A exceção

15 Capítulo 15.


Notas iniciais
Eae galero! Não demorei taaanto dessa vez, né? Que bom que consegui escrever logo porque daqui a pouco eu tenho que estudar muito para as provas da facul Queria agradecer à SomeoneNice e Fenrir por comentarem, fico feliz e motivada com o comentário de vocês! :3 É isso, beijus!

A semana passou vagarosa e sem grandes acontecimentos. Como sempre Marjorie e eu não temos liberdade na escola, e as pessoas implicam comigo na aula e nos corredores e em qualquer lugar do colégio. Na verdade, aconteceu uma coisa fora do comum. Pedro faltou nos últimos dois dias. Eu mandei uma mensagem para ele há dois dias, ele disse que apenas não estava a fim de ir para a aula, mas não sei se estou convencida disso.

Talvez eu deva mandar mais uma, estou preocupada com ele.
— Ei, está tudo bem, mesmo? Caramba, você não costuma faltar. Estou preocupada. – Enviada às 18:54.

Hoje enfim é sexta-feira. Está em cima da hora da festa e eu ainda nem levantei da cama para me arrumar, mas tudo bem, já que 1) a Marjorie vai se atrasar e 2) eu não demoro muito tempo para me aprontar.

Eu não faço a mínima ideia de qual roupa vestir hoje, quero me sentir arrumadinha. Talvez eu pudesse pedir ajuda da Mirian, mas ela anda tão esquisita, tenho um pouco de medo, além disso, eu teria de dizer para onde vou. Acho que vou usar o meu vestido salva-vidas, ele serve para muitas situações, é um vestido de alcinhas preto ajustado ao corpo, dois palmos acima do joelho.

Tomei um banho e fiz uma hidratação no cabelo de dez minutos, assim vou poder usá-lo solto. Não uso maquiagem, sou alérgica e não gosto, pelo menos não em mim. Pelo menos não em mim. Ponho um par de sapatilhas pretas, arrumo minha pequena bolsa preta, escovo os dentes e estou pronta para sair.

Há cinquenta minutos, e nada de resposta da minha mensagem.
— Não vou te deixar em paz enquanto não me responder. E você sabe, estou falando a verdade. – Enviada às 19:43.

Ele responde em seguida:
— Eu estou bem. Como já te disse, eu só não quis ir. Segunda eu vou.
— As matérias foram importantes, se você quiser alguma ajuda, estou aqui para isso.
— Valeu, mas não estou a fim de ver nada relacionado à escola agora. Depois eu procuro saber .
— Se é assim, eu vou indo. Hoje é a festa do amigo da Marjorie!
— Boa sorte, hein.
— Obrigada. Beijo!

Não quero chegar antes da Marjorie, não conheço ninguém por lá. Será que ela já chegou? Vou verificar.
— Oi! Você está em casa ainda? – Enviada às 19:46
— Não, eu estou a caminho! E você?
— Eu vou sair agora. Me espere no portão, eu sou muito tímida para entrar sozinha sem conhecer ninguém, haha!
— Hahaha, entendo! Ok, te espero lá.

Tento passar despercebida pela sala, sem êxito. Minha mãe logo me pergunta aonde vou arrumada, quem vai estar lá. Eu digo que é uma festa com uns colegas da escola. Meu pai logo se anima também com a ideia e pergunta se quero uma carona, eu digo que por mim tudo bem.

No carro, ele pergunta sobre a festa e diz que eu devo tentar fazer amizades lá, e tal. Isso me deixa um pouco irritada, mas finjo que estou feliz com a ideia. Sei que a intenção dele é boa, mas eu não gosto muito de gente e elas não gostam de mim, salvo poucas exceções.

Chegando lá, Marjorie está no portão, como combinado. Ela está usando um vestido rodado azul escuro e marcado na cintura por um cinto de tom um pouco mais claro, que serve perfeitamente nela e realça seus olhos. Ela sorri para mim e eu sorrio com ela.
— Seu cabelo fica ótimo solto! – Diz ela, empolgada.
— E você está linda, mais que de costume! – Ela não responde nada, apenas me dá um beijo rápido e segura na minha mão para entrarmos pelo portão.

