A exceção
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Alguns podem perceber que a fic foi revisada e reescrita, então, espero que gostem das mudanças. A sinopse eu mudei porque era horrível, mas mantive a capa porque acho bonitinha e o nome para ser mais fácil reconhecer mesmo. Talvez eu mude se (espero) lançar livro. Eu também postarei, simultaneamente, no Social Spirit.
Quem quiser comentar ou até conversar comigo, sinta-se a vontade, também lembrando que incentivos, opiniões e críticas construtivas são sempre bem-vindas. Já falei bastante, desculpa galerinha, tô empolgada sdfshfs
(ps. Eu não consegui refazer a capa e colocar meu nome de verdade no canto, eu usava o Pixlr para fazer capa mas o site mudou. Alguém sabe de algum site ou programa gratuito que consiga desfocar as bordas de uma imagem? Vou ficar muito feliz se alguém me ajudar, mesmo!)
Esta é uma daquelas tardes perfeitas de domingo, em que a cama parece especialmente confortável, como se o lençol fosse feito de nuvens e o travesseiro fosse capaz de espantar os fantasmas que vivem dentro da gente. Ninguém gosta de domingo porque geralmente é um dia para se passar em casa entediado, eu, no entanto, adoro ficar em casa. Principalmente fazendo nada, a não ser olhar o teto. Estou com fome. E preguiça demais para ir à cozinha. Nessas horas eu fico triste pela minha irmã ter vida social e não estar aqui para pegar comida por mim.
Com isso, acabo cochilando antes de criar coragem e levantar. Acordo com o som da televisão no quarto.
— Porra Mirian, desliga isso. – Resmungo, ainda virada para a parede. Aí está um dos muitos motivos para eu não gostar de dividir quarto. Ela não foi planejada, por isso só tem três quartos em casa: o nosso, o dos meus pais, Meire e Marcos, e o do meu irmão, Marcelo. Todos aqui em casa começamos o nome com a letra “M”, meu nome é Marina. mas todos me chamam de Nina, menos minha mãe, ela não se conforma que eu quebre a regra. Às vezes eu me pergunto se meu pai tivesse um nome com uma inicial diferente ela teria casado com ele.
— O volume está baixo, e já estou assistindo TV a meia hora e você estava aí praticamente desmaiada. – Retrucou. Meia hora? Sinto que só dormi por dez minutos. – Ah, eu estava esperando você acordar.
— Por quê? – Finalmente viro-me e olho para ela, de pé na minha frente com a mão pousada na cintura. Ah, não! Quando ela faz essa pose, significa que ela vai sair para algum lugar e me arrastar junto.
— Você sabe que eu estou doida para experimentar o café do Starbucks há muito tempo, e agora finalmente tem um aqui perto de casa. Seria bom você sair um pouco de casa.
— Perto de casa? – Pergunto com sarcasmo.
— Relativamente perto.
— Ah, hoje não. A gente pode até pedir por telefone alguma coisa mais tarde se você quiser, mas por favor, nem insiste.
— Eu quero tomar café, não comer. E você sempre adia tudo! – Ela se aproxima e me puxa pelo braço. Eu resisto. – Por favor! – Não sei o que há de tão incrível no café do Starbucks, eu nunca experimentei, mas é o que todos dizem, inclusive as amigas da Mirian. Acho que estou de bom humor hoje, então vou colaborar. Na verdade, é porque eu sou uma boa irmã, mesmo que não esteja parecendo no momento. Nós sempre nos damos muito bem, é como morar com uma melhor amiga. O que não significa que eu goste de dividir o quarto, é claro.
— Tá, vamos. – Bufo.
Eu presto atenção no que ela está vestindo agora. regata branca, saia preta, sapatilha azul. Ela nem trocou a roupa de sair quando chegou. Com certeza sabia que eu iria, caso contrário, não me deixaria em paz enquanto não conseguisse me arrastar daqui. Eu? Bem, eu estou com uma blusa velha e calça de pijama. Troco por um short jeans e calço um tênis que costumava ser branco.
— Estou pronta. – Digo.
— Você está brincando, né? – Ela diz encarando as roupas que eu estou usando. – Vai sair assim?
— Exatamente. Eu estou sendo arrastada de casa, então que se dane. – Digo trançando o meu cabelo. Na verdade, o meu cabelo está sempre trançado, tenho preguiça demais para cuidar dele e assim ele fica comportado. Não estou sendo implicante, só não quero ter o esforço de pensar no que seria adequado para vestir. Eu tenho um complexo com roupas. Têm que ser completamente confortáveis e também não gosto de passar muito tempo escolhendo.
— Sua blusa está toda amarrotada! – Diz ela, aterorrizada.
— Um pouco, não dá nem para notar.
— Dá sim! Vou escolher uma roupa para você. – Diz ela, já abrindo o guarda-roupa.
— Mas precisa ser confortável, ou então vou desse jeito.
— Como se eu não soubesse... Achei! – Ela tira do cabide uma blusa cor grafite. – Pode usar esse short mesmo e o all star preto.
— Essa blusa é sua.
— Eu sei, estou te ajudando! – Ela pega um colar com pingente de lacinho prateado.
— Você não está tentando arrumar ninguém para mim de novo, né?
— Não! – Ela se faz de ofendida. – Só estou te deixando mais arrumada.
— Sei.
Uma vez a Mirian fez eu me arrumar toda e ir com ela a uma festa. Daí ficou o tempo inteiro tentando ser cupido. Foi um desastre, discuti com ela quando chegamos em casa e falei para nunca mais fazer isso. Minha irmã de treze anos tentando desenrolar para mim, e todas as amigas dela perceberam, claro. Humilhação.
