A filha do reitor
15 Coisas novas
Notas iniciais
– Não sei do que o senhor está falando. – Foi a única coisa que consegui dizer, ele ia saber de Edward sim, mas na hora certa, isso teria que ser feito por partes.
– Você está tentando me fazer de bobo Isabella? – Perguntou.
– Não. Papai, eu já disse que não tenho nada com Edward Cullen, agora se o senhor acredita ou não já não é da minha conta. – Disse direta.
– Tudo bem, vou acreditar em você, porque você é a minha super estrela, minha caçula ajuizada. – Disse fazendo uma chantagem emocional barata que já não funcionava mais comigo. – Sua irmã deu os pulos dela quando era adolescente, pensa que eu não sei, esse é o problema de vocês filhos, pensar que nós pais não sabemos de nada, mas tudo bem, sei que você não vai me decepcionar.
– Mas o que tenho a dizer certamente não será de seu grado. – Eu disse séria e inabalável.
– Diga. – Disse com um semblante preocupado.
– Não vou me casar com o Jacob.
– Tudo bem. – Ele disse respirando fundo. – Eu realmente me equivoquei quanto a isso, você tem que pensar primeiramente em seu futuro profissional, um casamento talvez acarrete em uma gravidez indesejada o que vai atrapalhar nos seus estudos, quando você terminar a faculdade vocês se casam.
– Papai, o senhor não está entendendo, não vai ter casamento nem semestre que vem, nem nunca, ao menos não com o Jake, eu não sinto absolutamente nada por ele que não seja amizade e nem ele por mim, estamos separados, essa farsa acabou.
– Estou começando a me arrepender de ter trago você a essa viagem. – Disse irritado. – Quem está enfiando essas coisas na sua cabeça?
– Porque tem que ter alguém por trás da minha vontade? – Perguntei levantando a voz. – O senhor acha mesmo que não tenho a capacidade de querer algo por mim mesma? Está muito enganado. Eu cansei de ter a vida manipulada como se fosse um teatro de fantoches, é a MINHA vida e eu quero vivê-la a minha maneira, não importa quantos sapos vou ter que passar até que encontre o cara certo, ou ainda que nunca encontre, é um risco que tenho que correr, não vou me casar com um homem que não amo e que não me ama, porque vai ser seguro para ambos, casamento de fachada não está nos meus planos. Pela primeira vez estou tomando as rédeas do que vou fazer por mim e não admito que o senhor se oponha.
– Filha. – Disse tentando se manter calmo. – Dê uma chance, é tudo que te peço, vocês não se conhecem nem há uma semana, não precisa ser tão radical.
– Não papai, eu não quero isso pra mim! – Gritei.
– Isso tem a ver com o Cullen não tem? Uma atitude dessas é a cara dele.
– Não, eu, ISABELLA, quero assim.
– Só te digo uma coisa, caso isso tenha a ver com ele, espero que esteja ciente de que ele não sente absolutamente nada por você e que ele está te usando para me atingir. – Apenas permaneci calada e ele continuou. – Você me decepcionou Isabella. – Disse com os olhos lacrimejantes. – Eu nunca esperaria tanta revolta de uma filha como você sempre foi pra mim.
– Eu não aguento isso. – Eu disse com as mãos no rosto e saí correndo do quarto.
Quando cheguei fiquei assistindo tevê enquanto as lágrimas desciam desenfreadamente por meu rosto, eram tantas sensações juntas que eu mal conseguia respirar, foi doloroso ver meu pai praticamente chorando na minha frente, e isso porque terminei com Jacob, quando eu anunciasse meu namoro com Edward então, nem sei qual seria seu estado, eu não estava arrependida de nada, mas não gostava de saber que as coisas começariam a mudar entre nós dali para frente. Eu tinha tomado minha decisão e agora precisava ser forte em relação à ela.
Estava perdida em meus pensamentos, quando ouvi uma batida na janela, corri até lá contente, era ele, eu sabia disso e esse simples fato me fazia sorrir feito uma idiota. Ao chegar abri a janela e o ajudei a entrar.
– Terminou com o Jacob? – Perguntou.
–Sim.
– Falou com o seu pai que terminou com ele?
– Sim.
– Oi meu amor! – Disse finalmente me cumprimentando e eu sorri.
– O que vamos fazer agora? – Perguntei com segundas intenções.
– Sair. – Disse simplesmente.
– Sair? Pra onde?
Droga! Eu queria ficar. Nunca desejei tanto ficar em um quarto. A verdade é que desde a minha primeira vez eu simplesmente não conseguia parar de pensar nisso, era incontrolável.