O quintal é bem grande e tem bastante plantas, a iluminação é pouca e amarelada, deixando o ambiente agradável, na minha opinião. Não está vazio demais nem muito tumultuado. A música que está tocando agora é Westside, de The Kooks. Não esperava ouvir esse tipo de música hoje, mas foi uma surpresa agradável.
— Rick! – Exclama Marjorie, ao ver um garoto chegando em nossa direção. Ele a abraça.
— Oi Nina, eu sou o Rick, amigo da Marjorie. Fico feliz de terem vindo. – Ele me dá um aperto de mão e um sorriso, eu sorrio de volta. – Se quiserem alguma coisa é só pegar ali na frente, – ele aponta na direção de um refrigerador e uma mesa cheia de comida – bom, eu vou deixar vocês... A vontade. – Ele lança um olhar cúmplice para Marjorie antes de se afastar.
— Eu vou pegar alguma coisa para beber. – Avisa Marjorie.
— Eu vou com você. – Ela ainda está segurando minha mão.

Marjorie pega uma garrafa de cerveja do refrigerador e eu não consigo deixar de ficar surpresa.
— O que foi? – Pergunta ela.
— Nada, só não esperava isso.
— Você não gosta?
— Eu particularmente não, mas também não implico com quem gosta. – Digo, pegando para mim uma latinha de coca-cola. Nós vamos para um lugar um pouco mais reservado. Eu não sei bem o que fazer, depois de tanto esperar por isso, estou tímida.
— No que você está pensando tanto? – Pergunta Marjorie.
— Nada demais. Seu amigo tem um bom gosto musical. – Disfarço.
— Então você gosta de música alternativa? – Eu assinto. Ela toma um bom gole da garrafa. – Eu também, em especial essa banda. – A música que está passando agora é No. 1 Party Anthem. – Dança comigo?
— Não, eu não tenho jeito para isso, e não estou dizendo só por dizer, eu realmente sou muito enrolada.
— Não importa, eu só quero dançar com você. – É extremamente difícil recusar um pedido assim, ainda mais se tratando de Marjorie.
— Tudo bem, mas está avisada.

Ela só me fez dançar o famoso “dois passinhos para cá, dois para lá”, ainda assim eu fiquei meio enrolada, não conseguia dançar direito sem olhar os pés, e eu também estava bastante nervosa, mas ela não se importou muito. Era para ser desastroso e cômico, mas, apesar disso, foi romântico. Foi perfeito, mesmo com os erros. Alguma coisa em Marjorie, talvez seu sorriso, talvez seu olhar, a deixava ainda mais apaixonante hoje. Consigo sentir uma aura especial nos envolver.

A música termina e paramos de dançar. Eu finalmente me sinto mais corajosa, fazendo carinho no rosto de Marjorie com o meu polegar. Ela aproxima seu corpo ao meu e pousa a mão no meu rosto, trazendo-o mais perto dela. E então nos beijamos, sem nos sentirmos censuradas, pela primeira vez. Esse toque, esse sentimento de liberdade, de carinho, é como se tudo estivesse causando uma explosão em mim que eu nunca havia experimentado. Uma explosão boa. Sinto o calor da explosão se propagar em todo o meu corpo.

Só percebo que o tempo passou porque a música troca novamente. Então eu retomo consciência do meu redor e afasto nossos lábios. Agora estamos nos olhando. O que eu devo dizer agora? Droga, Nina, pense em alguma coisa antes disso ficar constrangedor. Só consigo pensar em tomar um gole do refrigerante para disfarçar.
— Viu, não foi tão ruim assim dançar comigo. – Diz Marjorie.
— Não, na verdade, foi ótimo. – Sorrio.
— Eu preciso ir ao banheiro. – Eu a acompanho e seguro sua bebida enquanto ela está lá.

Ficar sozinha mesmo que por pouco tempo, me fez pensar. Me fez lembrar dos meus pais, da minha irmã. E de repente não há mais uma aura especial, há medo, vontade de chorar. Queria simplesmente me negar a passar por isso, e aí não ter que passar por isso. Mas não é assim que funciona.
— Está tudo bem? – Pergunta Marjorie, ao sair do banheiro.
— Não muito. Eu, vou ligar para o meu pai vir me buscar. – Digo.
— Mas já? O que houve? – Isso quase me faz querer ficar, mas aí me lembro do que eu estava pensando há poucos segundos.
— Não estou me sentindo muito bem.
— Por quê?
— Não sei, mas não deve ser nada demais. – Minto.
— Espero que melhore logo.

Eu a abraço de forma demorada. Ela não me pergunta mais nada.

Notas finais
E aí, galerinha, o que acharam? Espero ter suprido suas expectativas. Beijos! :3