A filha do reitor
21 A vingança das vadias
Notas iniciais
Eram sete e meia da manhã, eu sabia que tinha que me levantar, mas cadê a coragem? O Tempo estava bom para ficar embaixo das cobertas, mas eu tinha que ir estudar, e ver Edward, então depois de muito relutar me levantei e fui ao banheiro me arrumar, depois de pronta desci já na intenção de ir embora, o clima não estava pesado demais para fazer uma refeição em família, ainda que fosse apenas um café da manhã.
— Filha, não vai tomar café conosco? – Minha mãe perguntou. – Está uma delícia.
— Não estou com fome.
— Mas você vai ficar a manhã inteira sem comer nada?
— No intervalo eu dou uma passadinha na cantina da faculdade.
— Tudo bem.
— Já estou terminando. – Disse meu pai.
Me sentei à mesa para esperá-lo e quando ele terminou saímos de carro rumo à universidade.
— Sobre o seu carro. – Ele disse. – Pode esquecer.
— Tudo bem, a última coisa que eu quero é algum motivo pra você jogar as coisas na minha cara mesmo, então acho que vai ser até melhor assim.
— Não me provoque.
— Eu estou te provocando? Por favor né pai?
— Foi você quem mandou o Cullen ir lá em casa?
— Não, ele foi porque quis.
— Pois então diga a ele que não quero mais ele na minha casa, caso contrário chamo a polícia, se bem que ele não teme nada disso, a final o papaizinho dele o livra de tudo. Aliás, você sabia que o seu namoradinho já teve muitos problemas com a polícia por brigar com as pessoas ou dirigir enquanto estava alcoolizado?
— Sei sim, ele me conta tudo. – Eu disse o cortando, na verdade quem tinha me contado isso foi Jake, mas meu pai não precisava saber.
— Lindo isso né? Uma menina que pretende ser uma advogada se envolvendo com um foragido. – Disse irônico.
— Espera aí. – Eu disse irritada. – Ele não é nenhum foragido, o pai dele resolveu as coisas e ele saiu, tudo bem que isso não é o certo a se fazer, mas de qualquer forma, o Edward não é procurado pela polícia nem nada disso, então pare de falar besteiras.
— Hum, que bonitinho, defendendo o projeto de marginal.
— Chega pai! – Gritei. – O senhor tem que parar de ficar dando uma de perfeitinho, que tudo seu é melhor, que tem um caráter impecável, porque você não tem, então pare de julgar as pessoas como se você fosse perfeito, porque está longe disso.
— Abaixe o tom de voz pra falar comigo Isabella. – Ele disse irritado.
— Não vou abaixar porcaria nenhuma. – Gritei. – Eu não aguento mais isso.
— Enquanto você estiver embaixo do meu teto você nunca, repito, nunca ficará com ele.
— Pode deixar então, não estou muito longe de sair de baixo do seu teto.
— Do que você está falando?
— Que eu não aguento mais viver assim, eu me sinto presa e a cada dia que passa o nosso ambiente familiar fica mais insuportável, pro bem da nossa família, é melhor eu ir embora.
— Por causa dele. – Disse com um ódio evidente em sua voz.
— Não, por causa de você. – Eu disse imediatamente.
Meu pai olhou para mim com um ar de deboche e em silêncio fomos até a faculdade, ele me deixou na porta e foi estacionar.
Ao entrar me sentei no banco de madeira do pátio, meus olhos procuravam ansiosamente o conversível ou a picape dele, mas foi de um belo jaguar preto que ele saiu. Edward olhou em volta até que seus olhos pararam em mim e ele deu aquele sorriso torto que me tirava do chão.
— Posso sentar aí do seu lado? – Perguntou quando chegou perto de mim.
— Sim.
— Esse carro também é seu? – Perguntei enquanto ele se sentava ao meu lado.
— Não, esse é do meu pai.
— Ah sim.
— Ainda sente dor? – Perguntou se sentando ao meu lado.
— Um pouco. – respondi. – Mas já consigo andar normalmente.
— Que bom, a última coisa que eu quero é o meu anjinho machucado. – Sorri em resposta, ele não tinha noção do bem que me fazia.
— Edward, preciso te contar uma coisa.
— O que? – Perguntou com o cenho franzido.
— Ontem, depois de você ir embora, meu pai entrou e falou com a minha mãe sobre ele e o seu pai.
