A feiticeira perdida

4 Eu cheguei ao lugar onde todas as bruxas se encontram


Eu paralisei. Não sei exatamente o porquê já que eu tinha certeza de que era apenas um sonho. Eu só ficava ouvindo as vozes de Julie e Jace enquanto olhava para a escuridão a nossa frente.
– Você acha mesmo que é ela?- ouvi a voz de Jace numa tentativa mal sucedida de um sussurro.
– Você não viu o que ela fez? É claro que é ela, Jace. E eu acho que você precisa aprender a sussurrar. Porque apesar dela estar quieta no banco de trás, ela consegue te ouvir.
Depois disso não ouvi eles falarem novamente. Perguntas rodavam em minha mente. Do que eles estavam falando? Quem eram aquelas velhas? O que elas queriam? Quem eram eles? Aonde eles estavam me levando?
– Chegamos.- Julie disse. Mas eu não via nada além de uma vasta floresta.- Abra a janela, Jace.
Ele apertou um botão e a janela se abriu. Ela se pendurou na janela. O que ela estava fazendo? Ela tocou no nada. Tipo no invisível. E, repentinamente, uma pequena cidade apareceu. Eu conseguia ver vilas com inúmeras casas, uma grande mesa de jantar, lojas, hospital...

– O que diabos é isso?- consegui dizer.

– Se acalme, Vossa Alteza. Já estamos chegando.- disse Jace.

– Cale a boca! Eu não sei quem são vocês e eu não sei o que vocês estão fazendo mas eu QUERO SAIR DAQUI IMEIDATAMENTE!- assim que terminei de falar todas as janelas do carro foram destruídas.

– Você fica com a princesa e eu vou para o Centro reportar o sucesso da nossa missão- disse Julie saindo do carro em um estacionamento repleto de vassouras, motos e carros. Eu estou enlouquecendo.

–Eu fico com a parte mais difícil?

– Isso é porque você não me ligou ontem. Idiota.- ela fechou a porta em um estrondo e desapareceu.

– Ok, Vossa Alteza.- ele disse abrindo a porta do carro- Você precisa se acalmar.

– Eu não vou me acalmar! E eu falei para não me chamar assim. Idiota. Eu não sei quem são vocês, eu não sei onde estou e se você não sabe, eu fui raptada duas vezes!!! Só hoje, duas vezes!!! Além disso, eu fiz um garoto desaparecer no meio de um furacão e os pais deles me chamaram de bruxa! E só o que meu pai quer saber é se eu vou conseguir me casar antes dos dezessete e EU NÃO QUERO ME CASAR!- eu gritei desesperada para um desconhecido. Sim, eu estava desabafando com um garoto que eu não sabia se era confiável. E daí? Então, as lágrimas começaram a descer pelo meu rosto. E eu continuei falando aos soluços. — E a minha vida virou de cabeça pra baixo e eu não consigo... Não posso acreditar que eu consiga criar furacões, tempestades, terremotos.! Eu...

Ele colocou um dedo em minha boca e, em um instinto, me calei. Ele limpou minhas lágrimas e, por fim, segurou meu rosto:

– Vai ficar tudo bem, princesa. Eu vou cuidar de você. Julie vai cuidar de você. Todos nós vamos cuidar de você. E, não se preocupe, amanhã você vai entender tudo. Pode confiar em mim.

– Como eu posso ter certeza de que você está falando a verdade?

– Você não tem como saber, princesa. Vai ter que apostar em mim- ele disse com um sorriso torto no rosto, que por algum motivo me fez prender a respiração.

Eu me afastei dele.

– E pra onde você vai me levar?- perguntei deixando as lágrimas de lado.

– Eu vou te levar para a casa...- ele pegou um papel em seu bolso- Casa trezentos e dez. Que sorte, princesa. Vai dividir a casa com Julie e com... Darla. Mas isso não importa. O importante é que é a casa ao lado da minha.

Ele deu aquele sorriso torto novamente. Eu revirei os olhos. Uma mulher em uma vassoura voadora passou na minha frente.

– É, eu estou sonhando. Obvio.