– Vamos a alguma balada ou algo assim? – Perguntou sugestivo.
– Podemos até ir, mas não danço muito bem.
– Eu também não, mas nós vamos nos divertir e beber um pouco.
– Não! Beber não. Se for pra beber eu não vou. – Disse decidida.
– Ah Bella, deixa de ser estraga prazer.
– Não Edward, primeiro porque você vai dirigir, segundo porque eu acho nojento beijar homem bêbado, quer que eu sinta nojo de você?
– Claro que não. Pode deixar, não vou beber.
– Ótimo.
– Agora coloca uma roupa, mas não de criança tá? Ou vão achar que estou levando uma menor de idade pra balada.
– Vou procurar uma roupa mais adulta, se não achar nada adequado eu peço emprestado.
– Minha namorada não pode ficar pedindo as coisas emprestadas.
– Por quê? Tá achando que todo mundo é rico igual a você?
– Você não é pobre.
– Mas não sou rica.
– Tanto faz, se você não tiver uma roupa me fala que eu compro.
– Não quero que compre nada para mim. – Eu disse imediatamente. – Sou sua namorada, não sua filha.
– Bella, não me importo de gastar meu dinheiro com você, encare como um presente de seu namorado.
– Eu não quero, respeite isso, é tudo que peço.
– Mas e se você não tiver nenhuma roupa boa pra ir?
– Vá se arrumar, quando voltar estarei pronta, é isso que importa.
– Bella...
– Vá Edward. – Eu disse o empurrando de volta para a janela.
– Tudo bem, eu vou. – Disse finalmente se dando por vencido. – Daqui a quarenta minutos vou jogar uma pedrinha na sua janela pra não precisar subir, fique atenta.
– OK.
Edward saiu e na velocidade da luz corri para meu guarda-roupa à procura de uma boa roupa, eu me lembro de ter trago um vestido preto pra lá de ousado e uma bota de cano alto, Leah me deu de presente de aniversário, mas acho que isso já é óbvio, a final só ela me dá esses presentes que não tem nada a ver comigo, nem sei o que deu em mim pra colocar na mala coisas como essas, mas para minha sorte eu o fiz, as coisas estavam sendo úteis agora. Tomei um banho rápido, escovei os cabelos que hoje iriam soltos, me maquiei e me vesti em seguida, aquela que eu via no espelho definitivamente não parecia comigo, mas respirei fundo e me sentei na cama para esperar por Edward. Não demorou muito e ouvi as pedrinhas baterem na janela, fui até lá e abri.
– O que faz aqui? – Alguém perguntou a Edward. A voz vinha do quarto de baixo do meu, era meu pai! – Responda! Estou esperando.
– Eu... É... Estou... É... – Edward disse sem graça.
– Está o que? – Meu pai perguntou irritado. – Fale logo.
– Eu... Não sei o que faço aqui.
– Não seja ridículo, é claro que sabe. Por que está atirando pedras no quarto de cima?
– Se quebrar o vidro vai ter que pagar. – Disse Edward debochando.
– Isso mesmo, e não deboche de mim. Vou perguntar mais uma vez e quero uma resposta. Por que está atirando pedras na janela da minha filha?
– Como eu ia adivinhar que esse era o quarto da sua filha?
– Não sei, mas não quero te ver por aqui novamente, volte para o seu quarto.
– Tudo bem, mas não é porque você está falando e sim porque quero ir. – Disse Edward dando as costas e saindo.
Fechei a janela, peguei minha jaqueta de couro preta e desci de fininho para ninguém ver. Quando saí Edward estava parado encostado em sua moto há uns vinte metros de distância, ele olhava distraidamente para seu lindo relógio de pulso prata, acendia e apagava a luz do visor, como quem estivesse procurando por um passatempo, mas quando parei a sua frente ele olhou para mim e de repente seu rosto mudou, ele parecia estar impressionado, encarava meu corpo de cima a baixo com os olhos arregalados como quem não acreditasse no que via.
– Você é... Magnífica. – Disse com uma admiração exagerada, era mais ou menos como eu olhando para ele todos os dias.
Eu sorri, segurei seu rosto e o beijei.
– Eu sei que você é linda. – Disse sério. – Mas minha namorada vai à balada comigo e está pra chegar a qualquer momento. – Ele gargalhou em seguida e eu dei um tapa em seu peito forte.
– Edward, tem certeza que não estou parecendo uma prostituta? – Perguntei. – Porque é assim que me sinto.