— Ele e o meu pai? – Perguntou confuso. – O que eles tem a ver com isso tudo?
— Ele disse que jamais aceitaria um Cullen na nossa família, porque ele e o seu pai eram melhores amigos e seu pai o apunhalou pelas costas.
— Sério? – Perguntou surpreso.
— Ao menos foi o que ele disse ontem.
— Mas o que nós temos a ver com isso?
— Aí é que tá, ele disse que você é igual ao seu pai, o jeito de vocês sabe?
— Ótimo, estou pagando pelos erros do meu pai.
— Pois é, mas relaxa, a gente não vai desistir, mais cedo ou mais tarde ele vai ter que aceitar.
— É que eu queria que as coisas ficassem bem.
— Edward! – Gritou Rosalie vindo correndo e sentando no colo dele. – O que houve amor, já faz mais de uma semana que a gente não sai, senti sua falta.
Ele olhou para ela com uma cara estranha, e já estava prestes a falar alguma coisa, quando ela agarrou seu rosto e roubou um selinho. Meu coração disparou de ódio, se ela tivesse noção da vontade que eu tinha de esganá-la naquele exato momento. Quem ela pensava que era pra mexer com o MEU homem?! Ela não estava me vendo ali?
— Rosalie. – Disse Edward calmamente porém firme – Sai de cima de mim.
— Por quê? Você sempre adorou que eu sentasse no seu colo.
— Porque eu devo respeito a minha namorada.
— Namorada? – Perguntou incrédula.
Sim vadia, namorada, chupa essa agora!
— Sim, estou namorando.
— Quem é a vadia?
— A única vadia aqui é a garota que está no colo do meu namorado. – Respondi.
— Então vocês se reconciliaram, mesmo depois de você saber que ele só está ficando com você por uma aposta? – Rosalie perguntou venenosa. – Nossa, isso que é auto estima hein.
— Olha aqui garota, em primeiro lugar, o Edward não está me usando, eu já tive provas suficientes disso. Em segundo, não venha me falar de auto estima, porque não sou eu que fico correndo feito uma cachorra atrás de um homem que só me procura por sexo e não me dá o mínimo valor. E terceiro, sai de cima do meu namorado.
Rosalie apenas me ignorou e olhou para Edward.
— Ed, eu não acredito que você vai me trocar por... – Ela olhou para mim com um ar de superioridade. – ISSO!
— Olha só, eu te garanto que “ISSO” – Disse fazendo aspas com as mãos. – Dá de mil a zero em você e na Lauren juntas. Agora vaza.
— Mas Edward...
— Vaza, eu não quero você aqui, aliás, eu não quero você em lugar nenhum, se puder fingir que eu não existo eu agradeço.
Ela se levantou triste do colo de Edward e saiu, ela me olhava furiosa de longe, mas eu nem liguei.
Edward e eu resolvemos nos sentar juntos durante a aula, Emmet e Jasper se sentaram perto de Jéssica e Angela, enquanto Lauren e Rosalie se sentaram onde eles costumavam ficar. Expliquei tudo que ele não entendia durante a aula e ele parecia estar aprendendo direitinho.
— Nós vamos nos ver hoje? – Perguntei no fim da aula.
— Sim, quer que eu te leve em casa?
— Não, meu pai vai me levar.
— Tá bom, vou pra casa almoçar e tomar um banho, depois lá pras duas horas estarei no seu portão.
— Vou te esperar, agora tenho que ir.
— Vai lá.
Nós nos beijamos e Edward saiu, em seguida fui até meu pai.
— O senhor vai me levar para casa? – Perguntei.
— Hoje não dá, tenho muito trabalho a fazer. – Meu pai pegou dinheiro em sua carteira e me entregou. – Pegue um táxi.
— Tudo bem.
Fui em direção ao ponto de táxi, mas no caminho, ao passar em uma rua deserta, Rosalie e Lauren entraram em minha frente.
— O que vocês querem? – Perguntei.
— Queremos você longe do nosso Edward. – Disse Lauren.
— Acho que isso não será possível. – Respondi imediatamente.
— Bella. – Disse Rosalie. – Eu odeio ter que te decepcionar, mas o Edward não te ama, ele só quer brincar com você, assim como ele fez com a gente. Quando ele achar outra ele cai fora.