– Ah, claro. Você está sonhando. O que faz você pensar assim?

– Primeiro: o fato de eu fazer um garoto desaparecer com um furacão. Segundo: sonhos estranhos com a minha mãe. Terceiro: mulheres de preto que quase me mataram com um gesto. Quarto: um carro que eu fiz voar. Quinto: Uma cidade que estava invisível. Sexto: Vassouras que voam. Sétimo: Você.

– Eu? Por que eu faria isso aqui ser um sonho?

– Se não fosse um sonho, você não seria assim.

– Assim como?- ele perguntou enquanto me guiava até um portão com os dizeres " Vila da Carlotta( Vila 3)".

– Assim. Gato demais, com esses olhos azuis profundos e um sorriso magnifico.

Ele riu sem ficar envergonhado. Viu como ele era o meu príncipe perfeito? Minha imaginação é dez! Nós caminhamos em silêncio por um tempo até que ele parou em frente de uma casa de dois andares.

A casa possuía um jardim com dois carvalhos e inúmeras flores. Era pintada de roxo e preto como todas as outras da vila. Cada uma tinha um detalhe diferente na pintura. Essa, em sua maioria, era preta com alguns detalhes em roxo.

– Chegamos, princesa.

– É Jennifer.

– Bom, fique à vontade Jennifer. Provavelmente, não terá ninguém em casa. Elas devem estar na reunião que, por acaso, é onde eu deveria estar. Mas, estava muito ocupado cuidando das vontades de Vossa Alteza- disse ele fazendo um reverencia.

Eu estava muito cansada para fazer qualquer coisa, então eu revirei os olhos e adentrei o jardim da casa.

– A minha imaginação precisa melhorar você da próxima vez. Tipo menos idiota.

Ele riu e eu adentrei a casa com um sorriso no rosto. Ora, era o meu sonho e eu tinha o direito de me divertir.

Ele estava falando sério. Não tinha ninguém em casa. No primeiro andar tinha uma sala com sofás e poltronas roxas com uma tevê de plasma. E também havia uma pequena mesa com três cadeiras. Na sala do lado havia uma cozinha ampla toda em preto e ao lado, alguns banheiros. Eu subi a escada e encontrei três quartos. O primeiro era todo enfeitado em rosa e preto. Repleto de maquiagens e joias. O outro era todo em vermelho e preto com vários cartazes de bandas de rock. E o terceiro era pra mim. Pelo o que eu entendi.

As paredes eram das cores lilás e preta ( as minhas favoritas). Em um lado do quarto estava uma cama de casal roxa com dossel, um escrivaninha preta e um armário da mesma cor. E no final do quarto havia uma porta que levava para uma varanda maravilhosa. A vista dava para dentro da floresta, via-se um lago com peixes, cisnes e patos, além de inúmeros pássaros e mamíferos.

Uau. Minha imaginação sabia trabalhar. Não tinha percebido como estava cansada. Eu simplesmente esqueci toda a história sobre magia e adormeci.

–É ela!- Jace gritou para uma multidão.

– Como você pode ter certeza?- gritou uma voz do meio da multidão.

Julie contou toda a história de nosso salvamento e então uma senhora com uns cinquenta anos adentrou o recinto. A multidão continuava a questionar a informação. Ela tinha cabelos longos,que alcançavam o chão, e loiros.

Ela fez um gesto com as mãos e começou a pairar sobre a multidão.

– Queridas e queridos, preciso que me ouçam. Todos conhecem a história de Carlotta Dare. A que achamos que foi a última feiticeira em nosso mundo. Mas, há dezesseis anos descobrimos que Carlotta deixou uma salvação para nós. As três irmãs e seu clã poderão ser derrotados! — um silêncio tomou conta da multidão antes da senhora falar novamente. Ela abriu um sorriso e falou- Meus irmãos e irmãs, nós achamos a feiticeira perdida!

Depois de alguns segundos, uma comemoração geral passou pela multidão. Uma festa começou e eu vi Jace e Julie ao fundo. Eles não pareciam estar felizes como os outros. Pareciam preocupados. Assim como a senhora de cabelos longos.