A exceção

14 Capítulo 14.


Notas iniciais
Eae galero! Ai, tô até envergonhada com essa demora toda minha... Bem, a criatividade sumiu, a faculdade ficou mais puxada, eu tive muitos problemas, enfim. Também cheguei na parte da fic em que eu vou mudar bastante coisa, em relação à primeira vez que a escrevi. Eu adoraria dizer que vou postar logo, masss, não sei. Eu tenho transtorno de humor, e tem horas que eu fico tão agitada que nem consigo ficar sentada em frente ao computador. Fico andando com o celular pela casa, ou ando sem rumo na rua. Enquanto em outros momentos eu simplesmente não tenho vontade de fazer absolutamente nada. Nem mesmo ficar deitada assistindo alguma coisa. Eu estou me tratando, mas não é fácil, ainda mais que eu tenho muito medo do remédio baixar demais minha pressão, daí eu tenho que trocar o remédio mas a consulta demora. Bom, chega de falar de mim. Perdoem a demora. Beijus!

Mais uma segunda-feira. Quem diria, mais uma semana passou e o mundo não acabou. E estou de volta ao meu lugar: a última fileira do canto direito da sala, ao lado do Pedro. Sarah está na carteira da frente. Eu estive pensando, e, seria uma boa se eles se aproximassem, não necessariamente daquela maneira. Ela é animada e boa de conversa, diferente de mim. Talvez ajudaria ele a não ficar tão sério, fechado, distante. Mas eu mal consigo fazer amizades facilmente, quem dirá aproximar os dois.

As aulas passaram relativamente silenciosas, e sou grata por isso. Não ouvi nada desagradável sobre mim hoje, bem, pelo menos por enquanto. Quando somos finalmente libertados, – pelo menos por meia hora – sentamos em um banco de madeira no pátio e dividimos um pacote de batatinhas. Sarah está sentada na ponta esquerda do banco, eu no meio e o Pedro na ponta direita. Ela está incrivelmente tímida, nem abriu a boca para falar. Na verdade, nenhum de nós. Até o presente momento.
— Então, vocês voltaram a se falar, né? Isso é ótimo! – Diz Sarah, com um sorriso no rosto, embora pareça constrangida.
— Ela não conseguiria viver sem mim. – Responde Pedro.
— Não mesmo, senhor convencido. – Ele dá um sorriso quase imperceptível.
— Seu rosto está vermelho. Devia passar a usar um protetor solar. – Diz ele para Sarah. Não acredito nisso. Sério, Pedro?
— Estou?! Ah sim, eu acabo esquecendo de usar. – O rosto dela fica ainda mais vermelho.
— Se continuar dessa maneira, vai parecer que está com vergonha. – Lancei um olhar repreensivo a ele, mas ele fingiu não perceber. O silêncio constrangedor se instaura. Não consigo pensar em nada para dizer, não com a Sarah aqui, até porque eu estou querendo dar uma bronca no Pedro.
— Eu vou procurar o Léo. Até mais tarde.
— Até. – Respondo.

Pelo que eu ouvi durante a aula, Léo é o garoto que está sentado ao lado dela, e, possivelmente, seu melhor amigo. Espero ela se afastar o suficiente para começar a falar sem ela poder escutar.
— Você estava zoando com ela? – Pergunto.
— Só um pouco. – Então ele já notou que a Sarah está a fim dele. Nada surpreendente, ela não sabe disfarçar muito bem. – Alguém tinha que quebrar o silêncio, estava me deixando desconfortável. Então tive de falar alguma coisa.
— E não tinha nada de melhor para falar?
— Não.
— Ok, vou acreditar em você. Mas me diz, o que você acha dela?
— Sei lá. Eu nem a conheço.
— Não tem nem uma primeira impressão? – Insisto.
— Dá para notar que ela é muito tímida, apenas isso. Aonde você está querendo chegar com esse papo? – Ele me parece ligeiramente irritado.
— A lugar nenhum, eu só acho que seria legal vocês se aproximarem. Afinal, vocês dois são meus amigos, provavelmente vamos passar a andar juntos.
— Talvez.
— Mudando de assunto, você já conversou com a sua mãe? – Quase consigo ver um ponto de interrogação pairando acima de sua cabeça. – Sobre o que a gente falou lá na minha casa.
— Ainda não.
— Você disse que ia! – Contesto.
— Eu sei! Eu vou, só não tive a oportunidade.
— Fale o mais cedo possível, tá?
— Tá. – Espero que esteja sendo sincero. Ele fixa seu olhar no horizonte, como de costume. Me pergunto no que ele tanto pensa.

Marjorie estava passando por perto e nos viu, eu fiz um sinal com a mão para ela vir sentar com a gente. Ela me parece feliz, e eu fico feliz em vê-la assim. Ela senta ao meu lado, bem próxima a mim. Eu tenho vontade de segurar sua mão, e no entanto, esse ambiente hostil me impede.
— Como estão as coisas? – Pergunta ela.
— Melhores, por enquanto. – Respondo. – E você, como tem estado?
— Ah, eu tenho estado ótima. – Ela sorri de leve.
— Sabe, a gente devia marcar alguma coisa.
— Eu ia falar sobre isso agora! – Ela abre um largo sorriso. – Um amigo meu está planejando uma festa, e ele disse que eu poderia te convidar. Não é muito longe. Vai ser na sexta, começa às sete. Mas eu vou chegar uma hora atrasada, como sempre. Se você puder ir, eu vou adorar!
— Sim, eu posso ir, vai ser ótimo! – Não consigo evitar de ficar bastante empolgada. Pela primeira vez, vamos estar num ambiente fora da escola e sem familiares por perto. Me preocupei tanto em marcar alguma coisa e definir um lugar, e acabou surgindo uma boa oportunidade.
— Eu te passo o endereço por mensagem mais tarde.
— Ok. – Um som estrondoso nos diz que é hora de voltar para a aula.
— Tchau! – Ela me dá um beijo rápido na bochecha e sai andando de forma apressada.
— Tchau... – Eu respondo, mesmo ela já estando distante demais para escutar.
— Alguém parece animada. – Comenta Pedro.
— Pois eu estou! – Ele ri um pouco.

De volta à sala de aula. Me sinto um tanto boba, não consigo parar de pensar na tal festa. A sexta-feira parece ainda mais longe, queria que essa festa fosse hoje à noite. Não aguento mais esperar por esse momento, de finalmente estar em um lugar onde ninguém me conhece, onde não preciso ter medo da minha irmã descobrir sobre a Marjorie e eu. Isso se ela não já descobriu e está apenas esperando o momento para explodir em cima de mim. Não há como negar, ela está diferente. Só não tenho certeza se isso tem a ver comigo ou não, e se tem a ver comigo por esse motivo.
— Está tudo bem? – É o Pedro. Balanço a cabeça negativamente. Pensar na Mirian dessa maneira deixou meus olhos cheios de lágrimas. – O que houve?
— Não quero falar sobre isso. – Enxugo os olhos com força.
— Se mudar de ideia, me fala. – Ele parece bem preocupado.
— Obrigada. – Sorrio.

Eu tenho que parar de focar nisso, mas às vezes é difícil simplesmente deixar para lá. Muito difícil. Ela é minha irmã, e amiga. Imagina, vivermos na mesma casa sem se falar. Sem contar a falta que me faria, até mesmo de quando implica com minhas roupas, ou de quando fala sem parar. Queria conseguir prestar atenção na aula, ao invés de ficar pensando nessas coisas que me fazem chorar.

Notas finais
E aí, galerinha, o que acharam? Espero ter suprido suas expectativas. Beijos! :3