Não levo muito jeito para flertar, nem sou do tipo "preciso ficar com alguém" e nunca senti como se tivesse algo errado. Mas não culpo a Mirian, as pessoas sempre falam como se namorar sinônimo de plena felicidade. Mamãe também fica tentando me arrumar namorado. Até meu pai, de vez em quando. Marcelo é o único mais tranquilo.
Um ônibus depois e mais um tempo andando, chegamos ao Starbucks. Me sinto uma garota do Tumblr.
Eu adoro ambientes pouco iluminados e paredes de madeira, sei lá, me parece aconchegante, e o cheiro de café também. Minha irmã me pergunta o que quero e eu não faço ideia, então digo que quero o mesmo que ela escolher, que é, um latte e um donut.
Fomos sentar e eu comecei a notar na garota sentada à nossa frente. Ela estava sozinha bebendo um café, não acho que aquele era o primeiro, ela estava visivelmente agitada, a mão no celular tremia levemente. Me pergunto se ela estava discutindo com alguém, isso explicaria a agitação e a ruguinha bem no meio das sobrancelhas. Quando percebeu que eu estava olhando, ela veio falar comigo, o que quase me assustou. Quase. Por que a partir de agora ela é a garota mais fofa que eu já vi. E estou mentalmente agradecendo pela Mirian não ter me deixado sair toda desarrumada de casa. Seria constrangedor. Eu nem sabia que era possível uma pessoa ser tão bonita. Ela tem olhos claros e azuis, que contrastam com o cabelo preto longo e usa franjinha. Se o meu cabelo fosse assim, eu pareceria a Samara, mas ela é bem bonitinha e tem traços delicados e femininos.
— Ei, eu te conheço, não é? – Diz com um sorriso enorme. Antes que eu possa responder, ela continua: – você estuda no mesmo colégio que eu, é da turma mil e um, certo?
— Sou. – Ela parece um pouquinho louca, mas bem simpática, e seria grosseiro dizer que nunca a vi. Especialmente porque todo mundo na escola sabe o nome um do outro e eu nem sei o nome das pessoas da minha turma.
— Eu sou a Marjorie, da turma mil e um! – Ainda não lembro dela, me pergunto como posso não ter prestado atenção em uma pessoa tão radiante. Talvez porque quando estou na escola estou ocupada demais pensando em ir embora. Não é que deteste estudar, e sim o meu colégio. Eu sempre fui a nerd excluída, tirando nerd. Eu sou uma aluna mediana. Em outras palavras, a aluna nota sete. E não estou reclamando por ser excluída, só não gosto mesmo dos alunos, todo dia tem alguém arrumando motivo fútil para brigar e chamar atenção. Meu único amigo da sala é o Pedro, mas ele é bem diferente dos outros e, provavelmente, de qualquer adolescente da face da Terra.
— E meu nome é Marina, mas me chame de Nina. Essa é minha irmã Mirian.
— Você parece tão fofa! – Exclama Mirian.
— Nossa, quando vi vocês só pensei "preciso conhecer"! – Responde Marjorie.
— O café daqui é bom como dizem?
— É sim! – Diz Marjorie, claramente sob efeito de muito café. Mas de um jeito bonitinho. Impossível não dar um sorrisinho.
Ouço chamarem pelo nome de Mirian então vou pegar nosso pedido. Eu geralmente me irrito com as pessoas animadas demais, fofas demais, sorridentes demais. Eu sinto como se estivessem fingindo isso o tempo todo para serem e se sentirem amadas e ninguém desconfiar do quão são ruins quando interessa. Porque muitas vezes é assim mesmo. Mas a Marjorie tem aquela coisa que as crianças têm e que as pessoas costumam perder quando crescem. Aquele brilho nos olhos, o sorriso do tipo que você percebe que a pessoa não consegue parar e que por isso é o mais sincero, além da capacidade de ver o bem nas pessoas, mesmo que tenha acabado de conhecê-las.
— Não quero atrapalhar vocês, então, eu vou voltar para a minha mesa e resolver se peço mais alguma coisa. – Ela é tão extremamente agradável que poderia comer sozinha meu pacote de biscoitos favoritos e eu não me importaria. E sim, sei que estou sendo redundante com tão extremamente.
— Só não tome mais café. – Sorrimos.
— Senta com a gente. – Sugere Mirian.
— Obrigada. – Ela sorri. – Qual a diferença de idade entre vocês?
— Mirian é dois anos mais nova.
— E os signos?
— Eu sou canceriana. – Respondo.
— Ariana. Você acredita em horóscopo?
— Acredito, mas acho que nem sempre as características batem porque algumas pessoas mudam muito. Outras mantém sua essência. Signos não tem nada a ver com as experiências que cada um passa.
— Faz sentido. Qual o seu? – Pergunta Mirian.
— Peixes. Posso fazer o mapa astral de vocês depois se souberem a hora que nasceram.
Nós conversamos e rimos enquanto bebemos latte. Dei metade do meu donut para Marjorie, percebi que ela estava constrangida de pedir. Na verdade, elas conversavam e eu fazia um comentário vez ou outra. As duas sabem puxar qualquer assunto naturalmente. Eu não consigo pensar em muito para falar.
O café daqui é bom, mas não acho que seja tanto quanto dizem, é como de qualquer outra cafeteria. De qualquer forma, eu gosto de cafeterias, e aqui é bem confortável.
No caminho de casa, Mirian fala do quanto o Starbucks é bom e que eu é quem não tenho paladar apurado. Ela parece quase ofendida. Nunca vou entender esse vínculo que as pessoas têm com café servido em copos bonitos. No entanto, estou feliz de ter ido.
Ainda me pergunto porque a Marjorie parecia irritada com o celular. Será que alguém a deixou esperando? Talvez não. De qualquer maneira, ela parece ter esquecido o celular completamente depois de sentar com a gente.
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