A exceção

12 Capítulo 12.


Notas iniciais
Eae galero! Como vocês estão? Espero que bem. Mais de um mês e meio sem postar, pois é, me desculpem. Vou resumir pra vocês: COMECEI A FAZER FACULDADE! Mil desculpas mesmo, eu devia ter avisado antes, mas eu imaginei que o primeiro período seria mais tranquilo. E eu até tive algum tempo, mas também tive muitos problemas, então muitas vezes não tinha energia para nada. Nem para as coisas que eu gosto de fazer. Eu vou entrar em época de prova, então resolvi me dedicar ao capítulo hoje que não tenho aula. Ah, e muito obrigada pelos comentários! ♥ É isso, um beijo e um dia maravilhoso para todos vocês!

Estou sentada sozinha na sala hoje, e sério, isso é bem pior do que parece. Estou sozinha porque eu e meu melhor amigos estamos brigados, que está bem ali do outro lado da sala me lembrando o quanto eu sou burra, e mais ainda, o quanto eu sou idiota, porque eu me importo. Porque meu estômago está incendiado em angústia. E, não bastasse isso, ouço comentários ou piadas sobre mim a todo momento. Alguns alunos, geralmente garotas, me olham com nojo, alguns garotos também, enquanto outros me olham estranho, e agora eu quem estou com nojo. De mim, dos outros, e desse lugar.

É impressionante o descaso do professor com esta situação. Um colégio que fala tanto sobre aceitação, acolhimento, só para os pais verem mesmo. Na prática, ninguém faz nada. E se reclamar é pior.

Me pergunto se na sala da Marjorie isso acontece também. É provável. Se estivéssemos na mesma sala, eu jamais permitiria que a deixassem triste.

Eu estou com vontade de vomitar. Foda-se, eu não consigo aguentar isso, preciso dormir. De qualquer maneira, não estou conseguindo prestar atenção.
***
— Ei, eu preciso trancar a sala. – Ouço uma voz ao meu lado. Levanto a cabeça e minha visão está um pouco embaçada por causa da luz forte batendo em meus olhos, mas consigo ver a dona da voz, que é uma inspetora. O restante da sala está vazio. Presumo que é hora do intervalo.
— Desculpe, eu já vou sair. – Digo, esfregando os olhos.

Levanto-me da carteira e saio para o pátio. Marjorie não está muito longe dali, eu aperto o passo para ir falar com ela.
— Oi. – Cumprimento-a.
— Oi. – Responde com um sorriso calmo.
— Estão falando... Alguma coisa, na sua sala?
— Sim. – Seu sorriso se torna menor, quase some.
— Merda. – Resmungo. – Desculpe. A culpa foi minha. Eu não devia ter contado para ninguém, mas é que, eu confiava plenamente nele, e, desculpe! — Uma lágrima escorre do meu olho direito. Eu a esfrego com o punho.
— A culpa não é sua. É das pessoas que estão falando. – Ela me abraça, tentando me acalmar. – Você está falando do Pedro, não é?
— Sim.
— Não me parece do feitio dele. Tem certeza disso?
— Quem mais poderia ser?
— Eu não sei, talvez alguém tenha nos visto. – Por que ela insiste tanto que não foi ele? Ela mal o conhece!
— Marjorie, não tinha nenhum aluno na escola ainda.
— Seja quem foi, não tem tanta importância. Mais cedo ou mais tarde todo mundo ia começar a falar. – Eu queria ser tão calma quanto ela. O meu mundo parece estar desabando e o dela nem chegou a tremer. Como isso pode não ter importância? Meu melhor amigo pode estar contra mim!
— Achei você! – Diz Elisa, ignorando a minha presença. Juro que eu tinha até esquecido dela.

Saio dali para evitar de me estressar, e também porque preciso ir ao banheiro.

Quando vou lavar as mãos na pia, duas garotas estão fofocando enquanto se maquiam, e ao notar minha presença, me lançam o mesmo olhar que já estou cansada de receber hoje.
— É melhor sairmos daqui. – Diz uma garota de cílios exageradamente grandes, acho que as duas são da turma da Marjorie. Ela realmente falou como se eu fosse uma ameaça só para fazer com que eu me sinta mal? Minha fé nas pessoas está diminuindo significativamente.

O reflexo do meu rosto no espelho me deixa ainda mais triste. Estou um caco. As olheiras me dão uma aparência de doente. Estou completamente abatida, enquanto Marjorie continua radiante como sempre. Não sei como ela consegue, é um dos motivos pelo qual a admiro bastante.

Uma garota loira de óculos sai de uma das cabines, desconfio que ela é da minha sala. Seu rosto não parece hostil, mas ainda assim me assusto. Eu já recebi insultos demais hoje.
— Não ligue para isso, são duas ignorantes. – Diz ela. Eu sorrio de alívio.
— Obrigada.
— Não é bom ficar tão sozinha. Posso sentar do seu lado na aula. – Agora eu me lembro, ela é da minha sala, seu nome é Sarah.
— Não precisa ficar com pena, sabe.
— Só estou tentando fazer amizade com você.
— Então tá. Mas não espere que eu fale muito. Como pode imaginar, meu dia não está dos melhores. Longe disso.
— Eu imagino. Tudo bem.

Ela lavou as mãos e depois fomos para o pátio conversar, no entanto, acabamos não falando muito. E aquele não era um silêncio que eu estava acostumada, era constrangedor, porque eu sabia que ela estava apenas querendo fazer uma boa ação.

Ao soar do sinal, vamos para a sala e ela pega suas coisas e se muda para o meu lado. Pedro olha para cá algumas vezes durante a aula, mas eu faço cara de brava.
— Desculpa perguntar, mas o que está rolando aqui? – Pergunta Sarah.
— Ele é um idiota, e de marca maior. – Ela parece constrangida, ou desapontada. Não sei ao certo.
— Vocês não eram amigos?
— Sim, mas não quero falar disso. O que importa é que não somos mais.

As aulas passam bem mais rápido. Sarah é uma boa companhia, e só de ter pelo menos uma pessoa do meu lado nessa sala, torna as coisas um pouquinho menos difíceis. Apesar de eu já estar sentindo falta do Pedro e da minha tranquilidade.

Na saída, nos despedimos e vou procurar pela Marjorie. Ela parecia estar me procurando também. Quando seu olhar encontra o meu, ela vem na minha direção em passos apressados.
— Como você está? – Pergunta ela, com legítima preocupação no olhar.
— Um pouco melhor. – Ela segura minha mão. Infelizmente tenho de recuar. – Desculpe. Não podemos esquecer que a Mirian estuda aqui, e posso me encrencar.
— Ela já comentou sobre isso?
— Já. Não sobre a gente, mas no geral. – Ela parece um pouco pensativa. – Tenho que ir, até amanhã.
— Tchau.

Nenhum diálogo entre eu e minha irmã no caminho de casa. Meu celular vibra no bolso da minha calça.
Estou com saudades! – Enviada 12h37.

Sorrio, meio boba. E talvez mais que devia.
Também estou! – Enviada 12h37.

Ainda sorrindo. É claro que as coisas podiam estar melhores. Muito melhores. No entanto, fico feliz em ter tomado a decisão de ser sincera com os meus sentimentos, e de quebra ser correspondida. Eu amo demais essa pessoinha que é bonita de tantas maneiras.

Notas finais
E aí, galerinha, o que acharam? Espero ter suprido suas expectativas. Beijos! :3