– Hei, pode parando. – Disse imediatamente. – Essa Isabella que está aqui na minha frente é a mulher mais linda que já vi em todo o mundo, e eu não estou exagerando. Você está perfeita desse jeito, agora vamos pra balada, quero tirar onda com a minha moto bolada e a minha namorada gostosa. – Disse sorrindo.
Edward subiu na moto e eu em sua garupa, ficamos mais ou menos meia hora rodando até Edward finalmente parar em uma balada que ficava no centro da pacata cidade. Ao entramos as pessoas não paravam de nos olhar, os homens para mim e as mulheres para ele, eu devia estar realmente bonita, mas sinceramente? Era melhor estar feia, não gostava de toda atenção que estava recebendo.
– É melhor irmos embora. – Sussurrei para Edward.
– Por quê?
– As pessoas não param de nos encarar, estou ficando assustada.
– Isso é normal, mantenha seus olhos em mim, esqueça quem está ao redor. – Ele segurou minha mão e me puxou para o centro da pista. – Vamos dançar.
Começamos a dançar e até que eu não estava dançando tão ruim, não era nenhuma dançarina profissional, mas consegui reunir uns passos manjados e mover os quadris de forma convincentemente bem, já era o suficiente para não pagar mico, Edward estava dançando de forma regular também, finalmente alguma coisa que ele não fazia incrivelmente bem!
– Estou com sede. – Ele finalmente disse após muito tempo de dança.
– Eu também. – Assumi.
– Há quanto tempo está com sede?
– Desde os dois primeiros minutos de dança.
– E por que não me disse? – Perguntou sorrindo.
– Estava dançando tão empolgado.
– Quando quiser me dizer qualquer coisa é só dizer, não importa como eu esteja. – Ele segurou minha mão e me levou até o bar. – O que vai querer?
– Água. – Respondi imediatamente. – E você?
– Vou pedir uma ice.
– Claro que não, você vai pilotar mais tarde.
– Ice é uma bebida fraca, não vou ficar nem balançado se beber uma só.
– Edward melhor não.
– Divide uma comigo então.
– Não bebo isso.
– Nunca bebeu?
– Não.
– Bom, pra tudo se tem uma primeira vez. – Disse sugestivo. – E você sabe que estou aqui para fazê-la experimentar coisas novas.
– Tipo um capetinha que me atenta.
– Veja como quiser, eu te desafio.
– Já estou começando a gostar. – Disse sorrindo. – Qual é o desafio?
– Se você dividir essa ice comigo, pode escolher uma coisa, qualquer coisa e eu faço, mas se você não o fizer, aí quem escolhe sou eu. – Disse com um sorriso malicioso em seus lindos lábios.
– Ah é? Então eu bebo.
Edward pediu duas ices e me deu uma delas.
– Não era uma ice pra nós dois?
– Sim, mas tenho certeza que depois que der o primeiro gole, não vai mais querer parar.
– Ai, agora fiquei com medo.
– Vai dar pra trás agora? Tem certeza que vai me deixar ganhar a aposta? Já vou avisando que caso eu ganhe não vou pegar leve como sempre faço com você.
– Tá bom, vou beber.
Edward abriu as duas ices e me deu uma delas.
– Beba.
Peguei a garrafa, fechei os olhos e bebi, analisei o gosto enquanto o líquido passava por minha garganta, era bom, hum, uma delícia!
– Edward.
– Oi?
– Isso é muito gostoso.
– Viu? Comigo não tem nada que não seja. – Sorriu se divertindo com o duplo sentido de sua frase. – Fala a verdade, das coisas que já te ensinei, alguma foi ruim?
– Não, o que me ensinou no casebre então... – Disse sugestiva e maliciosa.
– Parece que também estou me redescobrindo, todas as coisas que eu fazia antes são muito mais prazerosas quando faço contigo.
Sorri docemente para ele.
– Tudo é muito mais incrível com a sua companhia também. – Garanti.
Nós flertamos mais um pouco enquanto eu terminava de beber minha ice e ele a dele.
– Vamos embora? – Perguntei.
– Vamos.
– Quero outra ice antes de ir. – Pedi.
– Não Bella.
– Por quê?
– É a primeira vez que você bebe, pega leve.
– Mas não foi você quem disse que a ice é uma bebida fraca?
– Sim, mas não sei qual é a sua resistência a álcool.
– Só mais uma vai.
– Não.
– Por favor!
– Ai, tá bom, mas é só mais uma.