— Agradeço a preocupação, mas vou continuar com ele. – Respondi sem dar muita confiança.
— Mas Bella. – Disse Lauren.
— Sem mas, não tem papo.
— OK, nós tentamos. – Disse Rosalie. – Já que você prefere do pior jeito...
Lauren foi para trás de mim, puxou a minha bolsa a jogando no chão.
— Hei, isso é meu. – Eu disse irritada.
— Cala a boca. – Ela disse segurando meus braços em minhas costas.
Rosalie veio em minha direção e me deu um soco no olho que doeu muito.
— Vocês estão loucas?! – Perguntei gritando. – Por que está me batendo?
— Pra você ficar longe do Edward. – Disse Lauren.
Rosalie voltou a socar meu rosto de forma agressiva , depois meu estômago. Eu tentava desesperadamente me libertar dos braços de Lauren, mas não conseguia, eu sentia o gosto de sangue em minha boca. Quando Rosalie terminou de me bater Lauren me jogou no chão e as duas me chutaram com força e depois saíram, eu fiquei apenas ali, deitada no chão, chorando, esperando minhas forças chegarem pra eu finalmente poder levantar, mas elas simplesmente não chegavam, foi então que um taxista que passava parou e saiu do carro correndo para me ajudar.
— Moça, o que houve? – Perguntou enquanto saia do carro.
— Me bateram, por favor, me ajude. – Pedi.
Olhei para minha roupa branca encharcada de sangue e chorei mais do que antes.
— Fique calma, vou ajudá-la.
O homem me ajudou a levantar cuidadosamente e me colocou dentro do táxi, depois se sentou no banco do motorista.
— Moço, me leve para casa. – Pedi.
— Você precisa de um hospital.
— Primeiro quero ir em casa.
— Tem certeza?
— Sim.
Dei o endereço da minha casa e ele me levou, ao chegarmos Edward já estava no portão. O Taxista parou atrás dele, abriu a porta e me ajudou a sair. Ele ainda não tinha percebido minha chegada.
— Edward. – O chamei baixo.
Ele olhou para trás e me encarou de cima a baixo, seus olhos estavam arregalados e não demorou muito para estarem cheios de lágrimas.
— Bella! – Disse apavorado – O que fizeram com você?
Edward correu e me abraçou com força sujando de sangue sua camisa bege.
— Eu a encontrei no chão nesse estado, roubo não foi, porque as coisas estavam com ela, ela disse que bateram nela. – Disse o taxista.
— Vamos pro hospital. – Disse Edward a ele.
— Qual hospital?
— O mais próximo.
Nós entramos rapidamente no carro e o taxista deu partida. Eu estava deitada no peito de Edward, a dor pareceu amenizar depois que o vi, fechei os olhos sentindo seu cheiro maravilhoso, eu estava com sono, um sono bom.
— Bella. – Ele disse ao pé do meu ouvido.
— Oi? – Falei com a voz fraca, meus olhos estavam se fechando sozinhos.
— Não dorme, olha pra mim. – Abri os olhos devagar e olhei para ele que deu um sorriso forçado, mas ele parecia muito triste. – Me diz, quem fez isso com você. Quem te bateu?
— A Rosalie e a Lauren.
— O que?! – Perguntou furioso. – Eu mato! – Disse com um ódio evidente em seu tom de voz.
— Chegamos. – Disse o motorista.
— Espere aqui, e deixe o taxímetro rodando. – Disse Edward.
— Tudo bem.
Edward me pegou no colo e me levou à emergência, a médica me examinou, me deu alguns pontos e fez curativos, Edward não pôde entrar, então ficou me esperando do lado de fora, a médica disse que eu ficaria bem e que por sorte não foi nada grave. Nós fomos até o estacionamento do hospital e entramos em seu carro.
— Nós não tínhamos vindo de táxi? – Perguntei confusa.
— Sim, mas enquanto a médica te examinava eu fui até a sua casa, paguei o táxi e peguei o meu carro, a propósito, sua bolsa está no banco de trás.
— Tudo bem. Aonde nós vamos?
— Na casa da Lauren, eu marquei com ela e a Rosalie lá.
— O que você vai fazer?
— Eu nem sei. – Disse possesso de ódio.
— Edward, não quero que você encoste nenhum dedo nelas, vou denunciá-las.
— Tudo bem, mas elas precisam ouvir umas verdades.
