando em uma história.
– Tudo bem.
– Vocês estão liberados agora.
Nós saímos do refeitório, Alice, Angela e Jéssica vieram atrás de mim.
– Onde nós vamos agora? – Perguntou Alice.
– Vamos à praia, cachoeira ou piscina? – Disse Angela. – Porque está um calor infernal.
– Vamos à cachoeira, das três opções é a mais refrescante. – Eu disse.
Todas seguimos a trilha até a cachoeira mais próxima, já haviam algumas pessoas lá, pessoas da universidade claro. Aquele sítio parecia um paraíso, praia de um lado, cachoeira do outro, era um sonho.
– Por que não subimos mais? – Perguntou Alice. – Me disseram que as melhores cachoeiras ficam lá em cima.
– Por favor Alice, não me obrigue a isso. – Disse Jéssica. – Morro de medo desse negócio de trilha.
– Por quê?
– Porque na minha última trilha eu fui picada por uma cobra e quase morri e a partir disso eu peguei trauma.
– Tudo bem, então vamos ficar aqui mesmo.
Nós tiramos as roupas que estavam por cima do traje de banho e fomos dar um mergulho, ficamos lá por um bom tempo, até que Angela saiu da água e se secou.
– O que Angela? Está com frio? – Perguntei.
– Um pouco, já são cinco e meia.
– Gente é melhor irmos embora antes que escureça. – Disse Jéssica assustada.
– Tem razão. – Concordei.
Nós quatro saímos da água, nos secamos também e depois pegamos nossas coisas e saímos, fomos conversando pelo caminho.
– Ainda não acredito que você enfrentou o Edward. – Disse Jéssica.
– É mesmo. – Disse Angela. – O que foi aquilo?
– Eu tive uma ideia e ele outra, se ele não gostou que mude de grupo.
– É isso aí! – Disse Alice dando força. – O Edward precisa saber que não é o dono do mundo.
– Concordo, é o seu irmão, mas às vezes é incrivelmente irritante.
– Eu sei bem disso. – Alice disse fazendo uma expressão maluca e nós gargalhamos.
Andamos até a frente do casarão onde ficavam os alunos.
– Meninas, eu vou entrar, estou exausta. – Disse Angela nos abraçando.
– Também estou morta de cansaço, fui. – Disse Jéssica abraçando eu e Alice indo atrás de Angela logo em seguida.
– Bella. – Disse Alice olhando para mim. – Vamos cavalgar?
– Demorou, só vou trocar de roupa.
– Eu também.
– Alice, onde você está dormindo?
– Lá na casa dos alunos.
– Com quem?
– Com o Edward.
– Nossa, foi sorteada justo com seu irmão, mas não é homem com homem e mulher com mulher?
– Nós não fomos para o sorteio, estamos em um quarto com duas camas.
– Legal.
– Vamos nos trocar?
– Sim, a gente se encontra aqui quando terminar.
– OK.
Fui andando até meu quarto, troquei de roupa e fui até Alice que já estava no local marcado, nós fomos juntas até os cavalos, escolhi um branco que parecia cavalo de príncipe e Alice escolheu um marrom que também era lindo, nós começamos a cavalgar em velocidade regular.
– Alice.
– Oi?
– Estou com medo de não gostar do meu pretendente, meu pai vai ficar muito desapontado, e se ele não gostar de mim também?
– Bella, relaxa, você é tudo para o seu pai, ele vai entender se você não gostar do cara.
– Sei não Alice, meu pai odeia quando algo sai fora do planejado.
– Seu pai que me perdoe, mas eu torço pelo meu irmão.
– Não Alice, nós somos muito diferentes.
– Eu sei, mas você não faz ideia do quanto eu queria que uma garota feito você fizesse ele sossegar.
Olhei para o lado meio sem graça e sem dizer nada, então vi Edward vindo em nossa direção, quando chegou ao nosso lado reduziu para a nossa velocidade.
– Alice, você pode deixar eu falar a sós com a Bella?
– Claro. – Ela sorriu e correu com o cavalo para bem longe de nós até sumir de vista.
– Ela cavalga bem. – Eu disse.
– Claro, estudou dois anos em Londres, lá tem aula disso, também estudei lá, mas eu fiz todo o ensino médio.
– Cavalga como ela?
– Sou melhor.
– Convencido.
– É sério, nós apostávamos corrida no sítio do meu pai e eu sempre ganhava.
– Que bom.
– Quer apostar corrida?
– Eu? – Perguntei surpresa.
– Sim, quem mais seria?
– Acho melhor não.
– Por quê? Está com medo?
– Claro que não.
– Eu a desafio.
Pensei bem, apesar de nunca ter corrido muito com o cavalo eu tinha noções de cavalaria, ia ser o mesmo que andar devagar, só que mais rápido, eu não ia dar aquele prazer a Edward Cullen, eu nunca era de dizer não a desafios, não ia ser agora que eu daria pra trás.
– Tudo bem, qual é o desafio?
– Nós vamos correr reto até a próxima árvore, quem chegar primeiro vence. Se eu vencer, eu faço o que quiser contigo, você não pode reclamar e deve fazer tudinho que eu mandar.
– E se eu vencer?
– Você escolhe. E aí? Trato feito? – Edward esticou a mão em minha direção.
Notas finais
P.S.: NÃO DEIXEM DE CONFERIR A MINHA NOVA FANFIC, "UMA SACADA EM LONDRES":
http://fanfiction.com.br/historia/270876/Uma_sacada_em_Londres/
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