– Se eu quiser mais eu compro.
– Não, o lance nem é quem vai pagar, mas sim você ficar bêbada, vou comprar mais uma e pronto.
– Você não pode me impedir de comprar outra.
– Realmente não posso, mas eu espero que você me respeite já que mesmo morrendo de vontade de beber, me limitei a uma ice, porque você pediu para eu não beber.
– Tem razão. – Eu disse sem graça.
Edward comprou mais uma ice para mim e nós saímos, ele foi pilotando enquanto eu bebia atrás.
Quando chegamos na casa dos professores ele parou no estacionamento, pegou a garrafa de minha mão deixando em cima da moto e me puxou para um beijo avassalador, uma de minhas mãos agarrava seus cabelos, bagunçando-os ainda mais, enquanto a outra segurava sua blusa com força, suas mãos foram passando pela lateral de meu corpo até que pararam em minha bunda, apertando com força e fazendo com que eu gemesse levemente contra sua boca. Edward mordeu meu lábio inferior e depois o lambeu.
– Ainda vou foder essa boquinha linda. – Sussurrou passando o polegar em meus lábios.
– Edward, acho que vou entrar. Já está muito tarde. – Eu disse antes que acabasse tirando minhas roupas ali mesmo e implorasse para que fizéssemos amor.
– Boa noite minha princesa. – Ele segurou meu queixo e me beijou novamente.
Depois de mais um beijo urgente e avassalador, peguei minha garrafa de ice que ainda estava pela metade e fui para a casa dos professores, abri a porta e comecei a andar de fininho.
– Posso saber onde você estava? – Perguntou meu pai parado na porta de seu quarto.
– Saí um pouco.
– Venha até aqui Isabella.
Caminhei lentamente a seu encontro e ele me analisou de cima a baixo, e lá estava aquele olhar triste e decepcionado novamente, meu pai devia estar pensando coisas terríveis a meu respeito agora. Dois dias estavam sendo suficientes para acabar com 18 anos de confiança e orgulho depositados.
– Você parece uma prostituta barata. – Disse com desprezo. – Tem tanta coisa de errado aí que nem sei por onde começar. Que roupas são essas? Essa maquiagem, e esse batom borrado? Quem você andou beijando Isabella?
– Eu só quero subir e ir dormir. – Eu disse olhando para o chão, simplesmente não conseguia encará-lo.
– Bebida alcoólica? Desde quando você bebe? – Meu pai abaixou a cabeça e colocou a mão no rosto, como quem não mais suportasse tanto desgosto, meus olhos ficaram marejados na mesma hora, eu me sentia mal, mesmo sabendo que não tinha feito nada demais. Ele me olhou com lágrimas nos olhos, o que foi demais pra mim fazendo com que as lágrimas descessem por minha bochecha. – Quem é você e o que fez com a menininha doce e meiga que criei com tanto amor e carinho? Não é possível que ela tenha se perdido em tão pouco tempo.
– Eu ainda estou aqui, ainda sou doce e meiga, mas o senhor tem que aceitar que não sou mais uma menininha, eu cresci.
– O que está acontecendo com você? Anda se envolvendo com drogas ou algo assim?
– Claro que não, só cansei de tentar ser perfeita. – Disse direta.
– Eu sei que você é adolescente e quer curtir a vida, mas precisa mesmo chegar a esse ponto?
– O que eu fiz demais?
– Como o que você fez demais? – Disse como se fosse óbvio. – Chegou duas e meia da madrugada, vestida feito uma prostituta, com o batom todo borrado e ainda por cima com uma garrafa de bebida alcoólica na mão, isso não é o suficiente para você Isabella? Você está de castigo, vai ficar no quarto o dia inteiro amanhã.
– Mas eu tenho que comer, ensaiar.
– O ensaio sobreviverá sem você e comida pode deixar que eu trago. Vou te trancar no quarto.
– Você não pode fazer isso. – Eu disse inconformada. – É ridículo!
– Não me responda Isabella, vem comigo.
Ele subiu até meu quarto e eu fui atrás.
– Por que está fazendo isso comigo? – Perguntei enquanto chorava.
– Pra você aprender a me obedecer.
Ele pegou a chave do quarto na escrivaninha.
– Pai. – O chamei.
– Você vai ficar aí até pensar em seus atos.
Ele fechou a porta e saiu, quando tentei abrir, vi que estava trancada, tomei um banho bem demorado, coloquei meu pijama e fui dormir, algo me dizia que o dia seguinte seria muito longo.
Fale com o autor