Ao chegarmos na enorme mansão Edward tocou o interfone e as duas vieram atender a porta, eu estava dentro do carro no outro lado da rua, então não conseguia ouvir a conversa, mas Edward parecia furioso, ele apontava o dedo na cara delas e gritava, elas tentavam se defender, mas ele nem mesmo as deixava falar. Eu sorri sozinha, era linda a forma na qual ele estava me defendendo, parecia tão furioso e tão determinado, ele realmente me amava e isso não parecia real, era bom demais para ser verdade.
Dando fim aos meus pensamentos Edward entrou no carro.
— Vamos à polícia. – Ele disse.
— Vamos. – Respondi.
Nós fomos à polícia, mas eles teriam que fazer corpo delito, eu teria até que ficar nua, Edward não gostou nada disso, então decidiu resolver à maneira dele, ligou para seu pai, contou do acontecido e Carlisle deu o mandado de prisão à elas, fazendo com que a polícia fosse buscá-las em casa, eu não achei muito correto fazer dessa forma, mas Edward me convenceu de que elas precisavam ser presas, independente da forma que conseguíssemos isso.
Depois nós fomos para minha casa e subimos para meu quarto.
— Me ajuda a tomar banho? – Perguntei dengosa.
— Claro meu amor. – Disse sorrindo.
Edward me levou até o banheiro, tirou nossas roupas e nós fomos para o boxe, ele ligou o chuveiro a nós entramos embaixo, cuidadosamente para não molhar os curativos. A água molhava nossos corpos, foi então que senti sua ereção em minha bunda. Eu não podia fazer nenhum tipo de esforço para meus pontos não abrirem, então bati uma punheta esperta para ele, que já foi o suficiente para deixá-lo louco de prazer.
Depois do banho nós fomos para o quarto, ele vestiu apenas sua boxer e eu meu pijama, ele se deitou ao meu lado e ficou olhando para mim.
— Ainda está doendo muito? – Perguntou.
— Um pouco. Edward para de olhar para mim, eu estou horrível!
— Pra mim você ainda é linda.
— Como linda? Meu olho direito está roxo e inchado, destronquei o nariz que consequentemente também está inchado, tem um galo enorme na minha testa, tomei quatro pontos no queixo e você ainda tem coragem de dizer que estou linda?
— Você pode se achar horrível, mas que continua linda continua. – Edward beijou meu queixo, meu nariz, meu olho roxo e o galo na minha testa. – Pra sarar mais rápido.
Sorri levemente, Edward me deu um selinho demorado e apaixonado, depois um beijão.
— Eu te amo. – Eu disse.
— Eu também. – Ele beijou minha mão e sorriu. – Que horas a sua mãe chega hoje?
— Ela e o meu pai chegam às oito.
— Já são sete.
— Agora que percebi que ainda não comi nada.
— Quer que eu peça a empregada pra preparar algo? – Ele perguntou.
— Ela não está, precisou faltar hoje.
— Então eu vou. Pode ser uma macarronada?
— Amo macarronada. – Eu disse sorrindo. – Mas faz rápido antes que os meus pais cheguem.
— OK. Tem algum vinho aqui?
— Tem, mas são do meu pai, ele vai dar falta, então se contente com a coca cola.
— Tudo bem. – Disse frustrado e indo em direção à porta.
— Edward, você vai de cueca?
— Sim, só tem nós dois aqui, qual é o problema?
— E se os meus pais chegarem?
— Eles não vão chegar só às oito.
— Sim.
— Então...
— Tá bom, vai logo.
Edward desceu e eu fiquei mexendo no meu celular para passar o tempo, foi então que ouvi um grito feminino e saí o mais rápido que pude, quando cheguei na cozinha lá estava Edward com uma faca e um tomate na mão enquanto minha mãe o olhava com os olhos arregalados.
— Reneé o que houve? – Meu pai perguntou correndo em direção à cozinha, foi então que viu Edward e sua expressão era uma mistura de surpresa e raiva, foi então que ele olhou para mim e a de raiva aumentou. – Por que você está segurando uma faca e um tomate e de cueca na minha cozinha? – Perguntou lentamente para Edward, depois olhou para mim. – E o que ele fez pra você estar toda machucada?
Ai cacete! Como eu ia explicar tanta coisa pro meu pai? As coisas estavam ficando cada vez piores.
Fale com o autor